encontro os desenhos do devasso vergalho
ainda cálidos sobre minha pele sulfurosa,
cadentes células, traços vermelhos de contato,
romper de lâminas, respostas contra meu querer
sete caudas deslizam quando se enroscam,
sua prole sangrando em minha pele icônica
arrependido, com efeito, espero o porvir do galho,
fustigando meu corpo como pássaro, couro rasgado,
amarelo ouro, corado pelo rubro de meu sangue oleoso,
deveras louro, respingado pelo grânulo de ferro
ópio e demais sabores, demiurges atemporais e afetuosas
queria dessas lambidas lascivas o fulgor de um lince
mas de relance um estampido sorrindo seco
ao segurar meu braço quando defendo o peito
oferecendo as costas ao rufar de trançado atento
ora embebido em álcool, ora verde claro, leitoso, materno
amores vencidos de segunda classe
fisgados pelo lampejo amorfo de minha vingança
exímio mártir na senda biológica de meu templo desfeito
me traz em vôo seres fadados, tomados de pontas e agulhas,
alimentando chamas com as memórias amputadas
que minha infância belicosa me traz
17/11/2008
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