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	<title>Transtorno &#187; Adorno &raquo; Vertigem, Ruptura e Pensamentos Transgressivos</title>
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	<description>Vertigem, Ruptura e Pensamentos Transgressivos</description>
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		<title>Comodismo versus razão no Esclarecimento</title>
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		<pubDate>Fri, 07 Feb 2003 01:43:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Neste trabalho pretendo estudar o Esclarecimento, baseado nas visões de Adorno/Horkheimer e Kant, tendo como princípio a proposta aberta no primeiro parágrafo da &#8220;Dialética do esclarecimento&#8221;, de Adorno e Horkheimer, a saber, &#8220;no sentido mais amplo do progresso do pensamento, o esclarecimento tem perseguido sempre o objetivo de livrar os homens do medo e investi-los &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Neste trabalho pretendo estudar o <a href="http://www.transtorno.net/tag/esclarecimento/">Esclarecimento</a>, baseado nas visões de <a href="http://www.transtorno.net/tag/adorno/">Adorno</a>/Horkheimer e <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a>, tendo como princípio a proposta aberta no primeiro parágrafo da &#8220;Dial<a href="http://www.transtorno.net/tag/etica/">ética</a> do <a href="http://www.transtorno.net/tag/esclarecimento/">esclarecimento</a>&#8221;, de <a href="http://www.transtorno.net/tag/adorno/">Adorno</a> e <a href="http://www.transtorno.net/tag/horkheimer/">Horkheimer</a>, a saber, &#8220;no sentido mais amplo do <a href="http://www.transtorno.net/tag/progresso/">progresso</a> do pensamento, o <a href="http://www.transtorno.net/tag/esclarecimento/">esclarecimento</a> tem perseguido sempre o objetivo de livrar os homens do medo e investi-los na posição de senhores. Mas a terra, totalmente esclarecida, resplandece sob o signo de uma calamidade triunfal&#8221; (<a href="http://www.transtorno.net/tag/adorno/">ADORNO</a> / <a href="http://www.transtorno.net/tag/horkheimer/">HORKHEIMER</a>, 1985, p. 19).</p>
<p><a href="http://www.transtorno.net/tag/adorno/">Adorno</a>/Horkheimer parecem ter uma visão mais clara do processo do <a href="http://www.transtorno.net/tag/esclarecimento/">esclarecimento</a>, embora falem em uma terra totalmente esclarecida, ponto no qual <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a> me parece mais correto, quando diz que não somos esclarecidos, mas &#8220;vivemos em uma época de <a href="http://www.transtorno.net/tag/esclarecimento/">esclarecimento</a>&#8221; (<a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">KANT</a>, 1974, p. 112). A argumentação usada por <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a> para chegar à conclusão de que o estamos em processo de <a href="http://www.transtorno.net/tag/esclarecimento/">esclarecimento</a> é muito clara, enquanto a argumentação de <a href="http://www.transtorno.net/tag/adorno/">Adorno</a>/Horkheimer, nesse sentido, deixa a desejar, pois após a leitura do texto é possível chegar apenas à idéia de processo, não de <a href="http://www.transtorno.net/tag/esclarecimento/">esclarecimento</a> total. O próprio filósofo dá margem a isto ao afirmar que &#8220;o <a href="http://www.transtorno.net/tag/esclarecimento/">esclarecimento</a> é a radicalização da angústia mítica. Os deuses não tiram o medo dos homens, pois são cria deste. O homem presume estar livre quando não há nada mais de desconhecido. É o caminho da desmitologização&#8221; (<a href="http://www.transtorno.net/tag/adorno/">ADORNO</a> / <a href="http://www.transtorno.net/tag/horkheimer/">HORKHEIMER</a>, 1985, p. 29) e nos diz, no prefácio &#8220;ao tachar de complicação obscura e, de preferência, de alienígena o pensamento que se aplica negativamente aos fatos, bem como às formas de pensar dominantes, e ao colocar assim um tabu sobre ele, esse conceito mantém o espírito sob o domínio da mais profunda cegueira&#8221; (id., ibid., p. 14). Parece, assim, e o texto de <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a> não discorda, posto que analisa a questão de outra forma, que a <a href="http://www.transtorno.net/tag/humanidade/">humanidade</a> não tem obtido um <a href="http://www.transtorno.net/tag/esclarecimento/">esclarecimento</a> verdadeiro, mas apenas uma substituição de mitologias, substituindo um medo por outro, um mito por outro, tendo deixado de lado apenas o aspecto religioso.</p>
<p><a href="http://www.transtorno.net/tag/adorno/">Adorno</a>/Horkheimer, ainda no prefácio, dizem que &#8220;o aumento da produtividade econômica, que por um lado produz as condições para um mundo mais justo, confere por outro lado ao aparelho técnico e aos grupos sociais que o controlam uma superioridade imensa sobre o resto da população&#8221; (id., ibid., p. 14). Este é o medo que substituiu o medo dos deuses. O problema, porém, não é perceber tal fato, mas buscar uma saída: &#8220;o mito converte-se em <a href="http://www.transtorno.net/tag/esclarecimento/">esclarecimento</a> e a natureza em mera objetividade. O preço que os homens pagam pelo aumento de seu poder é a alienação daquilo sobre o que exercem o poder&#8221; (id., ibid., p. 24).</p>
<p><a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a> tem uma visão bastante plausível, a princípio, sobre o que é o maior impedimento do <a href="http://www.transtorno.net/tag/esclarecimento/">esclarecimento</a> humano ao afirmar que &#8220;a preguiça e a covardia são as causas pelas quais uma tão grande parte dos homens, depois que a natureza há muito os libertou de uma direção estranha (naturaliter maiorennes), continuem, no entanto, de bom grado menores durante toda a vida&#8221; e &#8220;é tão cômodo ser menor&#8221; (<a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">KANT</a>, 1974, p. 100), mas parece se perder, ao longo do texto, quando passa a creditar quase totalmente aos líderes que conduzem os covardes/acomodados, a manutenção desta situação. <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a> se equivoca ao dizer que o homem é &#8220;por ora, realmente incapaz de utilizar seu próprio entendimento, porque nunca o deixaram fazer a tentativa de assim o proceder&#8221; e logo abaixo &#8220;só seria capaz de dar um salto inseguro mesmo sobre o mais estreito fosso, porque não está habituado a este movimento livre&#8221; (id., ibid., p. 102). <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a> parece superestimar a ação dos líderes humanos e subestimar a capacidade humana de aprender. O problema não é quanto tempo o homem levaria para se esclarecer, mas se está realmente disposto a isso. &#8220;A menoridade revela-se como a incapacidade de se conservar a si mesmo&#8221; (<a href="http://www.transtorno.net/tag/adorno/">ADORNO</a> / <a href="http://www.transtorno.net/tag/horkheimer/">HORKHEIMER</a>, 1985, p. 82)</p>
<p>Devemos ainda levar em conta a afirmação de <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a> que &#8220;revolução não produz a verdadeira reforma no modo de pensar&#8221; (<a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">KANT</a>, 1974, p. 104). O autor afirma, a seguir, que &#8220;para o <a href="http://www.transtorno.net/tag/esclarecimento/">esclarecimento</a> nada mais se exige senão <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a>&#8221; (id., ibid., p. 104). Temos, com isso, um retorno ao princípio, pois se a <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> inicial do homem continha o germe da preguiça e da covardia que se instaurou, porque deixaria, agora, de tê-la? Parece uma questão superficial, mas dentro desta lógica kantiana, ainda é válida. É necessário perguntar qual o objetivo dos senhores que comandam os covardes. Um senhor é esclarecido ao escravizar? Se sim, podemos chamar de escravização? Ou é um altruísta, que afasta do <a href="http://www.transtorno.net/tag/abismo/">abismo</a> os acomodados? A resposta não é exata, pois dá espaço para que se encaixem tanto verdadeiros déspotas quanto grandes estadistas.</p>
<p><a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a> afirma que leis podem ser usadas temporariamente, nunca fixas, de forma que venham a &#8220;aniquilar um período de tempo na marcha da <a href="http://www.transtorno.net/tag/humanidade/">humanidade</a> no caminho do aperfeiçoamento&#8221; (<a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">KANT</a>, 1974, p. 110), mas de quem depende saber qual período de tempo deve perdurar até que a lei seja substituída? O bem comum? E como então evitar que o homem venha a tornar-se um obediente esclarecido, e saber se é possível delimitar sua individualidade e seus deveres ligados ao grupo? <a href="http://www.transtorno.net/tag/adorno/">Adorno</a>/Horkheimer lembram-se deste problema ao darem como exemplo o retorno de Ulisses, ao tapar o ouvido de seus soldados para que não ouçam o canto da sereia. Temos nós, nesse sentido, condições morais de questionar se Ulisses estava salvando seus soldados ou mantendo vivo neles o mito, que também o amedrontava? (<a href="http://www.transtorno.net/tag/adorno/">ADORNO</a> / <a href="http://www.transtorno.net/tag/horkheimer/">HORKHEIMER</a>, 1985, p. 45). Temos de lembrar que Ulisses não tapou seus próprios ouvidos e, embora estivesse atado ao mastro, era o líder desperto que dependia de seus soldados surdos.</p>
<p>Embora <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a> diga que o &#8220;uso público da razão realiza o <a href="http://www.transtorno.net/tag/esclarecimento/">esclarecimento</a>&#8221; (<a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">KANT</a>, 1974, p. 104), corre-se o risco de que a massa aprisione o esclarecido, independentemente deste ser parte dela ou um líder. Podemos questionar isso usando até mesmo argumentos do autor, que diz que os sábios têm &#8220;o direito de fazer publicamente, isto é, por meio de obras escritas, seus possíveis reparos a possíveis defeitos das instituições vigentes&#8221; (id., ibid., 110). <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a> parece, novamente, se contradizer, esquecendo que é no indivíduo acomodado e preguiçoso que reside o problema. Quantas obras, belas, úteis, outras nem tanto, são esquecidas nas prateleiras de livreiros e de bibliotecas, por séculos, sem que uso algum se faça delas. A massa parece querer continuar acomodada, satisfeita pelo ópio. Poderia-se questionar que motivação os líderes e sábios dariam para que os indivíduos lessem tais obras, mas o ponto é que o <a href="http://www.transtorno.net/tag/esclarecimento/">esclarecimento</a>, em potência, está em cada ser humano e depende apenas da covardia de cada um, da relação de proporção inversa que se estabelece, buscá-las para deixar sua menoridade. <a href="http://www.transtorno.net/tag/adorno/">Adorno</a>/Horkheimer dizem que &#8220;<a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> na sociedade é inseparável do espírito esclarecedor&#8221; (<a href="http://www.transtorno.net/tag/adorno/">ADORNO</a> / <a href="http://www.transtorno.net/tag/horkheimer/">HORKHEIMER</a>, 1985, p. 13): não me parece haver qualquer impedimento para que a <a href="http://www.transtorno.net/tag/humanidade/">humanidade</a> tenha acesso obras grandiosas e esclarecedoras, nem mesmo para que se organizem em torno de idéias, não visando revolução, mas estudar, aprender, para que a mudança de suas idéias possa alcançar mais pessoas e, conseqüentemente, a extensão do <a href="http://www.transtorno.net/tag/esclarecimento/">esclarecimento</a>.</p>
<p>Citando Schelling, <a href="http://www.transtorno.net/tag/adorno/">Adorno</a>/Horkheimer dizem que &#8220;a <a href="http://www.transtorno.net/tag/arte/">arte</a> entra em ação quando o saber desampara os homens&#8221; (id., ibid., 32). Talvez, nesse sentido, a <a href="http://www.transtorno.net/tag/arte/">arte</a> seja uma prova de que há um certo saber, intuitivo, independente do racional. Se esta idéia estiver certa, no entanto, apenas alguns poucos homens questionaram o que obtinham, ou o que o grupo obtinha, pelo <a href="http://www.transtorno.net/tag/esclarecimento/">esclarecimento</a>. Muito poucos se questionaram e dentre estes poucos, vários usaram a <a href="http://www.transtorno.net/tag/arte/">arte</a> apenas como forma de obter status, não de colaborar no processo do <a href="http://www.transtorno.net/tag/desenvolvimento/">desenvolvimento</a> humano, perpetuando o jogo que coloca falsos esclarecidos no poder. Nesse sentido, o uso do <a href="http://www.transtorno.net/tag/esclarecimento/">esclarecimento</a> pela sadeana Juliette, longamente analisado por <a href="http://www.transtorno.net/tag/adorno/">Adorno</a>/Horkheimer, poderia não somente levar à desordem civil, como provavelmente acreditaria <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a>, mas também a uma condenação cega ao próprio <a href="http://www.transtorno.net/tag/esclarecimento/">esclarecimento</a>, tendo em vista seu &#8220;gosto intelectual pela regressão&#8221; e &#8220;o prazer de derrotar a <a href="http://www.transtorno.net/tag/civilizacao/">civilização</a> com suas próprias armas&#8221;. (id., ibid., 92). Parece mesmo que o personagem chegou a um extremo do <a href="http://www.transtorno.net/tag/esclarecimento/">esclarecimento</a> e se ofende com a covardia dos demais, valorizando, por isso, ainda mais, sua <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> obtida por seu <a href="http://www.transtorno.net/tag/esclarecimento/">esclarecimento</a>, superior em relação aos demais, fazendo dele, então, prova de sua superioridade.</p>
<p>Embora <a href="http://www.transtorno.net/tag/adorno/">Adorno</a>/Horkheimer lembrem que &#8220;o credo de Juliette é a <a href="http://www.transtorno.net/tag/ciencia/">ciência</a>&#8221; e que &#8220;ela abomina toda veneração cuja racionalidade não se possa demonstrar&#8221; (id., ibid., 94), dentro de sua lógica é uma opção válida, contra qualquer superstição, enaltecedora da exploração do <a href="http://www.transtorno.net/tag/conhecimento/">conhecimento</a> humano que, não pode atingir o ápice pois pode ainda ser ultrapassado, e, como nos lembram ainda, citando Nietzsche, &#8220;eles buscam nas regiões selvagens uma compensação para a tensão provocada por um longo encerramento e clausura na paz da comunidade, eles retornam à inocência <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a> do animal de rapina, como monstros a se rejubilar&#8221; (id., ibid., 95).</p>
<p>O problema recai, portanto, sobre os humanos como indivíduos, não mais como componentes de uma sociedade, e <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a> parece concordar ao afirmar que &#8220;encontrar-se-ão sempre alguns indivíduos capazes de pensamento próprio, até entre os tutores estabelecidos da grande massa&#8221; (<a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">KANT</a>, 1974, p. 102). Se, como diz, &#8220;a natureza humana consiste apenas nesse avanço&#8221; (id., ibid., 108), não cabe perguntar, sem compaixão, se estes poucos esclarecidos não tem mesmo o direito sobre os covardes, que atrasam o <a href="http://www.transtorno.net/tag/desenvolvimento/">desenvolvimento</a> de sua espécie. A resposta, independente de que rumo tome, é perigosa e ainda válida. &#8220;O homem pode, individualmente, adiar o <a href="http://www.transtorno.net/tag/esclarecimento/">esclarecimento</a>, não renunciar a ele&#8221; (id., ibid., 110), mas não deveria, então, ter o direito de atrapalhar o <a href="http://www.transtorno.net/tag/desenvolvimento/">desenvolvimento</a> dos demais, se sua covardia servir como mau exemplo a outros, &#8220;pois o <a href="http://www.transtorno.net/tag/esclarecimento/">esclarecimento</a> é totalitário como qualquer outro sistema&#8221; (<a href="http://www.transtorno.net/tag/adorno/">ADORNO</a> / <a href="http://www.transtorno.net/tag/horkheimer/">HORKHEIMER</a>, 1985, p. 37).</p>
<p><strong>Referências Bibliográficas</strong><br />
<a href="http://www.transtorno.net/tag/adorno/">Adorno</a>, T.W.., <em>Dial<a href="http://www.transtorno.net/tag/etica/">ética</a> do <a href="http://www.transtorno.net/tag/esclarecimento/">Esclarecimento</a></em>, Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 1985<br />
<a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a>, I., <em>Textos Seletos</em>, Petrópolis, Vozes, 1974</p>]]></content:encoded>
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		<title>Progresso: tragédia ou esperança distante?</title>
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		<pubDate>Fri, 17 Jan 2003 01:41:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#8220;As narrações feitas para a cena são mais ordenadas e elegantes e aprazem mais que as verdadeiras narrações tomadas da história&#8221; - Francis Bacon &#8211; Novum Organum (Livro I, LXII) O presente trabalho tem por objetivo examinar o Progresso a partir de Bacon, Voltaire e Rousseau. O documento enfoca a relação entre o progresso tecnológico &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>&#8220;As narrações feitas para a cena são mais ordenadas e elegantes e aprazem mais que as verdadeiras narrações tomadas da história&#8221;</p></blockquote>
<p>- Francis <a href="http://www.transtorno.net/tag/bacon/">Bacon</a> &#8211; Novum Organum (Livro I, LXII)</p>
<p>O presente trabalho tem por objetivo examinar o <a href="http://www.transtorno.net/tag/progresso/">Progresso</a> a partir de <a href="http://www.transtorno.net/tag/bacon/">Bacon</a>, <a href="http://www.transtorno.net/tag/voltaire/">Voltaire</a> e <a href="http://www.transtorno.net/tag/rousseau/">Rousseau</a>. O documento enfoca a relação entre o <a href="http://www.transtorno.net/tag/progresso/">progresso</a> tecnológico e o <a href="http://www.transtorno.net/tag/progresso/">progresso</a> <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a> da <a href="http://www.transtorno.net/tag/humanidade/">humanidade</a>, em resposta à proposta apresentada na frase de Campanella, &#8220;Há mais história em 100 anos do que teve o mundo em cinco milênios&#8221;.</p>
<p><a href="http://www.transtorno.net/tag/bacon/">Bacon</a> crê, conforme cita Paulo Rossi em &#8220;Naufrágios sem espectador&#8221; que &#8220;seria vergonhoso para os homens se, após ter revelado e ilustrado o aspecto do orbe material, isto é, das terras, dos mares, dos astros, os confins do orbe intelectual permanecessem dentro dos limites restritos das descobertas dos antigos&#8221; (ROSSI, 1996, p. 62). Parece-me, porém, que embora <a href="http://www.transtorno.net/tag/bacon/">Bacon</a> tenha percebido o problema em questão, não tenha, no entanto, deixado uma alternativa tão clara para solucioná-lo.</p>
<p>O fato, porém, é que se há mais <a href="http://www.transtorno.net/tag/progresso/">progresso</a> em 100 anos, ou mesmo nas quatro épocas de que fala <a href="http://www.transtorno.net/tag/voltaire/">Voltaire</a>, temos um novo problema: a relação entre as tecnologias e o espírito humano, pois percebemos que o tempo necessário para <a href="http://www.transtorno.net/tag/mudancas/">mudanças</a> no espírito e nas tecnologias não é o mesmo, exigindo, portanto, métodos de trabalho diferentes, embora não desarticulados. Temos que levar em conta também que aqueles cinco milênios podem ter sido, como disse J.G. Herder, em Também uma <a href="http://www.transtorno.net/tag/filosofia/">filosofia</a> da história para a formação da <a href="http://www.transtorno.net/tag/humanidade/">humanidade</a>, &#8220;uma idade heróica de um tempo de patriarcas, para que nos remotos antepassados de toda a posteridade se tenham podido constituir e implantar para sempre as primeiras formas próprias do gênero humano&#8221; (HERDER, 1995, p. 8). Estes 100 anos não teriam existido sem uma estrutura anterior e podem, por sua vez, vir a enfraquecer o espírito, ameaçando assim a continuidade de si, do próprio <a href="http://www.transtorno.net/tag/desenvolvimento/">desenvolvimento</a>.</p>
<p>Ainda segundo Herder, &#8220;O egípcio não teria sido egípcio sem o ensino ministrado à criança no Oriente e o grego não teria chegado a ser grego sem a aplicação escolar dos egípcios. A repugnância dos que vêm depois só mostra que houve <a href="http://www.transtorno.net/tag/desenvolvimento/">desenvolvimento</a>, progressão, que se foram subindo os degraus da escada!&#8221; (id., ibid., p. 20) e continua depois, falando sobre os fenícios, &#8220;decerto que este estado que agora surgia quase não tinha pontos de contato com a vida pastoril do Oriente. Desapareceram o sentimento da família, a religião e o prazer calmo da vida do campo&#8221; (id., ibid., p. 24). Quando o espírito tem uma estrutura firme que lhe sirva de base, há uma relação viva entre ele e aquela, sua <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a>. Quando esta relação se enfraquece, distanciando-se da vida prática tanto do indivíduo quanto do grupo, ela é escrita para que dela se lembrem. As leis são escritas para que a influência de outras leis, outros costumes, não as apague, causando então um conflito entre os particulares e o universal. Há aqui uma concordância com <a href="http://www.transtorno.net/tag/bacon/">Bacon</a> na existência do <a href="http://www.transtorno.net/tag/progresso/">progresso</a> e na dívida para com os antigos, levando em consideração, porém, que nem todas as idéias precisam e devem ser substituídas, questionando a realidade-qualidade da ruptura: &#8220;será possível que debaixo da tenda do patriarca, onde reinavam exclusivamente o respeito, o exemplo, a autoridade, fosse o medo &#8211; na estreiteza do vocabulário da nossa <a href="http://www.transtorno.net/tag/politica/">política</a> &#8211; a mola propulsora da governação?&#8221; (id., ibid., p. 12).</p>
<p><a href="http://www.transtorno.net/tag/bacon/">Bacon</a> nos diz no prefácio do Novus Organum que &#8220;resta, como única salvação, reempreender-se inteiramente a cura da mente&#8221; (id., ibid., p. 12) e continua no aforismo XXXI, Livro I, &#8220;vão seria esperar-se grande aumento nas ciências pela superposição ou pelo enxerto do novo sobre o velho. É preciso que se faça uma restauração da empresa a partir do âmago de suas fundações, se não se quiser girar perpetuamente em círculos, com magro e quase desprezível <a href="http://www.transtorno.net/tag/progresso/">progresso</a>&#8221; (id., ibid., p. 25). Deste modo é preciso ter o processo bem claro em mente, ou corre-se o risco de confundir tecnologia com a estrutura <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a> do espírito humano, substituindo esta a cada vez que a primeira é atualizada, adaptando a natureza humana ao <a href="http://www.transtorno.net/tag/desenvolvimento/">desenvolvimento</a> tecnológico, tornando-a escrava e colocando-a em movimento num ritmo que não é seu.</p>
<p>As tecnologias são atualizadas rapidamente, tornando necessária a correção de problemas antes inexistentes que darão lugar a outros, novos, que surgem em decorrência do ritmo frenético com que novas ferramentas são criadas. As tecnologias são substituídas por outras novas antes mesmo de terem sido assimiladas. O espírito humano não acompanha esse ritmo e se tentar acompanhá-lo perderá sua capacidade criativa, bem como sua estrutura <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a> que se enfraquecerá, esquecida. Tornar-se-á apenas uma máquina de assimilação, vindo a frustrar-se por sua incapacidade e, ou deixará de pensar no problema tornando-se mecânico ou perceberá a grandeza da miséria que dele se apossa, acordando então por sobre o <a href="http://www.transtorno.net/tag/abismo/">abismo</a> que surgiu entre seu espírito e o <a href="http://www.transtorno.net/tag/desenvolvimento/">desenvolvimento</a> tecnológico do mundo. Claro que poderão dizer que esse <a href="http://www.transtorno.net/tag/progresso/">progresso</a> irá puxar consigo o espírito humano, facilitando seu aprendizado enquanto o adapta para mais coisas. Mas que coisas seriam essas? Tecnologias? Adaptação para a adaptação a novas tecnologias?</p>
<p>Não podemos, contudo, culpar a tecnologia por isso, pois como escreve <a href="http://www.transtorno.net/tag/santo-agostinho/">Santo Agostinho</a> em A Cidade de <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a>, &#8220;as naturezas também desagradam aos homens, porque não as consideram em si, mas em sua utilidade&#8221; (AGOSTINHO, 1990, p. 65). No aforismo XLII do Livro I, <a href="http://www.transtorno.net/tag/bacon/">Bacon</a> parece prever, em parte, algumas idéias de <a href="http://www.transtorno.net/tag/rousseau/">Rousseau</a>, no que se refere à possibilidade dos homens serem corrompidos pela educação, leitura e contato com os demais: &#8220;Os ídolos da caverna são os homens enquanto indivíduos. Pois, cada um &#8211; além das aberrações próprias da natureza humana em <a href="http://www.transtorno.net/tag/geral/">geral</a> &#8211; tem uma caverna ou uma cova que intercepta e corrompe a luz da natureza: seja devido à natureza própria e singular de cada um; seja devido à educação ou conversação com os outros; seja pela leitura dos <a href="http://www.transtorno.net/tag/livros/">livros</a> ou pela autoridade daqueles que se respeitam e admiram&#8221; (<a href="http://www.transtorno.net/tag/bacon/">BACON</a>, 1973, p. 27). Neste sentido, <a href="http://www.transtorno.net/tag/bacon/">Bacon</a> rompe também com a idéia agostiniana da &#8220;má <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a>&#8221; quando fala em &#8220;aberrações próprias da natureza humana&#8221;. É necessário identificar o ponto onde a luz está sendo corrompida e mesmo identificar se aquelas &#8220;aberrações&#8221; não são uma contradição à sua própria <a href="http://www.transtorno.net/tag/filosofia/">filosofia</a>.</p>
<p>Chegamos, com isso, à questão da revolução: parece-me que o conceito de revolução, no sentido planetário, funcionaria aqui como um retorno, determinando um novo início, um marco para que o <a href="http://www.transtorno.net/tag/progresso/">progresso</a> do espírito possa acompanhar o <a href="http://www.transtorno.net/tag/progresso/">progresso</a> tecnológico e, a partir dai, outras revoluções não seriam possíveis para &#8220;não girar perpetuamente em círculos&#8221;. As <a href="http://www.transtorno.net/tag/mudancas/">mudanças</a> do espírito por princípio devem ter sido separadas da tecnologia, pois embora devam acompanhar o <a href="http://www.transtorno.net/tag/progresso/">progresso</a> tecnológico, nada indica que seja ao mesmo tempo, de forma que o <a href="http://www.transtorno.net/tag/progresso/">progresso</a> continuaria de forma cíclica ou linear, ou ambas, coexistindo. Cabe perguntar se seria possível que tivéssemos aqui incluída alguma <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a> atemporal: parece-me que sim, posto que o próprio <a href="http://www.transtorno.net/tag/progresso/">progresso</a>, uma vez instaurado, torna-se, enquanto movimento, atemporal. Resta então perguntar &#8211; e talvez esta pergunta tivesse de vir antes &#8211; qual a possibilidade real de uma revolução como esta e qual a sua relação com a utopia da Nova Atlântida.</p>
<p>No caso de uma revolução, como determinaríamos os valores/idéias que seguirão dai? Não me parece que esta revolução possa ser universal sem o entendimento claro do que é natural, pois como observa <a href="http://www.transtorno.net/tag/bacon/">Bacon</a> no aforismo XLI &#8220;é falsa a asserção de que os sentidos do homem são a medida das coisas&#8221; (<a href="http://www.transtorno.net/tag/bacon/">BACON</a>, 1973, pg. 27) e no aforismo XXII &#8220;tanto uma como a outra via partem dos sentidos e das coisas particulares e terminam nas formulações da mais elevada generalidade&#8221; (id., ibid., p. 23). Fica claro que a proposta de <a href="http://www.transtorno.net/tag/bacon/">Bacon</a> é, nesse sentido, a de uma revolução de caráter cristão, de conotação praticamente religiosa, e como tal, inquestionável para os que nele tem fé, pois só assim teria a universalidade necessária para se aproximar de sua utopia.</p>
<p><a href="http://www.transtorno.net/tag/adorno/">Adorno</a> nos diz que &#8220;somente são verdadeiras aquelas reflexões sobre o <a href="http://www.transtorno.net/tag/progresso/">progresso</a> que mergulham nele sem deixar de manter distância&#8221; (<a href="http://www.transtorno.net/tag/adorno/">ADORNO</a>, 1992, 27, p. 218) e, no mesmo artigo, mais à frente &#8220;tampouco cabe uma idéia de <a href="http://www.transtorno.net/tag/progresso/">progresso</a> sem a de <a href="http://www.transtorno.net/tag/humanidade/">humanidade</a>&#8221; (id., ibid., p. 219). Se pensarmos na relação da <a href="http://www.transtorno.net/tag/humanidade/">humanidade</a> com o <a href="http://www.transtorno.net/tag/progresso/">progresso</a> nos cem anos de história de que fala Campanella, dificilmente chegaríamos a um resultado positivo. Não falo apenas dos eventuais prejuízos causados à <a href="http://www.transtorno.net/tag/humanidade/">humanidade</a> daquele período, mas também de prejuízos que chegam aos dias de hoje. Os acidentes da tecnologia colaboram para o <a href="http://www.transtorno.net/tag/progresso/">progresso</a>, criando formas de evitar novos desastres. Os acidentes das idéias nos tornam ainda mais miseráveis.</p>
<p>Temos ainda de ver que a ação do grupo social catalisou a ação da miséria espiritual, independente da possibilidade da natureza humana ser boa ou má, pois o enfraquecimento da forte estruturação dos primeiros milênios alterou a forma como se deu o <a href="http://www.transtorno.net/tag/progresso/">progresso</a> e com isso aceitamos que no início a <a href="http://www.transtorno.net/tag/humanidade/">humanidade</a> teve <a href="http://www.transtorno.net/tag/progresso/">progresso</a>, lento e estruturado: sem aquele o <a href="http://www.transtorno.net/tag/progresso/">progresso</a> sequer teria existido. Tanto a teoria agostiniana da má <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a> quanto a má natureza do homem ou a ação negativa da sociedade teriam o mesmo efeito devastador ao longo dos tempos, pois o <a href="http://www.transtorno.net/tag/progresso/">progresso</a> agiria, em todos os casos, como catalisador. Contudo, em Agostinho, a <a href="http://www.transtorno.net/tag/humanidade/">humanidade</a> já está dividida pela providência e não seria necessário <a href="http://www.transtorno.net/tag/progresso/">progresso</a> para <a href="http://www.transtorno.net/tag/despertar/">despertar</a> sua má <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a>, pois, não fosse este, outra coisa seria.</p>
<p>Quanto às artes me parece haver um problema maior e <a href="http://www.transtorno.net/tag/rousseau/">Rousseau</a> comenta, sabiamente citando Sócrates, em seu &#8220;Discurso sobre as ciências e as artes&#8221;: &#8220;não sabemos, nem os sofistas, nem os poetas, nem os oradores, nem os artistas, nem eu, o que é a verdade, o bom, o belo. Mas há entre nós uma diferença: é que conquanto essas pessoas nada saibam, todas elas acreditam saber algo. Ao passo que eu, se nada sei, não tenho dúvida disso&#8221; (<a href="http://www.transtorno.net/tag/rousseau/">ROUSSEAU</a>, 1999, p. 20). A ausência de estrutura de <a href="http://www.transtorno.net/tag/desenvolvimento/">desenvolvimento</a> causa esse tipo de problema: se na época de Sócrates os artistas nada sabiam, podemos nós imaginar quantos pensavam saber nos tempos de <a href="http://www.transtorno.net/tag/rousseau/">Rousseau</a>, quando haviam, em número, multiplicado. Imaginemos então hoje, quando qualquer um que se proclame artista o será. Aqui parece haver um <a href="http://www.transtorno.net/tag/progresso/">progresso</a> apenas numérico, oposto ao <a href="http://www.transtorno.net/tag/progresso/">progresso</a> <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a>. Não há <a href="http://www.transtorno.net/tag/progresso/">progresso</a> artístico, mas apenas uma seqüência de sobreposições e continuam &#8220;os interesses e os desejos do homem a faltar antes mesmo que as artes tenham atingido a perfeição&#8221; (ROSSI, 1996, p. 111).</p>
<p>Na <a href="http://www.transtorno.net/tag/busca/">busca</a> de suprir a falta da idéia de <a href="http://www.transtorno.net/tag/humanidade/">humanidade</a> criam-se conceitos humanitários, limitados e questionáveis, tornando algumas idéias em mitos ao mesmo tempo em que banalizam outras. Citando <a href="http://www.transtorno.net/tag/bacon/">Bacon</a>, Paulo Rossi diz que &#8220;a razão de <a href="http://www.transtorno.net/tag/esperanca/">esperança</a> &#8216;que se extrai dos <a href="http://www.transtorno.net/tag/erros/">erros</a> do passado é a maior de todas&#8217;&#8221; (id., ibid., p. 59) e seque &#8220;quanto mais negro é o passado, mais luminosas são as esperanças para o futuro&#8221; (id., ibid., p. 60). Cabe saber então quão negro é nosso passado e mesmo se foi negro ou se essa escuridão é mais moderna do que imaginamos. Se concluirmos que a modernidade trouxe a escuridão, poderemos então ter certeza de que as esperanças devem recair sobre um futuro bastante distante.</p>
<p><strong>Referências bibliográficas</strong><br />
<a href="http://www.transtorno.net/tag/adorno/">Adorno</a>, T.W., &#8220;<a href="http://www.transtorno.net/tag/progresso/">Progresso</a>&#8221;, <em>Lua Nova</em>, 1992, 27<br />
Agostinho, S., <em>A Cidade de <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a></em>, Editora Vozes, 1990<br />
<a href="http://www.transtorno.net/tag/bacon/">Bacon</a>, F., <em>Pensadores</em>, São Paulo, Abril Cultural, 1973<br />
Herder, J.G., <em>Também uma <a href="http://www.transtorno.net/tag/filosofia/">filosofia</a> da história para a formação da <a href="http://www.transtorno.net/tag/humanidade/">humanidade</a></em>, Lisboa, Antígona, 1995<br />
Nascimento. M.G.S. do, &#8220;Instauratio, Revolutio: docta spes&#8221;, <em>Discurso</em>, ____, 31<br />
<a href="http://www.transtorno.net/tag/rousseau/">Rousseau</a>, J.J., <em>Discurso sobre a <a href="http://www.transtorno.net/tag/ciencia/">ciência</a> e as artes</em>, São Paulo, Martins Fontes, 1999<br />
Rossi, P., <em>Naufrágios sem espectador</em>, São Paulo, Editora Unesp, 1996</p>]]></content:encoded>
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