Nadja
De minha parte, continuarei a habitar minha casa de vidro, de onde se pode ver a todo instante quem vem me visitar, onde tudo o que está pendurado no teto ou nas paredes se sustém como que por encanto, onde repouso à noite, sobre um leito de vidro com lençois de vidro, onde quem sou me aparecerá cedo ou tarde, gravado em diamante.
Sempre, desde que li “Os manifestos do surrealismo”, admirei Breton. Há coisas com as quais não concordo, como sua relação com a política, ou o que diz sobre Dostoievski, para citar alguns exemplos, mas é óbvio que não é necessário concordar com tudo que uma pessoa diz ou faz para admirar sua obra.
Nadja, por vários motivos, é um dos livros que mais gosto. Sempre que retomo esse livro é porque procuro por mudanças. É inconsciente, percebo apenas depois. Percebo agora, quando escrevo.
O fragmento acima é um dos mais belos exemplos de imagem de sua obra. Existem outros, centenas, muitos, mas esse é de Nadja e, por isso, o escolhido.
Se o que somos aparecer gravado em diamante implica dureza, transparência e brilho. Implica que há algo de raro. Implica também eternidade. A essência é eterna e embora única, tem nuances, diferentes faces, como um diamante.
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- Publicado em:
- 07.11.08 / 12pm
- Categoria:
- Livros
- Tags:
- Breton, Livros, mudanças, Nadja, surrealismo
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