Não é segredo para qualquer pessoa que me conheça que sou admirador dos trabalhos do grupo catalão (se ainda posso chamá-los assim, tão internacionais que se tornaram) La Fura Dels Baus. Já disse em um post anterior que atualmente eles estão mais calmos, em outra frequência que não a “barbárie” de 15 ou 20 anos atrás.
Enfim, voltando ao título do post: erotismo x pornografia. Qual a diferença? Estética? Moral? Física? Se é física, como encaixar a moral? Na ruptura/provocação, talvez? A moral funcionaria como freio ou propulsor? Há inúmeras questões que devem ser levantadas e estas, por sua vez, levantam mais. Escrevi algumas linhas sobre isso quando tinha… 17 anos. Sei que ainda tenho por aqui, resta encontrar em meio à papelada. O que penso hoje é mais complexo, mas não joguei fora o que pensava então, implementei aqui, aprofundei ali, mudei acolá. Eram ingênuas lá atrás, mas curiosamente, talvez por isso, pegava um ponto do ser humano em espercial: a imaginação.
Qual a relação entre La Fura e o tema proposto aqui? Quem conhece o trabalho do grupo sabe bem a ligação que eles tem com os instintos, com a provocação da parte sombria, da carne, do medo. Há mais do que isso: existe uma montagem do grupo chamada “XXX”, que infelizmente não chegou ao Brasil, assim como a maioria dos trabalhos que montaram. XXX é explícita e foi bem comentada na época. A maioria, no entanto, preferiu ficar com a hipótese mais óbvia: o “grupo queria chocar”. Tenho dúvidas e por isso resolvi postar um trailer que encontrei no youtube com algumas cenas. Dá para ter uma idéia do que se passa e também é possível ver que mesmo vibrando em outra frequência, há ainda muito instinto ali. Instintos, porém, são puramente animais. O que há além disso naquelas imagens para torná-las também eróticas?
Segue o vídeo (espero que ninguém tire de lá, pois vale assistir):
Em “O erotismo” (L&PM, 1987), Georges Bataille diz que
“o erotismo é um dos aspectos da vida interior do homem. Nisso nos enganamos porque ele procura constantemente fora um objeto de desejo. Mas esse objeto corresponde à interioridade do desejo. A escolha de um objeto depende sempre dos gostos pessoais do indivíduo: mesmo se ela recai sobre a mulher que a maioria teria escolhido, o que entra em jogo é sempre um aspecto indizível, não uma qualidade objetiva dessa mulher (…). Em resumo, mesmo estando de acordo com a maioria, a escolha humana difere da do animal: ela apela para essa mobilidade interior, infinitamente complexa, que é típica do homem.”
(…)
“A atividade sexual dos homens não é necessariamente erótica. Ela o é sempre que não for rudimentar, que não for simplesmente animal”.
Percebem a diferença?
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Um Comentário
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‘O instinto sexual não é sublimado pela indústria cultural, como nas verdadeiras obras de arte. Ao contrário, o reprime e sufoca.
Entre todos os problemas o Erotismo é o mais misterioso, mais geral e mais distante.
Onde está o Erotismo e a Pornografia afinal? Será que na idéia? Na atitude? Na condução? Na Kundalini? O que faz ser um e outro, dá pra coexistirem? É provocado?
Na palavra , naquilo que se lê, pode-se trazer algo que represente ou que faz-se sentir :
- enrijecido, forte, pulsa, úmido, estremece, levemente, suga, escorre, geme, lateja, aperta, suspira, pulsa, quente, forte, suor, saliva, ofegante, expulsa, comprime, boca, pernas, lábios, expreme, pulsa, entorpece, vulva, vagina, ereto, envolve, pênis, toca, pêlos, odor, acelera, instiga, pele, desliza, pulsa, estimula, língua, abraça, aperta, penetra…penetra…penetra, enlaça, pulsa, sexo, arranha, empurra, fere, grita, sufoca…explode, pulsa…expulsa – ‘