Mais um dos textos que estavam esquecidos em algum lugar, nas gavetas de casa. Revirar as gavetas faz com que eu revire também as internas.
Segue:
O corpo único, vertiginoso em todo seu momento, incorpora duos.
Perde-se em si próprio em um ciclo que, quando completo, se reinicia: espiral que aumenta a perda/ganho, mais-querer.
É necessário o reiníncio que unicamente pode substituir a frustração pelo êxtase, como diria Bataille, “ele mesmo é a mulher já esquecida da presença dele, mas excitada no aperto de seus braços” ou, em Nietzsche, “todo prazer requer eternidade”.
Sim, é este eco que se faz ouvir, no brado do sensível a busca do gozo impossível, do extremo que ultrapassa o coito. Transgressão: busca de retorno progressivo à situação natural, de onde surge o apelo de vida, o apelo de morte, o amor que rege o homem-natural, solitário, única chama, acompanhado do impulso erótico que mantém acesa a busca inatingível do Super-Homem.
“O movimento é figura do amor (…) e o esquecimento que vai condicioná-lo”. Novamente recomeçará o movimento, assumirá seu ritmo, mantendo a dialética de vida e de morte se enlaçando.
Corpos em furto mútuo de complementação/continuação. Inacabável explosão que exige seu fim para renascer. Essa Fênix interna alimenta o consciente com sensações e tira sua lógica entregando-o ao outro, incorporando-o, completando o ciclo, expandindo-se em si próprio.
Espiral: do fim ao começo, do meio ao começo e ao fim a superação grita seu espaço, se expandindo/superando em torno do centro, o imaginário.
Este movimento se torna mortal em uma relação de dependência extrema, onde se recria ou se morre/ assassina.
A natureza exige ser recriada sobre a pena de recriar.
- Algum dia de 1991
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