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	<title>Transtorno&#187; Musica, Ocultismo, Filosofia e Pensamentos Transgressivos</title>
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	<description>Música, Ocultismo, Filosofia e Pensamentos Transgressivos</description>
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		<title>O efêmero, o eterno e as memórias</title>
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		<pubDate>Sat, 04 Jul 2009 03:25:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aseth</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pensamentos]]></category>
		<category><![CDATA[acasos]]></category>
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		<description><![CDATA[Se não somos eternos, como podemos sequer pensar essa possibilidade? Não, essa questão não é minha, é filosófica. Como pensamos? Pensamos no oposto do que somos. Eternidade, perfeição, bondade e outras coisas. Dai se pensa em Deus, se pensa no eterno.
Não diria todos pq é claro que seria ridículo, mas uma grande, grande mesmo, quantidade [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Se não somos eternos, como podemos sequer pensar essa possibilidade? Não, essa questão não é minha, é filosófica. Como pensamos? Pensamos no oposto do que somos. Eternidade, perfeição, bondade e outras coisas. Dai se pensa em <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a>, se pensa no eterno.</p>
<p>Não diria todos pq é claro que seria ridículo, mas uma grande, grande mesmo, quantidade de pessoas <a href="http://www.transtorno.net/tag/busca/">busca</a> o eterno. Buscam quando vão à igreja, quando buscam relacionamentos, quando prometem amar na saúde e na doença, até que a morte os separe. É claro que há a promessa de união após a morte. Esse eterno fez a beleza da literatura por séculos, da <a href="http://www.transtorno.net/tag/musica/">música</a>, da <a href="http://www.transtorno.net/tag/pintura/">pintura</a>.</p>
<p>Quem não concordaria que Mozart, Bach, Platão, Aristóteles e outros são eternos? São pq sentimos assim. Um dia podem ser esquecidos, é fato, mas o efeito de suas obras terá influenciado tudo que se passou até ali. Hegel dizia, por exemplo, que é impossível pensar o mundo hoje sem pensar o cristianismo, de tão profunda a ligação. Resumi porcamente e com minhas palavras, mas é isso. Para Hegel o cristianismo fez-se eterno. É parte da dial<a href="http://www.transtorno.net/tag/etica/">ética</a>.</p>
<p>Ontem, por um motivo bobo, eu disse que nada era eterno, falei sem pensar. Agora estou pensando e discordo do que disse. Se tivesse pensado ontem, não teria dito. As coisas podem passar, virar memórias, mas se tornam eternas, pois influenciam os próximos passos todos da causalidade.</p>
<p>Me pego a pensar em <a href="http://www.transtorno.net/tag/nadja/">Nadja</a>, pra variar. O livro que me marca, volta e meia batendo à minha porta, me mostrando que vivo em uma &#8220;casa de vidro&#8221;, provando que a causalidade é real, ri de nós, brinca, mas faz de cada um de seus jogos um momento eterno.</p>
<p>Fui à terapia por algum tempo, anos atrás. Ela me disse à época que paixão era bobagem, que <a href="http://www.transtorno.net/tag/amor/">amor</a> existia quando as pessoas aprendiam a conviver sem paixão. Eu entendo o que ela queria dizer, faz sentido pra muita gente, para aqueles que não se questionam e vivem um dia após o outro. Não faz sentido para os inquietos, buscadores. Não faz sentido para mim.</p>
<p><a href="http://www.transtorno.net/tag/amor/">Amor</a> faz sentido, mas a paixão também faz. Não me importa se a origem de seu nome é de pathos, doença. Não me interessa se paixão é patológica. A mim importa que a calmaria é morte. Que não se questionar é morte. Que não sentir extremos é morte. Paixão não causa sensação de paz, pelo contrário. </p>
<p>As temperaturas são extremas, a mim não agrada o morno. A mim não agrada a paz. Não adianta eu tentar me iludir. Digo que quero paz, mas não, não quero. Estou em constante combate, prefiro assim. E já que citei <a href="http://www.transtorno.net/tag/nadja/">Nadja</a>, lembro que em &#8220;O <a href="http://www.transtorno.net/tag/amor/">amor</a> louco&#8221;, <a href="http://www.transtorno.net/tag/breton/">Breton</a> diz que &#8220;o <a href="http://www.transtorno.net/tag/amor/">amor</a> será convulsivo ou não será nada&#8221;. Acredito que ali ele coloca o <a href="http://www.transtorno.net/tag/efemero/">efêmero</a> no eterno: o <a href="http://www.transtorno.net/tag/amor/">amor</a> não exclui a paixão de si, jamais, e torna-se para sempre seu próprio momento, na transformação que causa.</p>
<p>O <a href="http://www.transtorno.net/tag/efemero/">efêmero</a> parece perder o sentido assim, quando se transforma, se tornando parte do todo, que permanece.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Confissões, pt. III</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Jun 2009 01:23:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aseth</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pensamentos]]></category>
		<category><![CDATA[Confissões]]></category>
		<category><![CDATA[desejo]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>

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		<description><![CDATA[O fator Touro se refere, no entanto, a um componente muito mais profundo da personalidade: os critérios de valor. Atribuímos valores às coisas, a nós mesmos, e é este valor que sustenta tanto a realidade material que podemos construir quanto a segurança que sentimos através dessa realidade.
- Valdenir Benedetti in Textos Planetários
Comecei a pensar nisso [...]


Links relacionados:<ol><li><a href='http://www.transtorno.net/2009/06/confissoes-pt-ii/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Confissões, pt. II'>Confissões, pt. II</a></li><li><a href='http://www.transtorno.net/2009/05/confissoes-i/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Confissões, pt. I'>Confissões, pt. I</a></li></ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>O fator Touro se refere, no entanto, a um componente muito mais profundo da personalidade: os critérios de valor. Atribuímos valores às coisas, a nós mesmos, e é este valor que sustenta tanto a realidade material que podemos construir quanto a segurança que sentimos através dessa realidade.<br />
- Valdenir Benedetti in Textos Planetários</p></blockquote>
<p>Comecei a pensar nisso ontem, tipo &#8220;posso escrever sobre isso depois&#8221;. Agora que comecei estou achando inútil e desnecessário. E é! Vou escrever brevemente, então, só para constar&#8230;</p>
<p>Decidi que vou tentar o máximo para ter uma vida mais espartana, sem coisas desnecessárias deixadas nos cantos da casa, ocupando espaço e me lembrando que estão sem uso.</p>
<p>Percebi que tenho coisas que jamais usei, outras que perderam o encanto depois que foram resolvidas. Exemplo? Quando era moleque queria ter uma guitarra decente, com modelo diferenciado, como as que via com as bandas nos videoclipes. Queria, mas não tinha, por falta de grana, mas também pq na época existia algo que a molecada hoje nem sabe, chamado &#8220;reserva de mercado&#8221;, e a importação dessas coisas não era fácil como hoje. Se hoje algumas coisas ainda são caras por causa dos impostos e frete, imagine como era nos anos 80.</p>
<p>Mais exemplos? Discos. Meu primeiro vinil foi &#8220;Creatures of the night&#8221;, do Kiss, comprado em 1983, quando eles estiveram no Brasil pela primeira vez. Depois disso comecei a ouvir mais e mais músicas, mas e pra comprar? </p>
<p>Os discos eram caros demais, tanto que eram comprados raramente e, quando acontecia, ouvia muito e conhecia as músicas de ponta a ponta. Bem diferente de hoje, não? O MP3 e as facilidades de produção em estúdios caseiros aumentou tanto a oferta que ninguém conhece mais nada. Eu mesmo já comprei discos e ouvi apenas uma vez. Mas vamos voltar ao assunto&#8230;</p>
<p>Comprei centenas de discos há algum tempo, coisas que queria naquela época e não tive. Ouvi alguns, outros foram direto para a prateleira, pra falar &#8220;eu tenho&#8221;. Isso vale pra tanta coisa&#8230; bicicleta, guitarras, discos, tênis, roupas. São apenas objetos, eu sei, e percebi que muitas dessas coisas podem ser simplesmente descartadas agora, mas somente agora. Antes não era possível, não podia descartar algo que não tinha. </p>
<p>Fico imaginando, por outro lado, qual será a próxima pendência perdida no subconsciente.</p>

<p>Links relacionados:<ol><li><a href='http://www.transtorno.net/2009/06/confissoes-pt-ii/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Confissões, pt. II'>Confissões, pt. II</a></li><li><a href='http://www.transtorno.net/2009/05/confissoes-i/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Confissões, pt. I'>Confissões, pt. I</a></li></ol></p>]]></content:encoded>
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		<title>Pertencer, por Clarice Lispector</title>
		<link>http://www.transtorno.net/2009/06/pertencer-clarice-lispector/</link>
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		<pubDate>Wed, 17 Jun 2009 00:36:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aseth</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
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		<category><![CDATA[vontade]]></category>

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		<description><![CDATA[Vou fazer como a maioria do povinho que tem blog/fotoblog/blablablog e afins faz: pegar um texto dos outros e postar. A diferença é que geralmente fazem isso pra tapar buraco, por não ter nada a dizer. Posto esse por outro motivo: Clarice Lispector é genial.
Segue:
&#8220;Um amigo meu, médico, assegurou-me que desde o berço a criança [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vou fazer como a maioria do povinho que tem blog/fotoblog/blablablog e afins faz: pegar um texto dos outros e postar. A diferença é que geralmente fazem isso pra tapar buraco, por não ter nada a dizer. Posto esse por outro motivo: Clarice Lispector é genial.</p>
<p>Segue:</p>
<p>&#8220;Um amigo meu, médico, assegurou-me que desde o berço a criança sente o ambiente, a criança quer: nela o ser humano, no berço mesmo, já começou.    </p>
<p>Tenho certeza de que no berço a minha primeira <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a> foi a de pertencer. Por motivos que aqui não importam, eu de algum modo devia estar sentindo que não pertencia a nada e a ninguém. Nasci de graça.   </p>
<p>Se no berço experimentei esta fome humana, ela continua a me acompanhar pela vida afora, como se fosse um destino. A ponto de meu coração se contrair de inveja e <a href="http://www.transtorno.net/tag/desejo/">desejo</a> quando vejo uma freira: ela pertence a <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a>.   </p>
<p>Exatamente porque é tão forte em mim a fome de me dar a algo ou a alguém, é que me tornei bastante arisca: tenho medo de revelar de quanto preciso e de como sou pobre. Sou, sim. Muito pobre. Só tenho um corpo e uma alma. E preciso de mais do que isso.   </p>
<p>Com o tempo, sobretudo os últimos anos, perdi o jeito de ser gente. Não sei mais como se é. E uma espécie toda nova de &#8220;solidão de não pertencer&#8221; começou a me invadir como heras num muro.    </p>
<p>Se meu <a href="http://www.transtorno.net/tag/desejo/">desejo</a> mais antigo é o de pertencer, por que então nunca fiz parte de clubes ou de associações? Porque não é isso que eu chamo de pertencer. O que eu queria, e não posso, é por exemplo que tudo o que me viesse de bom de dentro de mim eu pudesse dar àquilo que eu pertenço. Mesmo minhas alegrias, como são solitárias às vezes. E uma alegria solitária pode se tornar pat<a href="http://www.transtorno.net/tag/etica/">ética</a>. É como ficar com um presente todo embrulhado em papel enfeitado de presente nas mãos &#8211; e não ter a quem dizer: tome, é seu, abra-o! Não querendo me ver em situações patéticas e, por uma espécie de contenção, evitando o tom de <a href="http://www.transtorno.net/tag/tragedia/">tragédia</a>, raramente embrulho com papel de presente os meus sentimentos.   </p>
<p>Pertencer não vem apenas de ser fraca e precisar unir-se a algo ou a alguém mais forte. Muitas vezes a <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a> intensa de pertencer vem em mim de minha própria força &#8211; eu quero pertencer para que minha força não seja inútil e fortifique uma pessoa ou uma coisa.   </p>
<p>Quase consigo me visualizar no berço, quase consigo reproduzir em mim a vaga e no entanto premente sensação de precisar pertencer. Por motivos que nem minha mãe nem meu pai podiam controlar, eu nasci e fiquei apenas: nascida.   </p>
<p>No entanto fui preparada para ser dada à luz de um modo tão bonito. Minha mãe já estava doente, e, por uma superstição bastante espalhada, acreditava-se que ter um filho curava uma mulher de uma doença. Então fui deliberadamente criada: com <a href="http://www.transtorno.net/tag/amor/">amor</a> e <a href="http://www.transtorno.net/tag/esperanca/">esperança</a>. Só que não curei minha mãe. E sinto até hoje essa carga de culpa: fizeram-me para uma missão determinada e eu falhei. Como se contassem comigo nas trincheiras de uma guerra e eu tivesse desertado. Sei que meus pais me perdoaram por eu ter nascido em vão e tê-los traído na grande <a href="http://www.transtorno.net/tag/esperanca/">esperança</a>. Mas eu, eu não me perdôo. Quereria que simplesmente se tivesse feito um milagre: eu nascer e curar minha mãe. Então, sim: eu teria pertencido a meu pai e a minha mãe. Eu nem podia confiar a alguém essa espécie de solidão de não pertencer porque, como desertor, eu tinha o segredo da fuga que por vergonha não podia ser conhecido.   </p>
<p>A vida me fez de vez em quando pertencer, como se fosse para me dar a medida do que eu perco não pertencendo. E então eu soube: pertencer é viver. Experimentei-o com a sede de quem está no deserto e bebe sôfrego os últimos goles de água de um cantil. E depois a sede volta e é no deserto mesmo que caminho.&#8221;</p>
<p>&#8220;A Descoberta do Mundo&#8221;, Ed. Rocco, Rio de Janeiro, 1999</p>]]></content:encoded>
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		<title>Confissões, pt. II</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Jun 2009 05:47:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aseth</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pensamentos]]></category>
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		<category><![CDATA[música]]></category>
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		<description><![CDATA[Continuando a série: odeio fazer qualquer coisa por obrigação. Qualquer coisa. E esse é o motivo de eu não saber se vou continuar escrevendo essas confissões. Depois que fiz a primeira, numerada, e disse que faria mais, fiquei pensando naqueles números: parte I, II, III, IV&#8230;. Poderiam até ser dias, um após o outro, horas, [...]


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			<content:encoded><![CDATA[<p>Continuando a série: odeio fazer qualquer coisa por obrigação. Qualquer coisa. E esse é o motivo de eu não saber se vou continuar escrevendo essas <a href="http://www.transtorno.net/tag/confissoes/">confissões</a>. Depois que fiz a primeira, numerada, e disse que faria mais, fiquei pensando naqueles números: parte I, II, III, IV&#8230;. Poderiam até ser dias, um após o outro, horas, minutos. É rotina, rotina é obrigação e obrigação cansa.</p>
<p>Quando era mais novo eu me achava indisciplinado, pensava que não conseguiria fazer nada que exigisse muito esforço, mas isso, no fundo, não era verdade e hoje entendo melhor. Comecei a ter aulas de violino, adorava. Algumas aulas depois e eu já me sentia obrigado a ir. Dá pra imaginar o restante. O mesmo vale pras aulas de guitarra etc.</p>
<p>Percebo que não era indisciplina quando presto atenção na forma como trabalho e sempre trabalhei ou como me entrego às coisas que faço realmente por gosto: não penso duas vezes, não questiono se estou ou não com <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a>, vou e faço.</p>
<p>O problema é quando algumas coisas que são feitas por gosto se tornam obrigação. Quando comecei a fazer músicas em meu quarto, ligava o computador, compunha, montava, editava, mixava, blá blá blá&#8230; Um dia soltei uma demo, divulguei relativamente bem, deu bom retorno, alguns bons reviews, outros nem tanto. </p>
<p>Continuei trabalhando em músicas novas, mas acontecia de alguém perguntar &#8220;e ai, quando teremos músicas novas?&#8221; e a coisa começou a degringolar&#8230; Me sentia obrigado a compor, bem como a dar satisfação. Deixei 12 músicas prontas, prontas pra gravar vocais, esquecidas por quase dois anos no computador. Um dia decidi que estava cansado delas e liberei como estavam, sem voz. Foi um tipo de exorcismo, eu sei. Não acho que letras e vocais sejam importantes em <a href="http://www.transtorno.net/tag/musica/">música</a>, mas não é esse o ponto. O ponto é que não faço mais pq ainda me sinto obrigado. Uma hora, quando não me sentir mais, quem sabe&#8230;</p>
<p>O mesmo tá valendo pro site, pros escritos, pros rabiscos: estão se tornando obrigação. O chato é que sempre há um tanto de desapontamento por conta disso. Não gostar de fazer por obrigação é compreensível, ninguém gosta, imagino, mas não evita aquela pontada afiada que diz &#8220;falhei&#8221;.</p>

<p>Links relacionados:<ol><li><a href='http://www.transtorno.net/2009/06/confissoes-pt-iii/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Confissões, pt. III'>Confissões, pt. III</a></li><li><a href='http://www.transtorno.net/2009/05/confissoes-i/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Confissões, pt. I'>Confissões, pt. I</a></li></ol></p>]]></content:encoded>
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		<title>Confissões, pt. I</title>
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		<pubDate>Thu, 21 May 2009 03:42:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aseth</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pensamentos]]></category>
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		<description><![CDATA[Quando presto atenção nas pessoas vejo que sempre querem mostrar seu melhor lado, ou o que consideram assim. Vamos imaginar um flerte em um bar: o sujeito vai chegar para a garota, sorrir, falar onde trabalha, onde estuda, provavelmente encontrará uma maneira de colocar ali alguns adjetivos bons a seu respeito ou, no mínimo, vai [...]


Links relacionados:<ol><li><a href='http://www.transtorno.net/2009/06/confissoes-pt-ii/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Confissões, pt. II'>Confissões, pt. II</a></li><li><a href='http://www.transtorno.net/2009/06/confissoes-pt-iii/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Confissões, pt. III'>Confissões, pt. III</a></li></ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando presto atenção nas pessoas vejo que sempre querem mostrar seu melhor lado, ou o que consideram assim. Vamos imaginar um flerte em um bar: o sujeito vai chegar para a garota, sorrir, falar onde trabalha, onde estuda, provavelmente encontrará uma maneira de colocar ali alguns adjetivos bons a seu respeito ou, no mínimo, vai se gabar de alguns de seus feitos e procurar mostrar seu melhor ângulo. </p>
<p>Na internet não é diferente. O que acontece aqui, por outro lado, é que a pessoa pode escrever o que quiser sobre ela e deixar lá. Quem não a vê ou conhece, é obrigado (eu hein!) a acreditar nos textos. Resultado? Na internerd esse povo é legal, valente, apóia as causas da moda, defende a tolerância, enfim, todo mundo é correto e antenado. </p>
<p>As maioria das pessoas que vemos pela internerd não são humanas. São personagens, estereotipos, são criações do que acreditam que o mundo espera delas. Não há diferença alguma entre elas e aquele exemplo ali atrás, flertando em um bar. O que muda é o tempo da ação: aquela é isolada, a internet as faz permanentes ou mais duradouras.</p>
<p>O que pretendo com esse post é ser humano, do tipo que ganha rótulos das pessoas legais. Como assim, pergunta você. Explico: trabalhei em uma empresa, onde comecei muito novo, e passei a adolescência lá. Vocês devem lembrar como é um adolescente, não? Pois bem, eu era pior. Havia lido muito e começado a aprontar já bem cedo, logo era bem arrogante, me achava superior em relação às pessoas da minha idade à época (mas eu era mesmo, é fato) e, quase sempre, superior aos mais velhos também.</p>
<p>Tive milhões de neuras precoces, atitudes idem, era arrogante, falava o que pensava (e às vezes o que não pensava, só para pisar no calo dos outros) e era bem estressado (isso não mudou). Se acreditava que algo era X, defendia minha idéia até que meu oponente desistisse ou brigasse. Podia mudar de opinião no meio do argumento só pra provocar a confusão, como já disse antes. Ganhei fama de problemático, neurótico, complexado, &#8220;plúmbeo&#8221; (sim, fui chamado assim!), entre outras. Fingia gostar desses rótulos, mas no fundo eu odiava. Ainda odeio&#8230;</p>
<p>Eu era tudo aquilo? Claro que era. Ainda sou, acredito, em parte. O que me incomodava era a facilidade com que as pessoas me rotulavam, fingindo que não eram elas mesmas aquelas coisas. A negação em frente ao espelho, entende? Nem todo mundo era chato como eu, mas &#8220;problemático&#8221;? Ora, pois bem: com a moda da psicanálise e a facilidade dos antidepressivos tenho visto a quantidade de problemáticos &#8220;aumentar&#8221; a cada dia. Não é à toa que a bipolaridade tornou-se a doença da moda.</p>
<p>Claro que algum jumento virá agora falar que estou eu também rotulando os outros. Não acho que esteja, pelo simples motivo que não apontei o dedo a alguém específico. Fiz um comentário <a href="http://www.transtorno.net/tag/geral/">geral</a>, esperando que alguém vista a carapuça, mesmo ali, no escuro do quarto. Agora, se estou rotulando, não me importo e quero que se dane. Isso é direito adquirido. Não gostou? Vá ler outro blog idiota.</p>
<p>Qual o motivo de eu ter chamado esse post &#8220;<a href="http://www.transtorno.net/tag/confissoes/">Confissões</a>&#8221; e afirmar que é a &#8220;parte 1&#8243;? Quem leu as <a href="http://www.transtorno.net/tag/confissoes/">Confissões</a> de <a href="http://www.transtorno.net/tag/santo-agostinho/">Santo Agostinho</a> sabe que ele não se limita às coisas boas que fez, nem apenas lista seus &#8220;pecados&#8221;. O que há ali é outra coisa, é pensamento sobre o que foi feito, é análise. Pois é disso que se trata uma confissão, estou certo? Não se trata também de, ao criticar os próprios atos, mostrar os <a href="http://www.transtorno.net/tag/erros/">erros</a> dos outros? Não estou falando, pois bem, do fiel que vai à igreja ler uma lista de coisas na orelha de um padre.</p>
<p>Cansado que estou de pessoas fajutas e artificiais, da moda, descoladas, whatever, serei eu, humano, Hilton, reclamão, estressado, mau humorado, intolerante e outros adjetivos que acabar encontrando pelo caminho. A diferença é que serei TAMBÉM o Hilton fiel, dedicado, determinado, justo. Não serei apenas estes, nem só aqueles. Não sou uma peça publicitária, sou completo.</p>
<p>Esta é a parte um, pois vou lembrar casos e comentar, tentar lembrar meu foco da época e retomar hoje. Não vou, entretanto, embelezar nada. Não vou transformar as pombas que eu matava com tiros de chumbinho em poesia e nem em <a href="http://www.transtorno.net/tag/filosofia/"><a href="http://www.transtorno.net/filosofia/">filosofia</a></a>. Fiz aquilo pelo simples prazer de falar &#8220;acertei&#8221; e ver o bicho cair. Era pra matar mesmo, maldade e desafio apenas. Eu era ruim por isso? Oh yeah, mas não tô nem ai com sua opinião. Hoje sou vegetariano. Não como carne por respeito aos direitos dos animais. Será que você, que me julgou, faz o mesmo?</p>
<p>É assim que será. Volto em breve com a parte II&#8230; </p>

<p>Links relacionados:<ol><li><a href='http://www.transtorno.net/2009/06/confissoes-pt-ii/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Confissões, pt. II'>Confissões, pt. II</a></li><li><a href='http://www.transtorno.net/2009/06/confissoes-pt-iii/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Confissões, pt. III'>Confissões, pt. III</a></li></ol></p>]]></content:encoded>
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		<title>Quatro mundos em um grão de areia</title>
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		<pubDate>Fri, 01 May 2009 03:55:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aseth</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pensamentos]]></category>
		<category><![CDATA[Rabiscos]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[ocultismo]]></category>
		<category><![CDATA[qabalah]]></category>

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		<description><![CDATA[To see a world in a grain of sand
And a heaven in a wild flower,
Hold infinity in the palm of your hand
And eternity in an hour.
- William Blake in Auguries of Innocence
Começo citando os versos de Blake em inglês por falta de versão apropriada em português. As que encontrei eram adaptadas e não diziam necessariamente [...]


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			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>To see a world in a grain of sand<br />
And a heaven in a wild flower,<br />
Hold infinity in the palm of your hand<br />
And eternity in an hour.</p>
<p>- William Blake in Auguries of Innocence</p></blockquote>
<p>Começo citando os versos de Blake em inglês por falta de versão apropriada em português. As que encontrei eram adaptadas e não diziam necessariamente a mesma coisa do original. O verso mais importante para o que quero, no entanto, é o primeiro: &#8220;Ver um mundo em um grão de areia&#8221;, e esse não é um problema.</p>
<p>Gosto de Blake desde a primeira vez que o li, foi imediado. Alguns autores conquistam com o tempo, outros depois de páginas. Blake o fez nos primeiros versos de &#8220;O matrimônio do céu e do inferno&#8221;. Há alguns dias pensei em escrever este texto, mas decidi postar outro fragmento. </p>
<p>As poucas pessoas que me acompanham aqui sabem do meu interesse em <a href="http://www.transtorno.net/tag/acasos/">acasos</a> e coincidências e que, já deixei claro, acho que são bem mais do que isso. Pois bem, há alguns dias comecei a estudar, ainda superficialmente, o Grande Grimório, também conhecido como Le Dragon Rouge, ou O Dragão Vermelho. Acontece que o nome desse Grimório é também o nome de um filme (é, aquele, com o Ralph Fiennes) onde, por acaso, aparecem aqueles versos de &#8220;Auguries of Innocence&#8221;</p>
<p>Como sou uma criatura que &#8220;trabalha em rede&#8221;, leio e estudo outras coisas simultaneamente e não acredito que uma atrapalhe a outra. Ao contrário, acho que formam bases mais fortes e, em alguns casos, como estou vendo aqui, fazem bastante sentido, além de lançar possibilidades ao ar. Uma das bases para meu estudo das Qliphoth é o livro &#8220;Climbing the Tree of Life&#8221;, de David Rankine. Como se trata de um livro introdutório/intermediário de <a href="http://www.transtorno.net/tag/qabalah/">Qabalah</a>, o autor precisava explicar os quatro mundos, o que fez da maneira usual, e depois usou aquele verso para sugerir uma meditação sobre sua explicação. Nada mais apropriado!</p>
<p>Quem já leu um pouco do assunto sabe que é complicado entender a idéia dos quatro mundos. Sabe também que varios autores em <a href="http://www.transtorno.net/tag/geral/">geral</a> dão uma passada rápida e não se aprofundam. No começo isso me parecia algo como &#8220;um dia você vai entender&#8221;, depois comecei a achar que também não entendiam muito e acabavam fugindo. Não foi o que aconteceu ao ler Rankine. </p>
<p>Não vou explicar o que são os quatro mundos, apenas listá-los. Se você precisar saber, pode sempre encontrar as explicações pela net ou em <a href="http://www.transtorno.net/tag/livros/"><a href="http://www.transtorno.net/livros/">livros</a></a>. São &#8220;enlatadas&#8221;? Sim, várias são, mas serão úteis se você meditar a respeito, talvez mesmo usando o modelo do grão de areia abaixo.</p>
<p>Os quatro mundos são:<br />
- Atziluth (Olahm ha-Atziluth) &#8211; Mundo Arquetípico<br />
- Briah (Olahm ha-Briah) &#8211; Mundo Criativo<br />
- Yetzirah (Olahm ha-Yetzirah) &#8211; Mundo Formativo<br />
- Assiah (Olahm ha-Assiah) &#8211; Mundo &#8220;Feito&#8221; (manifesto)</p>
<p>Imagine isso: em Assiah você vê um grão de areia apenas, mas em Yetzirah, um nível acima, o grão de areia é uma combinação de elementos químicos em estado sólido. Continuando, em Briah, são os átomos específicos, estruturados para sua formação. Em Atziluth, por fim, no topo de tudo, são milhões de átomos apenas, um universo em miniatura, um microcosmo.</p>
<p>Usando o processo inverso, de cima para baixo dessa vez, o exemplo de uma moeda: em Atziluth são milhões de átomos, assim como todos os outros, incluindo você. Em Briah esses átomos se conectam, formando prata, níquel, ouro ou cobre. Em Yetzirah é uma liga de metal estampada e, por fim, em Assiah é um objeto feito pelo homem, usado no comércio, ou seja, a forma como se manifesta.</p>
<p>Esses exemplos são muito claros &#8211; pra quem sabe do que estou falando &#8211; e incentiva ainda a meditar sobre o resto do que nos cerca. A dualidade, atacada por Blake no fragmento do post anterior, é, por tabela, atingida aqui novamente.</p>
<p>Se alguém quiser o livro citado, pode procurar em livrarias gringas (óbvio que aqui não vão achar). A editora é a Avalonia, mas esse é só um detalhe. Quanto ao Dragon Rouge, existem várias edições por ai, de qualidade duvidosa, mas como se trata de um trabalho muito antigo, existem algumas versões online também.</p>

<p>Links relacionados:<ol><li><a href='http://www.transtorno.net/2008/11/paisagem-a-quatro-maos/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Paisagem a quatro mãos'>Paisagem a quatro mãos</a></li><li><a href='http://www.transtorno.net/2008/03/o-melhor-dos-mundos/' rel='bookmark' title='Permanent Link: O melhor dos mundos'>O melhor dos mundos</a></li></ol></p>]]></content:encoded>
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		<title>A voz do Demônio, por William Blake</title>
		<link>http://www.transtorno.net/2009/04/voz-demonio-william-blake/</link>
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		<pubDate>Sun, 19 Apr 2009 18:01:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aseth</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
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		<description><![CDATA[Um fragmento de &#8220;O matrimônio do Céu e do Inferno&#8221;, de William Blake, que cabe perfeitamente aqui, sem necessidade de meus comentários:

Todas as Bíblias ou códigos sagrados têm sido a causa dos seguintes Erros:
1. Que o Homem possui dois princípios reais de existência: um Corpo &#038; uma Alma.
2. Que a Energia, denominada Mal, provém apenas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um fragmento de &#8220;O matrimônio do Céu e do Inferno&#8221;, de William Blake, que cabe perfeitamente aqui, sem <a href="http://www.transtorno.net/tag/necessidade/">necessidade</a> de meus comentários:</p>
<blockquote><p>
Todas as Bíblias ou códigos sagrados têm sido a causa dos seguintes Erros:<br />
1. Que o Homem possui dois princípios reais de existência: um Corpo &#038; uma Alma.<br />
2. Que a Energia, denominada <a href="http://www.transtorno.net/tag/mal/">Mal</a>, provém apenas do Corpo; &#038; que a Razão, denominada Bem, provém apenas da Alma.<br />
3. Que <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a> atormentará o Homem pela Eternidade por seguir suas Energias.</p>
<p>Mas os seguintes contrários são Verdadeiros:</p>
<p>1. O homem não tem um Corpo distinto de sua Alma, pois o que se denomina Corpo é uma parcela da Alma, discernida pelos cinco Sentidos, os principais acessos da Alma nessa etapa.<br />
2. Energia é a única vida, e provém do Corpo; e Razão, o limite ou circunferência externa da Energia.<br />
3. Energia é Deleite Eterno.</p>
<p>Quem refreia o <a href="http://www.transtorno.net/tag/desejo/">desejo</a> assim o faz porque o seu é fraco o suficiente para ser refreado; e o refreador, ou razão, usurpa-lhe o lugar e governa o inapetente.</p>
<p>E, refreando-se, aos poucos se apassiva, até não ser mais que a sombra do <a href="http://www.transtorno.net/tag/desejo/">desejo</a>.</p>
<p>Essa história está relatada no Paraíso Perdido, &#038; o Governante, ou Razão, chama-se Messias.</p>
<p>E o Arcanjo Original, ou possessor dos comandos das hostes celestiais, chama-se Demônio ou Satã, e seus filhos chamam-se Pecado &#038; Morte.</p>
<p>No Livro de Jó, porém, o Messias de Milton chama-se Satã.</p>
<p>Pois essa história tem sido adotada por ambos os lados.</p>
<p>Em verdade pareceu à Razão que o <a href="http://www.transtorno.net/tag/desejo/">Desejo</a> havia sido banido mas, segundo a versão do Demônio, sucumbiu o Messias, formando um céu com o que roubara do <a href="http://www.transtorno.net/tag/abismo/">Abismo</a>.</p>
<p>Isso revela o Evangelho, onde ele suplica ao Pai que envie o confortador, ou <a href="http://www.transtorno.net/tag/desejo/">Desejo</a>, para que a Razão possa ter Idéias sobre as quais se fundamentar, não sendo outro o Jeová da Bíblia senão aquele que mora nas flamas flamantes.</p>
<p>Sabei que Cristo, após sua morte, tornou-se Jeová.</p>
<p>Mas, em Milton, o Pai é Destino, o Filho, Quociente dos cinco sentidos, &#038; o Espírito Santo, Vácuo!</p>
<p>Nota: A razão pela qual Milton escreveu em grilhões sobre Anjos e <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a>, e em <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> sobre Demônios &#038; Inferno, está em que ele era um Poeta autêntico e tinha parte com o Demônio, sem sabê-lo.
</p></blockquote>]]></content:encoded>
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		<title>A linguagem</title>
		<link>http://www.transtorno.net/2009/04/linguagem/</link>
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		<pubDate>Sat, 11 Apr 2009 01:41:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aseth</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[linguagem]]></category>
		<category><![CDATA[ocultismo]]></category>
		<category><![CDATA[Pensamentos]]></category>
		<category><![CDATA[Wittgenstein]]></category>

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		<description><![CDATA[Achei o rascunho de uma prova de Filosofia da Linguagem, um dos meus assuntos preferidos, que pretendia (pretende) comentar uma passagem das Investigações Filosóficas, de Wittgenstein.
O conteúdo tem muito a ver com as coisas que posto por aqui, tanto com os textos mais metafísicos, que aparentam ser &#8220;viagens&#8221;, quanto com os posts sobre arte, ocultismo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Achei o rascunho de uma prova de <a href="http://www.transtorno.net/tag/filosofia/"><a href="http://www.transtorno.net/filosofia/">Filosofia</a></a> da <a href="http://www.transtorno.net/tag/linguagem/">Linguagem</a>, um dos meus assuntos preferidos, que pretendia (pretende) comentar uma passagem das Investigações Filosóficas, de <a href="http://www.transtorno.net/tag/wittgenstein/">Wittgenstein</a>.</p>
<p>O conteúdo tem muito a ver com as coisas que posto por aqui, tanto com os textos mais metafísicos, que aparentam ser &#8220;viagens&#8221;, quanto com os posts sobre <a href="http://www.transtorno.net/tag/arte/">arte</a>, <a href="http://www.transtorno.net/tag/ocultismo/">ocultismo</a> e derivados, mas também, dado o trecho escolhido, pode ser estendido para a arrogância humana em relação à capacidade de pensar dos animais ou mesmo à negação do divino, implícito em <a href="http://www.transtorno.net/tag/sinais/">sinais</a> que muitas vezes não reconhecemos.</p>
<p>Poderíamos discutir, a partir dai, a <a href="http://www.transtorno.net/tag/necessidade/">necessidade</a> de se acabar com a <a href="http://www.transtorno.net/tag/linguagem/">linguagem</a>, pregada por <a href="http://www.transtorno.net/tag/artaud/">Artaud</a>, ou entrarmos na discussão da <a href="http://www.transtorno.net/tag/qabalah/">Qabalah</a>, onde através da Gematria as palavras são associadas umas às outras, indicando que há, sim, uma conexão entre elas e que não é tão casual quanto parece, ou ainda entramos no uso do vocabulário bárbaro no <a href="http://www.transtorno.net/tag/ocultismo/">ocultismo</a> e seus efeitos, que existem, quer queiram, quer não.</p>
<p>Esse assunto é complexo, é claro, e essas são apenas sugestões de possíveis discussões. Podemos levantar outras tantas, mas o fato é que não me cabe aprofundar em posts aqui no blog. Ninguém lê o que escrevo, imagine se for entrar nesse nível&#8230; Enfim, são apenas algumas provocações que cabem aqui.</p>
<p>Segue o texto com algumas poucas adaptações:</p>
<blockquote><p>Às vezes se diz que os animais não falam porque lhes falta uma certa capacidade mental. E com isso se está querendo dizer o seguinte: &#8220;Eles não pensam, e é por isso que eles não falam&#8221;. Mas, eles simplesmente não falam. Ou, melhor dizendo: eles não usam a <a href="http://www.transtorno.net/tag/linguagem/">linguagem</a>, se excetuarmos as mais primitivas formas de <a href="http://www.transtorno.net/tag/linguagem/">linguagem</a>. Dar ordens, fazer perguntas, narrar e bater-papo são coisas que pertencem à nossa história natural tanto quanto andar, comer, beber e jogar.<br />
- <a href="http://www.transtorno.net/tag/wittgenstein/">Wittgenstein</a>, in Investigações Filosóficas</p></blockquote>
<p>Começo comentando a &#8220;falta de uma certa capacidade mental&#8221;. Essa &#8220;falta&#8221; me parece, na verdade, uma &#8220;diferente capacidade&#8221;, que nos leva, como indicado no final do parágrafo, a uma forma de comunicação primitiva. Dito isso, fica evidente o peso de afirmar que não pensam.</p>
<p><a href="http://www.transtorno.net/tag/wittgenstein/">Wittgenstein</a> chama a atenção para o que está implícito quando escreve que estão &#8220;querendo dizer&#8221;, indicando que isso se trata, simplesmente, de uma afirmação feita por quem não entende a <a href="http://www.transtorno.net/tag/linguagem/">linguagem</a> em questão, bem como não entenderia a <a href="http://www.transtorno.net/tag/linguagem/">linguagem</a> de outros seres quaisquer.</p>
<p>Se imaginarmos um brasileiro, por exemplo, afirmando tal coisa, podemos imaginar que essa pessoa não entenderia também um babilônio falando. Não entenderiam o que está sendo dito, é fato, mas também não iriam inferir que o babilônio não pensa, posto que fala. Inferem apenas por analogia que o que fala, embora diferente, é uma <a href="http://www.transtorno.net/tag/linguagem/">linguagem</a>.</p>
<p>Acostumados que estamos com a fala, nos habituamos muitas vezes a pensá-la como única forma de comunicação, não atentando para todas as sutilezas que envolvem a comunicação, tais como olhares, <a href="http://www.transtorno.net/tag/sinais/">sinais</a>, movimentos e até mesmo vibrações.</p>
<p>Quando pensamos, pensamos em palavras. Podemos imaginar objetos, mas <a href="http://www.transtorno.net/tag/pensamentos/"><a href="http://www.transtorno.net/pensamentos/">pensamentos</a></a> diversos, sobre decisões, fatos rotineiros, enfim, todo esse leque de possibilidades é pensado em palavras, de onde associamos o pensar à palavra.</p>
<p>Embora primitiva, há comunicação entre os cães, há uma organização básica. Podemos concluir, com base naquela afirmação, que pensam primitivamente, mas se há comunicação, temos também de admitir que pensam, ainda que basicamente ou, caso não concordemos com o pensar, teremos que admitir que a <a href="http://www.transtorno.net/tag/linguagem/">linguagem</a> não está ligada ao pensamento.</p>
<p><a href="http://www.transtorno.net/tag/wittgenstein/">Wittgenstein</a> indica em seu texto que concorda com o uso de uma forma primitiva, ou seja, que pensam. Nossa história natural, no entanto, como afirma o filósofo, contém em sua natureza o uso da <a href="http://www.transtorno.net/tag/linguagem/">linguagem</a>, da forma como conhecemos, mais complexa que a canina, sem dúvida.</p>
<p>Posso, porém, após ver um objeto qualquer cujo nome desconheça, trazê-lo à memória posteriormente, formando sua imagem. Se ouvir seu nome ao acaso, não me ocorrerá uma associação, como me ocorreria ao ouvir uma palavra comum, como maçã, por exemplo. Nesse caso eu teria quase que imediatamente formada a imagem da fruta.</p>
<p>Fica evidente, então, que ouvir uma palavra desconhecida e sem sentido não implica em ausência de pensamento. Isso nos coloca, em certo nível, num ponto onde somos similares aos cães: podemos ser treinados. Assim como é possível treinar um cão para reconhecer palavras e <a href="http://www.transtorno.net/tag/sinais/">sinais</a>, os humanos são treinados em situações e em associações. Se não reconhecemos uma palavra ou um objeto, é porque ainda não fomos treinados para reconhecê-los.</p>
<p>Aprendemos a reconhecer uma maçã assim como aprendemos a entender &#8220;sim&#8221; e &#8220;não&#8221;, reconhecer cores e utilizar números. Aprendemos os nomes das coisas e, no entanto, os nomes não são essas coisas. São, talvez, a forma de identificação que fomos treinados a usar.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Antinomias kantianas</title>
		<link>http://www.transtorno.net/2009/04/antinomias-kantianas/</link>
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		<pubDate>Thu, 02 Apr 2009 03:42:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aseth</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Kant]]></category>
		<category><![CDATA[liberdade]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Metafísica]]></category>

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		<description><![CDATA[Procurei um texto que escrevi há anos pra reler, motivado por uma curiosidade despertada ao ler Liber Os Abysmi (CDLXXIV), que lida com vários tópicos de Filosofia com que tive contato. 
O chato é que perdi a primeira parte das anotações, referentes à primeira classe de antinomias, usadas para apresentar uma aula há algum tempo. [...]


Links relacionados:<ol><li><a href='http://www.transtorno.net/2008/11/a-possibilidade-da-metafisica-em-kant/' rel='bookmark' title='Permanent Link: A possibilidade da metafísica em Kant'>A possibilidade da metafísica em Kant</a></li></ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Procurei um texto que escrevi há anos pra reler, motivado por uma curiosidade despertada ao ler Liber Os Abysmi (CDLXXIV), que lida com vários tópicos de <a href="http://www.transtorno.net/tag/filosofia/"><a href="http://www.transtorno.net/filosofia/">Filosofia</a></a> com que tive contato. </p>
<p>O chato é que perdi a primeira parte das anotações, referentes à primeira classe de antinomias, usadas para apresentar uma aula há algum tempo. O lado bom é que esse bando de chupim que aparece aqui pra sugar material e &#8220;fazer&#8221; (copy &#038; paste) trabalho sem ler os <a href="http://www.transtorno.net/tag/livros/"><a href="http://www.transtorno.net/livros/">livros</a></a> vai ter que pesquisar mais.</p>
<p>Vou deixar o que tenho assim mesmo, aqui no site, assim não perco o restante e quem se interessar (de verdade) pode fazer algum uso.</p>
<p>Segue do jeito que está, sem adaptações e sem revisão gramatical:</p>
<p>Vimos que na primeira classe de antinomias, as antinomias matemáticas, a falsidade era representar o contraditório, como explicado anteriormente, como conciliável num conceito. Já na segunda classe, as antinomias dinâmicas, a falsidade está em representar como contraditório o que pode ser conciliado. Aqui, nas antinomias dinâmicas, ao contrário das matemáticas, ambas podem ser verdadeiras, se corrigido o equívoco que as separa, a saber, a confusão da razão em relação a coisa em si e fenômeno.</p>
<p>Nas antinomias dinâmicas não há <a href="http://www.transtorno.net/tag/necessidade/">necessidade</a> de homogeneidade na concatenação de seus elementos, como é esperado que haja nas antinomias matemáticas, onde é necessária a grandeza do que é extenso. Aqui pode-se ou não ter homogeneidade, pois a causalidade não a exige.</p>
<p>Na terceira antinomia temos a oposição da tese, que afirma haver no mundo causas dotadas de <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a>, e da antítese, que afima não haver <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a>, mas sim <a href="http://www.transtorno.net/tag/necessidade/">necessidade</a> natural. Para que essas afirmações contraditórias sejam verdadeiras é necessário que tomemos, equivocadamente, os objetos do sensível por coisas em si e as leis naturais como leis de coisas em si ou que, por outro lado, no segundo caso, tomássemos o sujeito da <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> e demais objetos apenas como fenômenos.</p>
<p><a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a> diz que a <a href="http://www.transtorno.net/tag/necessidade/">necessidade</a> natural refere-se a fenômenos, enquanto que a <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> diz respeito apenas à coisa em si e que, compreendido dessa forma, não há contradição em admitir ambas as espécies de causalidades.</p>
<p>“No fenômeno”, diz <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a>, “todo efeito é um acontecimento ou algo que ocorre no tempo”. Leis da natureza fazem com que o fenômeno deva ser precedido por uma determinação da causalidade de sua causa. Acontece, porém, que a determinação dessa causa deve ser um evento, que, por sua vez, também teve uma causa. Não é possível pensar qualquer sucessão temporal entre ela e o efeito sem que a causa tenha começado a agir, pois se assim fosse teríamos de pensar tanto a causa quanto o efeito tendo existido sempre. </p>
<p><a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a> afirma que “a <a href="http://www.transtorno.net/tag/necessidade/">necessidade</a> natural é a condição segundo a qual são determinadas as causas eficientes”. É necessário, no entanto, atenção para não cair em equivoco, como alerta <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a> na Crítica da Razão Pura: “se tudo acontece segundo simples leis da natureza, sempre haverá somente um início subalterno e jamais um primeiro início; conseqüentemente, jamais haverá uma completude da série do lado das causas procedentes umas das outras. Ora, a lei da natureza consiste precisamente em que nada acontece sem uma causa suficientemente determinada a priori. Logo, a proposição segundo a qual toda causalidade é possível somente conforme a lei da natureza contradiz a si mesma em sua ilimitada universalidade, e por isso não pode ser admitida como a única causalidade” (Crítica, pg. 294, prova da 3a. tese).</p>
<p>Temos, com isso, que se a <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> é propriedade de certas causas dos fenômenos, considerados como acontecimentos, deve, por isso, poder começá-los por si mesma, sem precisar que outra causa determine seu início. Nesse caso a causa não deve ser tomada como fenômeno, mas apenas como coisa em si e apenas seus efeitos devem ser tomados como fenômeno. A nota do parágrafo 53 explica que “a idéia de <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> verifica-se apenas na relação do inteligível como causa com o fenômeno como efeito”. Concluímos que a <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> não pode ser atribuída à matéria, ao sensível, pois, se assim fosse, não teríamos mais a conexão dos fenômenos por leis naturais e, como diz <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a>, “desapareceria na maior parte a interconexão dos fenômenos determinando-se mutuamente &#8230; e com ela quase desapareceria o critério da verdade empírica, que distingue a experiência do sonho” (Crítica, nota à antítese da 3a. antinomia).</p>
<p>Se concebemos que é possível que os inteligíveis possam influenciar os fenômenos, podemos também conceber que, embora o mundo sensível precise de uma conexão de causa e efeito, essa causa, que não é fenômeno, pode ser dotada de <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a>. Com isso poderemos compreender que natureza e <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> podem ser atribuídas a uma mesma coisa, ora como fenômeno e ora como coisa em si, respectivamente. Cabe, então, questionar se a causalidade da causa teve um começo (<a href="http://www.transtorno.net/tag/necessidade/">necessidade</a> natural) ou se a causa pode originar um efeito na linha do tempo sem que sua causalidade tenha início (<a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a>). Com relação à esta última possibilidade, <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a> afirma, na nota do parágrafo 53, ter tocado justamente o problema da <a href="http://www.transtorno.net/tag/metafisica/">metafísica</a>.</p>
<p>Podemos dizer, por exemplo, que o homem é livre pois seus atos são determinados pela ação do dever em sua razão, objetivamente, ou seja, são determinados por idéias que valem para todos os seres racionais. A razão pode ser determinada pelo dever, mas seus atos se dão no sensível, de forma que sua causalidade é <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> por não haver sido determinada por princípios sensíveis. Podemos então dizer que as ações estão sujeitas à <a href="http://www.transtorno.net/tag/necessidade/">necessidade</a> natural enquanto fenômenos, mas são livres enquanto “consideradas somente em relação ao sujeito racional e a sua faculdade de agir segundo a razão pura”.</p>
<p>Independentemente do ser racional ser ou não causa dos efeitos no mundo sensível, a lei natural prevalece. <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a> explica lei natural como “a determinabilidade de todo acontecimento do mundo sensível por leis constantes, consequentemente, uma relação causal no fenômeno, permanecendo incógnitas a coisa em si e a causalidade da mesma”.</p>
<p>A razão é livre se produz ações cujos efeitos no mundo seguirão leis constantes, sendo assim causa das leis naturais e, caso contrário, mesmo que os efeitos decorram puramente de leis naturais, sem influência da razão, ainda assim será livre, posto que é impossível que seja determinada pela sensibilidade. Conclui-se aqui que a <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> não prejudica a lei natural dos fenômenos, assim como o inverso, que também é verdadeiro.</p>
<p>Sobre a conciliação de <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> transcendental com a <a href="http://www.transtorno.net/tag/necessidade/">necessidade</a> natural, vemos que toda ação é, em relação a princípios determinantes objetivos, um início primeiro embora, na série de fenômenos, não seja mais que um início subalterno, precedido por outro, e assim sucessivamente. Isso nos permite conceber que os seres podem começar por por si mesmos uma sequencia, posto que a causalidade é determinada como coisa em si.</p>
<p>O agir do dever, sendo em si, é <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a>, mas as ações do homem, mesmo como um ser livre, obedecem, enquanto fenômeno, à sua causalidade, sem que haja aqui uma relação temporal. Na causalidade a causa age como uma coisa em si, na série de eventos como um fenômeno, livre na primeira e determinada pela <a href="http://www.transtorno.net/tag/necessidade/">necessidade</a> natural na segunda.</p>
<p>Com isso <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a> garante ainda que a <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> prática, aquela em que a causalidade que determina a razão tem princípios objetivos, exista sem causar prejuízo para a <a href="http://www.transtorno.net/tag/necessidade/">necessidade</a> natural. </p>
<p>No caso da quarta antinomia, uma vez que compreendemos a causa no fenômeno como sendo coisa em si, diferentemente da causa dos fenômenos, ambas podem, novamente, ser verdadeiras, de acordo com a maneira como são tomadas. Não há causa empírica do mundo sensível que seja absolutamente necessária, pois o ser necessário, a causa necessária para este mundo, é em si, e o equívoco é confundir as propriedades dos fenômenos com as propriedades das coisas em si, unindo-as em um conceito.</p>
<p>Na Crítica, na prova da tese da quarta antinomia (a saber: “na série das causas mundanas há um ser necessário”), <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a> argumenta que o mundo dos sentidos contém uma série de <a href="http://www.transtorno.net/tag/mudancas/">mudanças</a> e que sem essas não teríamos a representação temporal, condição de sua possibilidade: uma mudança necessita uma condição temporal precedente. Para uma série completa de <a href="http://www.transtorno.net/tag/mudancas/">mudanças</a> é necessário chegar ao absolutamente incondicionado e, portanto, se há <a href="http://www.transtorno.net/tag/mudancas/">mudanças</a> em consequência de algo, esse algo é necessário.</p>
<p>Partindo de que esse ente necessário esteja fora do mundo, toda mudança derivaria de algo fora do mundo dos sentidos, o que é impossível, diz <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a>. Se o início de uma série temporal só é dado no tempo, sua condição também tem de existir no tempo. Na série temporal, empírica, não há necessário, mas uma sequencia de condicionados e condições, que, por sua vez, também são condicionadas. Vemos, entretanto, que essa série nos remete a uma causa dos fenômenos não condicionada, mas necessária, que é uma simples idéia da razão.</p>
<p><a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a> afirma, na nota à tese, que a demonstração tendo como fundamentos os fenômenos e o regresso segundo leis empíricas da causalidade, não pode, posteriormente, passar a algo que não pertence à serie, ou seja, ao em si. Se a relação é sensível, só pode ser garantido um retorno segundo leis da sensibilidade enquanto esse regresso pertencer à série temporal. </p>
<p>Quanto à <a href="http://www.transtorno.net/tag/contingencia/">contingência</a>, o oposto do que muda não é seu oposto contraditório, que poderia ter sido em seu lugar, pois é possível em outro tempo. O fato de uma coisa seguir à outra, movimento e repouso, por exemplo, não forma oposição. Não podemos, por isso, pensar que no lugar de movimento poderia ter havido repouso, posto que temos aqui um exemplo de <a href="http://www.transtorno.net/tag/contingencia/">contingência</a> empírica, não inteligível. Temos então apenas a prova empírica de que o novo estado não poderia ter ocorrido sem o estado anterior como causa. Causa esta que, mesmo admitida como necessária, deve pertencer ao tempo, aos fenômenos.</p>
<p>Ainda na crítica, mas agora em relação à prova da antítese (“nesta série nada é necessário, tudo é contingente”), vemos que se o mundo é necessário ou se há nele um ente necessário, teria então de haver um início incondicionalmente necessário, ou seja, um início sem causa, que ainda assim pertence aos fenômenos, contradizendo suas leis de determinação no tempo; ou ainda que a série não teria início algum, ainda que fosse contingente e condicionada em suas partes mas necessária e incondicionada em relação ao todo, contradiria-se novamente, pois como diz Kant: “a existência de uma quantidade não pode ser necessária se nenhuma parte dela possui uma existência em si necessaria”.</p>
<p>Se imaginamos uma causa necessária fora do mundo esta teria, assim mesmo, de começar a agir e, consequentemente, sua causalidade seria no tempo, pertencendo aos fenômenos, ao mundo. Assim, se voltássemos na série, encontraríamos a própria causa no mundo, contradizendo mais uma vez a suposição.</p>
<p>Ao dizermos que há um ente necessário, o tempo passado engloba a série de todas as condições, até o incondicionado. Já ao dizermos que não há ente necessário, a série temporal inclui todas as condições, mas, nesse caso, nem todas são condicionadas, posto que se considera a <a href="http://www.transtorno.net/tag/contingencia/">contingência</a> de tudo que há na série temporal.</p>
<p>No parágrafo 54, <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a> conclui a exposição das antinomias, reforçando que tratam-se da razão aplicando seus princípios ao mundo sensível e insiste que o leitor se esforce em entender como a razão entra em conflito consigo mesma por não separar os fenômenos das coisas em si, tomando aqueles como estas.</p>
<p>Já no parágrafo 55, <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a> afirma que a idéia teológica é o ideal da razão pura e que seu exercício dá origem a explicações transcendentais, ou seja, dialéticas. Assim sendo, a razão não parte da experiência, mas, pelo contrário, parte de puros conceitos do que deveria ser a totalidade absoluta e através da idéia de um ser perfeito “desce à determinação da possibilidade e portanto também da realidade das demais coisas”, derivando tudo da idéia de um ser não empírico, mas onde pode encontrar a conexão, ordem e unidade que encontra no sensível.</p>
<p>Remetidos à Crítica no final do parágrafo, vimos que o conceito de um ente dotado de realidade suprema é facilmente adaptável ao conceito de incondicionalmente necessário. <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a> afirma que a razão humana se convence da existência de um ente necessário qualquer e nele reconhece existência incondicionada para, então, procurar o conceito fora de toda condição e o encontra como sendo condição suficiente de todas as outras coisas. Dessa forma, o todo, unidade absoluta, comporta o conceito de um ente único, supremo, que a razão reconhece como fundamento originário de tudo, existente de modo absolutamente necessário.</p>

<p>Links relacionados:<ol><li><a href='http://www.transtorno.net/2008/11/a-possibilidade-da-metafisica-em-kant/' rel='bookmark' title='Permanent Link: A possibilidade da metafísica em Kant'>A possibilidade da metafísica em Kant</a></li></ol></p>]]></content:encoded>
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		<title>Abrahadabra, de Rodney Orpheus</title>
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		<pubDate>Tue, 31 Mar 2009 02:50:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aseth</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Terminei há pouco de ler &#8220;Abrahadabra&#8221;, de Rodney Orpheus, e a impressão que tive é das melhores.
Trata-se de uma introdução à religião (sim, o autor defende que Thelema é religião e concordo com ele &#8211; &#8220;the method of science, the aim of religion&#8221;) thelemica, passando por diversos dos pontos nela contidos. 
É um trabalho introdutório, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Terminei há pouco de ler &#8220;Abrahadabra&#8221;, de Rodney Orpheus, e a impressão que tive é das melhores.</p>
<p>Trata-se de uma introdução à religião (sim, o autor defende que <a href="http://www.transtorno.net/tag/thelema/">Thelema</a> é religião e concordo com ele &#8211; &#8220;the method of science, the aim of religion&#8221;) thelemica, passando por diversos dos pontos nela contidos. </p>
<p>É um trabalho introdutório, mas tenho certeza de que inclusive quem já tem uma boa base vai tirar proveito. Eu, por exemplo, acredito ter mais <a href="http://www.transtorno.net/tag/conhecimento/">conhecimento</a> do que um leitor &#8220;normal&#8221;, recém chegado ao assunto, e ainda assim aprendi bastante.</p>
<p>Os assuntos abrangem Yoga (Asana e Pranayama, por exemplo), concentração, viagem astral, cosmologia &#8211; Nuit? Hadit? Therion? Babalon? Hoor-Paar-Kraat?  -, rituais básicos e suas explicações, <a href="http://www.transtorno.net/tag/qabalah/">qabalah</a>, tarot, bem como métodos de pensar na estrutura das construções ritualísticas de forma a adaptar o que for necessário às suas necessidades.</p>
<p>Um assunto importante que também é introduzido é a moralidade. Embora muitos <a href="http://www.transtorno.net/tag/livros/"><a href="http://www.transtorno.net/livros/">livros</a></a> thelemicos lembrem que &#8220;todo homem e toda mulher é uma estrela&#8221;, nem todos os estudantes levam isso para a prática. É importante não confundir &#8220;Faze o que Tu queres&#8221; com &#8220;faça o que quiser&#8221;. A diferença é óbvia e não é nada fácil adotar e seguir um sistema que dá tamanha <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> e ainda assim saber o limite de colisão das órbitas.</p>
<p>Gostaria muito que esse livro já existisse há uns 12 anos, quando tive meu primeiro contato com os escritos de Aleister <a href="http://www.transtorno.net/tag/crowley/">Crowley</a>. Teria me poupado muito trabalho, evitado muitos conflitos e me poupado também de algumas dores no estômago. Mas quem foi que disse que seria fácil?</p>]]></content:encoded>
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