Pontos Cardeais
desmoronam palácios sob a tempestade elétrica
quando os elementos detestam a alquimia que os une
o enxofre, a mirra, o ouro e os animais pulsam
diferentes frequências combatem a donzela
mulher-sereia-música-única tornada, musa talvez
escoa ao meu redor o norte magnético
dizendo ao sul que são, em verdade, apenas um
estendo os braços paralelos, as mãos rodando
descortino-revelo o eixo do mundo,
que gira deitado e abre espaço
entre débeis rasteiros,
figurados e cheios de medo,
dançando em pares estreitos
ecoa, o compasso dispara, arritmia navegando velas
em busca de telas, pinturas e peles-obtusas,
seda de meias e luvas, envolturas e contornos agudos…
em todas as direções vê reflexos crônicos
mas ainda não é a Uma, a que paira como o leme
guiando a embarcação terrena, destemida como vício
frondosas redes e ganchos salgados, armadilhas em que me jogo cego
furiosos caracóis, não encontro!, junto aos corais
folhas e frutos e amorfos seres marinhos,
levados a extremos, habitantes infernais
cadafalso maior que aço no tendão de Lúcifer
- a ladainha, seu palpitar me chega em sinais
magnéticos são meus olhos piscantes, inverterados
guiados por ti, horizonte picante,
temperados na ardósia dos pontos diversos
que fazem do outro e de mim
abismos do fim do mundo
18/11/2008
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