Nadja

De minha parte, continuarei a habitar minha casa de vidro, de onde se pode ver a todo instante quem vem me visitar, onde tudo o que está pendurado no teto ou nas paredes se sustém como que por encanto, onde repouso à noite, sobre um leito de vidro com lençois de vidro, onde quem sou me aparecerá cedo ou tarde, gravado em diamante.

- Andre Breton, in Nadja

Sempre, desde que li “Os manifestos do surrealismo”, admirei Breton. Há coisas com as quais não concordo, como sua relação com a política, ou o que diz sobre Dostoievski, para citar alguns exemplos, mas é óbvio que não é necessário concordar com tudo que uma pessoa diz ou faz para admirar sua obra.

Nadja, por vários motivos, é um dos livros que mais gosto. Sempre que retomo esse livro é porque procuro por mudanças. É inconsciente, percebo apenas depois. Percebo agora, quando escrevo.

O fragmento acima é um dos mais belos exemplos de imagem de sua obra. Existem outros, centenas, muitos, mas esse é de Nadja e, por isso, o escolhido.

Se o que somos aparecer gravado em diamante implica dureza, transparência e brilho. Implica que há algo de raro. Implica também eternidade. A essência é eterna e embora única, tem nuances, diferentes faces, como um diamante.

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