Postado em 04-12-2007

“Ah, pobres vítimas da civilização!”

por Aseth | Categoria: Política | Lido 265 vezes

Vi algo, hoje, que me deixou mais do que indignado. Trata-se de um “protesto” ocorrido na Bolívia, feito por partidários de Evo Morales, mostrando o que farão com as oposições.

Os escolhidos para dar o exemplo, vejam, são… cães! Sim, cães, que nada sabem de política. Felizmente para eles, pois não precisam debater com gente daquele nível. Note que usei o termo “debater”, existente somente em democracias. O que parece não ser um sistema muito em moda na América Latina atualmente. Há diversos candidatos a Castro na região. Infelizmente, no entanto, os cães são as vítimas.

E há quem aplauda, não se enganem! Há quem defenda Morales como há quem defenda Chavez! Há quem defenda os “pobres índios”, “vítimas do processo civilizatório”, da “nefasta colonização européia”. É claro que há! E não pensem que são apenas pobres, seduzidos pelas promessas de inclusão. São muitos, inclusive nos meios acadêmicos, tornando isso tudo mais estúpido, surreal.

Há, também, os defensores dos direitos dos animais, aqueles, confusos, que sabem nada de política, filosofia e história, que acreditam que para que os animais sejam respeitados é preciso que o capitalismo acabe. Pobre capitalismo. Pobre lógica, assassinada em suas bases.

O capitalismo é baseado em leis de mercado. Se há procura, há oferta. Básico, não? Portanto em uma sociedade capitalista os animais podem, sim, ter direitos. Como? Óbvio: basta não existir procura! Mas certas pessoas preferem simplesmente fechar os olhos e continuar consumindo. Continua a procura. Continuam os massacres. Culpa-se o sistema: é mais simples manter a situação no nível da utopia do que encará-la na prática. É mais fácil continuar comendo e culpando os outros. É mais fácil continuar de olhos fechados. É mais fácil não saber do que enfrentar.

Penso que estes fazem parte, pela cegueira proposital, de um certo grupo de carnívoros, que prefere não ver imagens das barbaridades cometidas em abatedouros pois “não querem parar de comer”. Para eles, se não vêem, não existe. Notem que não ver não é o mesmo que não saber! Sabem, mas fecham os olhos. Mas comem de olhos abertos. Adoram ver a picanha sangrando no prato. Odeiam ver o animal sangrando no abateuro.

Hipócritas.

Segue o link do vídeo:

Postado em 01-11-2007

A astúcia de João Cláudio

por Aseth | Categoria: Rabiscos | Lido 314 vezes

João Cláudio é um cara moderno. Fuma “unzinho” e defende a liberação das drogas em geral. Crê estar na Holanda. Notório defensor de marginais, admira pessoas da “periferia”, independentemente de este ser apenas um conceito chique, uma espécie de rótulo para tirar proveito de uma situação, a saber, a isenção ideológica proporcionada. João Cláudio admira um “rapper” que vive de apologia ao crime. Também admira um escritor, tão pobre de idéias quanto de propostas. João Cláudio representa uma larga parcela da população, mas não se iludam: é um indivíduo, existe.

Não há muito, João Cláudio chegava em casa. Periferia, de certo modo, mas nem tanto: São Paulo é grande, existem lugares piores. Ao abrir a garagem, foi abordado por dois assaltantes, drogados, crack, provavelmente. Colocaram uma arma em sua cabeça, levaram carro, carteira, a aliança de casamento.

Indignado, João Cláudio procurou a polícia, registrou B.O. A quem mais iria pedir ajuda? Aos “rappers”? Ao escritor? Ao fornecedor? João Cláudio recorreu a quem era conveniente. A polícia recuperou o carro, encontrado não muito longe sua residência, muito próximo a uma favela.

O susto se foi, mas deixou João Cláudio pensativo: “preciso me defender, não há polícia aqui”. João havia esquecido que seu carro fora recuperado. A conveniência mudara: João Cláudio precisava se proteger, proteger sua família. João fora ferido em sua virilidade, precisava fazer algo. Comprou uma pistola 380, ilegalmente.

Esposa e filhos dividem o mesmo teto de João. Três filhos. João não sabia onde guardar a pistola, não havia se preocupado com isso. O que João Cláudio não pensara era de ordem prática, logística, e agora precisaria resolver, não podia arriscar a vida das crianças. Decidiu carregar a arma consigo.

Na mochila, junto a seu corpo, viajava o brinquedo, do trabalho para casa, de casa para o trabalho. Restava, no entanto, o medo, de outro tipo. Não dos assaltantes, mas da polícia. Como justificar a posse de tal objeto em uma eventual abordagem? Não podia. João Cláudio precisava se livrar da pistola. Já sabia a quem recorrer…

Clarão é um traficante, conhecido de longa data de João Cláudio. João o achava um sujeito “classe A”, um comerciante, como qualquer outro. Fecharam negócio: um pedaço de “fumo” a troco da pistola. Clarão não precisava da arma, aceitou-a pela amizade, iria revendê-la. João Cláudio, feliz pelo negócio, afirmou: “não dava pra deixar em casa, me preocupo com meus filhos”.

João Cláudio se preocupa com os seus filhos, não com o dos outros. João Cláudio não sabe que a arma apontada antes para seus filhos está agora apontada para os filhos de outrem. João Cláudio não se interessa pelos demais, essa não é sua função. Apontar o dedo, acusar e julgar, sim. Avaliar a si? De forma alguma. Tal como o presidente eleito por ele, é livre de pecado.

João Cláudio não se importa. Fuma seu prêmio e esquece.

Postado em 27-09-2007

Modelo errado

por Aseth | Categoria: Pensamentos | Lido 318 vezes

Outro de 06 de outubro de 2002 que cabe melhor aqui do que em “thoughts”. Assim como o outro que repostei, este continua atual:

Gostaria de saber o motivo que leva uma maioria estúpida a adotar modelos que em nada fazem sua “vida” progredir.

Não vou entrar em detalhes pois nada adiantaria, ninguém sabe do fato específico, mas ao analisar esse caso, notei a frequência com que ocorre!

Observem um pais onde as coisas funcionam. A Dinamarca, por exemplo. Independente de bom ou mau, é um modelo que o Brasil – ou qualquer outro país numa posição igual ou inferior à nossa – poderia seguir. O caso é o seguinte: a pessoa viaja para a Dinamarca, olha à sua volta e fala “nossa, aqui é bom”. Depois viaja para Angola, vê a situação crítica em que se encontram e volta para o Brasil pensando “nossa, depois do que vi em Angola percebi que o Brasil é o melhor lugar do mundo”.

Ora! Que modelo é esse? Um modelo por negação? “Já que não estamos no fundo do poço está tudo bem”? Que inferno!

Postado em 09-10-2002

O comodismo e o dia-a-dia

por Aseth | Categoria: Pensamentos | Lido 526 vezes

Vejo diretores e gerentes de empresas, juntos a alguns de seus subordinados – alguns, claro, somente a “elitezinha” – ganhando fortunas enquanto demitem dezenas para cobrir os próprios custos, enquanto delegam suas tarefas – ou alguém acha que são capazes de executá-las? – a outros poucos que ficam e trabalham muito mais para cobrir o buraco que se forma.

Não é preciso ser muito inteligente para essa observação, tanto que a vasta legião de “esquerdinhas” deste país o faz. A questão é que as diretorias e gerências de empresas estão usando a mesma lógica de alguns bancos: acumulam o máximo possível antes que a empresa quebre, destino a que infelizmente estão fadadas, graças à má administração. Empresas que poderiam continuar com uma base sólida forte quebram, pois as pessoas que deveriam cuidar de seus interesses pouco vêem além dos próprios, pessoais.

Cria-se, com isso, um vácuo entre a presidência e os demais empregados, a “plebe”. A culpa, claro, recai sobre a presidência. De certa forma não estão totalmente errados, posto que se o presidente não vê tanta baderna é por ser omisso, comparsa ou por ter muita coisa para pensar. As duas primeiras o tornam ativo na tragédia, esteja ele ciente ou não, e a terceira merece ser analisada com profundidade, caso a caso, coisa que não farei aqui.

Há décadas – se não mais! – ergueu-se neste país uma cultura de acomodados e só vem se fortalecendo desde então. Um país de macunaímas, “heróis” sem nenhum caráter, cantado como sendo a maior maravilha do mundo, por seu povo, suas belezas… Muito, muito cômodo! Claro que é mais fácil conseguir as coisas “na maciota”. Ainda mais quando as virtudes da malandragem são cantadas em livros e analisadas com paixão em cursos de literatura! Não poderia mesmo haver lugar melhor no mundo.

Resta pensar, então, que direito tem esse povo, que adora esse culto à esperteza, que trabalha por falta de opção, pensando em qualquer coisa, inclusive golpes, que possa afastá-lo de seu fardo, que direito tem de exigir algo de seus patrões, chefes, governos? Que direito resta quando as atitudes e a moral legitimam esse sistema? Não me venham com essa idiotice de que o povo brasileiro é um povo valente, de trabalhadores, esforçados! Isso é o argumento mais fraco e cretino existente! Uma mula também trabalha muito quando forçada e na primeira chance que vê pára para pastar! E quando empaca…

Como culpar a falta de cultura quando as – poucas – bibliotecas que temos ficam às moscas? Todas as vezes que precisei de um livro encontrei-o disponível. Pergunto: há tantos exemplares nas prateleiras ou ninguém mais está interessado? Exceto pelo caderno de esportes – ah, claro, este sim! – ninguém lê jornais, que se dirá de livros! Aprender outra língua nem pensar! Mal se fala português! A falta de informação do povo de baixa renda não é desculpa: nunca vi tamanha falta de informação e conhecimento da língua portuguesa como na Internet, que teoricamente tem um público diferenciado. Somando os fatos, dinheiro no bolso não faz ninguém mais capaz e a falta dele somente cria argumentos para justificar a preguiça.

A esta altura do texto já sou odiado. Ótimo. Nunca quis fazer amizade ou ganhar o respeito de idiotas que compartilham a linha de pensamendo da massa – com ou sem dinheiro no bolso, massa é massa, não me importa! – preguiçosa e acomodada. É incrível a capacidade de degeneração da espécie humana!