Continuando a série: odeio fazer qualquer coisa por obrigação. Qualquer coisa. E esse é o motivo de eu não saber se vou continuar escrevendo essas confissões. Depois que fiz a primeira, numerada, e disse que faria mais, fiquei pensando naqueles números: parte I, II, III, IV…. Poderiam até ser dias, um após o outro, horas, minutos. É rotina, rotina é obrigação e obrigação cansa.
Quando era mais novo eu me achava indisciplinado, pensava que não conseguiria fazer nada que exigisse muito esforço, mas isso, no fundo, não era verdade e hoje entendo melhor. Comecei a ter aulas de violino, adorava. Algumas aulas depois e eu já me sentia obrigado a ir. Dá pra imaginar o restante. O mesmo vale pras aulas de guitarra etc.
Percebo que não era indisciplina quando presto atenção na forma como trabalho e sempre trabalhei ou como me entrego às coisas que faço realmente por gosto: não penso duas vezes, não questiono se estou ou não com vontade, vou e faço.
O problema é quando algumas coisas que são feitas por gosto se tornam obrigação. Quando comecei a fazer músicas em meu quarto, ligava o computador, compunha, montava, editava, mixava, blá blá blá… Um dia soltei uma demo, divulguei relativamente bem, deu bom retorno, alguns bons reviews, outros nem tanto.
Continuei trabalhando em músicas novas, mas acontecia de alguém perguntar “e ai, quando teremos músicas novas?” e a coisa começou a degringolar… Me sentia obrigado a compor, bem como a dar satisfação. Deixei 12 músicas prontas, prontas pra gravar vocais, esquecidas por quase dois anos no computador. Um dia decidi que estava cansado delas e liberei como estavam, sem voz. Foi um tipo de exorcismo, eu sei. Não acho que letras e vocais sejam importantes em música, mas não é esse o ponto. O ponto é que não faço mais pq ainda me sinto obrigado. Uma hora, quando não me sentir mais, quem sabe…
O mesmo tá valendo pro site, pros escritos, pros rabiscos: estão se tornando obrigação. O chato é que sempre há um tanto de desapontamento por conta disso. Não gostar de fazer por obrigação é compreensível, ninguém gosta, imagino, mas não evita aquela pontada afiada que diz “falhei”.
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