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	<title>Transtorno&#187; Pensamentos &raquo; Vertigem, Ruptura e Pensamentos Transgressivos</title>
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	<description>Vertigem, Ruptura e Pensamentos Transgressivos</description>
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		<title>Espaço vazio</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Jun 2010 03:40:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ao contrário do costume, não vou prolongar muito: esse espaço deixará de existir em breve. Estamos em junho e esse é o primeiro post do ano. Já fiz isso em outras ocasiões, tendo em mente que comecei a escrever uma coisa ou outra no formato conhecido como &#8220;blog&#8221; por volta de 2002, mas dessa vez [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ao contrário do costume, não vou prolongar muito: esse espaço deixará de existir em breve. </p>
<p>Estamos em junho e esse é o primeiro post do ano. Já fiz isso em outras ocasiões, tendo em mente que comecei a escrever uma coisa ou outra no formato conhecido como &#8220;blog&#8221; por volta de 2002, mas dessa vez é diferente.</p>
<p>Estou cansado e não me sinto à <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a> para falar mais nada relevante nesse espaço e, na verdade, em nenhum outro. Nunca gostei de evidência, agora gosto ainda menos.</p>
<p>Gone.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Certezas</title>
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		<pubDate>Sun, 15 Nov 2009 18:58:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Nos últimos 3 meses, li aproximadamente 15 livros para a prova do mestrado. Não acho que é muito, pelo contrário, teria dado para ler mais, se minha vida se resumisse a leituras. Felizmente não é o caso. É claro que gosto de ler, mas é preciso bem mais do que isso, por certo. Curiosamente, apesar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nos últimos 3 meses, li aproximadamente 15 <a href="http://www.transtorno.net/tag/livros/"><a href="http://www.transtorno.net/livros/">livros</a></a> para a prova do mestrado. Não acho que é muito, pelo contrário, teria dado para ler mais, se minha vida se resumisse a leituras. Felizmente não é o caso. É claro que gosto de ler, mas é preciso bem mais do que isso, por certo. Curiosamente, apesar de serem <a href="http://www.transtorno.net/tag/livros/"><a href="http://www.transtorno.net/livros/">livros</a></a> obrigatórios, não são <a href="http://www.transtorno.net/tag/livros/"><a href="http://www.transtorno.net/livros/">livros</a></a> dogmáticos, cheios de respostas. Claro que defendem idéias, representam seus autores, mas são aporéticos em sua maioria e por isso são bons <a href="http://www.transtorno.net/tag/livros/"><a href="http://www.transtorno.net/livros/">livros</a></a>.</p>
<p>Se <a href="http://www.transtorno.net/tag/livros/"><a href="http://www.transtorno.net/livros/">livros</a></a> com fórmulas e receitas fossem tão bons, a história da <a href="http://www.transtorno.net/tag/filosofia/"><a href="http://www.transtorno.net/filosofia/">Filosofia</a></a> seria outra, certeira, sem discussões, provavelmente teria sido acabada há mais de dois mil anos. A frieza dos dogmas não me interessa, apenas o orgânico das certezas que se tornam <a href="http://www.transtorno.net/tag/duvidas/">dúvidas</a>. O último livro lido, de Peter Brook, termina dizendo que quando forem publicadas, aquelas linhas já estarão ultrapassadas e merecerão questionamentos. Detalhe: o livro foi publicado pela primeira vez há mais de 30 anos.</p>
<p>É curioso hoje ver com tantas &#8220;certezas&#8221; tornaram o mundo um tédio. A maioria das pessoas é tão cega e certa dentro de seus pequenos mundos que mesmo os que posam de visionários apenas receitam absolutos. Sucesso, ambição, falta de conflitos, necessidades de diferença expressas na aparência quando por dentro há apenas homogêneo: concordância generalizada com uma ordem que esconde os vícios do comum sob a aparência da modernidade.</p>
<p>Acontece, porém, que não cabe ser nostálgico e crer que as coisas eram melhores antes. Esse seria um equívoco sem proporções. Poderia afirmar diversas coisas aqui, mas não quero também incorrer em erro exatamente quando estou com mais <a href="http://www.transtorno.net/tag/duvidas/">dúvidas</a> e questionamentos vivos na mente. Não me cabe dizer como algo deve ser, apenas continuar questionando. Se um dia eu tiver alguma certeza, meu crescimento terá acabado.</p>
<p>Adaptando uma afirmação de Marvin Carlson, digo que não há espaço confortável para mim em nenhuma das diversas teorias existentes, mas me interesso por elas quando me fazem ver onde estou, seja por afirmação ou negação.</p>
<p>São bons <a href="http://www.transtorno.net/tag/livros/"><a href="http://www.transtorno.net/livros/">livros</a></a>, mas não os recomendo.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Equívocos</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Oct 2009 00:19:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pensamentos]]></category>
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		<description><![CDATA[Nietzsche (odeio citá-lo, maaaas&#8230; *) escreveu sobre o conflito Apolo/Dionísio e acreditava que em algum momento essas oposições se confundiriam, de tal modo que sua filosofia assumia assim uma posição anti-cristã, ainda que dentro do cristianismo. Antes dele, Hegel levantou a idéia de opostos no nível racional: a dialética, a razão que pensa a si [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nietzsche (odeio citá-lo, maaaas&#8230; *) escreveu sobre o conflito Apolo/Dionísio e acreditava que em algum momento essas oposições se confundiriam, de tal modo que sua <a href="http://www.transtorno.net/tag/filosofia/"><a href="http://www.transtorno.net/filosofia/">filosofia</a></a> assumia assim uma posição anti-cristã, ainda que dentro do cristianismo. Antes dele, Hegel levantou a idéia de opostos no nível racional: a dial<a href="http://www.transtorno.net/tag/etica/">ética</a>, a razão que pensa a si mesma. É essa a mesma coisa que o conflito nietzscheano? Not quite. Não podemos dizer que Édipo, ao arrancar seus olhos, pensou dialeticamente. Faz sentido? Não foi a razão que arrancou seus olhos, foi a paixão.</p>
<p>Hoje, apesar da banalidade da morte e da incomunicabilidade humana expressa por Ionesco e <a href="http://www.transtorno.net/tag/beckett/">Beckett</a>, nos impressionamos com alguns fenômenos isolados. Édipo causa impressão após mais de 2.000 anos, assim como Electra e Orestes. Centenas morrem diariamente em explosões no Oriente Médio, em conflitos na África, nas favelas e ruas do Rio ou de SP, mas o que chama a atenção do público, mantendo os notíciários sensacionalistas por horas e até mesmo dias, é o caso de uma menina atirada de uma janela.</p>
<p>Aparentemente não é o fenômeno de massa que interessa. É o Único que causa interesse. Alguém duvida que traficantes, comunistas, nazistas, terroristas e cia matam/mataram mais do que Ted Bundy, Ramirez ou Dave Berkowitz? Não há dúvida alguma, mas esses casos isolados, dotados de face e nome, são pequenos universos, dotados de leis próprias e incompreensíveis, que atuaram de forma não categorizável. O que foge aos padrões é comumente temido e torna-se interessante à distância. Um exemplo disso pode ser obtido se pensarmos que os romanos mataram centenas de pessoas, mas que foi através da idéia de Cristo, de um único, de um redentor, que se fez a história do ocidente nos últimos XX séculos. O que é comum é que é aceito facilmente e pode, por certo, tornar-se extremamente perigoso.</p>
<p>Alguns Filósofos escreveram sobre o impacto que o Holocausto causou à <a href="http://www.transtorno.net/tag/humanidade/">humanidade</a>, temendo que após esse fenômeno nada mais interessasse: se toda uma época permitiu tal coisa, o que poderia ser forte o suficiente a ponto de levar à comoção depois disso? Ainda mais mortes? É um equívoco pensar em identificação do um ao todo. O único é que ainda causa estranheza. Também &#8211; e por isso mesmo &#8211; o desconhecido, o aleatório. É óbvio que cada judeu morto era único e esse é exatamente o ponto em questão: questiono o resultado dessa alta exposição, posto que esses fenômenos reduzem os indivíduos a números sem rostos, sem individualidade. A massa não é mais afetada por grandes números, mas por rostos, vistos como símbolos, mártires. Por isso há, por exemplo, o interesse em Anne Frank.</p>
<p>Se hoje surgisse um sujeito dizendo &#8220;matarei todas as pessoas pardas&#8221;, haveria indignação, mas em muitos casos de forma falsa: &#8220;estou indignado, mas não sou pardo, logo, não é o meu rabo que está na reta&#8221;. Imagine que apareça um sujeito que mate garotas em série: &#8220;nossa, que absurdo, ele mata mulheres, mas eu sou homem, então não corro risco&#8221;. Entende? Não foi essa a mesma atitude perante o Holocausto? Agora pensem no atirador de Washington. Lembram do caso? Descobriram que eles (era uma dupla, pra quem não se lembra) estavam apenas atirando em pessoas aleatórias pra encobrir o assassinato de uma específica, que aconteceria em meio às demais. O todo seria apenas um desvio de atenção. Engenhoso, mas interessado. Ainda assim, quando não se sabia a causa dos disparos, quando se acreditava no ato desinteressado e randômico, o terror foi intenso: ruas vazias e pessoas apavoradas. Não havia um grupo determinado como alvo.</p>
<p>Não vou entrar no mérito dos tiroteios que acontecem no Brasil, das guerras, de brigas que acabam em mortes, de balas perdidas. Esses são casos que ocorrem dentro de um sistema geralmente interessado e banal, cujo controle é possível por meios repressivos/políticos, por exemplo. Pensem agora no seguinte: um sujeito normal, extremamente comum, sai de casa, vai a um lugar movimentado qualquer, olha à sua volta, admira o que está ali, inveja mesmo, e começa a disparar em mulheres, crianças, adolescentes e homens indistintamente. Se você soubesse que tal coisa é possível, sairia de casa em paz? Perderia os <a href="http://www.transtorno.net/tag/momentos/">momentos</a> mais intensos de sua vida com a facilidade com que perde hoje? Acontece que também é um equívoco se acreditar imune, pois é claramente possível. &#8220;Mas se eu pensar assim, não terei mais um segundo de paz sequer&#8221;. É, talvez não tenha. Mas repito as perguntas anteriores: perderia tanto tempo quanto costuma perder ou aproveitaria o que tem da melhor forma, intensamente?</p>
<p>É um equívoco acreditar no conforto e na segurança, acreditar que isso jamais acontecerá. É um equívoco também que sejam necessárias situações tão extremas para aquisição de consciência de tudo o que nos cerca, de que o tempo foge, do que deixamos de fazer. É um equívoco ignorar o Eu e pensar em engajamentos e universais. O &#8220;social&#8221;, o &#8220;bem maior&#8221;, é um câncer: cega, faz crer que existe um propósito que na verdade não há, dá uma sensação de conforto enganosa, de isolamento por concordância com a maioria. O indivíduo expressa o mundo à sua maneira e crer no &#8220;social&#8221; é crer no ocidente equivocado dos últimos 2000 anos. Se anular é um equívoco e o <a href="http://www.transtorno.net/tag/despertar/">despertar</a> é violento.</p>
<p>O assunto é por demais interessante pra um pobre post de blog. Vale lembrar que Hanna Arendt foi a fundo em muitos desses tópicos em sua análise da &#8220;banalidade do <a href="http://www.transtorno.net/tag/mal/">mal</a>&#8221;, bem como sobre a forma como esta foi somada à organização das massas por regimes totalitários como comunismo e o nazismo. Se o assunto interessar, recomendo muito a leitura de suas obras. Cabe questionar, por fim, se estamos tão livres dos totalitarismos quanto alguns afirmam e &#8211; principalmente &#8211; se todos possuem a forma organizada destes citados. Se não, como se dão as manifestações hoje? E não me venham com a bullshit cafona do &#8220;imperialismo americano&#8221;, por favor.</p>
<p>* odeio citar Nietzsche pois se trata do &#8220;Filósofo das frases prontas&#8221;: qualquer debilóide isola algumas delas e sai citando como se fossem máximas de sabedoria, sem analisar como ele chegou a essas afirmações ou negações e, principalmente, onde queria chegar. Meu problema não é com Nietzsche, mas com o uso que fazem dele.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Mediocridade e ridículo</title>
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		<pubDate>Sun, 25 Oct 2009 02:24:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Faz tempo que não escrevo aqui. Ando ocupado e, principalmente, sem vontade nenhuma, mas já que estou aqui, vamos ao assunto&#8230; A música é uma ótima forma de expressão pra quem tem aquele ímpeto adolescente, aquela rebeldia ingênua, que acha que vai mudar algo se expressando dessa forma. Vejo Rolling Stones e outros dinossauros no [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Faz tempo que não escrevo aqui. Ando ocupado e, principalmente, sem <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a> nenhuma, mas já que estou aqui, vamos ao assunto&#8230;</p>
<p>A <a href="http://www.transtorno.net/tag/musica/"><a href="http://www.transtorno.net/musica/">música</a></a> é uma ótima forma de expressão pra quem tem aquele ímpeto adolescente, aquela rebeldia ingênua, que acha que vai mudar algo se expressando dessa forma. Vejo Rolling Stones e outros dinossauros no palco tocando as mesmas coisas que tocavam nos anos 50/60 e fico com vergonha pelos fãs. A banda está fazendo o papel deles, enchendo cofres. Os fãs acham rebeldia. Eu acho apenas ridículo. A transformação não é feita de clássicos, é feita de rupturas e violência. Tudo o que se torna clássico se torna referência e, como tal, deixa de ser um provocador de fato, mas apenas um espelho para cópias</p>
<p>A <a href="http://www.transtorno.net/tag/musica/"><a href="http://www.transtorno.net/musica/">música</a></a> não é mais uma forma de expressão pra mim. Deixou de ser lá atrás, na adolescência, quando a ingenuidade foi ficando pra trás. Hoje, depois do acúmulo de bagagem da vida, de tudo que me forma, só sinto desprezo por quase tudo que vejo de forma <a href="http://www.transtorno.net/tag/geral/">geral</a>. Desprezo a superficialidade e se você é assim, é um lixo como qualquer outro, se não, siga em frente. A real é que difícil alguém aceitar o fato de ser.</p>
<p>Não achei que mudaria nada fazendo <a href="http://www.transtorno.net/tag/musica/"><a href="http://www.transtorno.net/musica/">música</a></a>, pelo contrário, tenho <a href="http://www.transtorno.net/tag/ciencia/">ciência</a> de que poucos ouvem e deixar de &#8220;compor&#8221; não fez ou faz diferença alguma. A máquina do mundo continua e somos apenas bactéria em relação ao todo maior. A questão que resta é: eu gostaria de fato de mudar algo? A resposta é sim, mas não pela escrita ou composição. Se eu pudesse, não seria pela <a href="http://www.transtorno.net/tag/arte/">arte</a>, mas por um massacre&#8230; </p>
<p>Odeio passividade, sorrisos falsos, pessoas &#8220;super legais&#8221;, sem senso crítico algum, que aplaudem qualquer porcaria pela est<a href="http://www.transtorno.net/tag/etica/">ética</a> e não pelo que aquilo representa de fato. E digo isso não apenas em relação à <a href="http://www.transtorno.net/tag/musica/"><a href="http://www.transtorno.net/musica/">música</a></a>. Serve também para amizades, relacionamentos, <a href="http://www.transtorno.net/tag/arte/">arte</a> (todas as formas) e o que mais vocês quiserem pensar. Qualquer coisa desprovida de provocação é pobre em forma e conteúdo.</p>
<p>Me falaram mil vezes para eu levar a vida mais levemente, mais alegre, ser mais sociável. Sabe quem é que faz isso? Pessoas comuns e/ou que se contentam com pouco. Não eu. Hoje é um sábado de calor insuportável. Só meu carro está na garagem. Se estivesse chovendo, só o meu não estaria.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Nadja, sempre Nadja</title>
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		<pubDate>Sat, 15 Aug 2009 04:31:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Nadja]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Sexta-feira à noite, em casa. Pensamentos correndo, pessoas saindo para encontrar a noite, ansiedade, momentos curtos. Talvez&#8230; Sim, a magia do talvez. Vozes, movimento, barulho, fumaça, luzes. Nada disso aqui. Não agora! Me encontro só, com meus pensamentos, em companhia de minhas dúvidas, questionamentos e de meus gatos. Deprimente, não? Não, nem um pouco. Não [...]


Links relacionados:<ol><li><a href='http://www.transtorno.net/2008/11/nadja/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Nadja'>Nadja</a></li>
<li><a href='http://www.transtorno.net/2009/07/efemero-eterno-memorias/' rel='bookmark' title='Permanent Link: O efêmero, o eterno e as memórias'>O efêmero, o eterno e as memórias</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sexta-feira à noite, em casa.</p>
<p><a href="http://www.transtorno.net/tag/pensamentos/"><a href="http://www.transtorno.net/pensamentos/">Pensamentos</a></a> correndo, pessoas saindo para encontrar a noite, ansiedade, <a href="http://www.transtorno.net/tag/momentos/">momentos</a> curtos. Talvez&#8230; Sim, a <a href="http://www.transtorno.net/tag/magia/">magia</a> do talvez. Vozes, movimento, barulho, fumaça, luzes. Nada disso aqui. Não agora! Me encontro só, com meus <a href="http://www.transtorno.net/tag/pensamentos/"><a href="http://www.transtorno.net/pensamentos/">pensamentos</a></a>, em companhia de minhas <a href="http://www.transtorno.net/tag/duvidas/">dúvidas</a>, questionamentos e de meus gatos. Deprimente, não? Não, nem um pouco. Não se pensarmos que muitos que saem às noites buscam apenas companhia, a que não conseguem encontrar em si mesmos.</p>
<p>Ligo a TV. Desligo. Ligo meu equipamento, e continuo a mexer nas músicas que estão a caminho de vir a público. Me canso, por enquanto. Volto, ligo a TV, procuro um filme, desligo. Volto às músicas. Apago partes que um dia me pareceram boas e hoje parecem apenas barulho. Outras voltam a tomar forma, formar ondas: saws, squares, pulses. Já próximo da meia-noite o barulho incomoda os vizinhos. Ligo o fone, mas os graves provocam dores de cabeça. Preciso de uma pausa, volto à sala, olho a estante e depois de anos pego um livro que me olha: &#8220;História do <a href="http://www.transtorno.net/tag/surrealismo/">Surrealismo</a>&#8221;, de Maurice Nadeau. Abro aleatoriamente, ao acaso, como tanto gostavam.</p>
<p><a href="http://www.transtorno.net/tag/nadja/">Nadja</a>.</p>
<p>O nome, a palavra, a imagem. A primeira coisa que vejo, ali, magn<a href="http://www.transtorno.net/tag/etica/">ética</a>. Sorrio sozinho, sento e começo a ler a página. Está ali, tanto e sempre. Questionamentos, <a href="http://www.transtorno.net/tag/duvidas/">dúvidas</a>, mas a certeza de algo: para mim <a href="http://www.transtorno.net/tag/nadja/">Nadja</a> será sempre um símbolo. A prova de que a <a href="http://www.transtorno.net/tag/magia/">magia</a> existe, prova de que posso me encontrar comigo, em paz ou em guerra, mas sempre haverá o espelho. Está ali.</p>
<p>Querem saber o que dizia? Vos digo. Acredito que não se importarão, que não fará sentido, talvez. Talvez. Certeza e dúvida é o que vejo ali, não direi quando e onde, mas há sentido, sempre.</p>
<blockquote><p>Com <a href="http://www.transtorno.net/tag/nadja/">Nadja</a>, eis a antítese do estilo polêmico de Aragon, a tal ponto que se tomou a <a href="http://www.transtorno.net/tag/obra/">obra</a> de <a href="http://www.transtorno.net/tag/breton/">Breton</a> por um romance, que se lhe atribuiu sucesso enquanto tal. Os fatos relatados parecem, de fato, tão inacreditáveis que se preferiu pensar que foram inventados. Ora, em <a href="http://www.transtorno.net/tag/nadja/">Nadja</a> nada há de imaginado, tudo é perfeita e rigorosamente verdadeiro. <a href="http://www.transtorno.net/tag/nadja/">Nadja</a> existiu, muitos a conheceram, seu destino brilhante e lamentável é exatamente como <a href="http://www.transtorno.net/tag/breton/">Breton</a> o retrata.</p>
<p>Uma mulher que <a href="http://www.transtorno.net/tag/breton/">Breton</a> encontra um dia, por acaso, na rua Lafayete, e que, como muitas mulheres por quem ele se apaixona, o atrai com um par de olhos &#8220;que ele jamais vira&#8221;. Ela se chama &#8220;<a href="http://www.transtorno.net/tag/nadja/">Nadja</a>, porque em russo é o princípio da palavra <a href="http://www.transtorno.net/tag/esperanca/">esperança</a>, e porque não passa do princípio&#8221;. &#8220;Quem é você?&#8221;, pergunta <a href="http://www.transtorno.net/tag/breton/">Breton</a>. &#8220;Eu sou a Alma errante.&#8221; Parece que ela se encontra sempre e naturalmente naquilo que os espíritas chamam de &#8220;estado de vidência&#8221;, numa disponibilidade perfeita e constante. Ela conta histórias e as vive: &#8220;é exatamente dessa maneira que eu vivo&#8221;. Depois dessa primeira entrevista, houve uma sequência, uma cascata de acasos: ela marca encontros, não aparece, mas eles se encontram sempre, <a href="http://www.transtorno.net/tag/breton/">Breton</a> e <a href="http://www.transtorno.net/tag/nadja/">Nadja</a>, em lugares desconhecidos, em horas inconvenientes. Parece que o destino os aproxima um do outro, apesar do que pensem. Suas conversas se desenvolvem numa atmosfera que já não é normal, onde <a href="http://www.transtorno.net/tag/breton/">Breton</a> muitas vezes perde pé. O que ela diz sempre parece provir de uma além onde ela vive naturalmente. Tem visões, alucinações que procura partilhar com seu companheiro; vive em outras épocas, em outros meios, com uma precisão supreendente; emprega expressões, irradia imagens que mantém estreita relação com <a href="http://www.transtorno.net/tag/breton/">Breton</a> (livro que ele acaba de ler, expressões que usou e ela não pode conhecer etc.). Ela parece exercer uma influência inexplicável sobre as pessoas que surpreende em seus gestos habituais. Desenha estranhas composições repletas de significados misteriosos, escrever frases incoerentes que &#8220;lhe causam espanto&#8221;: &#8220;A garra do leão aperta os seios da vinha&#8221;. Escreve Breton:</p>
<p>&#8220;Do primeiro ao último dia, tomei <a href="http://www.transtorno.net/tag/nadja/">Nadja</a> por um gênio livre, algo como um desses espíritos do ar que cetas práticas de <a href="http://www.transtorno.net/tag/magia/">magia</a> permitem momentaneamente que se os prenda, mas que não seria o caso de submerter-se-lhes&#8230;&#8221;</p>
<p>O poeta logo não pode mais segui-la: &#8220;eu talvez não estivesse à altura do que ela me propunha&#8230;&#8221; Ele se afasta pouco a pouco. <a href="http://www.transtorno.net/tag/nadja/">Nadja</a> fica louca. É presa.</p>
<p>É uma história pequena, cheia de um peso imenso. É a entrada na vida de seres que estão além da vida; é a irrupção dos fantasmas que com naturalidade vêm dar as mãos aos vivos. Loucura? É fácil dizer. E o que é a loucura? Em que a loucura muda alguma coisa nos fatos relatados? Em que explica os inúmeros <a href="http://www.transtorno.net/tag/acasos/">acasos</a> e a realização das predições por meio de acontecimentos que não dependem de nenhum dos parceiros? <a href="http://www.transtorno.net/tag/nadja/">Nadja</a> ficou louca a partir do momento em que foi presa? Ou o era antes? Foi <a href="http://www.transtorno.net/tag/breton/">Breton</a> que, como lho censuraram, agravou seu estado? Que importa! Para além das aparências, <a href="http://www.transtorno.net/tag/nadja/">Nadja</a> é um ser que vive doravante em nós, conosco.</p>
<p>- Maurice Nadeau, in História do <a href="http://www.transtorno.net/tag/surrealismo/">Surrealismo</a>
</p></blockquote>
<p>Pessoas saem em <a href="http://www.transtorno.net/tag/busca/">busca</a> de lugares desconhecidos e horas inconvenientes. <a href="http://www.transtorno.net/tag/busca/">Busca</a>, ora, a <a href="http://www.transtorno.net/tag/busca/">busca</a>. O movimento é, em si, parte da <a href="http://www.transtorno.net/tag/poesia/">poesia</a>.</p>

<p>Links relacionados:<ol><li><a href='http://www.transtorno.net/2008/11/nadja/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Nadja'>Nadja</a></li>
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</ol></p>]]></content:encoded>
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		<title>Confissões, pt. IV</title>
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		<pubDate>Tue, 28 Jul 2009 04:17:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pensamentos]]></category>
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		<description><![CDATA[Quando era criança, criança mesmo, pré-escola, ia muito para o interior, quando minha mãe visitava minha tia. Era a maior aventura possível. A cidade, que fica a 1h30 de SP, parecia não chegar nunca, tal era a relação tempo x espaço na época. Meus primos colecionavam diversas coisas, de chaveiros a calendários. Certa vez, vendo [...]


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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando era criança, criança mesmo, pré-escola, ia muito para o interior, quando minha mãe visitava minha tia. Era a maior aventura possível. A cidade, que fica a 1h30 de SP, parecia não chegar nunca, tal era a relação tempo x espaço na época. </p>
<p>Meus primos colecionavam diversas coisas, de chaveiros a calendários. Certa vez, vendo a coleção com minha mãe e minha tia, encontrei um com a imagem de Cristo crucificado e algo me chamou a atenção ali. Pedi se podia ficar com ele e como se tratava de um repetido, me deram. Me recordo dos comentários que fizeram sobre eu querer a imagem de Cristo, sobre querer proteção etc. Na verdade o que ninguém sabe até hoje é que esse foi o último dos motivos para o pedido. O que me chamou a atenção, de fato, foi o crânio que havia no pé da cruz.</p>
<p>A associação do crânio com meu interesse nunca foi feita por ninguém. Essas &#8220;esquisitices&#8221; só começaram a ser notadas depois. quando comecei a folhear enciclopédias e <a href="http://www.transtorno.net/tag/livros/"><a href="http://www.transtorno.net/livros/">livros</a></a> recortando esqueletos (sim, estragava mesmo) e colar na parede, ou quando comecei a me interessar por <a href="http://www.transtorno.net/tag/musica/"><a href="http://www.transtorno.net/musica/">música</a></a> e suas bizarrices. Já disse aqui que a primeira banda que me interessou foi o Kiss. Jamais vou esquecer a primeira impressão que o clipe de &#8220;I love it loud&#8221; me causou: escuridão, maquiagem, olhos brilhantes, o peso da bateria de Eric Carr, Mr. Simmons cuspindo sangue&#8230; Eu tinha nove anos.</p>
<p>Dai pra frente foi a complicação: desde meus pais querendo me levar a psicólogos sem poder pagar, tentando conseguir um público, ao momento em que descobri que não estava em uma consulta normal, mas em um psiquiatra. Nessa época eu era uma criaturinha bem estranha para os padrões. Me vestia de preto, calças apertadas, tinha o cabelo comprido&#8230; e onze anos. </p>
<p>Se for escrever detalhes demais, mato vocês de tédio e não termino nunca, então vou dar alguns pulos na cronologia. O interesse específico por metal durou muitos anos. Depois de muito tempo ouvindo só isso, apareceu um festival de bandas de um colégio, o São Bento, no centro de SP. Eu tinha 17 anos e uns colegas me chamaram pra tocar pq eu tinha uma guitarra. Seria uma <a href="http://www.transtorno.net/tag/musica/"><a href="http://www.transtorno.net/musica/">música</a></a> nossa &#8211; horrível! &#8211; e um cover. Um colega escolheu o até então desconhecido (para mim) The Sisters of Mercy. Comecei a ouvir a <a href="http://www.transtorno.net/tag/musica/"><a href="http://www.transtorno.net/musica/">música</a></a> para poder tocá-la, mas comecei a ouvir o resto da fita tb e cai de amores pela banda e comecei a expandir os interesses.</p>
<p>Dai a chegar ao saudoso espaço Retrô foi um pulo. De chegar ao Retrô, ver o Martin (Simbolo) tocando e descobrir o EBM, outro pulo, de ouvir Skinny Puppy e descobrir o Industrial, outro. Os anos foram passando, os pulos acontecendo, meu casamento, a misantropia aumentando mais e mais, a <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a> de ficar calado atingindo todos à minha volta, o divórcio.</p>
<p>Com mais de 30 anos comecei a frequentar uma psicóloga, a fazer &#8220;terapia&#8221;, como gostam de chamar por ai. Fui por mais de dois anos e hoje tenho <a href="http://www.transtorno.net/tag/duvidas/">dúvidas</a> se tive algum <a href="http://www.transtorno.net/tag/progresso/">progresso</a> de fato. O que sei é que lembrei de lixo demais que estava sob o tapete e agora tenho que lidar com isso na memória. Vão falar &#8220;ah, então fez <a href="http://www.transtorno.net/tag/progresso/">progresso</a>&#8221;, mas duvido, afinal, quem é que sabe o que foi que lembrei e o que é que tento esquecer novamente, huh?</p>
<p>Nessa época comecei a me forçar a criar novos hábitos, comprar roupas de várias cores, não mais usar só preto (não uso mais só preto, é verdade), tentar ter um comportamento mais leve, enfrentar menos as pessoas, guardar um pouco mais do que penso só pra mim. Comecei a ser mais sociável, tentar parar de ser julgado por quem não tem <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a> pra isso. Tentei ser comum. Resumindo: comecei a me violentar pois é isso que se espera que alguém fora dos padrões faça. Em contraste com os vários anos de uso de substâncias diversas e ilícitas, comecei a comer bem, com horários determinados, ir à academia, parei de fumar. &#8220;Ah, foi uma evolução&#8221;, dirá você. É claro que sim, pois é uma evolução dentro da SUA ótica, do SEU ponto de vista, de quem adora julgar os outros. Da ótica de quem prega a diferença, mas de fato espera a homogeneidade. Te peguei, idiota? </p>
<p>Nos últimos dias me peguei olhando as roupas que tenho guardadas, outras que não tenho, as coisas que eu gostaria de ter vestido quando novo, feito, dito, escrito. Na época eu datilografava meus <a href="http://www.transtorno.net/tag/pensamentos/"><a href="http://www.transtorno.net/pensamentos/">pensamentos</a></a> e xerocava para alguém que pedisse. Hoje largo aqui, big deal. Só mudou a mídia. O conteúdo tá ali, é o mesmo, gritando pra ser respeitado, para ser aceito. Aquele texto da Clarice Lispector que postei há dias, Pertencer, era por isso. O erro é achar que isso é de fato possível, pois não é. Para alguns, pertencer é só causa de <a href="http://www.transtorno.net/tag/dor/">dor</a>. O caminhar apenas é que é possível.</p>
<p>Durante esse tempo conheci tanta gente que não faço a menor questão de rever. Alguns só queriam pertencer também, mas a qualquer coisa, era só pertencer. Outros, como eu, também queriam, mas sequer sabiam a que, só tentavam. Hoje percebo que pertencer ao mundo, como sou, como uma peça fundamental, sem precisar ser moldada, apenas sendo a peça, é que eu queria. </p>
<p>Quando olhei para as roupas, pensei nos piercings que usava e removi, nos que nunca coloquei e nas várias tatuagens. Me parece claro que esses detalhes estabelecem, em certo nível, a identidade para o público. Ao pensar que hoje os pais levam os filhos até a galeria e compram camisetas e acessórios para eles e que eu tinha que sair escondido para ir até lá, que fiz minhas primeiras tatuagens escondido e fui chamado de animal por conta disso, que tomei um soco no olho quando furei a orelha aos 15 anos, tenho certeza que fazer as coisas do meu jeito era mais divertido, rendeu mais histórias para contar. Nunca pedi aprovação, fui e fiz.</p>
<p>Daqui alguns anos essas crianças e adolescentes estarão vestindo cores, ouvindo pop, e eu estarei pensando nos <a href="http://www.transtorno.net/tag/livros/"><a href="http://www.transtorno.net/livros/">livros</a></a> que li e que não li, nas palavras que não disse, nas outras que disse com sentido e nas que disse só para machucar. Estarei pensando se pertenço ou não a algo. Estarei vestindo preto &#8211; ou qualquer outra cor &#8211; e não estarei me violentando. Estarei inquieto, buscando pequenos prazeres, perdendo tempo tentando racionalizar certas coisas que deveriam ser apenas&#8230; coisas e, ai sim, me violentando.</p>
<p>Percebo hoje que é sempre fácil pertencer a algo, a alguém. O difícil é pertencermos a nós mesmos o suficiente para nos aceitarmos como somos, pela natureza que temos, sem nos deixarmos moldar ou querermos moldar os demais.</p>

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</ol></p>]]></content:encoded>
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		<title>A inquietude que move e sufoca</title>
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		<pubDate>Sat, 18 Jul 2009 07:10:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Acho que os rabiscos mais íntimos que deixo aqui são os das madrugadas. A noite faz as pessoas íntimas, cúmplices. Faz as vítimas e os algozes, por isso as pessoas &#8220;normais&#8221; temem a noite. Algumas &#8220;anormais&#8221; também, mas por outros motivos: as primeiras temem o incomum, as últimas temem se expor, mostrar o quanto estão [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acho que os <a href="http://www.transtorno.net/tag/rabiscos/"><a href="http://www.transtorno.net/rabiscos/">rabiscos</a></a> mais íntimos que deixo aqui são os das madrugadas. A noite faz as pessoas íntimas, cúmplices. Faz as vítimas e os algozes, por isso as pessoas &#8220;normais&#8221; temem a noite. Algumas &#8220;anormais&#8221; também, mas por outros motivos: as primeiras temem o incomum, as últimas temem se expor, mostrar o quanto estão deslocadas.</p>
<p>Desde novo pertenci a esse último grupo, mas de uns anos pra cá tenho tentado &#8220;corrigir&#8221; isso, aproveitar o dia, me alimentar do sol como fazem os gatos em minha cama pela manhã, quando abro as janelas. Vejo como se esticam, rolam, adoram a luz que os aquece. Eu, por outro lado, entendo apenas parcialmente, com a dúvida de quem não sabe se é apenas uma <a href="http://www.transtorno.net/tag/necessidade/">necessidade</a> física ou se há mesmo um certo prazer naquilo. Simplesmente não entendo.</p>
<p>A mim o calor apenas incomoda, prefiro o frio, que também é algo íntimo. A luz, quando não está em meus olhos, não faz diferença. Deixo sempre acesas, mas como li uma vez, se <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a> disse &#8220;faça-se a luz&#8221;, é pq estava também no escuro, e existia lá antes de mais nada.</p>
<p>A noite, além de mais íntima, nos permite ver os astros, que se escondem durante o dia. Exceto pela estrela da manhã, Venus, Lúcifer, que está tão próxima do Sol e nem sempre pode ser vista a olho nu. </p>
<p>Citei as estrelas pois em algum momento lá atrás a astrologia me interessou. Pessoas perguntam &#8220;você acredita nisso?&#8221;, mas não é questão de acreditar, é de ver sentido, perceber sutilezas. Muita gente fala da teoria do caos, o papo da borboleta que causa maremotos, mas não pensa na astrologia da mesma forma. Deveriam pensar por esse viés, faria sentido. Voltando: em algum momento me interessei, talvez para entender o que era sofrer pela &#8220;influência má dos signos do zodíaco&#8221;, como diria Augusto dos Anjos.</p>
<p>Hoje vejo que não é nada daquilo, não é um sofrer, como também não é um gozar. É um entender e sentir, e ai é que se torna íntimo, pois é difícil fazer isso em público. É preciso confiar e deixar acontecer ou retrair-se. Timidez? Não diria isso. Auto-preservação seria mais apropriado. Acontece que há uma mistura de coisas, algumas dizendo &#8220;se exponha&#8221;, outras dizendo &#8220;cuidado&#8221;. Se expor é sempre delicado, mas o cuidado tira o sono, causa conflito, entre o real e o ideal. </p>
<p>Seria esse o motivo de existirem notívagos? Sem sono, expostos à noite, quando poucos podem ver, sendo geralmente outros inquietos. Não sei, sei apenas que é noite, me exponho em palavras, mas ninguém vê onde estou.</p>
<p>Realmente, há uma certa <a href="http://www.transtorno.net/tag/intimidade/">intimidade</a> entre os inquietos, o prazer de uma <a href="http://www.transtorno.net/tag/cumplicidade/">cumplicidade</a> silenciosa, que não precisa ser exposta, é apenas reconhecida, mesmo que parcialmente. Não falo que todos que estão ai pela noite são notívagos, de forma alguma. A maioria não é e teme a escuridão, saem em <a href="http://www.transtorno.net/tag/busca/">busca</a> de adrenalina. Falo daqueles que querem paz, mas nunca a encontram, pois não está em sua natureza. É esse conflito que move, que chama inquietude. A paz é para as criaturas diurnas, as noturnas compartilham a <a href="http://www.transtorno.net/tag/intimidade/">intimidade</a>.</p>]]></content:encoded>
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		<title>O efêmero, o eterno e as memórias</title>
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		<pubDate>Sat, 04 Jul 2009 03:25:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Se não somos eternos, como podemos sequer pensar essa possibilidade? Não, essa questão não é minha, é filosófica. Como pensamos? Pensamos no oposto do que somos. Eternidade, perfeição, bondade e outras coisas. Dai se pensa em Deus, se pensa no eterno. Não diria todos pq é claro que seria ridículo, mas uma grande, grande mesmo, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Se não somos eternos, como podemos sequer pensar essa possibilidade? Não, essa questão não é minha, é filosófica. Como pensamos? Pensamos no oposto do que somos. Eternidade, perfeição, bondade e outras coisas. Dai se pensa em <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a>, se pensa no eterno.</p>
<p>Não diria todos pq é claro que seria ridículo, mas uma grande, grande mesmo, quantidade de pessoas <a href="http://www.transtorno.net/tag/busca/">busca</a> o eterno. Buscam quando vão à igreja, quando buscam relacionamentos, quando prometem amar na saúde e na doença, até que a morte os separe. É claro que há a promessa de união após a morte. Esse eterno fez a beleza da literatura por séculos, da <a href="http://www.transtorno.net/tag/musica/"><a href="http://www.transtorno.net/musica/">música</a></a>, da <a href="http://www.transtorno.net/tag/pintura/">pintura</a>.</p>
<p>Quem não concordaria que Mozart, Bach, Platão, Aristóteles e outros são eternos? São pq sentimos assim. Um dia podem ser esquecidos, é fato, mas o efeito de suas obras terá influenciado tudo que se passou até ali. Hegel dizia, por exemplo, que é impossível pensar o mundo hoje sem pensar o cristianismo, de tão profunda a ligação. Resumi porcamente e com minhas palavras, mas é isso. Para Hegel o cristianismo fez-se eterno. É parte da dial<a href="http://www.transtorno.net/tag/etica/">ética</a>.</p>
<p>Ontem, por um motivo bobo, eu disse que nada era eterno, falei sem pensar. Agora estou pensando e discordo do que disse. Se tivesse pensado ontem, não teria dito. As coisas podem passar, virar memórias, mas se tornam eternas, pois influenciam os próximos passos todos da causalidade.</p>
<p>Me pego a pensar em <a href="http://www.transtorno.net/tag/nadja/">Nadja</a>, pra variar. O livro que me marca, volta e meia batendo à minha porta, me mostrando que vivo em uma &#8220;casa de vidro&#8221;, provando que a causalidade é real, ri de nós, brinca, mas faz de cada um de seus jogos um momento eterno.</p>
<p>Fui à terapia por algum tempo, anos atrás. Ela me disse à época que paixão era bobagem, que <a href="http://www.transtorno.net/tag/amor/">amor</a> existia quando as pessoas aprendiam a conviver sem paixão. Eu entendo o que ela queria dizer, faz sentido pra muita gente, para aqueles que não se questionam e vivem um dia após o outro. Não faz sentido para os inquietos, buscadores. Não faz sentido para mim.</p>
<p><a href="http://www.transtorno.net/tag/amor/">Amor</a> faz sentido, mas a paixão também faz. Não me importa se a origem de seu nome é de pathos, doença. Não me interessa se paixão é patológica. A mim importa que a calmaria é morte. Que não se questionar é morte. Que não sentir extremos é morte. Paixão não causa sensação de paz, pelo contrário. </p>
<p>As temperaturas são extremas, a mim não agrada o morno. A mim não agrada a paz. Não adianta eu tentar me iludir. Digo que quero paz, mas não, não quero. Estou em constante combate, prefiro assim. E já que citei <a href="http://www.transtorno.net/tag/nadja/">Nadja</a>, lembro que em &#8220;O <a href="http://www.transtorno.net/tag/amor/">amor</a> louco&#8221;, <a href="http://www.transtorno.net/tag/breton/">Breton</a> diz que &#8220;o <a href="http://www.transtorno.net/tag/amor/">amor</a> será convulsivo ou não será nada&#8221;. Acredito que ali ele coloca o <a href="http://www.transtorno.net/tag/efemero/">efêmero</a> no eterno: o <a href="http://www.transtorno.net/tag/amor/">amor</a> não exclui a paixão de si, jamais, e torna-se para sempre seu próprio momento, na transformação que causa.</p>
<p>O <a href="http://www.transtorno.net/tag/efemero/">efêmero</a> parece perder o sentido assim, quando se transforma, se tornando parte do todo, que permanece.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Confissões, pt. III</title>
		<link>http://www.transtorno.net/2009/06/confissoes-pt-iii/</link>
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		<pubDate>Mon, 22 Jun 2009 01:23:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Confissões]]></category>
		<category><![CDATA[desejo]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[O fator Touro se refere, no entanto, a um componente muito mais profundo da personalidade: os critérios de valor. Atribuímos valores às coisas, a nós mesmos, e é este valor que sustenta tanto a realidade material que podemos construir quanto a segurança que sentimos através dessa realidade. - Valdenir Benedetti in Textos Planetários Comecei a [...]


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<li><a href='http://www.transtorno.net/2009/05/confissoes-i/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Confissões, pt. I'>Confissões, pt. I</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>O fator Touro se refere, no entanto, a um componente muito mais profundo da personalidade: os critérios de valor. Atribuímos valores às coisas, a nós mesmos, e é este valor que sustenta tanto a realidade material que podemos construir quanto a segurança que sentimos através dessa realidade.<br />
- Valdenir Benedetti in Textos Planetários</p></blockquote>
<p>Comecei a pensar nisso ontem, tipo &#8220;posso escrever sobre isso depois&#8221;. Agora que comecei estou achando inútil e desnecessário. E é! Vou escrever brevemente, então, só para constar&#8230;</p>
<p>Decidi que vou tentar o máximo para ter uma vida mais espartana, sem coisas desnecessárias deixadas nos cantos da casa, ocupando espaço e me lembrando que estão sem uso.</p>
<p>Percebi que tenho coisas que jamais usei, outras que perderam o encanto depois que foram resolvidas. Exemplo? Quando era moleque queria ter uma guitarra decente, com modelo diferenciado, como as que via com as bandas nos videoclipes. Queria, mas não tinha, por falta de grana, mas também pq na época existia algo que a molecada hoje nem sabe, chamado &#8220;reserva de mercado&#8221;, e a importação dessas coisas não era fácil como hoje. Se hoje algumas coisas ainda são caras por causa dos impostos e frete, imagine como era nos anos 80.</p>
<p>Mais exemplos? Discos. Meu primeiro vinil foi &#8220;Creatures of the night&#8221;, do Kiss, comprado em 1983, quando eles estiveram no Brasil pela primeira vez. Depois disso comecei a ouvir mais e mais músicas, mas e pra comprar? </p>
<p>Os discos eram caros demais, tanto que eram comprados raramente e, quando acontecia, ouvia muito e conhecia as músicas de ponta a ponta. Bem diferente de hoje, não? O <a href="http://www.transtorno.net/tag/mp3/">MP3</a> e as facilidades de produção em estúdios caseiros aumentou tanto a oferta que ninguém conhece mais nada. Eu mesmo já comprei discos e ouvi apenas uma vez. Mas vamos voltar ao assunto&#8230;</p>
<p>Comprei centenas de discos há algum tempo, coisas que queria naquela época e não tive. Ouvi alguns, outros foram direto para a prateleira, pra falar &#8220;eu tenho&#8221;. Isso vale pra tanta coisa&#8230; bicicleta, guitarras, discos, tênis, roupas. São apenas objetos, eu sei, e percebi que muitas dessas coisas podem ser simplesmente descartadas agora, mas somente agora. Antes não era possível, não podia descartar algo que não tinha. </p>
<p>Fico imaginando, por outro lado, qual será a próxima pendência perdida no subconsciente.</p>

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		<title>Confissões, pt. II</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Jun 2009 05:47:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Confissões]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Rabiscos]]></category>
		<category><![CDATA[vontade]]></category>

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		<description><![CDATA[Continuando a série: odeio fazer qualquer coisa por obrigação. Qualquer coisa. E esse é o motivo de eu não saber se vou continuar escrevendo essas confissões. Depois que fiz a primeira, numerada, e disse que faria mais, fiquei pensando naqueles números: parte I, II, III, IV&#8230;. Poderiam até ser dias, um após o outro, horas, [...]


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			<content:encoded><![CDATA[<p>Continuando a série: odeio fazer qualquer coisa por obrigação. Qualquer coisa. E esse é o motivo de eu não saber se vou continuar escrevendo essas <a href="http://www.transtorno.net/tag/confissoes/">confissões</a>. Depois que fiz a primeira, numerada, e disse que faria mais, fiquei pensando naqueles números: parte I, II, III, IV&#8230;. Poderiam até ser dias, um após o outro, horas, minutos. É rotina, rotina é obrigação e obrigação cansa.</p>
<p>Quando era mais novo eu me achava indisciplinado, pensava que não conseguiria fazer nada que exigisse muito esforço, mas isso, no fundo, não era verdade e hoje entendo melhor. Comecei a ter aulas de violino, adorava. Algumas aulas depois e eu já me sentia obrigado a ir. Dá pra imaginar o restante. O mesmo vale pras aulas de guitarra etc.</p>
<p>Percebo que não era indisciplina quando presto atenção na forma como trabalho e sempre trabalhei ou como me entrego às coisas que faço realmente por gosto: não penso duas vezes, não questiono se estou ou não com <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a>, vou e faço.</p>
<p>O problema é quando algumas coisas que são feitas por gosto se tornam obrigação. Quando comecei a fazer músicas em meu quarto, ligava o computador, compunha, montava, editava, mixava, blá blá blá&#8230; Um dia soltei uma demo, divulguei relativamente bem, deu bom retorno, alguns bons reviews, outros nem tanto. </p>
<p>Continuei trabalhando em músicas novas, mas acontecia de alguém perguntar &#8220;e ai, quando teremos músicas novas?&#8221; e a coisa começou a degringolar&#8230; Me sentia obrigado a compor, bem como a dar satisfação. Deixei 12 músicas prontas, prontas pra gravar vocais, esquecidas por quase dois anos no computador. Um dia decidi que estava cansado delas e liberei como estavam, sem voz. Foi um tipo de exorcismo, eu sei. Não acho que letras e vocais sejam importantes em <a href="http://www.transtorno.net/tag/musica/"><a href="http://www.transtorno.net/musica/">música</a></a>, mas não é esse o ponto. O ponto é que não faço mais pq ainda me sinto obrigado. Uma hora, quando não me sentir mais, quem sabe&#8230;</p>
<p>O mesmo tá valendo pro site, pros escritos, pros rabiscos: estão se tornando obrigação. O chato é que sempre há um tanto de desapontamento por conta disso. Não gostar de fazer por obrigação é compreensível, ninguém gosta, imagino, mas não evita aquela pontada afiada que diz &#8220;falhei&#8221;.</p>

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