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	<title>Transtorno &#187; Goethe &raquo; Vertigem, Ruptura e Pensamentos Transgressivos</title>
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	<description>Vertigem, Ruptura e Pensamentos Transgressivos</description>
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		<title>Coisas que não são ditas</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Apr 2008 04:24:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Um dia, há muitos anos, meu pai comprou um videocassete e descobri que havia mais nos filmes do que me mostrava a TV. Acabei conhecido por pegar filmes que ninguém queria assistir. Chegava da locadora às sextas com um pacote, todos vinham ver o que trazia e mal escondiam a decepção: “não tem nada que &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um dia, há muitos anos, meu pai comprou um videocassete e descobri que havia mais nos <a href="http://www.transtorno.net/tag/filmes/">filmes</a> do que me mostrava a TV. Acabei conhecido por pegar <a href="http://www.transtorno.net/tag/filmes/">filmes</a> que ninguém queria assistir. Chegava da locadora às sextas com um pacote, todos vinham ver o que trazia e <a href="http://www.transtorno.net/tag/mal/">mal</a> escondiam a decepção: “não tem nada que preste?”.</p>
<p>Confesso que muitos daqueles <a href="http://www.transtorno.net/tag/filmes/">filmes</a> eram mesmo insuportavelmente chatos, mas era preciso vê-los. Não é possível odiar algo que não se conhece, mas é possível odiar algo que não se entende. Retomo isso adiante.</p>
<p>Durante essas idas e vindas, assisti ao trabalho de um diretor, muito comentado na época, chamado <a href="http://www.transtorno.net/tag/kieslowski/">Kieslowski</a>. Tratava-se de uma série para a TV baseada nos 10 mandamentos, ou “Decálogo”. Alguns episódios eram chatos, não me importei muito. Um deles, no entanto, era muito bom e baseado em um longa anterior, chamado “Não amarás”.</p>
<p>Ambos tratam de um rapaz, funcionário dos correios da Polônia, que se apaixona por uma vizinha e a observa à distância. O mais perto que se consegue chegar é quando envia falsos avisos de correspondências, trocando enfim algumas palavras com a amada. Nada de muito interessante até ai.</p>
<p>Cada vez mais apaixonado, vai se aproximando e se envolvendo com a mulher que em certo momento&#8230; Não é isso que importa agora! As versões têm finais diferentes, um esperançoso (“Não amarás”) e outro amargo (a versão mais curta, do Decálogo). Gosto de ambos, por motivos diferentes.</p>
<p>Retomo o foco do texto, então. Disse logo acima que é possível odiar o que não se entende, mas não odiar o que não se conhece, mas ao mesmo tempo concordo com a premissa do filme de que pode-se amar o que não se conhece.</p>
<p>O ódio vem sempre acompanhado de tentativas racionais, de explicações. É preciso justificá-lo de alguma forma para não parecer idiota. Os grandes monumentos do ódio precisam de explicação: o massacre deste ou daquele povo, as guerras e conflitos de outros&#8230;</p>
<p>Como se faz, então, quando se tenta explicar Romeu e Julieta, Fausto e Gretchen, Dante e Beatriz? Sabemos que há razão contida em todos, mas há também tanto de coração que a razão nada explica em totalidade. Não existem palavras e as que existem não formam frases. Seria preciso uma nova língua?</p>
<p>Quem é que não consegue entender o motivo do poeta que desce ao inferno para resgatar Beatriz? Quem é que lê <a href="http://www.transtorno.net/tag/goethe/">Goethe</a> e não consegue entender a redenção de Fausto em Gretchen? Quantos podem, no entanto, colocar isso em palavras? A própria <a href="http://www.transtorno.net/tag/necessidade/">necessidade</a> de buscar o sentido, a beleza e a complexidade dessas obras as faz imortais.</p>
<p>Os grandes poetas não perderam tempo tentando explicar, mas em compreender, mostrar as ações dos personagens. Há dificuldade em transpor as palavras, em dar explicações, mas é tudo tão natural que as próprias representações nos falam, são exemplos, são mitologias. São arquétipos e como tal falam ao interior antes de falar à razão.</p>
<p>Qual a dificuldade, então, em entender que é, sim, possível amar o que não se conhece? Não há dificuldade alguma! Há, sim, dificuldade em transpor as palavras, em acreditar no não-dito, acreditar nos fatos e ignorar as <a href="http://www.transtorno.net/tag/premissas/">premissas</a>.</p>
<p>O não-dito deverá ser sempre demonstrado. As representações devem ser vividas, não faladas. As sementes devem ser colhidas e plantadas.</p>]]></content:encoded>
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