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	<title>Transtorno&#187; contexto &raquo; Música, Filosofia e Pensamentos Transgressivos</title>
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	<description>Música, Filosofia, Rabiscos Aleatórios e Pensamentos Transgressivos</description>
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		<title>O ch de maracuj e o contexto</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Jun 2008 06:23:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Comecei a escrever e apaguei já por volta de dez vezes. Comecei dizendo “noite de <a href="http://www.transtorno.net/tag/insonia/">insônia</a>”, em seguida “mais uma noite”, coisas do tipo, coisas ‘deja vu’, coisas repetidas, coisas&#8230; Pensei que estava me tornando óbvio e repetitivo, por isso apaguei e recomecei. Percebi então que aquele é o <a href="http://www.transtorno.net/tag/contexto/">contexto</a> e, repetitivo ou não, precisa estar ali, marcando o tempo, o espaço, o momento em que se dá, o agora.</p>
<p>Pois então, que seja esta mais uma noite <a href="http://www.transtorno.net/tag/mal/">mal</a> dormida, mesmo que o corpo esteja pedindo por descanso: a mente, aflita, o ignora. A cabeça cheia de nada quer falar. Cheia de nada? Discordo. Acho que não é “nada”, mas não vou mudar o que escrevi, vai ficar ali. Questiono, mas não apago. Não, não está cheia de nada, não. Se estivesse eu não estaria aqui, escrevendo. Não a minha. Preciso voltar ao começo e dizer a que estou aqui.</p>
<p>Estou tomando chá de camomila e maracujá, mas mantenho uma outra caixinha dessas guardada, fechada. Aquela não é para ser tomada como estou fazendo agora. É para ser tomada pensando, sorrindo, divagando, sobre coisas sérias, outras nem tanto, sobre lugares comuns, outros nem tanto. É também para ser tomada em silêncio, quando se aprofunda um olhar dentro de outro. Não disse “certo” filósofo que “quando se olha muito tempo para um <a href="http://www.transtorno.net/tag/abismo/">abismo</a>&#8230;”? Cabe explicar que parto do princípio de que todos que citam Nietzsche são idiotas, por isso a citação incompleta. Não quero me igualar, afinal aquele chá aguarda companhia, não quero decepcionar.</p>
<p>Para variar um pouco, fui almoçar em outro restaurante, quase todos os dias dessa semana, com um grupo de pessoas. Ouvi causos, contei outros. Bobagens, sem dúvida, do típo que sempre guardam um fundo de verdade. Fiquei pensando que seria divertido registrar os <a href="http://www.transtorno.net/tag/pensamentos/"><a href="http://www.transtorno.net/pensamentos/">pensamentos</a></a> soltos que aparecem quando as cabeças não têm com que se preocupar, as idéias soltas. Acontece, porém, que não consigo de lembrar de quase nada e do pouco que lembro, nada se aproveita, pois agora, fora do <a href="http://www.transtorno.net/tag/contexto/">contexto</a>, perde a graça. Não, não estou partindo para os relativismos, de forma alguma. Mas o dia-a-dia é puro <a href="http://www.transtorno.net/tag/contexto/">contexto</a>. As coisas podem ter graça ou não. Eu poderia não estar escrevendo agora. Seria <a href="http://www.transtorno.net/tag/contexto/">contexto</a>. Se não estivesse, seria aquele chá que está lacrado, talvez.</p>
<p>A prova de que não estou partindo para o relativismo é que estou procurando o que há nisso, o que resta quando se tira o <a href="http://www.transtorno.net/tag/efemero/">efêmero</a>. Reivento a roda: não era sobre isso que já pensavam Platão e Heráclito – e tantos outros depois -, cada um de sua maneira? Enfim, é normal andar por SP, por exemplo, e perceber como a cidade é cinza, como as pessoas são cinzas. Aquelas que entraram na moda de “abraços grátis”, inclusive, também são cinzas. É tudo tão artificial: “vi isso na tv, vamos fazer também?”. Cópias. MTV formando opiniões. Nem vou discutir, me deprime. O que está fora do <a href="http://www.transtorno.net/tag/contexto/">contexto</a>? A expontaneidade.</p>
<p>A cidade está cinza, mas não precisa de “abraços grátis”. Não precisa de alguém que vá à avenida Paulista ficar segurando uma placa, se achando super legal, e depois jogue papel no chão, empurre os outros no ônibus, fale alto e incomode quem está ao redor. É preciso muito mais do que uma placa. É preciso ainda mais do que expontaneidade, embora esta seja essencial. É preciso ter raíz, é preciso olhar pra dentro, não pra fora. É preciso muito coração, mas também razão, crítica. Pensar em “cidade” já é algo que impõe limites e deveria ser evitado, inclusive. As pessoas são cinzas, não é a cidade. Não é *esta* cidade.</p>
<p>Todas as placas, slogans e manifestos são <a href="http://www.transtorno.net/tag/contexto/">contexto</a>. O silêncio é expontâneo: quando se está se boca fechada, os olhos trabalham mais, pode-se ouvir mais também. O que seria da <a href="http://www.transtorno.net/tag/musica/"><a href="http://www.transtorno.net/musica/">música</a></a> se todos falassem ao invés de ouví-la? O que seriam das pinturas&#8230;</p>
<p>É tão fácil ver o caráter no olhar, no falar, na forma de se mover. Como caímos em tantas armadilhas, então? Estamos falando demais. De tudo que falei durante os almoços dessa semana, nada se aproveita. Talvez fosse bom eu ter ficado de boca fechada observando, como já fiz – e faço – tantas vezes. O problema, no entanto, é que quanto mais observo, mais me desloco. Estar deslocado não é um problema, o que dói, por mais que seja chato admitir, é que quando se observa demais, percebe-se que não há reciprocidade.</p>
<p>Existem, claro, exceções. Poucas, bem poucas. É por elas que procuramos. A massa não me interessa. Não me interessam as vozes que tanto falam, mas os poucos que sabem olhar e que conseguem ouvir. Me interessam aqueles achados, aqueles <a href="http://www.transtorno.net/tag/acasos/">acasos</a> que me assombram. É por eles que procuro, é por eles que espero.</p>
<p>As pessoas falam demais, inclusive consigo mesmas, como faço agora.</p>
<p>O <a href="http://www.transtorno.net/tag/contexto/">contexto</a> vai existir sempre e, por isso mesmo, existe no eterno. Os contextos são efêmeros e perpetuam a essência no olhar, no ouvir, nas pinturas e nas músicas, nos movimentos, na <a href="http://www.transtorno.net/tag/danca/">dança</a>. Percebe?</p>]]></content:encoded>
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