Postado em 04-07-2009

O efêmero, o eterno e as memórias

por Aseth | Categoria: Pensamentos | Lido 15 vezes

Se não somos eternos, como podemos sequer pensar essa possibilidade? Não, essa questão não é minha, é filosófica. Como pensamos? Pensamos no oposto do que somos. Eternidade, perfeição, bondade e outras coisas. Dai se pensa em Deus, se pensa no eterno.

Não diria todos pq é claro que seria ridículo, mas uma grande, grande mesmo, quantidade de pessoas busca o eterno. Buscam quando vão à igreja, quando buscam relacionamentos, quando prometem amar na saúde e na doença, até que a morte os separe. É claro que há a promessa de união após a morte. Esse eterno fez a beleza da literatura por séculos, da música, da pintura.

Quem não concordaria que Mozart, Bach, Platão, Aristóteles e outros são eternos? São pq sentimos assim. Um dia podem ser esquecidos, é fato, mas o efeito de suas obras terá influenciado tudo que se passou até ali. Hegel dizia, por exemplo, que é impossível pensar o mundo hoje sem pensar o cristianismo, de tão profunda a ligação. Resumi porcamente e com minhas palavras, mas é isso. Para Hegel o cristianismo fez-se eterno. É parte da dialética.

Ontem, por um motivo bobo, eu disse que nada era eterno, falei sem pensar. Agora estou pensando e discordo do que disse. Se tivesse pensado ontem, não teria dito. As coisas podem passar, virar memórias, mas se tornam eternas, pois influenciam os próximos passos todos da causalidade.

Me pego a pensar em Nadja, pra variar. O livro que me marca, volta e meia batendo à minha porta, me mostrando que vivo em uma “casa de vidro”, provando que a causalidade é real, ri de nós, brinca, mas faz de cada um de seus jogos um momento eterno.

Fui à terapia por algum tempo, anos atrás. Ela me disse à época que paixão era bobagem, que amor existia quando as pessoas aprendiam a conviver sem paixão. Eu entendo o que ela queria dizer, faz sentido pra muita gente, para aqueles que não se questionam e vivem um dia após o outro. Não faz sentido para os inquietos, buscadores. Não faz sentido para mim.

Amor faz sentido, mas a paixão também faz. Não me importa se a origem de seu nome é de pathos, doença. Não me interessa se paixão é patológica. A mim importa que a calmaria é morte. Que não se questionar é morte. Que não sentir extremos é morte. Paixão não causa sensação de paz, pelo contrário.

As temperaturas são extremas, a mim não agrada o morno. A mim não agrada a paz. Não adianta eu tentar me iludir. Digo que quero paz, mas não, não quero. Estou em constante combate, prefiro assim. E já que citei Nadja, lembro que em “O amor louco”, Breton diz que “o amor será convulsivo ou não será nada”. Acredito que ali ele coloca o efêmero no eterno: o amor não exclui a paixão de si, jamais, e torna-se para sempre seu próprio momento, na transformação que causa.

O efêmero parece perder o sentido assim, quando se transforma, se tornando parte do todo, que permanece.

Postado em 04-07-2009

O efêmero, o eterno e as memórias

por Aseth | Categoria: Pensamentos | Lido 15 vezes

Se não somos eternos, como podemos sequer pensar essa possibilidade? Não, essa questão não é minha, é filosófica. Como pensamos? Pensamos no oposto do que somos. Eternidade, perfeição, bondade e outras coisas. Dai se pensa em Deus, se pensa no eterno.
Não diria todos pq é claro que seria ridículo, mas uma grande, grande mesmo, quantidade [...]

Postado em 21-06-2009

Confissões, pt. III

por Aseth | Categoria: Pensamentos | Lido 72 vezes

O fator Touro se refere, no entanto, a um componente muito mais profundo da personalidade: os critérios de valor. Atribuímos valores às coisas, a nós mesmos, e é este valor que sustenta tanto a realidade material que podemos construir quanto a segurança que sentimos através dessa realidade.
- Valdenir Benedetti in Textos Planetários
Comecei a pensar nisso [...]

Postado em 16-06-2009

Pertencer, por Clarice Lispector

por Aseth | Categoria: Livros | Lido 88 vezes

Vou fazer como a maioria do povinho que tem blog/fotoblog/blablablog e afins faz: pegar um texto dos outros e postar. A diferença é que geralmente fazem isso pra tapar buraco, por não ter nada a dizer. Posto esse por outro motivo: Clarice Lispector é genial.
Segue:
“Um amigo meu, médico, assegurou-me que desde o berço a criança [...]

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Postado em 07-06-2009

Confissões, pt. II

por Aseth | Categoria: Pensamentos | Lido 103 vezes

Continuando a série: odeio fazer qualquer coisa por obrigação. Qualquer coisa. E esse é o motivo de eu não saber se vou continuar escrevendo essas confissões. Depois que fiz a primeira, numerada, e disse que faria mais, fiquei pensando naqueles números: parte I, II, III, IV…. Poderiam até ser dias, um após o outro, horas, [...]

Postado em 21-05-2009

Confissões, pt. I

por Aseth | Categoria: Pensamentos | Lido 186 vezes

Quando presto atenção nas pessoas vejo que sempre querem mostrar seu melhor lado, ou o que consideram assim. Vamos imaginar um flerte em um bar: o sujeito vai chegar para a garota, sorrir, falar onde trabalha, onde estuda, provavelmente encontrará uma maneira de colocar ali alguns adjetivos bons a seu respeito ou, no mínimo, vai [...]