Faz tempo que não escrevo aqui. Ando ocupado e, principalmente, sem vontade nenhuma, mas já que estou aqui, vamos ao assunto…
A música é uma ótima forma de expressão pra quem tem aquele ímpeto adolescente, aquela rebeldia ingênua, que acha que vai mudar algo se expressando dessa forma. Vejo Rolling Stones e outros dinossauros no palco tocando as mesmas coisas que tocavam nos anos 50/60 e fico com vergonha pelos fãs. A banda está fazendo o papel deles, enchendo cofres. Os fãs acham rebeldia. Eu acho apenas ridículo. A transformação não é feita de clássicos, é feita de rupturas e violência. Tudo o que se torna clássico se torna referência e, como tal, deixa de ser um provocador de fato, mas apenas um espelho para cópias
A música não é mais uma forma de expressão pra mim. Deixou de ser lá atrás, na adolescência, quando a ingenuidade foi ficando pra trás. Hoje, depois do acúmulo de bagagem da vida, de tudo que me forma, só sinto desprezo por quase tudo que vejo de forma geral. Desprezo a superficialidade e se você é assim, é um lixo como qualquer outro, se não, siga em frente. A real é que difícil alguém aceitar o fato de ser.
Não achei que mudaria nada fazendo música, pelo contrário, tenho ciência de que poucos ouvem e deixar de “compor” não fez ou faz diferença alguma. A máquina do mundo continua e somos apenas bactéria em relação ao todo maior. A questão que resta é: eu gostaria de fato de mudar algo? A resposta é sim, mas não pela escrita ou composição. Se eu pudesse, não seria pela arte, mas por um massacre…
Odeio passividade, sorrisos falsos, pessoas “super legais”, sem senso crítico algum, que aplaudem qualquer porcaria pela estética e não pelo que aquilo representa de fato. E digo isso não apenas em relação à música. Serve também para amizades, relacionamentos, arte (todas as formas) e o que mais vocês quiserem pensar. Qualquer coisa desprovida de provocação é pobre em forma e conteúdo.
Me falaram mil vezes para eu levar a vida mais levemente, mais alegre, ser mais sociável. Sabe quem é que faz isso? Pessoas comuns e/ou que se contentam com pouco. Não eu. Hoje é um sábado de calor insuportável. Só meu carro está na garagem. Se estivesse chovendo, só o meu não estaria.
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Santo Agostinho disse: “Há homens que se agarram a sua opinião, não por ser verdadeira, mas simplesmente por ser sua”. Sobre o que acabei de ler, não teço nenhum tipo de julgamento, apenas o que provocou : acredito que por vezes temos que assumir e viver em vida nossa morte. Todos os dias morremos e nascemos novamente. Precisamos nos reciclar. E se for preciso matar coisas que amamos, deixar pra trás certos conceitos e vícios que conservamos ao longo do tempo, que assim o seja. Apenas assim, podemos mudar.
Obs.: tava sentindo falta de você por aqui…