Canalhice sartreana
Não estou defendendo o que ele diz, como se vê pelo título, que fique claro. Estou postando essas linhas pra ver se gera discussão, embora duvide.
A propósito, eu disse que acompanharia as estatísticas e o trabalho sobre Panofsky é o recordista de buscas no site até o momento. Fim de semestre na USP. Coincidência?
Segue:
Por que, para Sartre, a busca de uma verdade do homem constitui tarefa a ser desenvolvida por uma antropologia estabelecida a partir do marxismo?
Para Sartre, o homem é parte de um processo de constituição, de construção de si, no qual o é livre para se determinar, de forma que “a existência precede a essência do homem”. Ao contrário do defendido por muitos filósofos até então, Sartre defende que o homem não nasce com uma essência e por isso segue esse processo de subjetivação, buscando vir a ser, como no movimento dialético, no “em-si, para-si”.
Dessa forma, distante dessa essência determinada e eterna, o indivíduo se faz através da objetivação do outro, da interiorização do exterior e exteriorização de seu interior, passando por transformações que o levam no caminho de uma constituição-totalização que nunca será concluída. Dentro desse contexto, fica claro que à História, aos fatos e situações, deve ser atribuída uma importância imensa nesse processo.
Se não há uma essência eterna, Sartre pensa então como são os meios para um conhecimento adequado do homem, este, que é formado pela História ao mesmo tempo em que a forma, tanto como indivíduo quando como parte de uma coletividade.
Para que o homem não se torne apenas um objeto do processo histórico, é necessário pensá-lo também como transformador, posto que é livre para determinar-se. Sartre propõe uma antropologia estrutural e histórica, ou seja, que deverá analisar as estruturas da existência, visando compreender a humanidade em sua universalidade concreta, e na necessidade de compreender a existência dentro das manifestações e dos fenômenos históricos, sendo que a verdade histórica é um movimento, um processo que busca uma totalização. Não é, no entanto, função dessa antropologia apresentar uma idéia de totalidade acabada, que contraria a própria natureza de movimento histórico, bem como da subjetivação do homem.
Para servir de base a essa antropologia, a filosofia precisa ter lugar para o “devir”, para esse processo dialético com todas as suas contradições, que virão a ser integradas, de forma que o Marxismo, para Sartre, como sendo “a única filosofia do nosso tempo”, ou seja, a única capaz de representá-lo, é a adequada não por opção de método, mas por necessidade, haja visto que para o filósofo o Marxismo é uma filosofia viva, vinda da práxis histórica e em relação permanente com ela, assim como o homem também é sujeito de sua práxis.
A dialética aqui proposta visa compreender o processo de objetivação do homem, o movimento de constituição, levando em conta a práxis em que ocorrem estes fenômenos da existência, analisando como tais processos ocorrem a partir da “prática”, ou seja, um conhecimento do homem pelo homem, produto da manifestação direta da condição humana histórica, e não de conceitos abstratos. É somente através do entendimento da práxis que iremos compreender a existência histórica e os processos de objetivação, subjetivação, constituição e totalização, isto é, a verdade sobre o homem. Para ele, a teoria tradicional, pautada em uma razão analítica, é insuficiente para abarcar os propósitos desta missão.
Canalhice sartreana
- Publicado em:
- 09.12.08 / 6pm
- Categoria:
- Filosofia
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