ajoelha perante mim oferecendo tua palidez como agrado,
padece em definitivos beijos de minhas mãos eufóricas
recebe o desejo de ser minha, tecido que me envolve
percebe a ânsia sádica de te aspirar qual cinzas brancas
acolhe a alegre ira de minha força setentrional
descobre e me devolve um sorriso opaco, ainda por se abrir
sorri queimando o sangue do sol que se põe ao entardecer
quase escuro, o cinza expansivo abre a espera por mais
vive o querer de meus dedos animais em teus cabelos doloridos
divide o latejar que me provocas com a dor de te manter próxima
experimenta o respirar de minhas mãos que te amam loucamente
sente o sofrer amarelo de ser minha amante
meu perceber deveras novo cambaleia exausto em preciosidades
quando te deito ao meu lado, quase roxa, desfalecendo delicada
e te amo uma vez mais
finada é a noite torpe, consumida por feitios anteriores
09/12/2008
Coisas do acaso. Sempre o acaso, mágico. Estava procurando imagens da “Execução do testamento de Sade”, como a de Jean Benoit ao fim desse post, e encontrei um site com bastante material sobre os surrealistas, muitas imagens, das quais uma em especial me prendeu. Eu jamais havia visto e o trabalho é tão bom que vi duas coisas antes de perceber do que se tratava de fato. E ainda verei mais, se procurar, eu sei. É um trabalho simples e belíssimo.
Meret Oppenheim foi uma artista ligada ao grupo surrealista de Paris por muitos anos, também muitas vezes retratada por Man Ray e é a modelo da famosa fotografia com a interferência que transforma seu corpo em um instumento musical. Achei esse site muito bom e mais informativo do que seria meu post, por isso recomendo uma visita aqui para ver mais sobre ela e, se existir interesse, sobre mais surrealistas e seus respectivos trabalhos. O objetivo desse post é apenas dispor esse trabalho, belíssimo, como disse acima, já que me impressionou. Há tanto ainda para ser visto…
My Nurse, por Meret Oppenheim 
Execução do testamento de Sade, por Jean Benoit: 
Como alguns podem ter percebido, a URL do site/blog mudou. Vou explicar, resumidamente, o motivo:
A-Set começou como necessidade de fazer algo criativo e foi orientado à música, claro, pois aquela sempre foi minha paixão, desde que lembro de minha infância.
O problema, porém, é que a coisa deixou de ser divertida quando comecei a me forçar a criar. Não dá pra forçar e manter a diversão. O hobbie virou uma chatice e deixei de lado. Ficava me forçando a compor, imaginando álbuns completos, conceitos, etc. É ok pensar nisso, mas não ser obrigado a isso, ainda mais por mim mesmo.
Enfim, a coisa tava sem graça, como disse, sem contar que o tempo tá curto. Queria que as coisas voltassem a ser uma brincadeira, como no começo. Acredito que sem a obrigação de fazer algo, auto-imposta, admito, poderei fazer mais coisas. Se não fizer, dane-se.
Agora, por exemplo, estou escrevendo quase que diariamente. O “blog” se tornou uma brincadeira e tem me divertido. Quando deixar de me divertir, se eu me obrigar a escrever, vou diminuir ou parar também. Por hora, tô aqui.
As músicas continuam, A-Set continua, meus rabiscos continuam. Enfim, o que mais eu quiser fazer…
A propósito, o novo endereço escolhido tem vários motivos, mas cada coisa a seu tempo, novidades estão a caminho. Vamos ver como sairão… Outro dos motivos é a facilidade de ditar. Era um inferno passar o endereço do a-set.com por causa do hífen. Esse novo endereço torna tudo mais fácil e repleto de significados.
Os dois endereços ficam válidos e vou mantê-los registrados, mas se quiserem atualizar os bookmarks, sintam-se à vontade.
Por enquanto é isso….
No poente dia tomo as rédeas das núvens que distraem
um cálice de vinho barato,
um turbilhão de sentimentos caros,
olhos entreabertos querendo ver na escuridão
cores amanhecidas sobre uma folha de papel…
Pássaros deslizam em asas
e rastejamos inebriados pelo âmbar.
Natureza de cobras, desejava mais que isso,
lamentando o perfume que sufocava sua peçonha,
enquanto riam do alto, nas núvens, os abutres
eufóricos com a oferta de alimento nas cidades.
Sádicos que eram, assistiam a morte do alto, em um deserto.
Foi então que um senhor que passava tomou a palavra, sorriu e disse delirando:
Não sujem o pasto verde com o sangue das ovelhas
pois de peçonha e coágulos jardins foram feitos desertos!
- Algum dia e mês de 2006, coletando frases soltas no msn e agregando em fluxo de consciência.
Às vezes quero dizer algo e me pego mudo, compondo melodias vazias. Quando a criatividade se esvai, percebo o quão pequeno sou. Acontece, porém, que às vezes sinto-me a criar, mas nada produzo. Tento entender se o vazio é apenas um momentâneo silêncio.
Uma sala com um piano possui música em potência, espera apenas o movimento das teclas, das cordas. Há, no entanto, salas sem pianos, sem livros e sem quadros, vazias. Mas não esta em que me encontro!
Lá estão o piano, a pena, as tintas. Parece-me que esqueci como usar tais ferramentas, que tudo é apenas potência e jamais virá a ser ato.
Li em Fernando Pessoa:
Quando te tinha diante
Do meu olhar submerso
Não eras minha amante…
Eras o Universo…
Agora que te não tenho,
És só do teu tamanho.
Penso, então, que o criar em potência seja a admiração que nos toma: tudo parece vazio quando na verdade o Universo é imenso demais para ser visto de perto. Quando se vai, lá adiante, e pode ser escondido sob o polegar, fechando-se um olho, torna-se do meu tamanho e posso então reproduzí-lo.
Sim, talvez seja esse o segredo da criação: criamos coisas de nosso tamanho ou ficamos em silêncio admirando o universo, sem tentar pintá-lo, escrevê-lo, quando se dá a nós. Os gênios são os que criam obras maiores que si mesmos.
Percebo então que a sabedoria está em apreciar a inspiração antes de pensar na música. Quando criamos, descrevemos o que se foi. Já passado, relatamos a paisagem.
Pois então fique! Continuo mudo, não me importa o relato.
Não sou uma sala vazia.