Este texto pretende tratar da maneira como se dá o republicanismo nos escritos de John Milton, buscando mostrar que o autor parece querer menos propor um modelo do que indicar caminhos e ideais que pudessem defender este sistema, com base em valores que lhe são caros, como liberdade e justiça, por exemplo, pois lhe parece que esta forma de governo é a que melhor aceita a liberdade de escolha pelo povo, bem como o protege da tirania. Para isso, farei proveito também de alguns comentadores, usando seus argumentos para demonstrar o que penso a respeito do texto de Milton.
Thomas N. Corns afirma que os republicanos ingleses, “blundered into the foundation of the republic without a constitutional theory, without a sustained critique of other models, without a vision or an image of the state they were founding, and even without an appropriate political vocabulary” (ARMITAGE & HIMY & SKINNER, 1998, p. 26), chegando mesmo a afirmar que Milton era antes um regicida que um republicano. Quanto à afirmação de que não havia um modelo e de que os republicanos escolheram esse sistema simplesmente por não terem mais a figura do rei, embora não tenha o tempo de pesquisa do autor em questão, não posso concordar com suas afirmações, tendo em vista o detalhamento do modelo de estado feito por James Harrington em Oceana, bem como com dos textos de Milton tomados como base para este trabalho. Embora Milton defenda com veemência o regicídio, em sua argumentação existe razão para tanto, como veremos adiante.