derrubo as portas que te separam de meu olhar expondo os desenhos suavemente azuis que vejo em tua tela sob a luz pálida que se confunde com a manhã em ti ainda perduram pontos rosa nos domínios das cores suaves refaço o trajeto de meu querer, entrando em ti como visão suprema e objetiva, senhora [...]
Cachoeiras de rios dançantes inundam meus veios estáticos Escoando no horizonte céus de pânico no morrer do Sol Véus etéreos, vingativos, torrentes translúcidas de sabor disforme O ocre úmido dissolvido na atmosfera inunda minhas narinas Aromas e ventos de sobrevida pudica e insensata Serenas gotas cremosas e rebentos fomentam o ar Partículas atômicas refletem a [...]
encontro os desenhos do devasso vergalho ainda cálidos sobre minha pele sulfurosa, cadentes células, traços vermelhos de contato, romper de lâminas, respostas contra meu querer sete caudas deslizam quando se enroscam, sua prole sangrando em minha pele icônica arrependido, com efeito, espero o porvir do galho, fustigando meu corpo como pássaro, couro rasgado, amarelo ouro, [...]
O texto abaixo é de autoria de Hildebrando de Lima e foi resgatado de uma biblioteca por Sérgio Lima, de quem tirei a cópia que tenho em mãos, que o levou a uma reunião do Grupo Surrealista de São Paulo em 1992. Não tenho a fonte do texto, haja visto que por uma infelicidade não [...]
o caminhante olhou a noite e a abraçou em canto como quem abraça um raio de vento um solitário arfante um deslumbre inicial e abraçou ardente horizonte soluço calado sorriso rompante de dentes estelares e hálito fogoso deixando a si quando a brisa o beijou lasciva inflamado, tentou segurar o vento sopro-carícia, vermelho terra-viva tentou [...]
A Qabalah de meu nome significa Treze, ainda que Doze seja o que sou Sob as megeras cartas de meus arquétipos, pequenos reflexos de homéricas tendências, encontro A letra no quebrar de Ayin Aleph-Início e Aleph-Alpha em Set-Shaitan a conjuração nefasta Sete guia-me para o Dois, que se torna Três tal o Eros da Transmutação [...]
desmoronam palácios sob a tempestade elétrica quando os elementos detestam a alquimia que os une o enxofre, a mirra, o ouro e os animais pulsam diferentes frequências combatem a donzela mulher-sereia-música-única tornada, musa talvez escoa ao meu redor o norte magnético dizendo ao sul que são, em verdade, apenas um estendo os braços paralelos, as [...]
sedosos cílios, úmidos de sua boca curva síbilos de sede caindo em contorno pernas e seios cedendo às serpentes de Tuat abre teu olhar que entro em teus lábios deitados cambaleante desordem e aromas abatidos vivos, temidos geme tuas palavras de querer na espera do invadir seleto deleite, caminho de olivas feito treze é ultrapassado [...]
Nesta enseada de vísceras dispersas, branco intenso de gotas transparentes, cidade que se esconde pálida em tua aparência de veludo, seda e carbono, que cega as milhares de perfeitas constelações gregas, erguidas há milênios como símbolos de inspiração abissal, olho para a bússola de meus horizontes cândidos onde me encontro arfante amarrado. Vem, abre o [...]
Sem lágrimas, o senhor dos campos prepara seu desjejum entre dilúvios infindáveis. O dia surgia aguado, observando ainda sutil por entre os seios da terra, no momento em que os cristais d’água se transformavam. Ora, os discrepantes reinos, eletrificados no fastio dos pólos, reagente às mortais aberrações que gritam na natureza madre, não são também [...]
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