Mais um pouco de humor, seguindo a linha do post de alguns dias atrás, ou seja, mais piada interna para que apenas alguns se divirtam. Como eu disse, faz sentido e é engraçado. É só entender…
Segue:
- Você não acha que um símbolo é adequado a menos que tenha feito há poucos segundos, quando estava rabiscando.
- Alguém pergunta se você acha que a vida tem algum propósito ou se não tem sentido algum e você responde “sim”.
- Você sempre carrega blocos de post it e uma caneta, caso precise desenhar algum sigilo.
- Alguém te pergunta como magia funciona e você
a) não sabe e nem se importa ou
b) explica de forma dolorosamente detalhada, fazendo com que a pessoa busque terapia.
- Alguém te pergunta se você acredita no Deus cristão e você responde:
a) “Apenas se ele tiver algo pra mim”
b) “Que dia da semana é hoje?”
c) “Desculpe, joguei o dado pela manhã e hoje sou wiccano”
d) “Tudo bem, não tenho planos pra hoje”
- Missionários acham fácil convertê-lo para sua religião, mas acham difícil convencê-lo a não se converter a outra quando você está entendiado.
- Outros magistas comparam rituais com você. Você os acha muito sérios e cheios de coisa e eles se recusam a viver em sua vizinhança.
- Você não vê problema algum em criar seu próprio deus, até que ele começe a dizer o que você deve fazer.
- Quando você está em transe, um ser de pura luz te conta os segredos da felicidade absoluta. Você ri, ignora e zomba dele.
- As pessoas dizem que suas crenças são contraditórias. Você enrubesce.
- Sua biblioteca contém vários livros sagrados que dizem que todos os outros estão errados.
- Você não aprende Latim, mas estuda física quântica para entender magia.
- Você não consegue entender nada de física quântica, mas ao menos aprende umas palavras bonitas.
- Seus rituais envolvem os primeiros objetos que você consegue ver à sua volta.
- Você aspira à esquizofrenia. Seus amigos acham que você já a atingiu.
- Seus banimentos são mais divertidos do que os próprios rituais. Você mantém cópias de livros revisionistas para quando precisar fazer banimento com gargalhadas.
- Mesmo as bruxas ecléticas acham que você precisa de mais discernimento.
- Você compra um daqueles livrinhos de feitiços pra ver se consegue fazê-los funcionar, mas prefere escrever cartas insultando o autor e passar a ele aquela gripe que te incomoda há dias.
- Quando alguém com quem você concorda se torna muito insolente, você muda suas crenças para o exato oposto do que eram.
- Comprar presentes fica muito mais fácil: você compra coisas aleatórias, mistura tudo e as deixa para a primeira pessoa que encontrar.
Escrevi, há tempos, com base na leitura de Cassirer, um trabalho sobre como os estudos e crenças da magia renascentista, dos alquimistas etc, se transformaram na ciência moderna. O resultado é extenso e não vou postar todo aqui, exceto por esse fragmento, que dá um pouco o que pensar.
Segue:
“La verdadera filosofia no tiene otra meta que el sacar a luz y elevar a conciencia el contenido que aparece recóndito en la naturaleza, pues ‘¿qué es la sino la filosofia? ¿Qué es la filosofia sino la naturaleza invisible?” (CASSIRER, 2004, p. 240). Neste trecho de Paracelso, citado por Cassirer, é apresentada a função da filosofia e talvez mais que a função, mas a “natureza” da filosofia. Conhecer a filosofia é, num certo sentido, desvendar a natureza, trazer luz sob o que está invisível.
Essa visão abre caminho para que as doutrinas medievais passem a ser superadas pelo sistema das ciências empíricas. Quando os alquimistas rompiam e questionavam toda a explicação dos fenômenos da natureza baseados na magia, fazendo ligações de observação empírica e criando espécies de fórmulas, poderiam responder questões de ordem prática, bem como curar doenças, manipular o tempo, elementos, fenômenos etc. Dessa forma, o valor central era dado à observação e a partir da observação, à busca de conclusões teóricas e de suas utilidades práticas.
Embora pareça que esse conhecimento empírico, dado pela observação, seja livre de crenças religiosas ou místicas, seria engano pensar isso. Há uma espécie de ruptura no sentido de que a magia se transforma de simples crença a uma possibilidade prática, quero dizer, passa a ser possível, de certa maneira, posto que parece haver uma estrutura universal, dada por Deus, ou pelo espírito do mundo, que pode ser compreendida e utilizada empiricamente. O problema, no entanto, é a forma como era utilizada, para quais fins: resolver problemas cotidianos, fazer chover, buscar poder, curar doenças etc. Era, portanto, a mesma finalidade das crenças mágicas antigas, com a diferença, entretanto, de que pareciam haver encontrado, finalmente, a lógica estrutural do mundo e com ela poderiam por em prática qualquer solução, a curto prazo, para os problemas que viessem a surgir.
Vale notar, com relação a isso, que a ciência moderna, por não ter uma espécie de planejamento tecnológico, por exemplo, ainda guarda muita relação com a magia renascentista e com as crenças místicas anteriores, que visavam resolver problemas a curto prazo. Tecnologicamente, como disse, a relação é bem próxima, posto que se criam ferramentas para resolver problemas, para controlar situações, todas com fim imediato, pois não há uma visão de longo prazo, não há, novamente, um pensamento sobre o que há em mãos, apenas a adoção de técnicas. Pode-se mesmo dizer que a tecnologia engole a si, pois em muitos casos é necessária para resolver situações criadas por si mesma.
Segundo Paracelso, “La mano de Dios ha ordenado que el cielo se mueva por sus rutas y el hombre por las suyas proprias” (Cassirer, 2004, p. 241). Esta solução garante a independência humana para conhecer a natureza e a existência divina, de forma que o conhecimento encontrado por trás das coisas, as associações e fórmulas, não dá ao homem poder divino, ou seja, não significa ruptura com uma divindade superior, mas o contrário.
Para quem quiser estudar mais, recomendo ler e pensar a respeito das idéias expostas em “El problema del conocimento, vol. 1″, de E. Cassirer, publicado pelo Fondo de Cultura Econômica, Mexico, 2004.
Hoje pela manhã li as notícias e, sem surpresa, vi que Obama é o novo presidente eleito dos Estados Unidos. Sem surpresa de fato, afinal o mundo todo “votou” em Obama. Em momento algum ouvi falar de suas propostas – que inexistem – mas de seus “sonhos”.
Não deixa de ser irônico que os mesmos que criticam Sarah Palin por suas crenças acreditem e esperem pelos milagres de Obama.
Os brasileiros estão maravilhados com a vitória, mas pergunte a algum o que espera… Já escutei coisas como “queria que a Hillary ganhasse, pra ter uma mulher no poder”. Essa é, em parte, a lógica que elegeu Lula e parte da mesma que elegeu Obama: as pessoas não são eleitas por propostas e qualidades, mas por serem mulheres, negras, operárias etc. Elegeram Lula como projeção de si mesmos. Perdoaram toda a corrupção de seu governo pelo mesmo motivo.
Àquela mulher que queria Hillary na presidência, outro respondeu “Obama é cabeça, fará um bom governo”. Jamais imaginei ouvir que um candidato faria um bom governo por ser “cabeça”. Será que essa pessoa sabe que as políticas democratas em relação às importações são mais duras e que, por consequência, isso não é bom para o Brasil? Estou citando apenas um exemplo, é claro.
Não é Obama que me assusta, não são suas (ausentes) propostas. Sua eleição é um fenômeno do fanatismo e isso é que me amedronta. Um fenômeno local tornou-se mundial.
A lógica foi deixada de lado, substituída pela esperança, que faz milagres.