O texto abaixo foi escrito em 1991, quando eu tinha 18 anos. É um dos que faz sentido e gosto até hoje. Não posto aqui por orgulho ou sei lá o que, mas por não querer que se perca. É parte de algo…
Segue:
Por em movimento o “retorno de si mesmo ao anel dos anéis”. Nada se perde no inextinguível archote Desejo. O sêmen que se vai retorna em prazer, e o corpo, este Único, se faz Duplo.
Este palpitar é necessário, força motriz imperativa da imaginação. A força-sensação trabalhando num ponto anterior à configuração. Um abalo no impacto dos sons e uma imagem anteposta ao compreender.
Aficcionar-se e desagregar-se pela inoculação do sentido/sensação/re-ação. E se dá o retorno. Toma-se a origem das pausas e a provocação da carne como análise ultra-imediata de estímulos e sua reação, respectivamente.
Explodir-se em si e para si, explodir-se em outro, para si. Tornar-se voz de autoridade. Terrorismo provocativo onde o que o outro sente e quer depende de minha vontade, mesmo suas variações, devido à multiplicidade de imagens e suas correlações, por ter-se permitido sentir. Minha visão se impõe ao deleite/desespero do outro.
Não haverão mais pontos despercebidos ao imaginário. Tudo será visto/sentido e re-sentido e, ainda, re-tornado, imediatamente auto-associando-se ao seu fragmento somático/emocionante.
A ação da imagem. Sua palpitação. Sua adaptação à mobilidade e à acústica que lhe passarão a ser próprias. E tudo é próprio da imagem. Re-tornar à imagem e a si. Um descobrir e, com este, outro. Cabe ao olfato/paladar da imagem sua associação.
Dionisiacamente re-tornar aos alimentos de emoções, continuamente aprendendo onde por pausas, impedindo assim que se o outro desfaleça antes da superação. Mais uma vez retornar, como nos eternos retornos sadeanos, à nova imagem/palpitação/desejo, sendo tudo isto o ato do visionário e atitude suprema.
(Foto ilustrativa: La Fura Dels Baus, em Imperium)
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