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	<title>Transtorno&#187; Horkheimer &raquo; Vertigem, Ruptura e Pensamentos Transgressivos</title>
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	<description>Vertigem, Ruptura e Pensamentos Transgressivos</description>
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		<title>Comodismo versus razão no Esclarecimento</title>
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		<pubDate>Fri, 07 Feb 2003 01:43:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Adorno]]></category>
		<category><![CDATA[civilização]]></category>
		<category><![CDATA[Esclarecimento]]></category>
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		<description><![CDATA[Neste trabalho pretendo estudar o Esclarecimento, baseado nas visões de Adorno/Horkheimer e Kant, tendo como princípio a proposta aberta no primeiro parágrafo da &#8220;Dialética do esclarecimento&#8221;, de Adorno e Horkheimer, a saber, &#8220;no sentido mais amplo do progresso do pensamento, o esclarecimento tem perseguido sempre o objetivo de livrar os homens do medo e investi-los [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Neste trabalho pretendo estudar o <a href="http://www.transtorno.net/tag/esclarecimento/">Esclarecimento</a>, baseado nas visões de <a href="http://www.transtorno.net/tag/adorno/">Adorno</a>/Horkheimer e <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a>, tendo como princípio a proposta aberta no primeiro parágrafo da &#8220;Dial<a href="http://www.transtorno.net/tag/etica/">ética</a> do <a href="http://www.transtorno.net/tag/esclarecimento/">esclarecimento</a>&#8221;, de <a href="http://www.transtorno.net/tag/adorno/">Adorno</a> e <a href="http://www.transtorno.net/tag/horkheimer/">Horkheimer</a>, a saber, &#8220;no sentido mais amplo do <a href="http://www.transtorno.net/tag/progresso/">progresso</a> do pensamento, o <a href="http://www.transtorno.net/tag/esclarecimento/">esclarecimento</a> tem perseguido sempre o objetivo de livrar os homens do medo e investi-los na posição de senhores. Mas a terra, totalmente esclarecida, resplandece sob o signo de uma calamidade triunfal&#8221; (<a href="http://www.transtorno.net/tag/adorno/">ADORNO</a> / <a href="http://www.transtorno.net/tag/horkheimer/">HORKHEIMER</a>, 1985, p. 19).</p>
<p><a href="http://www.transtorno.net/tag/adorno/">Adorno</a>/Horkheimer parecem ter uma visão mais clara do processo do <a href="http://www.transtorno.net/tag/esclarecimento/">esclarecimento</a>, embora falem em uma terra totalmente esclarecida, ponto no qual <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a> me parece mais correto, quando diz que não somos esclarecidos, mas &#8220;vivemos em uma época de <a href="http://www.transtorno.net/tag/esclarecimento/">esclarecimento</a>&#8221; (<a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">KANT</a>, 1974, p. 112). A argumentação usada por <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a> para chegar à conclusão de que o estamos em processo de <a href="http://www.transtorno.net/tag/esclarecimento/">esclarecimento</a> é muito clara, enquanto a argumentação de <a href="http://www.transtorno.net/tag/adorno/">Adorno</a>/Horkheimer, nesse sentido, deixa a desejar, pois após a leitura do texto é possível chegar apenas à idéia de processo, não de <a href="http://www.transtorno.net/tag/esclarecimento/">esclarecimento</a> total. O próprio filósofo dá margem a isto ao afirmar que &#8220;o <a href="http://www.transtorno.net/tag/esclarecimento/">esclarecimento</a> é a radicalização da angústia mítica. Os deuses não tiram o medo dos homens, pois são cria deste. O homem presume estar livre quando não há nada mais de desconhecido. É o caminho da desmitologização&#8221; (<a href="http://www.transtorno.net/tag/adorno/">ADORNO</a> / <a href="http://www.transtorno.net/tag/horkheimer/">HORKHEIMER</a>, 1985, p. 29) e nos diz, no prefácio &#8220;ao tachar de complicação obscura e, de preferência, de alienígena o pensamento que se aplica negativamente aos fatos, bem como às formas de pensar dominantes, e ao colocar assim um tabu sobre ele, esse conceito mantém o espírito sob o domínio da mais profunda cegueira&#8221; (id., ibid., p. 14). Parece, assim, e o texto de <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a> não discorda, posto que analisa a questão de outra forma, que a <a href="http://www.transtorno.net/tag/humanidade/">humanidade</a> não tem obtido um <a href="http://www.transtorno.net/tag/esclarecimento/">esclarecimento</a> verdadeiro, mas apenas uma substituição de mitologias, substituindo um medo por outro, um mito por outro, tendo deixado de lado apenas o aspecto religioso.</p>
<p><a href="http://www.transtorno.net/tag/adorno/">Adorno</a>/Horkheimer, ainda no prefácio, dizem que &#8220;o aumento da produtividade econômica, que por um lado produz as condições para um mundo mais justo, confere por outro lado ao aparelho técnico e aos grupos sociais que o controlam uma superioridade imensa sobre o resto da população&#8221; (id., ibid., p. 14). Este é o medo que substituiu o medo dos deuses. O problema, porém, não é perceber tal fato, mas buscar uma saída: &#8220;o mito converte-se em <a href="http://www.transtorno.net/tag/esclarecimento/">esclarecimento</a> e a natureza em mera objetividade. O preço que os homens pagam pelo aumento de seu poder é a alienação daquilo sobre o que exercem o poder&#8221; (id., ibid., p. 24).</p>
<p><a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a> tem uma visão bastante plausível, a princípio, sobre o que é o maior impedimento do <a href="http://www.transtorno.net/tag/esclarecimento/">esclarecimento</a> humano ao afirmar que &#8220;a preguiça e a covardia são as causas pelas quais uma tão grande parte dos homens, depois que a natureza há muito os libertou de uma direção estranha (naturaliter maiorennes), continuem, no entanto, de bom grado menores durante toda a vida&#8221; e &#8220;é tão cômodo ser menor&#8221; (<a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">KANT</a>, 1974, p. 100), mas parece se perder, ao longo do texto, quando passa a creditar quase totalmente aos líderes que conduzem os covardes/acomodados, a manutenção desta situação. <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a> se equivoca ao dizer que o homem é &#8220;por ora, realmente incapaz de utilizar seu próprio entendimento, porque nunca o deixaram fazer a tentativa de assim o proceder&#8221; e logo abaixo &#8220;só seria capaz de dar um salto inseguro mesmo sobre o mais estreito fosso, porque não está habituado a este movimento livre&#8221; (id., ibid., p. 102). <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a> parece superestimar a ação dos líderes humanos e subestimar a capacidade humana de aprender. O problema não é quanto tempo o homem levaria para se esclarecer, mas se está realmente disposto a isso. &#8220;A menoridade revela-se como a incapacidade de se conservar a si mesmo&#8221; (<a href="http://www.transtorno.net/tag/adorno/">ADORNO</a> / <a href="http://www.transtorno.net/tag/horkheimer/">HORKHEIMER</a>, 1985, p. 82)</p>
<p>Devemos ainda levar em conta a afirmação de <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a> que &#8220;revolução não produz a verdadeira reforma no modo de pensar&#8221; (<a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">KANT</a>, 1974, p. 104). O autor afirma, a seguir, que &#8220;para o <a href="http://www.transtorno.net/tag/esclarecimento/">esclarecimento</a> nada mais se exige senão <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a>&#8221; (id., ibid., p. 104). Temos, com isso, um retorno ao princípio, pois se a <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> inicial do homem continha o germe da preguiça e da covardia que se instaurou, porque deixaria, agora, de tê-la? Parece uma questão superficial, mas dentro desta lógica kantiana, ainda é válida. É necessário perguntar qual o objetivo dos senhores que comandam os covardes. Um senhor é esclarecido ao escravizar? Se sim, podemos chamar de escravização? Ou é um altruísta, que afasta do <a href="http://www.transtorno.net/tag/abismo/">abismo</a> os acomodados? A resposta não é exata, pois dá espaço para que se encaixem tanto verdadeiros déspotas quanto grandes estadistas.</p>
<p><a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a> afirma que leis podem ser usadas temporariamente, nunca fixas, de forma que venham a &#8220;aniquilar um período de tempo na marcha da <a href="http://www.transtorno.net/tag/humanidade/">humanidade</a> no caminho do aperfeiçoamento&#8221; (<a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">KANT</a>, 1974, p. 110), mas de quem depende saber qual período de tempo deve perdurar até que a lei seja substituída? O bem comum? E como então evitar que o homem venha a tornar-se um obediente esclarecido, e saber se é possível delimitar sua individualidade e seus deveres ligados ao grupo? <a href="http://www.transtorno.net/tag/adorno/">Adorno</a>/Horkheimer lembram-se deste problema ao darem como exemplo o retorno de Ulisses, ao tapar o ouvido de seus soldados para que não ouçam o canto da sereia. Temos nós, nesse sentido, condições morais de questionar se Ulisses estava salvando seus soldados ou mantendo vivo neles o mito, que também o amedrontava? (<a href="http://www.transtorno.net/tag/adorno/">ADORNO</a> / <a href="http://www.transtorno.net/tag/horkheimer/">HORKHEIMER</a>, 1985, p. 45). Temos de lembrar que Ulisses não tapou seus próprios ouvidos e, embora estivesse atado ao mastro, era o líder desperto que dependia de seus soldados surdos.</p>
<p>Embora <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a> diga que o &#8220;uso público da razão realiza o <a href="http://www.transtorno.net/tag/esclarecimento/">esclarecimento</a>&#8221; (<a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">KANT</a>, 1974, p. 104), corre-se o risco de que a massa aprisione o esclarecido, independentemente deste ser parte dela ou um líder. Podemos questionar isso usando até mesmo argumentos do autor, que diz que os sábios têm &#8220;o direito de fazer publicamente, isto é, por meio de obras escritas, seus possíveis reparos a possíveis defeitos das instituições vigentes&#8221; (id., ibid., 110). <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a> parece, novamente, se contradizer, esquecendo que é no indivíduo acomodado e preguiçoso que reside o problema. Quantas obras, belas, úteis, outras nem tanto, são esquecidas nas prateleiras de livreiros e de bibliotecas, por séculos, sem que uso algum se faça delas. A massa parece querer continuar acomodada, satisfeita pelo ópio. Poderia-se questionar que motivação os líderes e sábios dariam para que os indivíduos lessem tais obras, mas o ponto é que o <a href="http://www.transtorno.net/tag/esclarecimento/">esclarecimento</a>, em potência, está em cada ser humano e depende apenas da covardia de cada um, da relação de proporção inversa que se estabelece, buscá-las para deixar sua menoridade. <a href="http://www.transtorno.net/tag/adorno/">Adorno</a>/Horkheimer dizem que &#8220;<a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> na sociedade é inseparável do espírito esclarecedor&#8221; (<a href="http://www.transtorno.net/tag/adorno/">ADORNO</a> / <a href="http://www.transtorno.net/tag/horkheimer/">HORKHEIMER</a>, 1985, p. 13): não me parece haver qualquer impedimento para que a <a href="http://www.transtorno.net/tag/humanidade/">humanidade</a> tenha acesso obras grandiosas e esclarecedoras, nem mesmo para que se organizem em torno de idéias, não visando revolução, mas estudar, aprender, para que a mudança de suas idéias possa alcançar mais pessoas e, conseqüentemente, a extensão do <a href="http://www.transtorno.net/tag/esclarecimento/">esclarecimento</a>.</p>
<p>Citando Schelling, <a href="http://www.transtorno.net/tag/adorno/">Adorno</a>/Horkheimer dizem que &#8220;a <a href="http://www.transtorno.net/tag/arte/">arte</a> entra em ação quando o saber desampara os homens&#8221; (id., ibid., 32). Talvez, nesse sentido, a <a href="http://www.transtorno.net/tag/arte/">arte</a> seja uma prova de que há um certo saber, intuitivo, independente do racional. Se esta idéia estiver certa, no entanto, apenas alguns poucos homens questionaram o que obtinham, ou o que o grupo obtinha, pelo <a href="http://www.transtorno.net/tag/esclarecimento/">esclarecimento</a>. Muito poucos se questionaram e dentre estes poucos, vários usaram a <a href="http://www.transtorno.net/tag/arte/">arte</a> apenas como forma de obter status, não de colaborar no processo do <a href="http://www.transtorno.net/tag/desenvolvimento/">desenvolvimento</a> humano, perpetuando o jogo que coloca falsos esclarecidos no poder. Nesse sentido, o uso do <a href="http://www.transtorno.net/tag/esclarecimento/">esclarecimento</a> pela sadeana Juliette, longamente analisado por <a href="http://www.transtorno.net/tag/adorno/">Adorno</a>/Horkheimer, poderia não somente levar à desordem civil, como provavelmente acreditaria <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a>, mas também a uma condenação cega ao próprio <a href="http://www.transtorno.net/tag/esclarecimento/">esclarecimento</a>, tendo em vista seu &#8220;gosto intelectual pela regressão&#8221; e &#8220;o prazer de derrotar a <a href="http://www.transtorno.net/tag/civilizacao/">civilização</a> com suas próprias armas&#8221;. (id., ibid., 92). Parece mesmo que o personagem chegou a um extremo do <a href="http://www.transtorno.net/tag/esclarecimento/">esclarecimento</a> e se ofende com a covardia dos demais, valorizando, por isso, ainda mais, sua <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> obtida por seu <a href="http://www.transtorno.net/tag/esclarecimento/">esclarecimento</a>, superior em relação aos demais, fazendo dele, então, prova de sua superioridade.</p>
<p>Embora <a href="http://www.transtorno.net/tag/adorno/">Adorno</a>/Horkheimer lembrem que &#8220;o credo de Juliette é a <a href="http://www.transtorno.net/tag/ciencia/">ciência</a>&#8221; e que &#8220;ela abomina toda veneração cuja racionalidade não se possa demonstrar&#8221; (id., ibid., 94), dentro de sua lógica é uma opção válida, contra qualquer superstição, enaltecedora da exploração do <a href="http://www.transtorno.net/tag/conhecimento/">conhecimento</a> humano que, não pode atingir o ápice pois pode ainda ser ultrapassado, e, como nos lembram ainda, citando Nietzsche, &#8220;eles buscam nas regiões selvagens uma compensação para a tensão provocada por um longo encerramento e clausura na paz da comunidade, eles retornam à inocência <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a> do animal de rapina, como monstros a se rejubilar&#8221; (id., ibid., 95).</p>
<p>O problema recai, portanto, sobre os humanos como indivíduos, não mais como componentes de uma sociedade, e <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a> parece concordar ao afirmar que &#8220;encontrar-se-ão sempre alguns indivíduos capazes de pensamento próprio, até entre os tutores estabelecidos da grande massa&#8221; (<a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">KANT</a>, 1974, p. 102). Se, como diz, &#8220;a natureza humana consiste apenas nesse avanço&#8221; (id., ibid., 108), não cabe perguntar, sem compaixão, se estes poucos esclarecidos não tem mesmo o direito sobre os covardes, que atrasam o <a href="http://www.transtorno.net/tag/desenvolvimento/">desenvolvimento</a> de sua espécie. A resposta, independente de que rumo tome, é perigosa e ainda válida. &#8220;O homem pode, individualmente, adiar o <a href="http://www.transtorno.net/tag/esclarecimento/">esclarecimento</a>, não renunciar a ele&#8221; (id., ibid., 110), mas não deveria, então, ter o direito de atrapalhar o <a href="http://www.transtorno.net/tag/desenvolvimento/">desenvolvimento</a> dos demais, se sua covardia servir como mau exemplo a outros, &#8220;pois o <a href="http://www.transtorno.net/tag/esclarecimento/">esclarecimento</a> é totalitário como qualquer outro sistema&#8221; (<a href="http://www.transtorno.net/tag/adorno/">ADORNO</a> / <a href="http://www.transtorno.net/tag/horkheimer/">HORKHEIMER</a>, 1985, p. 37).</p>
<p><strong>Referências Bibliográficas</strong><br />
<a href="http://www.transtorno.net/tag/adorno/">Adorno</a>, T.W.., <em>Dial<a href="http://www.transtorno.net/tag/etica/">ética</a> do <a href="http://www.transtorno.net/tag/esclarecimento/">Esclarecimento</a></em>, Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 1985<br />
<a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a>, I., <em>Textos Seletos</em>, Petrópolis, Vozes, 1974</p>]]></content:encoded>
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