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	<title>Transtorno&#187; culpa &raquo; Vertigem, Ruptura e Pensamentos Transgressivos</title>
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	<description>Vertigem, Ruptura e Pensamentos Transgressivos</description>
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		<title>A piedade</title>
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		<pubDate>Wed, 19 Aug 2009 05:06:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Sempre me pego pensando em como mudei e também, por vezes, em como continuo o mesmo. Continuo o mesmo no pensar demais, mudei no ímpeto. Não o perdi completamente, mas sinto falta do excesso que um dia tive. Hoje posso prever coisas que farei e isso provoca tédio. Me lembro de quando não podia prever [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sempre me pego pensando em como mudei e também, por vezes, em como continuo o mesmo. Continuo o mesmo no pensar demais, mudei no ímpeto. Não o perdi completamente, mas sinto falta do excesso que um dia tive. Hoje posso prever coisas que farei e isso provoca tédio.</p>
<p>Me lembro de quando não podia prever nada, de quando fazia o inesperado. Deixei a adolescência há muito, sei disso, mas nem por isso deveria ter me tornado previsível. Deveria ter guardado um tanto transbordante de surtos e repentes junto aos diversos ítens que mantenho em caixas e gavetas. Seriam úteis, estou certo disso.</p>
<p>Há uma parte de mim, no entanto, em que ainda existe a inquietude sobre a qual escrevi há dias. Essa parte não reside em gavetas, em caixas ou envelopes. Está sob a pele, sempre latente. Tenho certeza de que é ela a responsável por muito da minha complexidade &#8211; ah, sim, sim&#8230; &#8211; e, habitando ali estão a <a href="http://www.transtorno.net/tag/culpa/">culpa</a> e a <a href="http://www.transtorno.net/tag/crueldade/">crueldade</a>.</p>
<p>Tenho <a href="http://www.transtorno.net/tag/necessidade/">necessidade</a> de ser cruel e isso não é o mesmo que ser violento, não sejam ingênuos. Se quiserem entender do que falo, leiam <a href="http://www.transtorno.net/tag/artaud/">Artaud</a>, Lautreamont, Rimbaud e <a href="http://www.transtorno.net/tag/sade/">Sade</a>. Sinto, por outro lado, a agonia da <a href="http://www.transtorno.net/tag/culpa/">culpa</a>, tão judaico-cristã e tão inculcada: palavra pequena para problema grande. Admiro Maldoror, Minski, Dolmancé e Juliette, que não a sentem. Rejeito os que se tratam para negá-la, escondendo-a sob uma pilha de palavras narradas a alguém. Admiro aqueles que a entendem, mas gargalham.</p>
<p>Nunca consegui terminar de ler &#8220;Crime e Castigo&#8221;. Tentei por duas vezes, mas nunca cheguei ao fim, enquanto que &#8220;Memórias do subsolo&#8221; foi lido e digerido. Por diferentes motivos, sinto raiva de ambos os protagonistas. Entendo a beleza deles, sei a impressão que causam, mas não consigo aceitá-los. Sinto <a href="http://www.transtorno.net/tag/culpa/">culpa</a>, mas não deixo que isso me transforme em um nada envergonhado, como Rascolnicov. Por conta disso, costumo me sentir um filho da puta, admito.</p>
<p>Acredito que a <a href="http://www.transtorno.net/tag/piedade/">piedade</a>, tentativa pat<a href="http://www.transtorno.net/tag/etica/">ética</a> de suprimir a <a href="http://www.transtorno.net/tag/culpa/">culpa</a>, habita os que mais varrem sua <a href="http://www.transtorno.net/tag/crueldade/">crueldade</a> para baixo de pilhas de vergonhas. Me enoja. Admiro aqueles que a surram, vergalham, provocam ainda mais, trazendo-a à superfície para poderem agredir ainda mais, transformando a relação em um tipo de simbiose. </p>
<p>Lembrei de um poema de Roberto Piva que sempre fez muito sentido. Os motivos ficam pra algum outro post de <a href="http://www.transtorno.net/tag/confissoes/">confissões</a>, mas ficam como migalhas de pão indicando uma passagem:</p>
<blockquote><p>
    as senhoras católicas são piedosas<br />
    os comunistas são piedosos<br />
    os comerciantes são piedosos<br />
    só eu não sou piedoso<br />
    se eu fosse piedoso meu sexo seria dócil e só se ergueria<br />
    aos sábados à noite<br />
    eu seria um bom filho meus colegas me chamariam cu-de-ferro e me<br />
    fariam perguntas porque navio bóia? porque prego afunda?<br />
    eu deixaria proliferar uma úlcera admiraria as estátuas de<br />
    fortes dentaduras<br />
    iria a bailes onde eu não poderia levar meus amigos pederastas ou<br />
    barbudos<br />
    eu me universalizaria no senso comum e eles diriam que tenho todas as virtudes<br />
    eu não sou piedoso<br />
    eu nunca poderei ser piedoso<br />
    meus olhos retinem e tingem-se de verde<br />
    os arranha-céus de carniça se decompõem nos pavimentos<br />
    os adolescentes nas escolas bufam como cadelas asfixiadas<br />
    arcanjos de enxofre bombardeiam o horizonte através dos meus sonhos</p>
<p>a <a href="http://www.transtorno.net/tag/piedade/">piedade</a>, roberto piva, in paranóia, 1963
</p></blockquote>
<p>Pensei em ilustrar esse post com a Pietá, mas seria muito óbvio. Optei por Prometeu (de Rubens) e o motivo deveria ser evidente.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Pertencer, por Clarice Lispector</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Jun 2009 00:36:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Vou fazer como a maioria do povinho que tem blog/fotoblog/blablablog e afins faz: pegar um texto dos outros e postar. A diferença é que geralmente fazem isso pra tapar buraco, por não ter nada a dizer. Posto esse por outro motivo: Clarice Lispector é genial. Segue: &#8220;Um amigo meu, médico, assegurou-me que desde o berço [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vou fazer como a maioria do povinho que tem blog/fotoblog/blablablog e afins faz: pegar um texto dos outros e postar. A diferença é que geralmente fazem isso pra tapar buraco, por não ter nada a dizer. Posto esse por outro motivo: Clarice Lispector é genial.</p>
<p>Segue:</p>
<p>&#8220;Um amigo meu, médico, assegurou-me que desde o berço a criança sente o ambiente, a criança quer: nela o ser humano, no berço mesmo, já começou.    </p>
<p>Tenho certeza de que no berço a minha primeira <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a> foi a de pertencer. Por motivos que aqui não importam, eu de algum modo devia estar sentindo que não pertencia a nada e a ninguém. Nasci de graça.   </p>
<p>Se no berço experimentei esta fome humana, ela continua a me acompanhar pela vida afora, como se fosse um destino. A ponto de meu coração se contrair de inveja e <a href="http://www.transtorno.net/tag/desejo/">desejo</a> quando vejo uma freira: ela pertence a <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a>.   </p>
<p>Exatamente porque é tão forte em mim a fome de me dar a algo ou a alguém, é que me tornei bastante arisca: tenho medo de revelar de quanto preciso e de como sou pobre. Sou, sim. Muito pobre. Só tenho um corpo e uma alma. E preciso de mais do que isso.   </p>
<p>Com o tempo, sobretudo os últimos anos, perdi o jeito de ser gente. Não sei mais como se é. E uma espécie toda nova de &#8220;solidão de não pertencer&#8221; começou a me invadir como heras num muro.    </p>
<p>Se meu <a href="http://www.transtorno.net/tag/desejo/">desejo</a> mais antigo é o de pertencer, por que então nunca fiz parte de clubes ou de associações? Porque não é isso que eu chamo de pertencer. O que eu queria, e não posso, é por exemplo que tudo o que me viesse de bom de dentro de mim eu pudesse dar àquilo que eu pertenço. Mesmo minhas alegrias, como são solitárias às vezes. E uma alegria solitária pode se tornar pat<a href="http://www.transtorno.net/tag/etica/">ética</a>. É como ficar com um presente todo embrulhado em papel enfeitado de presente nas mãos &#8211; e não ter a quem dizer: tome, é seu, abra-o! Não querendo me ver em situações patéticas e, por uma espécie de contenção, evitando o tom de <a href="http://www.transtorno.net/tag/tragedia/">tragédia</a>, raramente embrulho com papel de presente os meus sentimentos.   </p>
<p>Pertencer não vem apenas de ser fraca e precisar unir-se a algo ou a alguém mais forte. Muitas vezes a <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a> intensa de pertencer vem em mim de minha própria força &#8211; eu quero pertencer para que minha força não seja inútil e fortifique uma pessoa ou uma coisa.   </p>
<p>Quase consigo me visualizar no berço, quase consigo reproduzir em mim a vaga e no entanto premente sensação de precisar pertencer. Por motivos que nem minha mãe nem meu pai podiam controlar, eu nasci e fiquei apenas: nascida.   </p>
<p>No entanto fui preparada para ser dada à luz de um modo tão bonito. Minha mãe já estava doente, e, por uma superstição bastante espalhada, acreditava-se que ter um filho curava uma mulher de uma doença. Então fui deliberadamente criada: com <a href="http://www.transtorno.net/tag/amor/">amor</a> e <a href="http://www.transtorno.net/tag/esperanca/">esperança</a>. Só que não curei minha mãe. E sinto até hoje essa carga de culpa: fizeram-me para uma missão determinada e eu falhei. Como se contassem comigo nas trincheiras de uma guerra e eu tivesse desertado. Sei que meus pais me perdoaram por eu ter nascido em vão e tê-los traído na grande <a href="http://www.transtorno.net/tag/esperanca/">esperança</a>. Mas eu, eu não me perdôo. Quereria que simplesmente se tivesse feito um milagre: eu nascer e curar minha mãe. Então, sim: eu teria pertencido a meu pai e a minha mãe. Eu nem podia confiar a alguém essa espécie de solidão de não pertencer porque, como desertor, eu tinha o segredo da fuga que por vergonha não podia ser conhecido.   </p>
<p>A vida me fez de vez em quando pertencer, como se fosse para me dar a medida do que eu perco não pertencendo. E então eu soube: pertencer é viver. Experimentei-o com a sede de quem está no deserto e bebe sôfrego os últimos goles de água de um cantil. E depois a sede volta e é no deserto mesmo que caminho.&#8221;</p>
<p>&#8220;A Descoberta do Mundo&#8221;, Ed. Rocco, Rio de Janeiro, 1999</p>]]></content:encoded>
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		<title>Liberdade, transgressão e moral</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Jan 2009 01:08:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[“A liberdade não é o poder que falta a Deus, ou que ele tem apenas verbalmente, já que não pode desobedecer a ordem que existe, de que ele é a garantia?” - Bataille in “A literatura e o Mal” Em um primeiro momento pensei “é isso” e entendi claramente o sentido de algumas coisas. Um [...]


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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>“A <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> não é o poder que falta a <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a>, ou que ele tem apenas verbalmente, já que não pode desobedecer a ordem que existe, de que ele é a garantia?”<br />
- <a href="http://www.transtorno.net/tag/bataille/">Bataille</a> in “A literatura e o <a href="http://www.transtorno.net/tag/mal/">Mal</a>”</p></blockquote>
<p>Em um primeiro momento pensei “é isso” e entendi claramente o sentido de algumas coisas. Um momento de epifania, por assim dizer. Acontece, no entanto, que as idéias continuaram transbordando desde então e novas teorias e questionamentos, opostos aos iniciais, continuaram surgindo, uma torrente de compreensão/entendimento. Me deparei e ainda me deparo com diversas questões que precisaria responder e com outras que surgiram já trazendo suas respostas.</p>
<p>As linhas que seguirão abaixo são apenas um rascunho de algo que precisará ser desenvolvido, esmiuçado e detalhado, pois tratam-se de uma breve nota sobre como me sinto agora, neste momento, enquanto questionador e questionado.</p>
<p>Sem querer entrar em uma discussão das diferenças de <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a> nas filosofias de <a href="http://www.transtorno.net/tag/leibniz/">Leibniz</a>, <a href="http://www.transtorno.net/tag/espinosa/">Espinosa</a>, Descartes ou qualquer outro filósofo, mas passando – seria impossível evitar –, ainda assim, por algumas generalidades de um e de outro, prossigo&#8230;</p>
<p><a href="http://www.transtorno.net/tag/leibniz/">Leibniz</a> afirma que a <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> divina é garantida pelos livres decretos e que, em um desses decretos, <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a> se determina a criar o melhor dos mundos. Outro diria, entretanto, que <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a> criou esse mundo por pura bondade. Outros dariam ainda diferentes motivos, não importa. O que importa para essa discussão é como o mundo se dá para nós. As ações divinas podem ser livres, como amar a si, é claro. O fato de ter escolhido este mundo e não outro demonstra escolha, mas se essa escolha é determinada pela <a href="http://www.transtorno.net/tag/necessidade/">necessidade</a> (ainda que autodeterminada) do melhor, ou pela bondade, ou por outro motivo, seria de fato livre?</p>
<p>O problema, entretanto, é que a escolha do melhor não exclui a possibilidade da escolha do pior, ou seja, decidiu-se por esse mundo, mas poderia ter sido outro. A possibilidade de um outro mundo torna evidente uma escolha livre. Colocando isso em termos humanos: o homem padrão, comum, que sai de casa todas as manhãs em <a href="http://www.transtorno.net/tag/busca/">busca</a> do sustento de sua prole tem também a possibilidade da escolha oposta, é claro. Poderia não ir. Poderia, mas ainda assim se determina e vai. <a href="http://www.transtorno.net/tag/amor/">Amor</a> à prole? <a href="http://www.transtorno.net/tag/culpa/">Culpa</a>? Medo de punição? Imperativo categórico? O que o move? Estamos claramente entrando nos domínios da <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a>. Voltamos a Deus: a <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> humana nos foi dada por decisão de sua bondade. Não é essa uma escolha <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a>?</p>
<p>Se <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">deus</a> criou o mundo dessa forma e não de outra, teve a possibilidade dos demais, mas sua autodeterminação o impediu. A <a href="http://www.transtorno.net/tag/contingencia/">contingência</a> existente foi excluída por uma <a href="http://www.transtorno.net/tag/necessidade/">necessidade</a> auto imposta. Voltamos, então, à frase de <a href="http://www.transtorno.net/tag/bataille/">Bataille</a> que abre esse texto: “A <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> não é o poder que falta a <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a>, ou que ele tem apenas verbalmente, já que não pode desobedecer a ordem que existe, de que ele é a garantia?”. <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a> “não pode desobedecer a ordem que existe”. É claro, desobedecê-la seria criar uma nova, implicando em sua imperfeição, em uma retificação da ordem anteriormente imposta, determinada como a melhor. Temos ai, além da discussão sobre a perfeição, também o bem comum, a <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a> tão evidente nos questionamentos humanos.</p>
<p>Em <a href="http://www.transtorno.net/tag/espinosa/">Espinosa</a> não me parece lógico discutir isso, pois trata-se mais de uma <a href="http://www.transtorno.net/tag/tragedia/">tragédia</a> e, portanto, uma <a href="http://www.transtorno.net/tag/contingencia/">contingência</a> levando a outra. Arrisco dizer que há uma maior evidência de <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> nesse caso. As <a href="http://www.transtorno.net/tag/escolhas/">escolhas</a> dão a <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a>, que se contamina quando a possibilidade do oposto não é data. A <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> é, portanto, diretamente ligada à <a href="http://www.transtorno.net/tag/contingencia/">contingência</a>.</p>
<p>A &#8220;<a href="http://www.transtorno.net/tag/necessidade/">necessidade</a>&#8221; de algo limita a ação da <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a>. O meio pode ou não fornecê-la, não cabe obviamente discutir <a href="http://www.transtorno.net/tag/sartre/">Sartre</a>, mas a <a href="http://www.transtorno.net/tag/necessidade/">necessidade</a> de algo, quando existe, a limita. A própria <a href="http://www.transtorno.net/tag/necessidade/">necessidade</a> de alimentar-se, por exemplo. Não é possível tomar a <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> de não se alimentar sem conseqüências. A punição implica em <a href="http://www.transtorno.net/tag/necessidade/">necessidade</a>, em bem maior, ainda que neste exemplo diga respeito apenas ao indivíduo em questão.</p>
<p>Bem maior, disse. Pois bem, diariamente pessoas acordam e, para manterem seu “melhor dos mundos”, sua alimentação, seu conforto, condições básicas ou mesmo prover para a família, limitam suas <a href="http://www.transtorno.net/tag/escolhas/">escolhas</a> de forma que essas deixam mesmo de existir, pois o próprio questionamento é aniquilado, cedendo ao comodismo e à aceitação cega de algo tão comum e tão pouco evidente.</p>
<p><a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">Liberdade</a> absoluta implica em <a href="http://www.transtorno.net/tag/tragedia/">tragédia</a> e talvez essa seja mesmo a razão da mítica dos grandes heróis: a <a href="http://www.transtorno.net/tag/transgressao/">transgressão</a> é o que serve de magnetismo, o que atrai e os diferencia dos demais. A <a href="http://www.transtorno.net/tag/transgressao/">transgressão</a> só existe quando abandonam o comum, a <a href="http://www.transtorno.net/tag/transgressao/">transgressão</a> existe quando abandonam o bem maior, quando seguem seu instinto, seu <a href="http://www.transtorno.net/tag/egoismo/">egoísmo</a> e seu destino. A <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a> é o freio da <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> absoluta, que se dá por completo no “<a href="http://www.transtorno.net/tag/mal/">Mal</a> desinteressado”, como diria novamente <a href="http://www.transtorno.net/tag/bataille/">Bataille</a>, mas não só ai. Cabe pensar em Saturno que castra Urano. Cabe pensar também a beleza de Vênus, filha desse ato, nascendo nas espumas do mar.</p>
<p>Seguir determinações morais e o bem necessário é tão limitante quando ter de acordar diariamente, trabalhar, se alimentar, procriar e repetir o ciclo. Nesse sentido, o homem comum é de fato a imagem e semelhança de <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a>.</p>
<p>Voltamos à questão do provedor que sai de casa para buscar o alimento de sua prole, cuja bondade é livremente determinada. Poderia não ser bondade, mas medo? Não sabemos de casos de pais presos por abandonar bebês? Seja por bondade, medo, ou qualquer outro motivo, o homem permite ser colocado sob freios. Não cabe, no entanto, perguntar se em algum momento uma explosão se dará, <a href="http://www.transtorno.net/tag/ruptura/">ruptura</a>, castração simbólica, ou se a aceitação da <a href="http://www.transtorno.net/tag/tragedia/">tragédia</a> estará apenas mais aprofundada a cada novo dia. Essa pergunta não faz sentido quando dirigida ao <a href="http://www.transtorno.net/tag/geral/">geral</a>, ao grupo. Cabe apenas a alguns humanos, mitos em potência.</p>
<p>A <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> humana, desvinculada da <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a>, no sentido em que não tem a preocupação de manter uma ordem universal estabelecida, nem o limitante da perfeição, baseada apenas na ignorância total ou parcial das conseqüências de seus atos, é maior que a divina. A ignorância e/ou o <a href="http://www.transtorno.net/tag/egoismo/">egoísmo</a> humano propicia a <a href="http://www.transtorno.net/tag/contingencia/">contingência</a>, enquanto que a bondade e a perfeição de <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a> criam a <a href="http://www.transtorno.net/tag/necessidade/">necessidade</a>. Que fique claro: não falo aqui de estado de natureza. Falo de outra coisa, sutilmente ainda que profundamente distinta, livre de <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a>, muito próxima da infância.</p>
<p>28/01/2009</p>

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</ol></p>]]></content:encoded>
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		<title>Infância</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Dec 2008 19:35:27 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[encontro os desenhos do devasso vergalho ainda cálidos sobre minha pele sulfurosa, cadentes células, traços vermelhos de contato, romper de lâminas, respostas contra meu querer sete caudas deslizam quando se enroscam, sua prole sangrando em minha pele icônica arrependido, com efeito, espero o porvir do galho, fustigando meu corpo como pássaro, couro rasgado, amarelo ouro, [...]


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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>encontro os desenhos do devasso vergalho<br />
ainda cálidos sobre minha pele sulfurosa,<br />
cadentes células, traços vermelhos de contato,<br />
romper de lâminas, respostas contra meu querer</p>
<p>sete caudas deslizam quando se enroscam,<br />
sua prole sangrando em minha pele icônica</p>
<p>arrependido, com efeito, espero o porvir do galho,<br />
fustigando meu corpo como pássaro, couro rasgado,<br />
amarelo ouro, corado pelo rubro de meu sangue oleoso,<br />
deveras louro, respingado pelo grânulo de ferro</p>
<p>ópio e demais sabores, demiurges atemporais e afetuosas<br />
queria dessas lambidas lascivas o fulgor de um lince</p>
<p>mas de relance um estampido sorrindo seco<br />
ao segurar meu braço quando defendo o peito<br />
oferecendo as costas ao rufar de trançado atento<br />
ora embebido em álcool, ora verde claro, leitoso, materno</p>
<p>amores vencidos de segunda classe<br />
fisgados pelo lampejo amorfo de minha vingança</p>
<p>exímio mártir na senda biológica de meu templo desfeito<br />
me traz em vôo seres fadados, tomados de pontas e agulhas,<br />
alimentando chamas com as memórias amputadas<br />
que minha infância belicosa me traz</p>
<p>17/11/2008</p>

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		<title>Egoísmo e tragédia</title>
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		<pubDate>Mon, 17 Jan 2005 01:54:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pensamentos]]></category>
		<category><![CDATA[culpa]]></category>
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		<category><![CDATA[ética]]></category>
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		<description><![CDATA[Preciso escrever algo. Não sei o que, mas preciso. Estou sufocando literalmente. Sinto um nó atravessado em minha garganta e mal posso respirar. Gostaria de ter um cigarro agora, o acenderia com prazer, se é que se pode chamar assim. Parei de fumar novamente há alguns dias e então é melhor evitar ter por perto. [...]


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			<content:encoded><![CDATA[<p>Preciso escrever algo. Não sei o que, mas preciso. Estou sufocando literalmente. Sinto um nó atravessado em minha garganta e <a href="http://www.transtorno.net/tag/mal/">mal</a> posso respirar. Gostaria de ter um cigarro agora, o acenderia com prazer, se é que se pode chamar assim. Parei de fumar novamente há alguns dias e então é melhor evitar ter por perto.</p>
<p>Sabado, quase 2 da manhã. Em casa. Ótimo lugar. Se é que existe um ótimo lugar, claro. Sabe, tenho a sensação de que estou cometendo um grande erro ou de que já cometi, mas não sei exatamente qual é ou foi. Sempre há como arrumar. Mesmo? Não sei. Sei, sim, que os <a href="http://www.transtorno.net/tag/erros/">erros</a>/acertos mudam os caminhos que trilharemos. Só não sei exatamente se gostarei do que vou encontrar pela frente. Quero dizer, não sei que tipo de caminho resta depois de errar bastante.</p>
<p>Ser muito ético, moralista, etc, tem seus problemas. Vários problemas, aliás. Começa que faço as coisas pensando nos outros. Deveria começar uma escolha qualquer pensando no que EU quero, mas penso nos outros, se não vou magoar alguém, se não vou machucar. Resultado? Nó na garganta. Ninguém imagina como está doendo. E dai? <a href="http://www.transtorno.net/tag/culpa/">Culpa</a> minha. Se eu fosse mais egoista não estaria. Estaria na de alguém que não eu e eu não teria nada a ver com isso. Mesmo?</p>
<p>Meu silêncio fala por mim. Sabe como é estar em um lugar e não se achar por ali, mesmo sendo bem acostumado(a) a ele? É isso. No momento este é um ótimo lugar. Não vejo ninguém sorrindo perto de mim. Nem chorando. Mmmm&#8230; exceto eu. Chorando e rindo de minha idiotice. Perda de tempo&#8230; quem se importa?</p>
<p>Daqui a pouco amanhecerá novamente. Estou bem cansado das manhãs.</p>

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