Postado em 09-03-2009

Watchmen e as mudanças do mundo

por Aseth | Categoria: Filmes, Pensamentos, Rabiscos | Lido 591 vezes

Assisti Watchmen ontem e hoje foram inevitáveis algumas discussões sobre o assunto: se o filme fez justiça aos quadrinhos, se é bom, os efeitos especiais, os cortes, os extras do dvd. Essas discussões ocorreram tanto em conversas que tive quanto em blogs pela net, como pude ler algumas.

Bom, resolvi escrever também um post sobre o assunto, mas não vou discutir as qualidades do filme, nem se o Alan Moore está correto com seu “não vi e não gostei”, ou se os puristas tem razão em achar uma droga. O fato é que gostei do filme e, por hora, essa informação é suficiente.

Eu poderia ter falado sobre Watchmen há muito tempo, baseado apenas nos quadrinhos, tendo em vista que eu já havia lido. A diferença é que antes não faria sentido pra quase ninguém, hoje pode fazer. Muita gente verá o filme e o que direi fará sentido, pois é algo comum tanto à história de Moore e ao filme.

Li alguns posts e reviews falando sobre uma necessidade de mudar o mundo indicada na obra de Alan Moore. É disso que eu discordo completamente. O que há ali não é, de forma alguma, a indicação de que as pessoas devem mudar o mundo. Há, sim, uma indicação de mudança INDIVIDUAL, de formas de agir, de hábitos, de pensamentos. Repito: não é indicação de que é preciso mudar o mundo, é o contrário disso, e explico o motivo.

Rorschach, o mais radical dos heróis, é extremamente violento e segue um código bem particular. Seus métodos podem ser questionáveis, mas é com ele que as pessoas simpatizam. É um justiceiro, pode ser considerado cruel, mas também humano, como demonstra ao agradecer o Coruja por sua paciência. Voltarei a ele depois…

Ozymandias (estou contando os minutos pra que algum “gênio” diga que ele representa o capitalismo ou alguma asneira do tipo) é o homem mais inteligente do mundo. Pois bem, não é necessário que ele seja de fato, é necessário apenas que ele acredite nisso. Todos aqueles que se dão mais valor do que realmente tem acabam provocando desastres. Ozymandias é que representa a “necessidade” de mudança do mundo. Para ele é a mudança que conta, não os custos. Ozymandias é Hitler, é Stalin, é Castro, são os aiatolás. Ozymandias é a mudança pela imposição: mata milhões para salvar bilhões. É esse o preço da mudança do mundo.

A mudança importante – cuja necessidade é de fato apontada – se dá no indivíduo, naturalmente, não por obrigação. A mudança indicada não se dá como adorariam os imbecis marxistas, é outra coisa.

A mudança individual ocorreu em Jon, Dr. Manhattan, quando conversava com Spectral na superfície de Marte. Sua mente fria e científica consegue entender algo especial, raro: um milagre. A própria mudança individual e a possibilidade de que Jon perceba esse fenômeno, sutil e poético, é um milagre e, como tal, não se faz por decreto. Jon mudou, percebeu partes da humanidade que havia deixado de perceber após o acidente (não há nada que indique que antes ele percebia, mas enfim). A mudança, no entanto, é sutil, lenta, toma seu tempo. Ela aconteceu em Dr. Manhattan, mas não o suficiente para que ele tomasse o lado de Rorschach. Pode vir a ocorrer um dia, quem sabe. Como disse, é individual, lenta.

O violento Rorschach foi o único que entendeu que o que acontecia naquele momento, foi o único que não compactuou. Foi o único que não mudou e se manteve firme, defendendo seu modelo moral. Percebem o que quero dizer? Não é necessário que um indivíduo mude, ou que um grupo mude. De fato, talvez nenhuma mudança seja necessária. É preciso, sim, que as coisas sigam seu fluxo, naturalmente, não de forma imposta. É preciso também que haja uma base moral, ética, fundamentada. Essa foi a base de Rorschach.

Mudanças são lentas, são pequenos milagres. O mundo não os vê. Indivíduos vêem.

Postado em 02-04-2008

Coisas que não são ditas

por Aseth | Categoria: Filmes, Filosofia, Pensamentos | Lido 557 vezes

Um dia, há muitos anos, meu pai comprou um videocassete e descobri que havia mais nos filmes do que me mostrava a TV. Acabei conhecido por pegar filmes que ninguém queria assistir. Chegava da locadora às sextas com um pacote, todos vinham ver o que trazia e mal escondiam a decepção: “não tem nada que preste?”.

Confesso que muitos daqueles filmes eram mesmo insuportavelmente chatos, mas era preciso vê-los. Não é possível odiar algo que não se conhece, mas é possível odiar algo que não se entende. Retomo isso adiante.

Durante essas idas e vindas, assisti ao trabalho de um diretor, muito comentado na época, chamado Kieslowski. Tratava-se de uma série para a TV baseada nos 10 mandamentos, ou “Decálogo”. Alguns episódios eram chatos, não me importei muito. Um deles, no entanto, era muito bom e baseado em um longa anterior, chamado “Não amarás”.

Ambos tratam de um rapaz, funcionário dos correios da Polônia, que se apaixona por uma vizinha e a observa à distância. O mais perto que se consegue chegar é quando envia falsos avisos de correspondências, trocando enfim algumas palavras com a amada. Nada de muito interessante até ai.

Cada vez mais apaixonado, vai se aproximando e se envolvendo com a mulher que em certo momento… Não é isso que importa agora! As versões têm finais diferentes, um esperançoso (“Não amarás”) e outro amargo (a versão mais curta, do Decálogo). Gosto de ambos, por motivos diferentes.

Retomo o foco do texto, então. Disse logo acima que é possível odiar o que não se entende, mas não odiar o que não se conhece, mas ao mesmo tempo concordo com a premissa do filme de que pode-se amar o que não se conhece.

O ódio vem sempre acompanhado de tentativas racionais, de explicações. É preciso justificá-lo de alguma forma para não parecer idiota. Os grandes monumentos do ódio precisam de explicação: o massacre deste ou daquele povo, as guerras e conflitos de outros…

Como se faz, então, quando se tenta explicar Romeu e Julieta, Fausto e Gretchen, Dante e Beatriz? Sabemos que há razão contida em todos, mas há também tanto de coração que a razão nada explica em totalidade. Não existem palavras e as que existem não formam frases. Seria preciso uma nova língua?

Quem é que não consegue entender o motivo do poeta que desce ao inferno para resgatar Beatriz? Quem é que lê Goethe e não consegue entender a redenção de Fausto em Gretchen? Quantos podem, no entanto, colocar isso em palavras? A própria necessidade de buscar o sentido, a beleza e a complexidade dessas obras as faz imortais.

Os grandes poetas não perderam tempo tentando explicar, mas em compreender, mostrar as ações dos personagens. Há dificuldade em transpor as palavras, em dar explicações, mas é tudo tão natural que as próprias representações nos falam, são exemplos, são mitologias. São arquétipos e como tal falam ao interior antes de falar à razão.

Qual a dificuldade, então, em entender que é, sim, possível amar o que não se conhece? Não há dificuldade alguma! Há, sim, dificuldade em transpor as palavras, em acreditar no não-dito, acreditar nos fatos e ignorar as premissas.

O não-dito deverá ser sempre demonstrado. As representações devem ser vividas, não faladas. As sementes devem ser colhidas e plantadas.

Postado em 28-10-2007

Mocinhos e bandidos

por Aseth | Categoria: Filmes, Pensamentos | Lido 456 vezes

Assisti Scarface novamente esta tarde. Havia assistido apenas uma vez, há mais de 20 anos, com certeza. Era garoto e na época o filme era lançamento. As personagens mudam e a porcaria continua a mesma. Me recordo que a molecada da rua, eu inclusive, achava Tony Montana o máximo, um herói. Todos queriam ter dinheiro, poder e armas.

Os ídolos passam (na maioria dos casos) e dão lugar a pessoas que admiramos, algumas próximas, a quem admiramos pelo caráter que aprendemos a reconhecer e outras tantas que sequer iremos conhecer pessoalmente, mas que admiramos por motivos diversos, seja pela capacidade de fazer algo, de criar, de se expor, enfim.

Tenho diversos desses casos para citar, tanto no âmbito pessoal quanto no outro. Passados tantos anos, o que penso de Tony Montana (e de tantos outros como ele que vieram posteriormente) não é nada agradável.

O texto ficou confuso, porco mesmo, eu sei, mas é domingo à noite, estou indo dormir, pensando que amanhã vou acordar, trabalhar como milhões de outros, e corrigir ou torná-lo mais claro é a menor das minhas preocupações.

Postado em 13-09-2007

The believer

por Aseth | Categoria: Filmes | Lido 370 vezes

Still on the movies subject, since the last post was meant to kick the nuts of the million dead walkers around me/us, I think this is another interesting one to comment today. It’s an “old” movie like Cemetery Man, but still good (like time makes things better or worse…). While most of the people never question themselves, this is exactly the opposite: a young adult has so many questions and doubts and inner struggles that end up turning into a skinhead… The main thing is that he is jewish. It’s based on real facts. More on IMDB

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