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	<title>Transtorno &#187; dúvidas &raquo; Vertigem, Ruptura e Pensamentos Transgressivos</title>
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	<description>Vertigem, Ruptura e Pensamentos Transgressivos</description>
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		<title>Saltando contra muros</title>
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		<pubDate>Sun, 04 Sep 2011 20:32:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Os últimos meses não estão sendo fáceis. Datas e símbolos tomam porporções que jamais imaginei que tomariam, lugares tornam-se templos, palavras tomam sentido diverso. O caos faz-se tão presente que qualquer coisa começa a tomar sentido diverso: o que um olho vê engana o outro. A sensação de ter falhado é absurda, enorme, desde as &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os últimos meses não estão sendo fáceis. Datas e símbolos tomam porporções que jamais imaginei que tomariam, lugares tornam-se templos, palavras tomam sentido diverso. O caos faz-se tão presente que qualquer coisa começa a tomar sentido diverso: o que um olho vê engana o outro.</p>
<p>A sensação de ter falhado é absurda, enorme, desde as coisas pequenas, como fumar quando não deveria, quanto as grandes, que não vou abrir aqui para não expor as pessoas ou a mim. A verdade é que algo comum, como falhar, parece transformar o rumo de nossas vidas, mas pergunto: já não falhamos antes?</p>
<p>Se uma falha faz com que a gente aprenda, é uma falha? E se repetirmos o erro, continuaremos falhando? Acredito que sim, não vou ser auto indulgente e é por isso que estou aqui escrevendo.</p>
<p>É muito fácil mascarar um erro com desculpas, sejam elas quais forem. O difícil é aceitar que esse erro existiu e falar &#8220;errei, fiz merda, não quero mais repetir&#8221;. Claro que não é fácil, mas é preciso, é o que quero tentar.</p>
<p>Passei o dia de ontem fora de casa, no aniversário de um amigo, pra não precisar pensar. Pensei demais nos últimos meses e não cheguei a conclusão alguma. Ontem eu precisava de alívio. Sai, bebi, conversei, mas eventualmente voltei pra casa, fiquei só e voltei a pensar. </p>
<p>Enquanto pensava, comecei a analisar o que é a maturidade pra mim. Aos 38 anos, poderia pensar que ter meu próprio apto, um bom emprego, um carro e condições de ter algo outro acima da média é maturidade, mas não é.</p>
<p>Fiquei pensando em decisões, aquelas que afetam toda uma vida, na forma como encaramos, e descobri que não sou maduro, não mesmo. Percebi que meus traumas e medos são maiores do que quero deixar transparecer, percebi que a capacidade de encarar meus desafios também se torna um problema.</p>
<p>Trocar de carro não afeta a vida, comprar alguns <a href="http://www.transtorno.net/tag/livros/">livros</a> também não. O carro será pago em alguns anos, os <a href="http://www.transtorno.net/tag/livros/">livros</a> imediatamente. Quais são as decisões que afetam uma vida? Muitas, geralmente as que envolvem as <a href="http://www.transtorno.net/tag/escolhas/">escolhas</a> que fazemos a partir de nossos sonhos. </p>
<p>Sonhar com &#8220;entrega&#8221; e não estar apto a se entregar leva a erro. Sonhar com &#8220;entrega&#8221; e não se envolver com quem se entrega é outro erro. Quando há entrega, entretanto, não há erro, mas todos esses casos mudam vidas. Estar ou não preparado, escolher de forma incorreta ou, quando tudo dá certo, formar um ideal: vidas são transformadas.</p>
<p>Como dizia, ontem pensei muito sobre maturidade e foi inevitável perceber que meus <a href="http://www.transtorno.net/tag/erros/">erros</a> são imaturos. A questão é: como percebo isso hoje e não percebi antes, quando errei? Imaturidade. Ganhei um aprendizado que não tinha antes. Hoje tenho, mas o estrago já está feito. </p>
<p>Durante a noite sonhei que estava acompanhado de alguém, em um lugar desconhecido, olhava para o lado e via meu gato vir correndo, subir em uma mesa e saltar contra uma parede, se arrebentando e caindo machucado. Pensei, ainda dentro do sonho, que ele errou por ver algo que estava ali, mas eu sabia não estar.</p>
<p>Pela minha ótica, ele via uma prateleira naquela parede, pelo engano causado por uma sombra. Eu, vendo de fora, sabia que ela não estava ali, mas ele não sabia e arriscou assim mesmo. Naquele sonho, tive maturidade para ver que era um erro saltar contra uma parede, ele não teve. Percebi que ter a técnica ou possibilidade de fazer algo não quer dizer que deva ser feito, que seja a melhor escolha. Foi muito significativo ter esse sonho exatamente nesse momento de minha vida.</p>
<p>Hoje passei horas escrevendo um projeto de mestrado que preciso apresentar. O tema do projeto é a <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> humana e <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> divina na <a href="http://www.transtorno.net/tag/filosofia/">filosofia</a> de <a href="http://www.transtorno.net/tag/leibniz/">Leibniz</a>. Resumindo: para <a href="http://www.transtorno.net/tag/leibniz/">Leibniz</a>, <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a> criou o melhor dos mundos pois é onisciente, viu todos os mundos possíveis e escolheu, dentre todos, o melhor, o que vivemos. Se <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a> viu todos os mundos, viu também todos os humanos e todas as suas decisões. A questão que vem à tona, portanto, é que se vivemos nesse mundo escolhido, somos livres para tomar decisões que já estão tomadas sem que saibamos? </p>
<p>Nossa <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> é nossa ignorância. Ignorância do minuto seguinte, do dia seguinte, das consequências.  Para <a href="http://www.transtorno.net/tag/leibniz/">Leibniz</a>, os homens tomam decisões buscando a perfeição e, se erram, erram buscando a perfeição, acreditando que sua escolha era certa naquele momento.</p>
<p>Isso funcionaria como a desculpa perfeita para meus <a href="http://www.transtorno.net/tag/erros/">erros</a>, mas não é. Olho o que vi há meses e penso: como não percebi isso antes, era tão óbvio? Olho para o que está acontecendo e tudo parece tão claro que é impossível deixar de me achar um completo imbecil, como me acho agora. A chave é a maturidade. Me atirei contra uma parede, como o gato se atirou no sonho. Me machuquei quando a atingi, me machuco agora quando me torturo por não ter percebido a escolha errada que fazia.</p>
<p>A ignorância do momento seguinte pode funcionar como desculpa para alguns, mas não para mim. A ignorância do momento seguinte só me traz mais <a href="http://www.transtorno.net/tag/dor/">dor</a> ao mostrar minha cegueira no momento de minhas <a href="http://www.transtorno.net/tag/escolhas/">escolhas</a> e ao mostrar que com tudo o que passei, com tudo que aprendi, continuo errando e um ano depois de escrever &#8220;Recordações&#8221;, meu maior pedido de desculpas, continuo errando cegamente, estupidamente, e me desculpando.</p>
<p>Continuo pulando contra muros e quando aprendo a passar por eles, eles se tornam mais altos, mais resistentes. Depois de citar <a href="http://www.transtorno.net/tag/leibniz/">Leibniz</a> e toda essa <a href="http://www.transtorno.net/tag/culpa/">culpa</a>, pode parecer bobo, mas nunca Pink Floyd coube tão bem na situação: continuo colocando mais tijolos no muro.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Recordações</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Sep 2011 05:28:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O texto abaixo foi escrito em 31/08/2010, por causa da morte do Porps. Um ano depois ainda desmonto, ainda peço desculpas e continuo perdendo momentos. Apenas um ano e tanto se foi&#8230; Segue: No final de 2000 um gato persa foi achado na rua, no bairro de Higienópolis. Era um gato enorme, branco, muito peludo, &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O texto abaixo foi escrito em 31/08/2010, por causa da morte do Porps. Um ano depois ainda desmonto, ainda peço desculpas e continuo perdendo <a href="http://www.transtorno.net/tag/momentos/">momentos</a>. Apenas um ano e tanto se foi&#8230; </p>
<p>Segue:</p>
<p>No final de 2000 um gato persa foi achado na rua, no bairro de Higienópolis. Era um gato enorme, branco, muito peludo, assustado e com medo de pessoas, que se escondia ao ver qualquer estranho. Ele tinha razão para isso: antes de ser recolhido, foi agredido por alguém, foi muito machucado e teve dentes quebrados.</p>
<p>O gato foi recolhido por uma senhora e entregue a um pet shop, para que cuidassem dele e encontrassem o dono. O dono não apareceu, como costuma acontecer, e fui convidado a conhecê-lo, para ver se queria ficar com ele. Entrei na casa do veterinário, dono do pet shop, e lá estava ele, enorme, com seus 10 quilos, já recuperado, deitado no sofá: não se escondeu quando me viu, para espanto do doador.</p>
<p>No mesmo dia esse moço passou a habitar outro endereço, o meu. Levou algumas horas para se adaptar ao ambiente, o que é normal para felinos. Se escondia e saia para reconhecer a área quando ninguém estava por perto, ao mesmo tempo que escolhia um nome para ele. Devido à sua gula e tamanho, acabou chamado de Porpetto, o que pareceu agradá-lo, pois em poucos dias já virava de barriga pra cima para ganhar carinhos e “amassava pãozinho” no ar.</p>
<p>Por muitos anos ele foi meu despertador pessoal, já que diariamente, às 6h00 da manhã, pontualmente, se sentava ao lado da minha cabeça e miava no meu ouvido, bem próximo, me chamando para alimentá-lo. Da mesma forma, diariamente, quando me deitava para ler os inúmeros <a href="http://www.transtorno.net/tag/livros/">livros</a> de <a href="http://www.transtorno.net/tag/filosofia/">filosofia</a> da faculdade, ficava ao meu lado ou aos meus pés. Quando apagava a luz, descia da cama e ia para o sofá, onde não seria importunado pelo humano desajeitado que se mexia dormindo. Esse ritual se manteve até algumas semanas atrás, exceto quando ele decidia passar a maior parte da noite na cama, roubando meu travesseiro, me deixando com a cabeça pendurada.</p>
<p>Por muitos anos, quase 11, ele esteve perto, me dando alegrias e também me deixando nervoso ao furar o sofá comprado naquele mesmo dia, arranhando o estojo da guitarra (da mais cara, claro) para afiar as unhas, fazendo xixi fora do lugar. Levou muitas broncas por isso, mas sempre me olhava com cara de “o que você está falando?”, sem levar para o lado pessoal as inúmeras repreendidas que levou. Pelo menos é assim que tenho tentado ver.</p>
<p>Alguns anos se passaram e outro amigo veio dividir o espaço com ele, o Billy Idol. O Billy passou uma semana escondido embaixo do sofá, sem exageros, até acostumar com o ambiente. Não saia nem para comer. No primeiro dia que saiu o Porpetto o pegou e deu vários cascudos, como quem diz “eu mando aqui, entendeu?”. No dia seguinte já eram amigos, dormiam abraçados, ficavam juntos o tempo todo. O porps, já mais velho, adotou o Billy como filho e assim foi até a semana passada.</p>
<p>Não posso e nem cabe contar 11 anos de histórias nesse espaço. Não me recordo de todas, mas de algumas que são chaves para a “conclusão” desse texto. Uso aspas em conclusão, pois nada de fato se conclui, são apenas questionamentos que se fazem necessários, são simbólicos.</p>
<p>Pois bem&#8230; na última semana o Porps, como era chamado carinhosamente, começou a se isolar. Não atendia mais quando chamado, dormia em lugares estranhos, distantes da cama e de mim, não tomava água do pote, apenas do box do banheiro, dormia no chão molhado. Eu já havia visto ele passar por coisa do tipo, já que era alérgico e os últimos dias estão sendo cruéis com a população de SP, inclusive dos que não podem reclamar, como ele. O que não imaginava é que, por trás dessa alergia e desse distanciamento, havia muito mais.</p>
<p>Não vou narrar os últimos dias, mas durante a consulta com o veterinário no último sábado, o Porps teve uma parada cardíaca e não voltou pra casa. Na verdade voltou, mas não era mais ele. Era, sim, um menino leve, longe daqueles 10 quilos, ainda peludo, mas mole em meus braços. Aquele menino que odiava ser carregado e se agitava para voltar ao chão, não reagia mais quando segurado. Só me recordo de pedir “não faz isso, filho”.</p>
<p>O menino, que dividiu o espaço comigo por 11 anos, estava longe de mim e minha tristeza estava tão próxima como raramente poderei descrever. Segurar o Porps daquele jeito disparou um gatilho: só conseguia pensar nas broncas que dei, nas vezes que não estive perto quando ele miava pedindo atenção. Só conseguia me sentir extremamente cruel comigo mesmo, pensando em como só via agora o que havia feito, depois de tantos anos.</p>
<p>Passei a me questionar se ele havia sido feliz aqui. Espero que sim, pois me lembro de muitos <a href="http://www.transtorno.net/tag/momentos/">momentos</a> em que ele se deitava próximo a mim e ronronava, forma felina de dizer “eu te amo”. Isso me deixava feliz, mas de todas as vezes que ele fez, quantas eu percebi? Não sei dizer. Sei dizer que inúmeras foram as broncas pelo xixi fora do lugar, coisa que ele nunca entendeu, pelo olhar que me devolvia.</p>
<p>Isso me remeteu a um outro evento, de janeiro de 1997. Passei uma noite na rua, bebendo, e cheguei em casa já com o dia amanhecendo. Ainda morava com meus pais, era o final dessa época. Dormi um tanto, acordei e fui para o computador. Meu irmão dormia ainda, pois também havia virado a noite. Em certo momento ele acordou, se vestiu e passou por trás de mim. Me lembro de ter virado para trás e visto ele passar. Não disse nada. Foi a última vez que vi meu irmão vivo. No dia seguinte, estava desesperado, indo em delegacias e hospitais, procurando por ele, quando finalmente o encontrei no IML, tratado como indigente.</p>
<p>Dadas as devidas proporções, o que percebi é que aquele não era meu irmão, assim como o gato que esteve em meus braços no sábado não era mais o Porps. Ambos eram símbolos. Símbolos de meus <a href="http://www.transtorno.net/tag/erros/">erros</a>, dos <a href="http://www.transtorno.net/tag/momentos/">momentos</a> que perdi. Senti todo o carinho do mundo quando segurei o Porps, senti todo o carinho do mundo quando velei meu irmão, mas senti também toda a <a href="http://www.transtorno.net/tag/culpa/">culpa</a> do mundo por não poder dizer e fazer por eles tudo o que tive chances de fazer.</p>
<p>Todos aqueles momento existiram e eu os perdi. Tive bons e maus <a href="http://www.transtorno.net/tag/momentos/">momentos</a> com ambos, mas e agora, o que me restou? Restou a <a href="http://www.transtorno.net/tag/culpa/">culpa</a> por saber que não fiz tudo o que era possível e que agora não terei mais chance alguma, que o tempo se foi. O ponto é exatamente esse: o tempo! Tomamos – eu tomo e tenho certeza de que vocês também – quase todo o nosso tempo achando que as coisas estão “garantidas”, mas elas não estão, pelo simples fato de que não são “coisas”. O porps não era “meu” gato. Era um gato, sim, mas não era “meu”. Ele morava comigo, eu o protegia, cuidava, mas não era meu. Ele não estaria ali até eu decidir que estaria, como acontece, por exemplo, com uma bicicleta, que posso falar “cansei, vou vender”. Não! Assim também era meu irmão. Ele não era meu, não estaria ali pra sempre. Aliás, ele é um símbolo enorme para quem conhece os efeitos que sua morte causou em minha família e, principalmente, para todos os que o conheceram. Ele tinha apenas 21 anos. Você ai, seguro de si, está certo de que vai voltar para casa? Tem certeza disso? Já pensou que pode não voltar? Ou que alguém próximo a você pode não voltar?</p>
<p>Não, não estou sendo agourento. Não mesmo. Só quero entender o motivo de percebermos essas coisas apenas quando não as temos. Quero entender esse comodismo humano que deixa tudo para depois, para poder gastar dinheiro em psicólogos, igrejas e outras coisas, tratando a <a href="http://www.transtorno.net/tag/culpa/">culpa</a>. Quero entender o motivo de eu não ter feito coisas que poderia e hoje ficar pensando “e se?”. Sei que “e se?” não vai resolver nada, mas preciso pensar, preciso tentar entender, para que da próxima vez eu não faça a mesma coisa.</p>
<p>Sim, da próxima vez, sim! Ou vocês pensam que acham que não vai acontecer de novo? Tenho o Billy, tenho meus pais, irmão, sobrinho, amigos! Não quero me culpar por ter dado mais tempo a banalidades do que a eles, a vocês. Não quero! E não posso esquecer também que posso ser aquele que não vai voltar para casa. Nesse caso não entraria a minha <a href="http://www.transtorno.net/tag/culpa/">culpa</a>, mas o quanto há para ser feito antes desse momento? Posso fazer minha parte para que um dia as pessoas próximas a mim não pensem “e se?”. Talvez, mas não sei como. Não ainda. Nesse momento, só sinto tristeza. E não é pouca.</p>
<p>Quando meu irmão morreu, meus pais se mudaram para o interior de SP e ele nunca conheceu a casa que ajudou a construir. Sempre evitei visitá-los, os mais próximos sabem: meus pais moram lá desde 1998 e eu posso contar as vezes que fui até lá. Motivo? Lembranças! Vejo fotos, objetos, me recordo de minha infância, de <a href="http://www.transtorno.net/tag/momentos/">momentos</a> ruins, bons&#8230; me recordo de coisas que gostaria de apagar, todas elas. Hoje olho à minha volta em meu apto e vejo os lugares onde o Porps dormia vazios, a comida no pote, a água&#8230; E não posso fugir de nada, não posso largar minha casa. Entendam: falo de símbolos.</p>
<p>Sabem o que é curioso? Só comecei a tomar gosto por ir ao interior visitar meus pais quando meu sobrinho nasceu. Meus pensamentos se desviam dessas coisas, pois estou focado nele, no meu irmão que está vivo, na forma boa e bonita como ele vive seu casamento, como se amam, nos meus pais&#8230; Penso que é a vida trazida de volta à família que tanto sofreu. Não quero que um dia meu sobrinho pense que não dei atenção a ele, não quero que se distancie.  Não quero que minhas inúmeras mágoas e minha história afetem a dele. Aliás, não quero que isso afete ninguém à minha volta. Por isso escrevo esse texto: é um pedido de desculpas. É minha forma de dizer que sei que erro, que sei que errei, que ainda vou errar, mas que quero que vocês saibam que estando próximo ou mesmo distante penso em vocês e não quero que brigas idiotas e <a href="http://www.transtorno.net/tag/momentos/">momentos</a> de ausência apaguem as histórias que valem ser lembradas e contadas aos meus filhos. Sim, filhos.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Os frutos da árvore metafísica</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Jan 2009 01:23:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Procurei maravilhas, segredos atemporais, explosões e cataclismas, transformações e fenômenos que me fariam entender o mundo ou, se não, me indicariam caminhos e dariam motivos para continuar. Esperei por aquele momento em que algo aconteceria, aquele segundo definitivo – a split second – onde tudo aconteceria, ao mesmo tempo, como um abrir de porta, como &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Procurei maravilhas, <a href="http://www.transtorno.net/tag/segredos/">segredos</a> atemporais, explosões e cataclismas, transformações e fenômenos que me fariam entender o mundo ou, se não, me indicariam caminhos e dariam motivos para continuar. Esperei por aquele momento em que algo aconteceria, aquele segundo definitivo – a split second – onde tudo aconteceria, ao mesmo tempo, como um abrir de porta, como embarcação lançada ao mar que encontra o continente e percebe que no mar é que está seu destino. Navios são para navegar, não para atingir um ou outro lugar. É desse porto que parto agora&#8230;</p>
<p>Aquele momento grandioso, gigante, talvez não tenha acontecido. É, por certo não, não daquela forma ao menos. Esperar coisas imensas é um tipo de engano, mas não esperá-las é ser pequeno, normal, no pior sentido da palavra. Talvez dai venham as quedas, as decepções, também imensas, como o gigantismo do ego. O erro, me parece, consiste em confundirmos o que é imenso com o que pensamos ser.</p>
<p>A compreensão e o entendimento observam, lá de cima, do topo da árvore, já próximos ao absoluto, bem distantes. Os caminhos que ligam as Sephiroth são trilhados em <a href="http://www.transtorno.net/tag/momentos/">momentos</a> diferentes, conforme o caso, a <a href="http://www.transtorno.net/tag/necessidade/">necessidade</a>, o evento. Não seria de imaginar, portanto, que os frutos caiam, por vezes, dessa árvore, <a href="http://www.transtorno.net/tag/metafisica/">metafísica</a>, em algum nível?</p>
<p>Sonhos, conversas em estado letárgico, instruções, insights, olhar a pineal como o olho que não se vê. Lembrar de coisas jamais feitas e tê-las ainda assim como parte da experiência e existência. Saber que aconteceram, dentro ou fora, e entender que é sim parte do indivíduo que é parte do todo. Saber coisas sem jamais ter lido sobre elas e, quando finalmente ler, dizer “estava certo”.</p>
<p>A porta que se abre naquele momento buscado pode ser de diamantes, ouro, aço, madeira ou qualquer outro material. Pode ter sido feita à mão por dezenas de anos ou em poucos minutos, em alguma fábrica. Pode estar em uma pirâmide milenar, em um museu centenário ou um barraco na periferia. Não importa. É o ato de abrir que expõe o segredo, é também a chave. </p>]]></content:encoded>
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		<title>Erotismo x pornografia</title>
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		<pubDate>Sat, 03 Jan 2009 02:25:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Não é segredo para qualquer pessoa que me conheça que sou admirador dos trabalhos do grupo catalão (se ainda posso chamá-los assim, tão internacionais que se tornaram) La Fura Dels Baus. Já disse em um post anterior que atualmente eles estão mais calmos, em outra frequência que não a &#8220;barbárie&#8221; de 15 ou 20 anos &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não é segredo para qualquer pessoa que me conheça que sou admirador dos trabalhos do grupo catalão (se ainda posso chamá-los assim, tão internacionais que se tornaram) <a href="http://www.transtorno.net/tag/la-fura/">La Fura</a> Dels Baus. Já disse em um post anterior que atualmente eles estão mais calmos, em outra frequência que não a &#8220;barbárie&#8221; de 15 ou 20 anos atrás.</p>
<p>Enfim, voltando ao título do post: erotismo x pornografia. Qual a diferença? Est<a href="http://www.transtorno.net/tag/etica/">ética</a>? <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">Moral</a>? Física? Se é física, como encaixar a <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a>? Na <a href="http://www.transtorno.net/tag/ruptura/">ruptura</a>/provocação, talvez? A <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a> funcionaria como freio ou propulsor? Há inúmeras questões que devem ser levantadas e estas, por sua vez, levantam mais. Escrevi algumas linhas sobre isso quando tinha&#8230; 17 anos. Sei que ainda tenho por aqui, resta encontrar em meio à papelada. O que penso hoje é mais complexo, mas não joguei fora o que pensava então, implementei aqui, aprofundei ali, mudei acolá. Eram ingênuas lá atrás, mas curiosamente, talvez por isso, pegava um ponto do ser humano em espercial: a imaginação.</p>
<p>Qual a relação entre <a href="http://www.transtorno.net/tag/la-fura/">La Fura</a> e o tema proposto aqui? Quem conhece o trabalho do grupo sabe bem a ligação que eles tem com os instintos, com a provocação da parte sombria, da carne, do medo. Há mais do que isso: existe uma montagem do grupo chamada &#8220;XXX&#8221;, que infelizmente não chegou ao Brasil, assim como a maioria dos trabalhos que montaram. XXX é explícita e foi bem comentada na época. A maioria, no entanto, preferiu ficar com a hipótese mais óbvia: o &#8220;grupo queria chocar&#8221;. Tenho <a href="http://www.transtorno.net/tag/duvidas/">dúvidas</a> e por isso resolvi postar um trailer que encontrei no youtube com algumas cenas. Dá para ter uma idéia do que se passa e também é possível ver que mesmo vibrando em outra frequência, há ainda muito instinto ali. Instintos, porém, são puramente animais. O que há além disso naquelas imagens para torná-las também eróticas?</p>
<p>Segue o vídeo (espero que ninguém tire de lá, pois vale assistir):</p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=dmLqMcUaUgs">http://www.youtube.com/watch?v=dmLqMcUaUgs</a></p>
<p>Em &#8220;O erotismo&#8221; (L&#038;PM, 1987), Georges <a href="http://www.transtorno.net/tag/bataille/">Bataille</a> diz que </p>
<blockquote><p>&#8220;o erotismo é um dos aspectos da vida interior do homem. Nisso nos enganamos porque ele procura constantemente <em>fora</em> um objeto de <a href="http://www.transtorno.net/tag/desejo/">desejo</a>. Mas esse objeto corresponde à <em>interioridade</em> do <a href="http://www.transtorno.net/tag/desejo/">desejo</a>. A escolha de um objeto depende sempre dos gostos pessoais do indivíduo: mesmo se ela recai sobre a mulher que a maioria teria escolhido, o que entra em jogo é sempre um aspecto indizível, não uma qualidade objetiva dessa mulher (&#8230;). Em resumo, mesmo estando de acordo com a maioria, a escolha humana difere da do animal: ela apela para essa mobilidade interior, infinitamente complexa, que é típica do homem.&#8221; </p>
<p>(&#8230;)</p>
<p>&#8220;A atividade sexual dos homens não é necessariamente erótica. Ela o é sempre que não for rudimentar, que não for simplesmente animal&#8221;.</p></blockquote>
<p>Percebem a diferença?</p>]]></content:encoded>
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		<title>Preguiça ou pesquisa?</title>
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		<pubDate>Wed, 12 Nov 2008 02:09:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Written]]></category>
		<category><![CDATA[dúvidas]]></category>
		<category><![CDATA[ética]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Macunaímas]]></category>

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		<description><![CDATA[Há alguns anos eu tirei vários textos meus que estavam no outro site pq descobri que tinha uma leva de gente copiando as coisas pra trabalho de escola, um bando de preguiçosos. Fiquei puto, afinal foi meu  trabalho, pesquisa, leitura, redação, revisão, amigos que revisaram pra encontrar erros que eu não percebia mais, enfim, há &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há alguns anos eu tirei vários textos meus que estavam no outro site pq descobri que tinha uma leva de gente copiando as coisas pra trabalho de escola, um bando de preguiçosos. Fiquei puto, afinal foi meu  trabalho, pesquisa, leitura, redação, revisão, amigos que revisaram pra encontrar <a href="http://www.transtorno.net/tag/erros/">erros</a> que eu não percebia mais, enfim, há todo um <a href="http://www.transtorno.net/tag/contexto/">contexto</a> nesse material mais longo e complexo que coloco aqui. Eu deveria saber, afinal a cultura de <a href="http://www.transtorno.net/tag/macunaimas/">Macunaímas</a> &#8220;espertos&#8221; impera.</p>
<p>Por um lado acho um desperdício que algumas discussões, surgidas quando eu pesquisava pra faculdade, fiquem engavetadas, sendo que poderiam gerar mais discussões ou nem isso, mas por outro me irrito com a simples cópia. Às vezes acho que os textos são tão longos que ninguém lê, mas a verdade é que além de serem longos, precisam de um mínimo de cérebro, de boa <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a> e&#8230; <a href="http://www.transtorno.net/tag/conhecimento/">conhecimento</a> prévio de muita coisa. Pelo menos uma certa bagagem cultural, convenhamos.</p>
<p>Estava olhando as estatísticas do site hoje e o que me chamou a atenção foi a complexidade das frases usadas em sistemas de <a href="http://www.transtorno.net/tag/busca/">busca</a> para chegarem até aqui. Algumas parecem pesquisa, realmente, tipo &#8220;tal pensamento em tal filósofo&#8221;. Outras, ao contrário, são temas de trabalhos, aqueles bem óbvios e conhecidos. Aposto que o sujeito chuta no Google, pega o resultado, copia, cola e imprime, sem ler. Uma vez, no Mackenzie, vi uma criatura entregar um trabalho desse tipo e o professor descobrir. Como? O nome do autor estava no meio de um parágrafo. O imbecil do aluno não se deu ao trabalho de ler o que pegou! Nada!</p>
<p>Queria saber quem usa realmente algo do que postei e se é pra pesquisa ou simples cópia. Sei que nunca, jamais, recebi um obrigado sequer. Também nunca recebi nenhum e-mail ou comentário contestando o que escrevi, apontando <a href="http://www.transtorno.net/tag/erros/">erros</a> ou discordando. Sim, digo discordando pq os textos são OPINATIVOS. Esses trabalhos que ponho aqui, caso os copiões não percebam, tem minhas opiniões, não são descritivos dos pensamentos dos autores. Pra isso existem os <a href="http://www.transtorno.net/tag/livros/">livros</a>. O que fiz foi analisar algumas coisas sob minha &#8211; pequena &#8211; ótica ou comparar coisas, como <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a> x <a href="http://www.transtorno.net/tag/rousseau/">Rousseau</a>, <a href="http://www.transtorno.net/tag/bacon/">Bacon</a> x <a href="http://www.transtorno.net/tag/adorno/">Adorno</a>, <a href="http://www.transtorno.net/tag/voltaire/">Voltaire</a> x alguém. Percebem a diferença? Já pensou se o cretino copia algo e entrega sem questionar para um professor esperto que discorde do que eu disse? Juro que pago pra ver isso acontecer&#8230;</p>
<p>Pra concluir, gostaria que alguém que chegasse aqui buscando esse tipo de informações se desse ao trabalho de falar a que veio. Pode ser por e-mail, comentário, não importa. Só queria saber que fim levam essas coisas.</p>]]></content:encoded>
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		<title>O chá de maracujá e o contexto</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Jun 2008 06:23:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Written]]></category>
		<category><![CDATA[contexto]]></category>
		<category><![CDATA[dúvidas]]></category>
		<category><![CDATA[efêmero]]></category>
		<category><![CDATA[insônia]]></category>

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		<description><![CDATA[Comecei a escrever e apaguei já por volta de dez vezes. Comecei dizendo “noite de insônia”, em seguida “mais uma noite”, coisas do tipo, coisas ‘deja vu’, coisas repetidas, coisas&#8230; Pensei que estava me tornando óbvio e repetitivo, por isso apaguei e recomecei. Percebi então que aquele é o contexto e, repetitivo ou não, precisa &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Comecei a escrever e apaguei já por volta de dez vezes. Comecei dizendo “noite de <a href="http://www.transtorno.net/tag/insonia/">insônia</a>”, em seguida “mais uma noite”, coisas do tipo, coisas ‘deja vu’, coisas repetidas, coisas&#8230; Pensei que estava me tornando óbvio e repetitivo, por isso apaguei e recomecei. Percebi então que aquele é o <a href="http://www.transtorno.net/tag/contexto/">contexto</a> e, repetitivo ou não, precisa estar ali, marcando o tempo, o espaço, o momento em que se dá, o agora.</p>
<p>Pois então, que seja esta mais uma noite <a href="http://www.transtorno.net/tag/mal/">mal</a> dormida, mesmo que o corpo esteja pedindo por descanso: a mente, aflita, o ignora. A cabeça cheia de nada quer falar. Cheia de nada? Discordo. Acho que não é “nada”, mas não vou mudar o que escrevi, vai ficar ali. Questiono, mas não apago. Não, não está cheia de nada, não. Se estivesse eu não estaria aqui, escrevendo. Não a minha. Preciso voltar ao começo e dizer a que estou aqui.</p>
<p>Estou tomando chá de camomila e maracujá, mas mantenho uma outra caixinha dessas guardada, fechada. Aquela não é para ser tomada como estou fazendo agora. É para ser tomada pensando, sorrindo, divagando, sobre coisas sérias, outras nem tanto, sobre lugares comuns, outros nem tanto. É também para ser tomada em silêncio, quando se aprofunda um olhar dentro de outro. Não disse “certo” filósofo que “quando se olha muito tempo para um <a href="http://www.transtorno.net/tag/abismo/">abismo</a>&#8230;”? Cabe explicar que parto do princípio de que todos que citam Nietzsche são idiotas, por isso a citação incompleta. Não quero me igualar, afinal aquele chá aguarda companhia, não quero decepcionar.</p>
<p>Para variar um pouco, fui almoçar em outro restaurante, quase todos os dias dessa semana, com um grupo de pessoas. Ouvi causos, contei outros. Bobagens, sem dúvida, do típo que sempre guardam um fundo de verdade. Fiquei pensando que seria divertido registrar os pensamentos soltos que aparecem quando as cabeças não têm com que se preocupar, as idéias soltas. Acontece, porém, que não consigo de lembrar de quase nada e do pouco que lembro, nada se aproveita, pois agora, fora do <a href="http://www.transtorno.net/tag/contexto/">contexto</a>, perde a graça. Não, não estou partindo para os relativismos, de forma alguma. Mas o dia-a-dia é puro <a href="http://www.transtorno.net/tag/contexto/">contexto</a>. As coisas podem ter graça ou não. Eu poderia não estar escrevendo agora. Seria <a href="http://www.transtorno.net/tag/contexto/">contexto</a>. Se não estivesse, seria aquele chá que está lacrado, talvez.</p>
<p>A prova de que não estou partindo para o relativismo é que estou procurando o que há nisso, o que resta quando se tira o <a href="http://www.transtorno.net/tag/efemero/">efêmero</a>. Reivento a roda: não era sobre isso que já pensavam Platão e Heráclito – e tantos outros depois -, cada um de sua maneira? Enfim, é normal andar por SP, por exemplo, e perceber como a cidade é cinza, como as pessoas são cinzas. Aquelas que entraram na moda de “abraços grátis”, inclusive, também são cinzas. É tudo tão artificial: “vi isso na tv, vamos fazer também?”. Cópias. MTV formando opiniões. Nem vou discutir, me deprime. O que está fora do <a href="http://www.transtorno.net/tag/contexto/">contexto</a>? A espontaneidade.</p>
<p>A cidade está cinza, mas não precisa de “abraços grátis”. Não precisa de alguém que vá à avenida Paulista ficar segurando uma placa, se achando super legal, e depois jogue papel no chão, empurre os outros no ônibus, fale alto e incomode quem está ao redor. É preciso muito mais do que uma placa. É preciso ainda mais do que espontaneidade, embora esta seja essencial. É preciso ter raíz, é preciso olhar pra dentro, não pra fora. É preciso muito coração, mas também razão, crítica. Pensar em “cidade” já é algo que impõe limites e deveria ser evitado, inclusive. As pessoas são cinzas, não é a cidade. Não é *esta* cidade.</p>
<p>Todas as placas, slogans e manifestos são <a href="http://www.transtorno.net/tag/contexto/">contexto</a>. O silêncio é espontâneo: quando se está se boca fechada, os olhos trabalham mais, pode-se ouvir mais também. O que seria da <a href="http://www.transtorno.net/tag/musica/">música</a> se todos falassem ao invés de ouví-la? O que seriam das pinturas&#8230;</p>
<p>É tão fácil ver o caráter no olhar, no falar, na forma de se mover. Como caímos em tantas armadilhas, então? Estamos falando demais. De tudo que falei durante os almoços dessa semana, nada se aproveita. Talvez fosse bom eu ter ficado de boca fechada observando, como já fiz – e faço – tantas vezes. O problema, no entanto, é que quanto mais observo, mais me desloco. Estar deslocado não é um problema, o que dói, por mais que seja chato admitir, é que quando se observa demais, percebe-se que não há reciprocidade.</p>
<p>Existem, claro, exceções. Poucas, bem poucas. É por elas que procuramos. A massa não me interessa. Não me interessam as vozes que tanto falam, mas os poucos que sabem olhar e que conseguem ouvir. Me interessam aqueles achados, aqueles <a href="http://www.transtorno.net/tag/acasos/">acasos</a> que me assombram. É por eles que procuro, é por eles que espero.</p>
<p>As pessoas falam demais, inclusive consigo mesmas, como faço agora.</p>
<p>O <a href="http://www.transtorno.net/tag/contexto/">contexto</a> vai existir sempre e, por isso mesmo, existe no eterno. Os contextos são efêmeros e perpetuam a essência no olhar, no ouvir, nas pinturas e nas músicas, nos movimentos, na <a href="http://www.transtorno.net/tag/danca/">dança</a>. Percebe?</p>]]></content:encoded>
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