Confissões, pt. III

O fator Touro se refere, no entanto, a um componente muito mais profundo da personalidade: os critérios de valor. Atribuímos valores às coisas, a nós mesmos, e é este valor que sustenta tanto a realidade material que podemos construir quanto a segurança que sentimos através dessa realidade.
- Valdenir Benedetti in Textos Planetários

Comecei a pensar nisso ontem, tipo “posso escrever sobre isso depois”. Agora que comecei estou achando inútil e desnecessário. E é! Vou escrever brevemente, então, só para constar…

Decidi que vou tentar o máximo para ter uma vida mais espartana, sem coisas desnecessárias deixadas nos cantos da casa, ocupando espaço e me lembrando que estão sem uso.

Percebi que tenho coisas que jamais usei, outras que perderam o encanto depois que foram resolvidas. Exemplo? Quando era moleque queria ter uma guitarra decente, com modelo diferenciado, como as que via com as bandas nos videoclipes. Queria, mas não tinha, por falta de grana, mas também pq na época existia algo que a molecada hoje nem sabe, chamado “reserva de mercado”, e a importação dessas coisas não era fácil como hoje. Se hoje algumas coisas ainda são caras por causa dos impostos e frete, imagine como era nos anos 80.

Mais exemplos? Discos. Meu primeiro vinil foi “Creatures of the night”, do Kiss, comprado em 1983, quando eles estiveram no Brasil pela primeira vez. Depois disso comecei a ouvir mais e mais músicas, mas e pra comprar?

Os discos eram caros demais, tanto que eram comprados raramente e, quando acontecia, ouvia muito e conhecia as músicas de ponta a ponta. Bem diferente de hoje, não? O MP3 e as facilidades de produção em estúdios caseiros aumentou tanto a oferta que ninguém conhece mais nada. Eu mesmo já comprei discos e ouvi apenas uma vez. Mas vamos voltar ao assunto…

Comprei centenas de discos há algum tempo, coisas que queria naquela época e não tive. Ouvi alguns, outros foram direto para a prateleira, pra falar “eu tenho”. Isso vale pra tanta coisa… bicicleta, guitarras, discos, tênis, roupas. São apenas objetos, eu sei, e percebi que muitas dessas coisas podem ser simplesmente descartadas agora, mas somente agora. Antes não era possível, não podia descartar algo que não tinha.

Fico imaginando, por outro lado, qual será a próxima pendência perdida no subconsciente.

Links relacionados:

  1. Confissões, pt. II
  2. Confissões, pt. IV
  3. Confissões, pt. I


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