Certezas

Nos últimos 3 meses, li aproximadamente 15 livros para a prova do mestrado. Não acho que é muito, pelo contrário, teria dado para ler mais, se minha vida se resumisse a leituras. Felizmente não é o caso. É claro que gosto de ler, mas é preciso bem mais do que isso, por certo. Curiosamente, apesar de serem livros obrigatórios, não são livros dogmáticos, cheios de respostas. Claro que defendem idéias, representam seus autores, mas são aporéticos em sua maioria e por isso são bons livros.

Se livros com fórmulas e receitas fossem tão bons, a história da Filosofia seria outra, certeira, sem discussões, provavelmente teria sido acabada há mais de dois mil anos. A frieza dos dogmas não me interessa, apenas o orgânico das certezas que se tornam dúvidas. O último livro lido, de Peter Brook, termina dizendo que quando forem publicadas, aquelas linhas já estarão ultrapassadas e merecerão questionamentos. Detalhe: o livro foi publicado pela primeira vez há mais de 30 anos.

É curioso hoje ver com tantas “certezas” tornaram o mundo um tédio. A maioria das pessoas é tão cega e certa dentro de seus pequenos mundos que mesmo os que posam de visionários apenas receitam absolutos. Sucesso, ambição, falta de conflitos, necessidades de diferença expressas na aparência quando por dentro há apenas homogêneo: concordância generalizada com uma ordem que esconde os vícios do comum sob a aparência da modernidade.

Acontece, porém, que não cabe ser nostálgico e crer que as coisas eram melhores antes. Esse seria um equívoco sem proporções. Poderia afirmar diversas coisas aqui, mas não quero também incorrer em erro exatamente quando estou com mais dúvidas e questionamentos vivos na mente. Não me cabe dizer como algo deve ser, apenas continuar questionando. Se um dia eu tiver alguma certeza, meu crescimento terá acabado.

Adaptando uma afirmação de Marvin Carlson, digo que não há espaço confortável para mim em nenhuma das diversas teorias existentes, mas me interesso por elas quando me fazem ver onde estou, seja por afirmação ou negação.

São bons livros, mas não os recomendo.


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