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	<title>Transtorno&#187; Breton &raquo; Vertigem, Ruptura e Pensamentos Transgressivos</title>
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		<title>O efêmero, o eterno e as memórias</title>
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		<pubDate>Sat, 04 Jul 2009 03:25:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pensamentos]]></category>
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		<description><![CDATA[Se não somos eternos, como podemos sequer pensar essa possibilidade? Não, essa questão não é minha, é filosófica. Como pensamos? Pensamos no oposto do que somos. Eternidade, perfeição, bondade e outras coisas. Dai se pensa em Deus, se pensa no eterno. Não diria todos pq é claro que seria ridículo, mas uma grande, grande mesmo, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Se não somos eternos, como podemos sequer pensar essa possibilidade? Não, essa questão não é minha, é filosófica. Como pensamos? Pensamos no oposto do que somos. Eternidade, perfeição, bondade e outras coisas. Dai se pensa em <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a>, se pensa no eterno.</p>
<p>Não diria todos pq é claro que seria ridículo, mas uma grande, grande mesmo, quantidade de pessoas <a href="http://www.transtorno.net/tag/busca/">busca</a> o eterno. Buscam quando vão à igreja, quando buscam relacionamentos, quando prometem amar na saúde e na doença, até que a morte os separe. É claro que há a promessa de união após a morte. Esse eterno fez a beleza da literatura por séculos, da <a href="http://www.transtorno.net/tag/musica/"><a href="http://www.transtorno.net/musica/">música</a></a>, da <a href="http://www.transtorno.net/tag/pintura/">pintura</a>.</p>
<p>Quem não concordaria que Mozart, Bach, Platão, Aristóteles e outros são eternos? São pq sentimos assim. Um dia podem ser esquecidos, é fato, mas o efeito de suas obras terá influenciado tudo que se passou até ali. Hegel dizia, por exemplo, que é impossível pensar o mundo hoje sem pensar o cristianismo, de tão profunda a ligação. Resumi porcamente e com minhas palavras, mas é isso. Para Hegel o cristianismo fez-se eterno. É parte da dial<a href="http://www.transtorno.net/tag/etica/">ética</a>.</p>
<p>Ontem, por um motivo bobo, eu disse que nada era eterno, falei sem pensar. Agora estou pensando e discordo do que disse. Se tivesse pensado ontem, não teria dito. As coisas podem passar, virar memórias, mas se tornam eternas, pois influenciam os próximos passos todos da causalidade.</p>
<p>Me pego a pensar em <a href="http://www.transtorno.net/tag/nadja/">Nadja</a>, pra variar. O livro que me marca, volta e meia batendo à minha porta, me mostrando que vivo em uma &#8220;casa de vidro&#8221;, provando que a causalidade é real, ri de nós, brinca, mas faz de cada um de seus jogos um momento eterno.</p>
<p>Fui à terapia por algum tempo, anos atrás. Ela me disse à época que paixão era bobagem, que <a href="http://www.transtorno.net/tag/amor/">amor</a> existia quando as pessoas aprendiam a conviver sem paixão. Eu entendo o que ela queria dizer, faz sentido pra muita gente, para aqueles que não se questionam e vivem um dia após o outro. Não faz sentido para os inquietos, buscadores. Não faz sentido para mim.</p>
<p><a href="http://www.transtorno.net/tag/amor/">Amor</a> faz sentido, mas a paixão também faz. Não me importa se a origem de seu nome é de pathos, doença. Não me interessa se paixão é patológica. A mim importa que a calmaria é morte. Que não se questionar é morte. Que não sentir extremos é morte. Paixão não causa sensação de paz, pelo contrário. </p>
<p>As temperaturas são extremas, a mim não agrada o morno. A mim não agrada a paz. Não adianta eu tentar me iludir. Digo que quero paz, mas não, não quero. Estou em constante combate, prefiro assim. E já que citei <a href="http://www.transtorno.net/tag/nadja/">Nadja</a>, lembro que em &#8220;O <a href="http://www.transtorno.net/tag/amor/">amor</a> louco&#8221;, <a href="http://www.transtorno.net/tag/breton/">Breton</a> diz que &#8220;o <a href="http://www.transtorno.net/tag/amor/">amor</a> será convulsivo ou não será nada&#8221;. Acredito que ali ele coloca o <a href="http://www.transtorno.net/tag/efemero/">efêmero</a> no eterno: o <a href="http://www.transtorno.net/tag/amor/">amor</a> não exclui a paixão de si, jamais, e torna-se para sempre seu próprio momento, na transformação que causa.</p>
<p>O <a href="http://www.transtorno.net/tag/efemero/">efêmero</a> parece perder o sentido assim, quando se transforma, se tornando parte do todo, que permanece.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Nadja</title>
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		<pubDate>Fri, 07 Nov 2008 15:46:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Breton]]></category>
		<category><![CDATA[mudanças]]></category>
		<category><![CDATA[Nadja]]></category>
		<category><![CDATA[surrealismo]]></category>

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Links relacionados:<ol><li><a href='http://www.transtorno.net/2009/08/nadja-sempre-nadja/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Nadja, sempre Nadja'>Nadja, sempre Nadja</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>De minha parte, continuarei a habitar minha casa de vidro, de onde se pode ver a todo instante quem vem me visitar, onde tudo o que está pendurado no teto ou nas paredes se sustém como que por encanto, onde repouso à noite, sobre um leito de vidro com lençois de vidro, onde quem sou me aparecerá cedo ou tarde, gravado em diamante.</p></blockquote>
<p>- Andre <a href="http://www.transtorno.net/tag/breton/">Breton</a>, in <a href="http://www.transtorno.net/tag/nadja/">Nadja</a></p>
<p>Sempre, desde que li &#8220;Os manifestos do <a href="http://www.transtorno.net/tag/surrealismo/">surrealismo</a>&#8221;, admirei <a href="http://www.transtorno.net/tag/breton/">Breton</a>. Há coisas com as quais não concordo, como sua relação com a <a href="http://www.transtorno.net/tag/politica/"><a href="http://www.transtorno.net/politica/">política</a></a>, ou o que diz sobre Dostoievski, para citar alguns exemplos, mas é óbvio que não é necessário concordar com tudo que uma pessoa diz ou faz para admirar sua <a href="http://www.transtorno.net/tag/obra/">obra</a>.</p>
<p><a href="http://www.transtorno.net/tag/nadja/">Nadja</a>, por vários motivos, é um dos <a href="http://www.transtorno.net/tag/livros/"><a href="http://www.transtorno.net/livros/">livros</a></a> que mais gosto. Sempre que retomo esse livro é porque procuro por <a href="http://www.transtorno.net/tag/mudancas/">mudanças</a>. É inconsciente, percebo apenas depois. Percebo agora, quando escrevo.</p>
<p>O fragmento acima é um dos mais belos exemplos de imagem de sua <a href="http://www.transtorno.net/tag/obra/">obra</a>. Existem outros, centenas, muitos, mas esse é de <a href="http://www.transtorno.net/tag/nadja/">Nadja</a> e, por isso, o escolhido.</p>
<p>Se o que somos aparecer gravado em diamante implica dureza, transparência e brilho. Implica que há algo de raro. Implica também eternidade. A essência é eterna e embora única, tem nuances, diferentes faces, como um diamante.</p>

<p>Links relacionados:<ol><li><a href='http://www.transtorno.net/2009/08/nadja-sempre-nadja/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Nadja, sempre Nadja'>Nadja, sempre Nadja</a></li>
</ol></p>]]></content:encoded>
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