Estou aqui, pensando aos ventos, leme solto e sem rumo, como tanta coisa tem sido. Já planejei tanto e nada deu certo. Ouvi dizer que quando fazemos planos, Deus gargalha. Acho que a frase era essa, mas se não for faz sentido do mesmo jeito.
Para Leibniz, este é o melhor dos mundos, o melhor mundo escolhido por Deus dentre as possibilidades, tendo visto toda a sequência do universo, e ainda assim, no entanto, somos livres. Como podemos ser livres se Deus sabe o que faremos, então? Minha leitura me leva a crer que somos livres por ignorarmos o próximo instante. Deus sabe o que faremos, nós não. Temos livre arbítrio, faremos nossa melhor escolha, por pior que seja. Volto às gargalhadas divinas, então…
Planejei tanta coisa, escrevi tantos sonhos, vi a mim mesmo fazendo coisas que jamais fiz, disse a outros que faria outras tantas que jamais farei. Algumas se tornaram reais, outras, não. Faço muitas escolhas e muitas não se realizam, outras tantas dão errado e, por fim, algumas se tornam reais.
Não posso montar um padrão, ver a matemática dos resultados. Creio que exista, mas não posso vê-la. Acho que conhecer esse padrão seria ver a máquina do mundo, como em os Lusíadas, mas não tenho esse poder. Não sei se dentre X tentativas, Y irão funcionar. Não sei, também, qual o esforço mínimo e máximo deve ser dedicado. Já ouvi dizer – e disse algumas vezes também – que quem quer algo, vai atrás, se esforça. É verdade, acho, mas nem sempre funciona. Já me esforcei por coisas que deram em nada, já consegui outras sem esforço algum.
Deus gargalha? Não sei, não faz diferença. O fato é que deveria estar dormindo a essa hora. Me deitei tarde, mas com o objetivo de dormir. Daqui algumas horas estarei trabalhando novamente. A insônia é que me mantém aqui, escrevendo. Não era parte dos meus planos. Talvez seja parte do melhor dos mundos: me faz pensar. Só não sei ainda em que.
O título desse post seria “Auto-explicativo”, mas estaria errado. O contrário, talvez. Sinto que o caminho cada vez mais se aproxima do que sou, mas o restante está parado. Não diria perdido, pois para se perder é preciso querer chegar a algum lugar. Muitas vezes as pessoas sequer querem, por isso não se perdem.
Ao escrever, penso, não estou perdido, não. As horas fogem e eu permaneço, sim, mas não perdido, não no mesmo lugar. As horas fogem e percebo as mudanças. Permaneço, então, buscando meu espaço.
Este post perdeu o sentido, o timing se foi. O mundo é a personagem de “Dispersão”. O mundo permanece, não eu.
Tomei várias decisões.
Quem não entendeu nada do que eu disse, ignore. Ou leia Mário de Sá Carneiro.
Vejo diretores e gerentes de empresas, juntos a alguns de seus subordinados – alguns, claro, somente a “elitezinha” – ganhando fortunas enquanto demitem dezenas para cobrir os próprios custos, enquanto delegam suas tarefas – ou alguém acha que são capazes de executá-las? – a outros poucos que ficam e trabalham muito mais para cobrir o buraco que se forma.
Não é preciso ser muito inteligente para essa observação, tanto que a vasta legião de “esquerdinhas” deste país o faz. A questão é que as diretorias e gerências de empresas estão usando a mesma lógica de alguns bancos: acumulam o máximo possível antes que a empresa quebre, destino a que infelizmente estão fadadas, graças à má administração. Empresas que poderiam continuar com uma base sólida forte quebram, pois as pessoas que deveriam cuidar de seus interesses pouco vêem além dos próprios, pessoais.
Cria-se, com isso, um vácuo entre a presidência e os demais empregados, a “plebe”. A culpa, claro, recai sobre a presidência. De certa forma não estão totalmente errados, posto que se o presidente não vê tanta baderna é por ser omisso, comparsa ou por ter muita coisa para pensar. As duas primeiras o tornam ativo na tragédia, esteja ele ciente ou não, e a terceira merece ser analisada com profundidade, caso a caso, coisa que não farei aqui.
Há décadas – se não mais! – ergueu-se neste país uma cultura de acomodados e só vem se fortalecendo desde então. Um país de macunaímas, “heróis” sem nenhum caráter, cantado como sendo a maior maravilha do mundo, por seu povo, suas belezas… Muito, muito cômodo! Claro que é mais fácil conseguir as coisas “na maciota”. Ainda mais quando as virtudes da malandragem são cantadas em livros e analisadas com paixão em cursos de literatura! Não poderia mesmo haver lugar melhor no mundo.
Resta pensar, então, que direito tem esse povo, que adora esse culto à esperteza, que trabalha por falta de opção, pensando em qualquer coisa, inclusive golpes, que possa afastá-lo de seu fardo, que direito tem de exigir algo de seus patrões, chefes, governos? Que direito resta quando as atitudes e a moral legitimam esse sistema? Não me venham com essa idiotice de que o povo brasileiro é um povo valente, de trabalhadores, esforçados! Isso é o argumento mais fraco e cretino existente! Uma mula também trabalha muito quando forçada e na primeira chance que vê pára para pastar! E quando empaca…
Como culpar a falta de cultura quando as – poucas – bibliotecas que temos ficam às moscas? Todas as vezes que precisei de um livro encontrei-o disponível. Pergunto: há tantos exemplares nas prateleiras ou ninguém mais está interessado? Exceto pelo caderno de esportes – ah, claro, este sim! – ninguém lê jornais, que se dirá de livros! Aprender outra língua nem pensar! Mal se fala português! A falta de informação do povo de baixa renda não é desculpa: nunca vi tamanha falta de informação e conhecimento da língua portuguesa como na Internet, que teoricamente tem um público diferenciado. Somando os fatos, dinheiro no bolso não faz ninguém mais capaz e a falta dele somente cria argumentos para justificar a preguiça.
A esta altura do texto já sou odiado. Ótimo. Nunca quis fazer amizade ou ganhar o respeito de idiotas que compartilham a linha de pensamendo da massa – com ou sem dinheiro no bolso, massa é massa, não me importa! – preguiçosa e acomodada. É incrível a capacidade de degeneração da espécie humana!