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	<title>Transtorno &#187; Confissões &raquo; Vertigem, Ruptura e Pensamentos Transgressivos</title>
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	<description>Vertigem, Ruptura e Pensamentos Transgressivos</description>
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		<title>Saltando contra muros</title>
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		<pubDate>Sun, 04 Sep 2011 20:32:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Os últimos meses não estão sendo fáceis. Datas e símbolos tomam porporções que jamais imaginei que tomariam, lugares tornam-se templos, palavras tomam sentido diverso. O caos faz-se tão presente que qualquer coisa começa a tomar sentido diverso: o que um olho vê engana o outro. A sensação de ter falhado é absurda, enorme, desde as &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os últimos meses não estão sendo fáceis. Datas e símbolos tomam porporções que jamais imaginei que tomariam, lugares tornam-se templos, palavras tomam sentido diverso. O caos faz-se tão presente que qualquer coisa começa a tomar sentido diverso: o que um olho vê engana o outro.</p>
<p>A sensação de ter falhado é absurda, enorme, desde as coisas pequenas, como fumar quando não deveria, quanto as grandes, que não vou abrir aqui para não expor as pessoas ou a mim. A verdade é que algo comum, como falhar, parece transformar o rumo de nossas vidas, mas pergunto: já não falhamos antes?</p>
<p>Se uma falha faz com que a gente aprenda, é uma falha? E se repetirmos o erro, continuaremos falhando? Acredito que sim, não vou ser auto indulgente e é por isso que estou aqui escrevendo.</p>
<p>É muito fácil mascarar um erro com desculpas, sejam elas quais forem. O difícil é aceitar que esse erro existiu e falar &#8220;errei, fiz merda, não quero mais repetir&#8221;. Claro que não é fácil, mas é preciso, é o que quero tentar.</p>
<p>Passei o dia de ontem fora de casa, no aniversário de um amigo, pra não precisar pensar. Pensei demais nos últimos meses e não cheguei a conclusão alguma. Ontem eu precisava de alívio. Sai, bebi, conversei, mas eventualmente voltei pra casa, fiquei só e voltei a pensar. </p>
<p>Enquanto pensava, comecei a analisar o que é a maturidade pra mim. Aos 38 anos, poderia pensar que ter meu próprio apto, um bom emprego, um carro e condições de ter algo outro acima da média é maturidade, mas não é.</p>
<p>Fiquei pensando em decisões, aquelas que afetam toda uma vida, na forma como encaramos, e descobri que não sou maduro, não mesmo. Percebi que meus traumas e medos são maiores do que quero deixar transparecer, percebi que a capacidade de encarar meus desafios também se torna um problema.</p>
<p>Trocar de carro não afeta a vida, comprar alguns <a href="http://www.transtorno.net/tag/livros/">livros</a> também não. O carro será pago em alguns anos, os <a href="http://www.transtorno.net/tag/livros/">livros</a> imediatamente. Quais são as decisões que afetam uma vida? Muitas, geralmente as que envolvem as <a href="http://www.transtorno.net/tag/escolhas/">escolhas</a> que fazemos a partir de nossos sonhos. </p>
<p>Sonhar com &#8220;entrega&#8221; e não estar apto a se entregar leva a erro. Sonhar com &#8220;entrega&#8221; e não se envolver com quem se entrega é outro erro. Quando há entrega, entretanto, não há erro, mas todos esses casos mudam vidas. Estar ou não preparado, escolher de forma incorreta ou, quando tudo dá certo, formar um ideal: vidas são transformadas.</p>
<p>Como dizia, ontem pensei muito sobre maturidade e foi inevitável perceber que meus <a href="http://www.transtorno.net/tag/erros/">erros</a> são imaturos. A questão é: como percebo isso hoje e não percebi antes, quando errei? Imaturidade. Ganhei um aprendizado que não tinha antes. Hoje tenho, mas o estrago já está feito. </p>
<p>Durante a noite sonhei que estava acompanhado de alguém, em um lugar desconhecido, olhava para o lado e via meu gato vir correndo, subir em uma mesa e saltar contra uma parede, se arrebentando e caindo machucado. Pensei, ainda dentro do sonho, que ele errou por ver algo que estava ali, mas eu sabia não estar.</p>
<p>Pela minha ótica, ele via uma prateleira naquela parede, pelo engano causado por uma sombra. Eu, vendo de fora, sabia que ela não estava ali, mas ele não sabia e arriscou assim mesmo. Naquele sonho, tive maturidade para ver que era um erro saltar contra uma parede, ele não teve. Percebi que ter a técnica ou possibilidade de fazer algo não quer dizer que deva ser feito, que seja a melhor escolha. Foi muito significativo ter esse sonho exatamente nesse momento de minha vida.</p>
<p>Hoje passei horas escrevendo um projeto de mestrado que preciso apresentar. O tema do projeto é a <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> humana e <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> divina na <a href="http://www.transtorno.net/tag/filosofia/">filosofia</a> de <a href="http://www.transtorno.net/tag/leibniz/">Leibniz</a>. Resumindo: para <a href="http://www.transtorno.net/tag/leibniz/">Leibniz</a>, <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a> criou o melhor dos mundos pois é onisciente, viu todos os mundos possíveis e escolheu, dentre todos, o melhor, o que vivemos. Se <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a> viu todos os mundos, viu também todos os humanos e todas as suas decisões. A questão que vem à tona, portanto, é que se vivemos nesse mundo escolhido, somos livres para tomar decisões que já estão tomadas sem que saibamos? </p>
<p>Nossa <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> é nossa ignorância. Ignorância do minuto seguinte, do dia seguinte, das consequências.  Para <a href="http://www.transtorno.net/tag/leibniz/">Leibniz</a>, os homens tomam decisões buscando a perfeição e, se erram, erram buscando a perfeição, acreditando que sua escolha era certa naquele momento.</p>
<p>Isso funcionaria como a desculpa perfeita para meus <a href="http://www.transtorno.net/tag/erros/">erros</a>, mas não é. Olho o que vi há meses e penso: como não percebi isso antes, era tão óbvio? Olho para o que está acontecendo e tudo parece tão claro que é impossível deixar de me achar um completo imbecil, como me acho agora. A chave é a maturidade. Me atirei contra uma parede, como o gato se atirou no sonho. Me machuquei quando a atingi, me machuco agora quando me torturo por não ter percebido a escolha errada que fazia.</p>
<p>A ignorância do momento seguinte pode funcionar como desculpa para alguns, mas não para mim. A ignorância do momento seguinte só me traz mais <a href="http://www.transtorno.net/tag/dor/">dor</a> ao mostrar minha cegueira no momento de minhas <a href="http://www.transtorno.net/tag/escolhas/">escolhas</a> e ao mostrar que com tudo o que passei, com tudo que aprendi, continuo errando e um ano depois de escrever &#8220;Recordações&#8221;, meu maior pedido de desculpas, continuo errando cegamente, estupidamente, e me desculpando.</p>
<p>Continuo pulando contra muros e quando aprendo a passar por eles, eles se tornam mais altos, mais resistentes. Depois de citar <a href="http://www.transtorno.net/tag/leibniz/">Leibniz</a> e toda essa <a href="http://www.transtorno.net/tag/culpa/">culpa</a>, pode parecer bobo, mas nunca Pink Floyd coube tão bem na situação: continuo colocando mais tijolos no muro.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Recordações</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Sep 2011 05:28:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O texto abaixo foi escrito em 31/08/2010, por causa da morte do Porps. Um ano depois ainda desmonto, ainda peço desculpas e continuo perdendo momentos. Apenas um ano e tanto se foi&#8230; Segue: No final de 2000 um gato persa foi achado na rua, no bairro de Higienópolis. Era um gato enorme, branco, muito peludo, &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O texto abaixo foi escrito em 31/08/2010, por causa da morte do Porps. Um ano depois ainda desmonto, ainda peço desculpas e continuo perdendo <a href="http://www.transtorno.net/tag/momentos/">momentos</a>. Apenas um ano e tanto se foi&#8230; </p>
<p>Segue:</p>
<p>No final de 2000 um gato persa foi achado na rua, no bairro de Higienópolis. Era um gato enorme, branco, muito peludo, assustado e com medo de pessoas, que se escondia ao ver qualquer estranho. Ele tinha razão para isso: antes de ser recolhido, foi agredido por alguém, foi muito machucado e teve dentes quebrados.</p>
<p>O gato foi recolhido por uma senhora e entregue a um pet shop, para que cuidassem dele e encontrassem o dono. O dono não apareceu, como costuma acontecer, e fui convidado a conhecê-lo, para ver se queria ficar com ele. Entrei na casa do veterinário, dono do pet shop, e lá estava ele, enorme, com seus 10 quilos, já recuperado, deitado no sofá: não se escondeu quando me viu, para espanto do doador.</p>
<p>No mesmo dia esse moço passou a habitar outro endereço, o meu. Levou algumas horas para se adaptar ao ambiente, o que é normal para felinos. Se escondia e saia para reconhecer a área quando ninguém estava por perto, ao mesmo tempo que escolhia um nome para ele. Devido à sua gula e tamanho, acabou chamado de Porpetto, o que pareceu agradá-lo, pois em poucos dias já virava de barriga pra cima para ganhar carinhos e “amassava pãozinho” no ar.</p>
<p>Por muitos anos ele foi meu despertador pessoal, já que diariamente, às 6h00 da manhã, pontualmente, se sentava ao lado da minha cabeça e miava no meu ouvido, bem próximo, me chamando para alimentá-lo. Da mesma forma, diariamente, quando me deitava para ler os inúmeros <a href="http://www.transtorno.net/tag/livros/">livros</a> de <a href="http://www.transtorno.net/tag/filosofia/">filosofia</a> da faculdade, ficava ao meu lado ou aos meus pés. Quando apagava a luz, descia da cama e ia para o sofá, onde não seria importunado pelo humano desajeitado que se mexia dormindo. Esse ritual se manteve até algumas semanas atrás, exceto quando ele decidia passar a maior parte da noite na cama, roubando meu travesseiro, me deixando com a cabeça pendurada.</p>
<p>Por muitos anos, quase 11, ele esteve perto, me dando alegrias e também me deixando nervoso ao furar o sofá comprado naquele mesmo dia, arranhando o estojo da guitarra (da mais cara, claro) para afiar as unhas, fazendo xixi fora do lugar. Levou muitas broncas por isso, mas sempre me olhava com cara de “o que você está falando?”, sem levar para o lado pessoal as inúmeras repreendidas que levou. Pelo menos é assim que tenho tentado ver.</p>
<p>Alguns anos se passaram e outro amigo veio dividir o espaço com ele, o Billy Idol. O Billy passou uma semana escondido embaixo do sofá, sem exageros, até acostumar com o ambiente. Não saia nem para comer. No primeiro dia que saiu o Porpetto o pegou e deu vários cascudos, como quem diz “eu mando aqui, entendeu?”. No dia seguinte já eram amigos, dormiam abraçados, ficavam juntos o tempo todo. O porps, já mais velho, adotou o Billy como filho e assim foi até a semana passada.</p>
<p>Não posso e nem cabe contar 11 anos de histórias nesse espaço. Não me recordo de todas, mas de algumas que são chaves para a “conclusão” desse texto. Uso aspas em conclusão, pois nada de fato se conclui, são apenas questionamentos que se fazem necessários, são simbólicos.</p>
<p>Pois bem&#8230; na última semana o Porps, como era chamado carinhosamente, começou a se isolar. Não atendia mais quando chamado, dormia em lugares estranhos, distantes da cama e de mim, não tomava água do pote, apenas do box do banheiro, dormia no chão molhado. Eu já havia visto ele passar por coisa do tipo, já que era alérgico e os últimos dias estão sendo cruéis com a população de SP, inclusive dos que não podem reclamar, como ele. O que não imaginava é que, por trás dessa alergia e desse distanciamento, havia muito mais.</p>
<p>Não vou narrar os últimos dias, mas durante a consulta com o veterinário no último sábado, o Porps teve uma parada cardíaca e não voltou pra casa. Na verdade voltou, mas não era mais ele. Era, sim, um menino leve, longe daqueles 10 quilos, ainda peludo, mas mole em meus braços. Aquele menino que odiava ser carregado e se agitava para voltar ao chão, não reagia mais quando segurado. Só me recordo de pedir “não faz isso, filho”.</p>
<p>O menino, que dividiu o espaço comigo por 11 anos, estava longe de mim e minha tristeza estava tão próxima como raramente poderei descrever. Segurar o Porps daquele jeito disparou um gatilho: só conseguia pensar nas broncas que dei, nas vezes que não estive perto quando ele miava pedindo atenção. Só conseguia me sentir extremamente cruel comigo mesmo, pensando em como só via agora o que havia feito, depois de tantos anos.</p>
<p>Passei a me questionar se ele havia sido feliz aqui. Espero que sim, pois me lembro de muitos <a href="http://www.transtorno.net/tag/momentos/">momentos</a> em que ele se deitava próximo a mim e ronronava, forma felina de dizer “eu te amo”. Isso me deixava feliz, mas de todas as vezes que ele fez, quantas eu percebi? Não sei dizer. Sei dizer que inúmeras foram as broncas pelo xixi fora do lugar, coisa que ele nunca entendeu, pelo olhar que me devolvia.</p>
<p>Isso me remeteu a um outro evento, de janeiro de 1997. Passei uma noite na rua, bebendo, e cheguei em casa já com o dia amanhecendo. Ainda morava com meus pais, era o final dessa época. Dormi um tanto, acordei e fui para o computador. Meu irmão dormia ainda, pois também havia virado a noite. Em certo momento ele acordou, se vestiu e passou por trás de mim. Me lembro de ter virado para trás e visto ele passar. Não disse nada. Foi a última vez que vi meu irmão vivo. No dia seguinte, estava desesperado, indo em delegacias e hospitais, procurando por ele, quando finalmente o encontrei no IML, tratado como indigente.</p>
<p>Dadas as devidas proporções, o que percebi é que aquele não era meu irmão, assim como o gato que esteve em meus braços no sábado não era mais o Porps. Ambos eram símbolos. Símbolos de meus <a href="http://www.transtorno.net/tag/erros/">erros</a>, dos <a href="http://www.transtorno.net/tag/momentos/">momentos</a> que perdi. Senti todo o carinho do mundo quando segurei o Porps, senti todo o carinho do mundo quando velei meu irmão, mas senti também toda a <a href="http://www.transtorno.net/tag/culpa/">culpa</a> do mundo por não poder dizer e fazer por eles tudo o que tive chances de fazer.</p>
<p>Todos aqueles momento existiram e eu os perdi. Tive bons e maus <a href="http://www.transtorno.net/tag/momentos/">momentos</a> com ambos, mas e agora, o que me restou? Restou a <a href="http://www.transtorno.net/tag/culpa/">culpa</a> por saber que não fiz tudo o que era possível e que agora não terei mais chance alguma, que o tempo se foi. O ponto é exatamente esse: o tempo! Tomamos – eu tomo e tenho certeza de que vocês também – quase todo o nosso tempo achando que as coisas estão “garantidas”, mas elas não estão, pelo simples fato de que não são “coisas”. O porps não era “meu” gato. Era um gato, sim, mas não era “meu”. Ele morava comigo, eu o protegia, cuidava, mas não era meu. Ele não estaria ali até eu decidir que estaria, como acontece, por exemplo, com uma bicicleta, que posso falar “cansei, vou vender”. Não! Assim também era meu irmão. Ele não era meu, não estaria ali pra sempre. Aliás, ele é um símbolo enorme para quem conhece os efeitos que sua morte causou em minha família e, principalmente, para todos os que o conheceram. Ele tinha apenas 21 anos. Você ai, seguro de si, está certo de que vai voltar para casa? Tem certeza disso? Já pensou que pode não voltar? Ou que alguém próximo a você pode não voltar?</p>
<p>Não, não estou sendo agourento. Não mesmo. Só quero entender o motivo de percebermos essas coisas apenas quando não as temos. Quero entender esse comodismo humano que deixa tudo para depois, para poder gastar dinheiro em psicólogos, igrejas e outras coisas, tratando a <a href="http://www.transtorno.net/tag/culpa/">culpa</a>. Quero entender o motivo de eu não ter feito coisas que poderia e hoje ficar pensando “e se?”. Sei que “e se?” não vai resolver nada, mas preciso pensar, preciso tentar entender, para que da próxima vez eu não faça a mesma coisa.</p>
<p>Sim, da próxima vez, sim! Ou vocês pensam que acham que não vai acontecer de novo? Tenho o Billy, tenho meus pais, irmão, sobrinho, amigos! Não quero me culpar por ter dado mais tempo a banalidades do que a eles, a vocês. Não quero! E não posso esquecer também que posso ser aquele que não vai voltar para casa. Nesse caso não entraria a minha <a href="http://www.transtorno.net/tag/culpa/">culpa</a>, mas o quanto há para ser feito antes desse momento? Posso fazer minha parte para que um dia as pessoas próximas a mim não pensem “e se?”. Talvez, mas não sei como. Não ainda. Nesse momento, só sinto tristeza. E não é pouca.</p>
<p>Quando meu irmão morreu, meus pais se mudaram para o interior de SP e ele nunca conheceu a casa que ajudou a construir. Sempre evitei visitá-los, os mais próximos sabem: meus pais moram lá desde 1998 e eu posso contar as vezes que fui até lá. Motivo? Lembranças! Vejo fotos, objetos, me recordo de minha infância, de <a href="http://www.transtorno.net/tag/momentos/">momentos</a> ruins, bons&#8230; me recordo de coisas que gostaria de apagar, todas elas. Hoje olho à minha volta em meu apto e vejo os lugares onde o Porps dormia vazios, a comida no pote, a água&#8230; E não posso fugir de nada, não posso largar minha casa. Entendam: falo de símbolos.</p>
<p>Sabem o que é curioso? Só comecei a tomar gosto por ir ao interior visitar meus pais quando meu sobrinho nasceu. Meus pensamentos se desviam dessas coisas, pois estou focado nele, no meu irmão que está vivo, na forma boa e bonita como ele vive seu casamento, como se amam, nos meus pais&#8230; Penso que é a vida trazida de volta à família que tanto sofreu. Não quero que um dia meu sobrinho pense que não dei atenção a ele, não quero que se distancie.  Não quero que minhas inúmeras mágoas e minha história afetem a dele. Aliás, não quero que isso afete ninguém à minha volta. Por isso escrevo esse texto: é um pedido de desculpas. É minha forma de dizer que sei que erro, que sei que errei, que ainda vou errar, mas que quero que vocês saibam que estando próximo ou mesmo distante penso em vocês e não quero que brigas idiotas e <a href="http://www.transtorno.net/tag/momentos/">momentos</a> de ausência apaguem as histórias que valem ser lembradas e contadas aos meus filhos. Sim, filhos.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Confissões, pt. IV</title>
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		<pubDate>Tue, 28 Jul 2009 04:17:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Quando era criança, criança mesmo, pré-escola, ia muito para o interior, quando minha mãe visitava minha tia. Era a maior aventura possível. A cidade, que fica a 1h30 de SP, parecia não chegar nunca, tal era a relação tempo x espaço na época. Meus primos colecionavam diversas coisas, de chaveiros a calendários. Certa vez, vendo &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando era criança, criança mesmo, pré-escola, ia muito para o interior, quando minha mãe visitava minha tia. Era a maior aventura possível. A cidade, que fica a 1h30 de SP, parecia não chegar nunca, tal era a relação tempo x espaço na época. </p>
<p>Meus primos colecionavam diversas coisas, de chaveiros a calendários. Certa vez, vendo a coleção com minha mãe e minha tia, encontrei um com a imagem de Cristo crucificado e algo me chamou a atenção ali. Pedi se podia ficar com ele e como se tratava de um repetido, me deram. Me recordo dos comentários que fizeram sobre eu querer a imagem de Cristo, sobre querer proteção etc. Na verdade o que ninguém sabe até hoje é que esse foi o último dos motivos para o pedido. O que me chamou a atenção, de fato, foi o crânio que havia no pé da cruz.</p>
<p>A associação do crânio com meu interesse nunca foi feita por ninguém. Essas &#8220;esquisitices&#8221; só começaram a ser notadas depois. quando comecei a folhear enciclopédias e <a href="http://www.transtorno.net/tag/livros/">livros</a> recortando esqueletos (sim, estragava mesmo) e colar na parede, ou quando comecei a me interessar por <a href="http://www.transtorno.net/tag/musica/">música</a> e suas bizarrices. Já disse aqui que a primeira banda que me interessou foi o Kiss. Jamais vou esquecer a primeira impressão que o clipe de &#8220;I love it loud&#8221; me causou: escuridão, maquiagem, olhos brilhantes, o peso da bateria de Eric Carr, Mr. Simmons cuspindo sangue&#8230; Eu tinha nove anos.</p>
<p>Dai pra frente foi a complicação: desde meus pais querendo me levar a psicólogos sem poder pagar, tentando conseguir um público, ao momento em que descobri que não estava em uma consulta normal, mas em um psiquiatra. Nessa época eu era uma criaturinha bem estranha para os padrões. Me vestia de preto, calças apertadas, tinha o cabelo comprido&#8230; e onze anos. </p>
<p>Se for escrever detalhes demais, mato vocês de tédio e não termino nunca, então vou dar alguns pulos na cronologia. O interesse específico por metal durou muitos anos. Depois de muito tempo ouvindo só isso, apareceu um festival de bandas de um colégio, o São Bento, no centro de SP. Eu tinha 17 anos e uns colegas me chamaram pra tocar pq eu tinha uma guitarra. Seria uma <a href="http://www.transtorno.net/tag/musica/">música</a> nossa &#8211; horrível! &#8211; e um cover. Um colega escolheu o até então desconhecido (para mim) The Sisters of Mercy. Comecei a ouvir a <a href="http://www.transtorno.net/tag/musica/">música</a> para poder tocá-la, mas comecei a ouvir o resto da fita tb e cai de amores pela banda e comecei a expandir os interesses.</p>
<p>Dai a chegar ao saudoso espaço Retrô foi um pulo. De chegar ao Retrô, ver o Martin (Simbolo) tocando e descobrir o EBM, outro pulo, de ouvir Skinny Puppy e descobrir o Industrial, outro. Os anos foram passando, os pulos acontecendo, meu casamento, a misantropia aumentando mais e mais, a <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a> de ficar calado atingindo todos à minha volta, o divórcio.</p>
<p>Com mais de 30 anos comecei a frequentar uma psicóloga, a fazer &#8220;terapia&#8221;, como gostam de chamar por ai. Fui por mais de dois anos e hoje tenho <a href="http://www.transtorno.net/tag/duvidas/">dúvidas</a> se tive algum <a href="http://www.transtorno.net/tag/progresso/">progresso</a> de fato. O que sei é que lembrei de lixo demais que estava sob o tapete e agora tenho que lidar com isso na memória. Vão falar &#8220;ah, então fez <a href="http://www.transtorno.net/tag/progresso/">progresso</a>&#8221;, mas duvido, afinal, quem é que sabe o que foi que lembrei e o que é que tento esquecer novamente, huh?</p>
<p>Nessa época comecei a me forçar a criar novos hábitos, comprar roupas de várias cores, não mais usar só preto (não uso mais só preto, é verdade), tentar ter um comportamento mais leve, enfrentar menos as pessoas, guardar um pouco mais do que penso só pra mim. Comecei a ser mais sociável, tentar parar de ser julgado por quem não tem <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a> pra isso. Tentei ser comum. Resumindo: comecei a me violentar pois é isso que se espera que alguém fora dos padrões faça. Em contraste com os vários anos de uso de substâncias diversas e ilícitas, comecei a comer bem, com horários determinados, ir à academia, parei de fumar. &#8220;Ah, foi uma evolução&#8221;, dirá você. É claro que sim, pois é uma evolução dentro da SUA ótica, do SEU ponto de vista, de quem adora julgar os outros. Da ótica de quem prega a diferença, mas de fato espera a homogeneidade. Te peguei, idiota? </p>
<p>Nos últimos dias me peguei olhando as roupas que tenho guardadas, outras que não tenho, as coisas que eu gostaria de ter vestido quando novo, feito, dito, escrito. Na época eu datilografava meus pensamentos e xerocava para alguém que pedisse. Hoje largo aqui, big deal. Só mudou a mídia. O conteúdo tá ali, é o mesmo, gritando pra ser respeitado, para ser aceito. Aquele texto da Clarice Lispector que postei há dias, Pertencer, era por isso. O erro é achar que isso é de fato possível, pois não é. Para alguns, pertencer é só causa de <a href="http://www.transtorno.net/tag/dor/">dor</a>. O caminhar apenas é que é possível.</p>
<p>Durante esse tempo conheci tanta gente que não faço a menor questão de rever. Alguns só queriam pertencer também, mas a qualquer coisa, era só pertencer. Outros, como eu, também queriam, mas sequer sabiam a que, só tentavam. Hoje percebo que pertencer ao mundo, como sou, como uma peça fundamental, sem precisar ser moldada, apenas sendo a peça, é que eu queria. </p>
<p>Quando olhei para as roupas, pensei nos piercings que usava e removi, nos que nunca coloquei e nas várias tatuagens. Me parece claro que esses detalhes estabelecem, em certo nível, a identidade para o público. Ao pensar que hoje os pais levam os filhos até a galeria e compram camisetas e acessórios para eles e que eu tinha que sair escondido para ir até lá, que fiz minhas primeiras tatuagens escondido e fui chamado de animal por conta disso, que tomei um soco no olho quando furei a orelha aos 15 anos, tenho certeza que fazer as coisas do meu jeito era mais divertido, rendeu mais histórias para contar. Nunca pedi aprovação, fui e fiz.</p>
<p>Daqui alguns anos essas crianças e adolescentes estarão vestindo cores, ouvindo pop, e eu estarei pensando nos <a href="http://www.transtorno.net/tag/livros/">livros</a> que li e que não li, nas palavras que não disse, nas outras que disse com sentido e nas que disse só para machucar. Estarei pensando se pertenço ou não a algo. Estarei vestindo preto &#8211; ou qualquer outra cor &#8211; e não estarei me violentando. Estarei inquieto, buscando pequenos prazeres, perdendo tempo tentando racionalizar certas coisas que deveriam ser apenas&#8230; coisas e, ai sim, me violentando.</p>
<p>Percebo hoje que é sempre fácil pertencer a algo, a alguém. O difícil é pertencermos a nós mesmos o suficiente para nos aceitarmos como somos, pela natureza que temos, sem nos deixarmos moldar ou querermos moldar os demais.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Confissões, pt. III</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Jun 2009 01:23:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Confissões]]></category>
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		<description><![CDATA[O fator Touro se refere, no entanto, a um componente muito mais profundo da personalidade: os critérios de valor. Atribuímos valores às coisas, a nós mesmos, e é este valor que sustenta tanto a realidade material que podemos construir quanto a segurança que sentimos através dessa realidade. - Valdenir Benedetti in Textos Planetários Comecei a &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>O fator Touro se refere, no entanto, a um componente muito mais profundo da personalidade: os critérios de valor. Atribuímos valores às coisas, a nós mesmos, e é este valor que sustenta tanto a realidade material que podemos construir quanto a segurança que sentimos através dessa realidade.<br />
- Valdenir Benedetti in Textos Planetários</p></blockquote>
<p>Comecei a pensar nisso ontem, tipo &#8220;posso escrever sobre isso depois&#8221;. Agora que comecei estou achando inútil e desnecessário. E é! Vou escrever brevemente, então, só para constar&#8230;</p>
<p>Decidi que vou tentar o máximo para ter uma vida mais espartana, sem coisas desnecessárias deixadas nos cantos da casa, ocupando espaço e me lembrando que estão sem uso.</p>
<p>Percebi que tenho coisas que jamais usei, outras que perderam o encanto depois que foram resolvidas. Exemplo? Quando era moleque queria ter uma guitarra decente, com modelo diferenciado, como as que via com as bandas nos videoclipes. Queria, mas não tinha, por falta de grana, mas também pq na época existia algo que a molecada hoje nem sabe, chamado &#8220;reserva de mercado&#8221;, e a importação dessas coisas não era fácil como hoje. Se hoje algumas coisas ainda são caras por causa dos impostos e frete, imagine como era nos anos 80.</p>
<p>Mais exemplos? Discos. Meu primeiro vinil foi &#8220;Creatures of the night&#8221;, do Kiss, comprado em 1983, quando eles estiveram no Brasil pela primeira vez. Depois disso comecei a ouvir mais e mais músicas, mas e pra comprar? </p>
<p>Os discos eram caros demais, tanto que eram comprados raramente e, quando acontecia, ouvia muito e conhecia as músicas de ponta a ponta. Bem diferente de hoje, não? O <a href="http://www.transtorno.net/tag/mp3/">MP3</a> e as facilidades de produção em estúdios caseiros aumentou tanto a oferta que ninguém conhece mais nada. Eu mesmo já comprei discos e ouvi apenas uma vez. Mas vamos voltar ao assunto&#8230;</p>
<p>Comprei centenas de discos há algum tempo, coisas que queria naquela época e não tive. Ouvi alguns, outros foram direto para a prateleira, pra falar &#8220;eu tenho&#8221;. Isso vale pra tanta coisa&#8230; bicicleta, guitarras, discos, tênis, roupas. São apenas objetos, eu sei, e percebi que muitas dessas coisas podem ser simplesmente descartadas agora, mas somente agora. Antes não era possível, não podia descartar algo que não tinha. </p>
<p>Fico imaginando, por outro lado, qual será a próxima pendência perdida no subconsciente.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Confissões, pt. II</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Jun 2009 05:47:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Confissões]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Rabiscos]]></category>
		<category><![CDATA[vontade]]></category>

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		<description><![CDATA[Continuando a série: odeio fazer qualquer coisa por obrigação. Qualquer coisa. E esse é o motivo de eu não saber se vou continuar escrevendo essas confissões. Depois que fiz a primeira, numerada, e disse que faria mais, fiquei pensando naqueles números: parte I, II, III, IV&#8230;. Poderiam até ser dias, um após o outro, horas, &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Continuando a série: odeio fazer qualquer coisa por obrigação. Qualquer coisa. E esse é o motivo de eu não saber se vou continuar escrevendo essas <a href="http://www.transtorno.net/tag/confissoes/">confissões</a>. Depois que fiz a primeira, numerada, e disse que faria mais, fiquei pensando naqueles números: parte I, II, III, IV&#8230;. Poderiam até ser dias, um após o outro, horas, minutos. É rotina, rotina é obrigação e obrigação cansa.</p>
<p>Quando era mais novo eu me achava indisciplinado, pensava que não conseguiria fazer nada que exigisse muito esforço, mas isso, no fundo, não era verdade e hoje entendo melhor. Comecei a ter aulas de violino, adorava. Algumas aulas depois e eu já me sentia obrigado a ir. Dá pra imaginar o restante. O mesmo vale pras aulas de guitarra etc.</p>
<p>Percebo que não era indisciplina quando presto atenção na forma como trabalho e sempre trabalhei ou como me entrego às coisas que faço realmente por gosto: não penso duas vezes, não questiono se estou ou não com <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a>, vou e faço.</p>
<p>O problema é quando algumas coisas que são feitas por gosto se tornam obrigação. Quando comecei a fazer músicas em meu quarto, ligava o computador, compunha, montava, editava, mixava, blá blá blá&#8230; Um dia soltei uma demo, divulguei relativamente bem, deu bom retorno, alguns bons reviews, outros nem tanto. </p>
<p>Continuei trabalhando em músicas novas, mas acontecia de alguém perguntar &#8220;e ai, quando teremos músicas novas?&#8221; e a coisa começou a degringolar&#8230; Me sentia obrigado a compor, bem como a dar satisfação. Deixei 12 músicas prontas, prontas pra gravar vocais, esquecidas por quase dois anos no computador. Um dia decidi que estava cansado delas e liberei como estavam, sem voz. Foi um tipo de exorcismo, eu sei. Não acho que letras e vocais sejam importantes em <a href="http://www.transtorno.net/tag/musica/">música</a>, mas não é esse o ponto. O ponto é que não faço mais pq ainda me sinto obrigado. Uma hora, quando não me sentir mais, quem sabe&#8230;</p>
<p>O mesmo tá valendo pro site, pros escritos, pros rabiscos: estão se tornando obrigação. O chato é que sempre há um tanto de desapontamento por conta disso. Não gostar de fazer por obrigação é compreensível, ninguém gosta, imagino, mas não evita aquela pontada afiada que diz &#8220;falhei&#8221;.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Confissões, pt. I</title>
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		<pubDate>Thu, 21 May 2009 03:42:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Confissões]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando presto atenção nas pessoas vejo que sempre querem mostrar seu melhor lado, ou o que consideram assim. Vamos imaginar um flerte em um bar: o sujeito vai chegar para a garota, sorrir, falar onde trabalha, onde estuda, provavelmente encontrará uma maneira de colocar ali alguns adjetivos bons a seu respeito ou, no mínimo, vai &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando presto atenção nas pessoas vejo que sempre querem mostrar seu melhor lado, ou o que consideram assim. Vamos imaginar um flerte em um bar: o sujeito vai chegar para a garota, sorrir, falar onde trabalha, onde estuda, provavelmente encontrará uma maneira de colocar ali alguns adjetivos bons a seu respeito ou, no mínimo, vai se gabar de alguns de seus feitos e procurar mostrar seu melhor ângulo. </p>
<p>Na <a href="http://www.transtorno.net/tag/internet/">internet</a> não é diferente. O que acontece aqui, por outro lado, é que a pessoa pode escrever o que quiser sobre ela e deixar lá. Quem não a vê ou conhece, é obrigado (eu hein!) a acreditar nos textos. Resultado? Na internerd esse povo é legal, valente, apóia as causas da moda, defende a tolerância, enfim, todo mundo é correto e antenado. </p>
<p>As maioria das pessoas que vemos pela internerd não são humanas. São personagens, estereotipos, são criações do que acreditam que o mundo espera delas. Não há diferença alguma entre elas e aquele exemplo ali atrás, flertando em um bar. O que muda é o tempo da ação: aquela é isolada, a <a href="http://www.transtorno.net/tag/internet/">internet</a> as faz permanentes ou mais duradouras.</p>
<p>O que pretendo com esse post é ser humano, do tipo que ganha rótulos das pessoas legais. Como assim, pergunta você. Explico: trabalhei em uma empresa, onde comecei muito novo, e passei a adolescência lá. Vocês devem lembrar como é um adolescente, não? Pois bem, eu era pior. Havia lido muito e começado a aprontar já bem cedo, logo era bem arrogante, me achava superior em relação às pessoas da minha idade à época (mas eu era mesmo, é fato) e, quase sempre, superior aos mais velhos também.</p>
<p>Tive milhões de neuras precoces, atitudes idem, era arrogante, falava o que pensava (e às vezes o que não pensava, só para pisar no calo dos outros) e era bem estressado (isso não mudou). Se acreditava que algo era X, defendia minha idéia até que meu oponente desistisse ou brigasse. Podia mudar de opinião no meio do argumento só pra provocar a confusão, como já disse antes. Ganhei fama de problemático, neurótico, complexado, &#8220;plúmbeo&#8221; (sim, fui chamado assim!), entre outras. Fingia gostar desses rótulos, mas no fundo eu odiava. Ainda odeio&#8230;</p>
<p>Eu era tudo aquilo? Claro que era. Ainda sou, acredito, em parte. O que me incomodava era a facilidade com que as pessoas me rotulavam, fingindo que não eram elas mesmas aquelas coisas. A negação em frente ao espelho, entende? Nem todo mundo era chato como eu, mas &#8220;problemático&#8221;? Ora, pois bem: com a moda da psicanálise e a facilidade dos antidepressivos tenho visto a quantidade de problemáticos &#8220;aumentar&#8221; a cada dia. Não é à toa que a bipolaridade tornou-se a doença da moda.</p>
<p>Claro que algum jumento virá agora falar que estou eu também rotulando os outros. Não acho que esteja, pelo simples motivo que não apontei o dedo a alguém específico. Fiz um comentário <a href="http://www.transtorno.net/tag/geral/">geral</a>, esperando que alguém vista a carapuça, mesmo ali, no escuro do quarto. Agora, se estou rotulando, não me importo e quero que se dane. Isso é direito adquirido. Não gostou? Vá ler outro blog idiota.</p>
<p>Qual o motivo de eu ter chamado esse post &#8220;<a href="http://www.transtorno.net/tag/confissoes/">Confissões</a>&#8221; e afirmar que é a &#8220;parte 1&#8243;? Quem leu as <a href="http://www.transtorno.net/tag/confissoes/">Confissões</a> de <a href="http://www.transtorno.net/tag/santo-agostinho/">Santo Agostinho</a> sabe que ele não se limita às coisas boas que fez, nem apenas lista seus &#8220;pecados&#8221;. O que há ali é outra coisa, é pensamento sobre o que foi feito, é análise. Pois é disso que se trata uma confissão, estou certo? Não se trata também de, ao criticar os próprios atos, mostrar os <a href="http://www.transtorno.net/tag/erros/">erros</a> dos outros? Não estou falando, pois bem, do fiel que vai à igreja ler uma lista de coisas na orelha de um padre.</p>
<p>Cansado que estou de pessoas fajutas e artificiais, da moda, descoladas, whatever, serei eu, humano, Hilton, reclamão, estressado, mau humorado, intolerante e outros adjetivos que acabar encontrando pelo caminho. A diferença é que serei TAMBÉM o Hilton fiel, dedicado, determinado, justo. Não serei apenas estes, nem só aqueles. Não sou uma peça publicitária, sou completo.</p>
<p>Esta é a parte um, pois vou lembrar casos e comentar, tentar lembrar meu foco da época e retomar hoje. Não vou, entretanto, embelezar nada. Não vou transformar as pombas que eu matava com tiros de chumbinho em <a href="http://www.transtorno.net/tag/poesia/">poesia</a> e nem em <a href="http://www.transtorno.net/tag/filosofia/">filosofia</a>. Fiz aquilo pelo simples prazer de falar &#8220;acertei&#8221; e ver o bicho cair. Era pra matar mesmo, maldade e desafio apenas. Eu era ruim por isso? Oh yeah, mas não tô nem ai com sua opinião. Hoje sou vegetariano. Não como carne por respeito aos direitos dos animais. Será que você, que me julgou, faz o mesmo?</p>
<p>É assim que será. Volto em breve com a parte II&#8230; </p>]]></content:encoded>
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		<title>&#8220;Tudo que é, é bom&#8221;</title>
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		<pubDate>Wed, 05 May 2004 01:50:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Written]]></category>
		<category><![CDATA[Confissões]]></category>
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		<category><![CDATA[Santo Agostinho]]></category>

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		<description><![CDATA[cada uma das criaturas em particular era boa, mas, tomadas em conjunto, eram muito boas - Santo Agostinho, Confissões, XIII, XXVIII, 43 Em suas Confissões, Agostinho nos diz que pensar o mundo dividido, como um embate entre bem e mal, é também pensar um Deus imperfeito, menor, e não o verdadeiro Deus. Vemos, então, que &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>cada uma das criaturas em particular era boa, mas, tomadas em conjunto, eram muito boas<br />
- <a href="http://www.transtorno.net/tag/santo-agostinho/">Santo Agostinho</a>, <a href="http://www.transtorno.net/tag/confissoes/">Confissões</a>, XIII, XXVIII, 43</p></blockquote>
<p>Em suas <a href="http://www.transtorno.net/tag/confissoes/">Confissões</a>, Agostinho nos diz que pensar o mundo dividido, como um embate entre bem e <a href="http://www.transtorno.net/tag/mal/">mal</a>, é também pensar um <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a> imperfeito, menor, e não o verdadeiro <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a>. Vemos, então, que <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a> não poderia, de forma alguma, ter criado um mundo imperfeito e que por isso, embora não tenhamos distanciamento suficiente para ver, o mundo é bom. Pensar que o <a href="http://www.transtorno.net/tag/mal/">mal</a> possa existir como tal, ou na matéria usada na <a href="http://www.transtorno.net/tag/criacao/">criação</a>, ou em qualquer outro lugar, seria também pensar que o Criador foi impotente para eliminá-lo ou ainda numa visão maniqueísta, que coexistia com ele, e agir dessa forma é diminuir a <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a>.</p>
<p>Para Agostinho não existe o <a href="http://www.transtorno.net/tag/mal/">mal</a> absoluto, que, como afirmam os maniqueus, contrasta com o bem absoluto, resultando no &#8220;mundo como um embate entre duas forças&#8221; do qual o homem seria &#8220;expressão desse combate&#8221; (NOVAES, 2000, p.59): fora da <a href="http://www.transtorno.net/tag/criacao/">criação</a> nada existe que possa corromper a ordem estabelecida por <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a>, ou seja, não pode haver o <a href="http://www.transtorno.net/tag/mal/">mal</a> lutando contra o bem da <a href="http://www.transtorno.net/tag/criacao/">criação</a>. Existem coisas consideradas ruins por não estarem em conformidade com as demais, mas que isoladamente podem ser consideradas boas. Como não podemos ter uma visão do todo, temos uma visão das partes, com suas imperfeições. Se pudéssemos ver com distanciamento, teríamos então um panorama da perfeição da <a href="http://www.transtorno.net/tag/obra/">obra</a>, de seu todo. &#8220;Eu já não podia desejar nada melhor, pois, refletindo de modo mais sensato a respeito disso tudo, compreendia que se as criaturas superiores são melhores que as inferiores, o conjunto de todas é ainda melhor&#8221; (AGOSTINHO, 1997, p. 193).</p>
<p>Para ele, a própria definição de bom é &#8220;ser&#8221; enquanto que a definição de <a href="http://www.transtorno.net/tag/mal/">mal</a> é &#8220;não-ser&#8221;. Assim sendo, tudo o que tem ser, tudo que é, é bom, pois do contrário não teria ser e nada mais seria. Com isso Agostinho elimina a possibilidade dualista do <a href="http://www.transtorno.net/tag/maniqueismo/">maniqueísmo</a>, pois o <a href="http://www.transtorno.net/tag/mal/">mal</a>, expresso dessa forma, não mais existe na <a href="http://www.transtorno.net/tag/criacao/">criação</a>. As criaturas, mesmo diferindo de seu Criador, são semelhantes a Ele, &#8220;vestígios dele&#8221; (NOVAES, 2000, p.64) e, dessa forma, tudo que existe é bom.</p>
<p>Existe, embora em outro sentido, a possibilidade de dizer que o <a href="http://www.transtorno.net/tag/mal/">mal</a> existe e em suas <a href="http://www.transtorno.net/tag/confissoes/">Confissões</a>, livro I, capítulo XII, Agostinho nos indica o caminho ao afirmar que &#8220;estabeleceste, de fato, e efetivamente acontece, que toda alma desregrada seja seu próprio castigo&#8221;, mais à frente, já no livro III, capítulo VII, &#8220;eu não sabia que o <a href="http://www.transtorno.net/tag/mal/">mal</a> é apenas privação do bem, privação esta que chega ao nada absoluto&#8221;, e no capítulo VIII: &#8220;é de fato uma violação do vínculo que deve existir entre <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a> e nós, o profanar, pelas paixões depravadas, a própria natureza de que ele é autor&#8221;.</p>
<p>Agostinho toca nesse ponto, mais uma vez, no livro V, capítulo X, ao confessar que &#8220;conservava ainda a idéia de que não éramos nós que pecávamos, mas alguma outra natureza estabelecida em nós. O fato de estar sem <a href="http://www.transtorno.net/tag/culpa/">culpa</a> e de não dever confessar o <a href="http://www.transtorno.net/tag/mal/">mal</a> após tê-lo cometido satisfazia meu orgulho; desse modo eu não permitia que curasses minha alma que pecara contra ti preferindo desculpá-la e acusar não sei qual outra força, que estava em mim, mas que não era eu. (&#8230;) Pecado ainda mais grave era o de não me considerar pecador, e execrável iniqüidade era preferir que tu, <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a> onipotente, fosses vencido em mim para minha ruína&#8221;. Já no livro VII, capítulo IV, Agostinho confessa ter descoberto que o que é incorruptível é melhor que o corruptível e, assim, <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a> só poderia ser da primeira forma e que, a partir daí, tendo descoberto isso, deveria ter procurado a origem da corrupção, onde está o <a href="http://www.transtorno.net/tag/mal/">mal</a>, tendo em vista que estar sujeito à corrupção não é um bem.</p>
<p>Crer, como faziam os maniqueus, no <a href="http://www.transtorno.net/tag/mal/">mal</a> absoluto, desloca para fora de nós o problema, atribuindo a algo diverso a origem do <a href="http://www.transtorno.net/tag/mal/">mal</a>. Desfeita a confusão e eliminada essa idéia, o <a href="http://www.transtorno.net/tag/mal/">mal</a> passa a ser então a &#8220;negação de movimento, que ofende e contraria a natureza dela mesma, <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a>&#8221; (NOVAES, 2000, p.72). Conhecemos o <a href="http://www.transtorno.net/tag/mal/">mal</a> na exata medida de nossa maldade, conhecemos o <a href="http://www.transtorno.net/tag/mal/">mal</a> quando nossos órgãos de percepção estão alterados. Se apontarmos, como faziam, para um <a href="http://www.transtorno.net/tag/mal/">mal</a> absoluto, pensaremos também em seu oposto, num <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a> que combate o <a href="http://www.transtorno.net/tag/mal/">mal</a> fazendo o bem, mas este <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a> seria um ídolo, não o verdadeiro <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a>, que é. Se eliminarmos o ídolo e o <a href="http://www.transtorno.net/tag/mal/">mal</a> absoluto, restará apenas uma causa do mal: nós, o uso perverso de nossa <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a>, afastada de sua vocação natural de procura em direção a <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a>.</p>
<p>Ao contrário dos maniqueus, Agostinho não <a href="http://www.transtorno.net/tag/culpa/">culpa</a> o corpo pelo <a href="http://www.transtorno.net/tag/mal/">mal</a>, pela perversão da <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a>. Para Agostinho, o corpo é instrumento: quem vê, tateia, cheira, sente as coisas e se alimenta é a alma. Temos, no entanto, disposição à aquisição de hábitos carnais, nossa &#8220;segunda natureza&#8221;, mas o fato de serem hábitos e, como tal, adquiridos, permite que sejam mudados. Com isso vemos também que a <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a> só é má quando não aceitamos que somos nós a causa do mal: a escolha em meio à neutralidade é o que garante a existência de <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a>. A natureza continua garantida, a condição, não. Só os homens podem se colocar numa condição diversa de sua natureza: &#8220;Ao eleger-se como seu próprio fim, e esquecer o bem supremo como fim último de sua natureza, a <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a> pervertida suprime o dinamismo natural de tal forma que se vê impossibilitada por si mesma de restaurar sua natureza livre. (&#8230;) Nesse sentido, podemos falar em perversão da vontade: uma paradoxal decisão voluntária de deixar de ser <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a>&#8221; (id. ibid., p.72).</p>
<p>Cabe ressaltar, entretanto, que algo degradável/degradado tem ainda algo de bom, pois se nada tivesse de bom, também não teria ser e, assim sendo, não mais existiria. Logo, se algo é passível de corrupção é porque ainda tem algo de bom, pois o <a href="http://www.transtorno.net/tag/mal/">mal</a> é ausência de ser, não podendo existir nem para <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a> nem para a <a href="http://www.transtorno.net/tag/criacao/">criação</a>, pois privação de ser é privação da existência. Para Agostinho, nossa razão não é degradável, mas pode ser obscurecida e, se esclarecida, será eterna e imutável. Essa razão eterna e imutável não mais seria nossa razão, mas a própria razão operando em nós.</p>
<p>Ao criticar o dualismo maniqueísta, Agostinho deixa claro que essa diminuição de <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a> pode ser pensada até ingenuamente, ao afirmar quem, quando maniqueu, se recusava a considerar como <a href="http://www.transtorno.net/tag/obra/">obra</a> de <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a> as coisas que o desagradavam. Procedendo dessa forma, Agostinho deixava aberta a possibilidade de pensar um <a href="http://www.transtorno.net/tag/mal/">mal</a> absoluto e, com ele, um <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a> menor e mostra que resta, dependendo da forma como se nega essa idéia, o perigo de transformar <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a> em um ídolo: &#8220;E procurando o que era a iniqüidade compreendi que ela não é uma substância existente em si, mas a perversão da <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a> que, ao afastar-se do Ser supremo, que és tu, ó <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a>, se volta para as criaturas inferiores; e, esvaziando-se por dentro, pavoneia-se exteriormente&#8221; (AGOSTINHO, 1997, p.195)</p>
<p>Quando diz que &#8220;não tinha uma <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a> plena, nem decidida falta de <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a>. (&#8230;) Essa divisão se produzia contra minha <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a>, embora isso não demonstrasse a existência em mim de outra alma, e sim o castigo de minha própria alma&#8221; (id. ibid., p.225), Agostinho dá exemplo de que o <a href="http://www.transtorno.net/tag/mal/">mal</a>, nesse caso, é causado pelo conflito de sua <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a> consigo mesma, tendo em vista que o conflito o impede de seguir seu curso natural, sua ordenação, em direção ao Criador. Sobre isso cabe lembrar o que diz Moacyr Novaes em seu artigo &#8220;<a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">Vontade</a> e contravontade&#8221;: &#8220;O livre-arbítrio da <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a> não é apenas um entre outros movimentos; é justamente através dele, na verdade, que o homem é mais que vestígio, através dele o homem é imagem de <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a>&#8221;. O <a href="http://www.transtorno.net/tag/mal/">mal</a>, aqui, decorre do fato de que a <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a> se move em direção oposta à do Criador, quando em conflito na razão. Essa negação de caminhar em direção ao seu lugar natural, essa aversão, é a perversão da <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a>, o <a href="http://www.transtorno.net/tag/mal/">mal</a>. Ao aspirar não ter mais <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a>, a se satisfazer consigo mesmo, o homem cria o conflito, negando sua natureza livre.</p>
<p><strong>Referências bibliográficas:</strong><br />
Agostinho, S., <em><a href="http://www.transtorno.net/tag/confissoes/">Confissões</a></em>, Paulus, 1997<br />
Novaes, M., <em>&#8220;<a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">Vontade</a> e contravontade&#8221;</em>, O avesso da <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a>, Cia. das Letras, 2000</p>]]></content:encoded>
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