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	<title>Transtorno&#187; Livros &raquo; Vertigem, Ruptura e Pensamentos Transgressivos</title>
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	<description>Vertigem, Ruptura e Pensamentos Transgressivos</description>
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		<title>Quatro mundos em um grão de areia</title>
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		<pubDate>Fri, 01 May 2009 03:55:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pensamentos]]></category>
		<category><![CDATA[Rabiscos]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
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		<description><![CDATA[To see a world in a grain of sand And a heaven in a wild flower, Hold infinity in the palm of your hand And eternity in an hour. - William Blake in Auguries of Innocence Começo citando os versos de Blake em inglês por falta de versão apropriada em português. As que encontrei eram [...]


Links relacionados:<ol><li><a href='http://www.transtorno.net/2008/11/paisagem-a-quatro-maos/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Paisagem a quatro mãos'>Paisagem a quatro mãos</a></li>
<li><a href='http://www.transtorno.net/2008/03/o-melhor-dos-mundos/' rel='bookmark' title='Permanent Link: O melhor dos mundos'>O melhor dos mundos</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>To see a world in a grain of sand<br />
And a heaven in a wild flower,<br />
Hold infinity in the palm of your hand<br />
And eternity in an hour.</p>
<p>- William Blake in Auguries of Innocence</p></blockquote>
<p>Começo citando os versos de Blake em inglês por falta de versão apropriada em português. As que encontrei eram adaptadas e não diziam necessariamente a mesma coisa do original. O verso mais importante para o que quero, no entanto, é o primeiro: &#8220;Ver um mundo em um grão de areia&#8221;, e esse não é um problema.</p>
<p>Gosto de Blake desde a primeira vez que o li, foi imediado. Alguns autores conquistam com o tempo, outros depois de páginas. Blake o fez nos primeiros versos de &#8220;O matrimônio do céu e do inferno&#8221;. Há alguns dias pensei em escrever este texto, mas decidi postar outro fragmento. </p>
<p>As poucas pessoas que me acompanham aqui sabem do meu interesse em <a href="http://www.transtorno.net/tag/acasos/">acasos</a> e coincidências e que, já deixei claro, acho que são bem mais do que isso. Pois bem, há alguns dias comecei a estudar, ainda superficialmente, o Grande Grimório, também conhecido como Le Dragon Rouge, ou O Dragão Vermelho. Acontece que o nome desse Grimório é também o nome de um filme (é, aquele, com o Ralph Fiennes) onde, por acaso, aparecem aqueles versos de &#8220;Auguries of Innocence&#8221;</p>
<p>Como sou uma criatura que &#8220;trabalha em rede&#8221;, leio e estudo outras coisas simultaneamente e não acredito que uma atrapalhe a outra. Ao contrário, acho que formam bases mais fortes e, em alguns casos, como estou vendo aqui, fazem bastante sentido, além de lançar possibilidades ao ar. Uma das bases para meu estudo das Qliphoth é o livro &#8220;Climbing the Tree of Life&#8221;, de David Rankine. Como se trata de um livro introdutório/intermediário de <a href="http://www.transtorno.net/tag/qabalah/">Qabalah</a>, o autor precisava explicar os quatro mundos, o que fez da maneira usual, e depois usou aquele verso para sugerir uma meditação sobre sua explicação. Nada mais apropriado!</p>
<p>Quem já leu um pouco do assunto sabe que é complicado entender a idéia dos quatro mundos. Sabe também que varios autores em <a href="http://www.transtorno.net/tag/geral/">geral</a> dão uma passada rápida e não se aprofundam. No começo isso me parecia algo como &#8220;um dia você vai entender&#8221;, depois comecei a achar que também não entendiam muito e acabavam fugindo. Não foi o que aconteceu ao ler Rankine. </p>
<p>Não vou explicar o que são os quatro mundos, apenas listá-los. Se você precisar saber, pode sempre encontrar as explicações pela net ou em <a href="http://www.transtorno.net/tag/livros/"><a href="http://www.transtorno.net/livros/">livros</a></a>. São &#8220;enlatadas&#8221;? Sim, várias são, mas serão úteis se você meditar a respeito, talvez mesmo usando o modelo do grão de areia abaixo.</p>
<p>Os quatro mundos são:<br />
- Atziluth (Olahm ha-Atziluth) &#8211; Mundo Arquetípico<br />
- Briah (Olahm ha-Briah) &#8211; Mundo Criativo<br />
- Yetzirah (Olahm ha-Yetzirah) &#8211; Mundo Formativo<br />
- Assiah (Olahm ha-Assiah) &#8211; Mundo &#8220;Feito&#8221; (manifesto)</p>
<p>Imagine isso: em Assiah você vê um grão de areia apenas, mas em Yetzirah, um nível acima, o grão de areia é uma combinação de elementos químicos em estado sólido. Continuando, em Briah, são os átomos específicos, estruturados para sua formação. Em Atziluth, por fim, no topo de tudo, são milhões de átomos apenas, um universo em miniatura, um microcosmo.</p>
<p>Usando o processo inverso, de cima para baixo dessa vez, o exemplo de uma moeda: em Atziluth são milhões de átomos, assim como todos os outros, incluindo você. Em Briah esses átomos se conectam, formando prata, níquel, ouro ou cobre. Em Yetzirah é uma liga de metal estampada e, por fim, em Assiah é um objeto feito pelo homem, usado no comércio, ou seja, a forma como se manifesta.</p>
<p>Esses exemplos são muito claros &#8211; pra quem sabe do que estou falando &#8211; e incentiva ainda a meditar sobre o resto do que nos cerca. A dualidade, atacada por Blake no fragmento do post anterior, é, por tabela, atingida aqui novamente.</p>
<p>Se alguém quiser o livro citado, pode procurar em livrarias gringas (óbvio que aqui não vão achar). A editora é a Avalonia, mas esse é só um detalhe. Quanto ao Dragon Rouge, existem várias edições por ai, de qualidade duvidosa, mas como se trata de um trabalho muito antigo, existem algumas versões online também.</p>

<p>Links relacionados:<ol><li><a href='http://www.transtorno.net/2008/11/paisagem-a-quatro-maos/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Paisagem a quatro mãos'>Paisagem a quatro mãos</a></li>
<li><a href='http://www.transtorno.net/2008/03/o-melhor-dos-mundos/' rel='bookmark' title='Permanent Link: O melhor dos mundos'>O melhor dos mundos</a></li>
</ol></p>]]></content:encoded>
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		<title>Antinomias kantianas</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Apr 2009 03:42:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Kant]]></category>
		<category><![CDATA[liberdade]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Metafísica]]></category>

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		<description><![CDATA[Procurei um texto que escrevi há anos pra reler, motivado por uma curiosidade despertada ao ler Liber Os Abysmi (CDLXXIV), que lida com vários tópicos de Filosofia com que tive contato. O chato é que perdi a primeira parte das anotações, referentes à primeira classe de antinomias, usadas para apresentar uma aula há algum tempo. [...]


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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Procurei um texto que escrevi há anos pra reler, motivado por uma curiosidade despertada ao ler Liber Os Abysmi (CDLXXIV), que lida com vários tópicos de <a href="http://www.transtorno.net/tag/filosofia/"><a href="http://www.transtorno.net/filosofia/">Filosofia</a></a> com que tive contato. </p>
<p>O chato é que perdi a primeira parte das anotações, referentes à primeira classe de antinomias, usadas para apresentar uma aula há algum tempo. O lado bom é que esse bando de chupim que aparece aqui pra sugar material e &#8220;fazer&#8221; (copy &#038; paste) trabalho sem ler os <a href="http://www.transtorno.net/tag/livros/"><a href="http://www.transtorno.net/livros/">livros</a></a> vai ter que pesquisar mais.</p>
<p>Vou deixar o que tenho assim mesmo, aqui no site, assim não perco o restante e quem se interessar (de verdade) pode fazer algum uso.</p>
<p>Segue do jeito que está, sem adaptações e sem revisão gramatical:</p>
<p>Vimos que na primeira classe de antinomias, as antinomias matemáticas, a falsidade era representar o contraditório, como explicado anteriormente, como conciliável num conceito. Já na segunda classe, as antinomias dinâmicas, a falsidade está em representar como contraditório o que pode ser conciliado. Aqui, nas antinomias dinâmicas, ao contrário das matemáticas, ambas podem ser verdadeiras, se corrigido o equívoco que as separa, a saber, a confusão da razão em relação a coisa em si e fenômeno.</p>
<p>Nas antinomias dinâmicas não há <a href="http://www.transtorno.net/tag/necessidade/">necessidade</a> de homogeneidade na concatenação de seus elementos, como é esperado que haja nas antinomias matemáticas, onde é necessária a grandeza do que é extenso. Aqui pode-se ou não ter homogeneidade, pois a causalidade não a exige.</p>
<p>Na terceira antinomia temos a oposição da tese, que afirma haver no mundo causas dotadas de <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a>, e da antítese, que afima não haver <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a>, mas sim <a href="http://www.transtorno.net/tag/necessidade/">necessidade</a> natural. Para que essas afirmações contraditórias sejam verdadeiras é necessário que tomemos, equivocadamente, os objetos do sensível por coisas em si e as leis naturais como leis de coisas em si ou que, por outro lado, no segundo caso, tomássemos o sujeito da <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> e demais objetos apenas como fenômenos.</p>
<p><a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a> diz que a <a href="http://www.transtorno.net/tag/necessidade/">necessidade</a> natural refere-se a fenômenos, enquanto que a <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> diz respeito apenas à coisa em si e que, compreendido dessa forma, não há contradição em admitir ambas as espécies de causalidades.</p>
<p>“No fenômeno”, diz <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a>, “todo efeito é um acontecimento ou algo que ocorre no tempo”. Leis da natureza fazem com que o fenômeno deva ser precedido por uma determinação da causalidade de sua causa. Acontece, porém, que a determinação dessa causa deve ser um evento, que, por sua vez, também teve uma causa. Não é possível pensar qualquer sucessão temporal entre ela e o efeito sem que a causa tenha começado a agir, pois se assim fosse teríamos de pensar tanto a causa quanto o efeito tendo existido sempre. </p>
<p><a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a> afirma que “a <a href="http://www.transtorno.net/tag/necessidade/">necessidade</a> natural é a condição segundo a qual são determinadas as causas eficientes”. É necessário, no entanto, atenção para não cair em equivoco, como alerta <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a> na Crítica da Razão Pura: “se tudo acontece segundo simples leis da natureza, sempre haverá somente um início subalterno e jamais um primeiro início; conseqüentemente, jamais haverá uma completude da série do lado das causas procedentes umas das outras. Ora, a lei da natureza consiste precisamente em que nada acontece sem uma causa suficientemente determinada a priori. Logo, a proposição segundo a qual toda causalidade é possível somente conforme a lei da natureza contradiz a si mesma em sua ilimitada universalidade, e por isso não pode ser admitida como a única causalidade” (Crítica, pg. 294, prova da 3a. tese).</p>
<p>Temos, com isso, que se a <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> é propriedade de certas causas dos fenômenos, considerados como acontecimentos, deve, por isso, poder começá-los por si mesma, sem precisar que outra causa determine seu início. Nesse caso a causa não deve ser tomada como fenômeno, mas apenas como coisa em si e apenas seus efeitos devem ser tomados como fenômeno. A nota do parágrafo 53 explica que “a idéia de <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> verifica-se apenas na relação do inteligível como causa com o fenômeno como efeito”. Concluímos que a <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> não pode ser atribuída à matéria, ao sensível, pois, se assim fosse, não teríamos mais a conexão dos fenômenos por leis naturais e, como diz <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a>, “desapareceria na maior parte a interconexão dos fenômenos determinando-se mutuamente &#8230; e com ela quase desapareceria o critério da verdade empírica, que distingue a experiência do sonho” (Crítica, nota à antítese da 3a. antinomia).</p>
<p>Se concebemos que é possível que os inteligíveis possam influenciar os fenômenos, podemos também conceber que, embora o mundo sensível precise de uma conexão de causa e efeito, essa causa, que não é fenômeno, pode ser dotada de <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a>. Com isso poderemos compreender que natureza e <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> podem ser atribuídas a uma mesma coisa, ora como fenômeno e ora como coisa em si, respectivamente. Cabe, então, questionar se a causalidade da causa teve um começo (<a href="http://www.transtorno.net/tag/necessidade/">necessidade</a> natural) ou se a causa pode originar um efeito na linha do tempo sem que sua causalidade tenha início (<a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a>). Com relação à esta última possibilidade, <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a> afirma, na nota do parágrafo 53, ter tocado justamente o problema da <a href="http://www.transtorno.net/tag/metafisica/">metafísica</a>.</p>
<p>Podemos dizer, por exemplo, que o homem é livre pois seus atos são determinados pela ação do dever em sua razão, objetivamente, ou seja, são determinados por idéias que valem para todos os seres racionais. A razão pode ser determinada pelo dever, mas seus atos se dão no sensível, de forma que sua causalidade é <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> por não haver sido determinada por princípios sensíveis. Podemos então dizer que as ações estão sujeitas à <a href="http://www.transtorno.net/tag/necessidade/">necessidade</a> natural enquanto fenômenos, mas são livres enquanto “consideradas somente em relação ao sujeito racional e a sua faculdade de agir segundo a razão pura”.</p>
<p>Independentemente do ser racional ser ou não causa dos efeitos no mundo sensível, a lei natural prevalece. <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a> explica lei natural como “a determinabilidade de todo acontecimento do mundo sensível por leis constantes, consequentemente, uma relação causal no fenômeno, permanecendo incógnitas a coisa em si e a causalidade da mesma”.</p>
<p>A razão é livre se produz ações cujos efeitos no mundo seguirão leis constantes, sendo assim causa das leis naturais e, caso contrário, mesmo que os efeitos decorram puramente de leis naturais, sem influência da razão, ainda assim será livre, posto que é impossível que seja determinada pela sensibilidade. Conclui-se aqui que a <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> não prejudica a lei natural dos fenômenos, assim como o inverso, que também é verdadeiro.</p>
<p>Sobre a conciliação de <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> transcendental com a <a href="http://www.transtorno.net/tag/necessidade/">necessidade</a> natural, vemos que toda ação é, em relação a princípios determinantes objetivos, um início primeiro embora, na série de fenômenos, não seja mais que um início subalterno, precedido por outro, e assim sucessivamente. Isso nos permite conceber que os seres podem começar por por si mesmos uma sequencia, posto que a causalidade é determinada como coisa em si.</p>
<p>O agir do dever, sendo em si, é <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a>, mas as ações do homem, mesmo como um ser livre, obedecem, enquanto fenômeno, à sua causalidade, sem que haja aqui uma relação temporal. Na causalidade a causa age como uma coisa em si, na série de eventos como um fenômeno, livre na primeira e determinada pela <a href="http://www.transtorno.net/tag/necessidade/">necessidade</a> natural na segunda.</p>
<p>Com isso <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a> garante ainda que a <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> prática, aquela em que a causalidade que determina a razão tem princípios objetivos, exista sem causar prejuízo para a <a href="http://www.transtorno.net/tag/necessidade/">necessidade</a> natural. </p>
<p>No caso da quarta antinomia, uma vez que compreendemos a causa no fenômeno como sendo coisa em si, diferentemente da causa dos fenômenos, ambas podem, novamente, ser verdadeiras, de acordo com a maneira como são tomadas. Não há causa empírica do mundo sensível que seja absolutamente necessária, pois o ser necessário, a causa necessária para este mundo, é em si, e o equívoco é confundir as propriedades dos fenômenos com as propriedades das coisas em si, unindo-as em um conceito.</p>
<p>Na Crítica, na prova da tese da quarta antinomia (a saber: “na série das causas mundanas há um ser necessário”), <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a> argumenta que o mundo dos sentidos contém uma série de <a href="http://www.transtorno.net/tag/mudancas/">mudanças</a> e que sem essas não teríamos a representação temporal, condição de sua possibilidade: uma mudança necessita uma condição temporal precedente. Para uma série completa de <a href="http://www.transtorno.net/tag/mudancas/">mudanças</a> é necessário chegar ao absolutamente incondicionado e, portanto, se há <a href="http://www.transtorno.net/tag/mudancas/">mudanças</a> em consequência de algo, esse algo é necessário.</p>
<p>Partindo de que esse ente necessário esteja fora do mundo, toda mudança derivaria de algo fora do mundo dos sentidos, o que é impossível, diz <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a>. Se o início de uma série temporal só é dado no tempo, sua condição também tem de existir no tempo. Na série temporal, empírica, não há necessário, mas uma sequencia de condicionados e condições, que, por sua vez, também são condicionadas. Vemos, entretanto, que essa série nos remete a uma causa dos fenômenos não condicionada, mas necessária, que é uma simples idéia da razão.</p>
<p><a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a> afirma, na nota à tese, que a demonstração tendo como fundamentos os fenômenos e o regresso segundo leis empíricas da causalidade, não pode, posteriormente, passar a algo que não pertence à serie, ou seja, ao em si. Se a relação é sensível, só pode ser garantido um retorno segundo leis da sensibilidade enquanto esse regresso pertencer à série temporal. </p>
<p>Quanto à <a href="http://www.transtorno.net/tag/contingencia/">contingência</a>, o oposto do que muda não é seu oposto contraditório, que poderia ter sido em seu lugar, pois é possível em outro tempo. O fato de uma coisa seguir à outra, movimento e repouso, por exemplo, não forma oposição. Não podemos, por isso, pensar que no lugar de movimento poderia ter havido repouso, posto que temos aqui um exemplo de <a href="http://www.transtorno.net/tag/contingencia/">contingência</a> empírica, não inteligível. Temos então apenas a prova empírica de que o novo estado não poderia ter ocorrido sem o estado anterior como causa. Causa esta que, mesmo admitida como necessária, deve pertencer ao tempo, aos fenômenos.</p>
<p>Ainda na crítica, mas agora em relação à prova da antítese (“nesta série nada é necessário, tudo é contingente”), vemos que se o mundo é necessário ou se há nele um ente necessário, teria então de haver um início incondicionalmente necessário, ou seja, um início sem causa, que ainda assim pertence aos fenômenos, contradizendo suas leis de determinação no tempo; ou ainda que a série não teria início algum, ainda que fosse contingente e condicionada em suas partes mas necessária e incondicionada em relação ao todo, contradiria-se novamente, pois como diz Kant: “a existência de uma quantidade não pode ser necessária se nenhuma parte dela possui uma existência em si necessaria”.</p>
<p>Se imaginamos uma causa necessária fora do mundo esta teria, assim mesmo, de começar a agir e, consequentemente, sua causalidade seria no tempo, pertencendo aos fenômenos, ao mundo. Assim, se voltássemos na série, encontraríamos a própria causa no mundo, contradizendo mais uma vez a suposição.</p>
<p>Ao dizermos que há um ente necessário, o tempo passado engloba a série de todas as condições, até o incondicionado. Já ao dizermos que não há ente necessário, a série temporal inclui todas as condições, mas, nesse caso, nem todas são condicionadas, posto que se considera a <a href="http://www.transtorno.net/tag/contingencia/">contingência</a> de tudo que há na série temporal.</p>
<p>No parágrafo 54, <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a> conclui a exposição das antinomias, reforçando que tratam-se da razão aplicando seus princípios ao mundo sensível e insiste que o leitor se esforce em entender como a razão entra em conflito consigo mesma por não separar os fenômenos das coisas em si, tomando aqueles como estas.</p>
<p>Já no parágrafo 55, <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a> afirma que a idéia teológica é o ideal da razão pura e que seu exercício dá origem a explicações transcendentais, ou seja, dialéticas. Assim sendo, a razão não parte da experiência, mas, pelo contrário, parte de puros conceitos do que deveria ser a totalidade absoluta e através da idéia de um ser perfeito “desce à determinação da possibilidade e portanto também da realidade das demais coisas”, derivando tudo da idéia de um ser não empírico, mas onde pode encontrar a conexão, ordem e unidade que encontra no sensível.</p>
<p>Remetidos à Crítica no final do parágrafo, vimos que o conceito de um ente dotado de realidade suprema é facilmente adaptável ao conceito de incondicionalmente necessário. <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a> afirma que a razão humana se convence da existência de um ente necessário qualquer e nele reconhece existência incondicionada para, então, procurar o conceito fora de toda condição e o encontra como sendo condição suficiente de todas as outras coisas. Dessa forma, o todo, unidade absoluta, comporta o conceito de um ente único, supremo, que a razão reconhece como fundamento originário de tudo, existente de modo absolutamente necessário.</p>

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		<title>Abrahadabra, de Rodney Orpheus</title>
		<link>http://www.transtorno.net/2009/03/abrahadabra-rodney-orpheus/</link>
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		<pubDate>Tue, 31 Mar 2009 02:50:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Terminei há pouco de ler &#8220;Abrahadabra&#8221;, de Rodney Orpheus, e a impressão que tive é das melhores. Trata-se de uma introdução à religião (sim, o autor defende que Thelema é religião e concordo com ele &#8211; &#8220;the method of science, the aim of religion&#8221;) thelemica, passando por diversos dos pontos nela contidos. É um trabalho [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Terminei há pouco de ler &#8220;Abrahadabra&#8221;, de Rodney Orpheus, e a impressão que tive é das melhores.</p>
<p>Trata-se de uma introdução à religião (sim, o autor defende que <a href="http://www.transtorno.net/tag/thelema/">Thelema</a> é religião e concordo com ele &#8211; &#8220;the method of science, the aim of religion&#8221;) thelemica, passando por diversos dos pontos nela contidos. </p>
<p>É um trabalho introdutório, mas tenho certeza de que inclusive quem já tem uma boa base vai tirar proveito. Eu, por exemplo, acredito ter mais <a href="http://www.transtorno.net/tag/conhecimento/">conhecimento</a> do que um leitor &#8220;normal&#8221;, recém chegado ao assunto, e ainda assim aprendi bastante.</p>
<p>Os assuntos abrangem Yoga (Asana e Pranayama, por exemplo), concentração, viagem astral, cosmologia &#8211; Nuit? Hadit? Therion? Babalon? Hoor-Paar-Kraat?  -, rituais básicos e suas explicações, <a href="http://www.transtorno.net/tag/qabalah/">qabalah</a>, tarot, bem como métodos de pensar na estrutura das construções ritualísticas de forma a adaptar o que for necessário às suas necessidades.</p>
<p>Um assunto importante que também é introduzido é a moralidade. Embora muitos <a href="http://www.transtorno.net/tag/livros/"><a href="http://www.transtorno.net/livros/">livros</a></a> thelemicos lembrem que &#8220;todo homem e toda mulher é uma estrela&#8221;, nem todos os estudantes levam isso para a prática. É importante não confundir &#8220;Faze o que Tu queres&#8221; com &#8220;faça o que quiser&#8221;. A diferença é óbvia e não é nada fácil adotar e seguir um sistema que dá tamanha <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> e ainda assim saber o limite de colisão das órbitas.</p>
<p>Gostaria muito que esse livro já existisse há uns 12 anos, quando tive meu primeiro contato com os escritos de Aleister <a href="http://www.transtorno.net/tag/crowley/">Crowley</a>. Teria me poupado muito trabalho, evitado muitos conflitos e me poupado também de algumas dores no estômago. Mas quem foi que disse que seria fácil?</p>]]></content:encoded>
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		<title>Liber Pennae Praenumbra</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Mar 2009 04:21:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pensamentos]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
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		<category><![CDATA[Maat Magick]]></category>
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		<description><![CDATA[Há alguns anos, em 1997 para ser mais preciso, estava estudando Maat Magick e &#8211; não vou entrar em detalhes &#8211; tive uma conexão muito interessante com o trabalho de Soror Nema, com quem mantinha contato por email e com quem aprendi várias coisas. Um dia desses encontrei o arquivo com o Liber Pennae Praenumbra, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há alguns anos, em 1997 para ser mais preciso, estava estudando <a href="http://www.transtorno.net/tag/maat-magick/">Maat Magick</a> e &#8211; não vou entrar em detalhes &#8211; tive uma conexão muito interessante com o trabalho de Soror Nema, com quem mantinha contato por email e com quem aprendi várias coisas. </p>
<p>Um dia desses encontrei o arquivo com o Liber Pennae Praenumbra, que traduzi na época, antes da Madras publicá-lo oficialmente em português. Muita coisa está ruim e precisa de melhorias. O fato é que é praticamente impossível traduzir um livro &#8220;inspirado&#8221;, de forma qualquer tradução será, sempre, apenas um apoio ao leitor do original. Como traduzir isto, por exemplo: &#8220;The pylons of the ages are unshaken, firmly are they Set&#8221;? Literalmente? E ignorar a óbvia alusão ao <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">deus</a> Set? Optei por Set.</p>
<p>Por fim, recomendo a leitura do original, bem como das &#8220;notas e comentários&#8221; da scriba, tratando de detalhes, da <a href="http://www.transtorno.net/tag/qabalah/">qabalah</a> e da interpretação do texto. Tanto isso quanto os rituais podem ser encontrados em seu livro, <a href="http://www.transtorno.net/tag/maat-magick/">Maat Magick</a>.</p>
<p>Segue:</p>
<p>No Akasha-Eco isto é inscrito:</p>
<p>Pela mesma boca, Oh Mãe do Sol, é suspirada a palavra e o néctar recebido. Pela mesma respiração, Oh Contrapeso do Coração, é o manifesto criado e destruído.</p>
<p>Mas há um portal, embora pareçam ser nove, Mímico dançarino das Estrelas. Quão formosa tua teia e tecido, a-reluzente no fogo-escuro do espaço!</p>
<p>Os dois que nada são te saúdam, Chama Negra que move Hadit! Quanto menos Um cresce, mais Pra-NU se manifesta. Fale a nós agora, as crianças do tempo-por-vir; declare tua <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a> e concede nos teu <a href="http://www.transtorno.net/tag/amor/">Amor</a>!</p>
<p>Falou então Aquela que Move:</p>
<p>Eu derramo sobre vocês, Crianças de Heru! Todos vocês que amam e guardam a Lei, Nada guardando para si mesmos, são a-bençoados. Vocês tem procurado os pedaços espalhados de Nosso Senhor, incessantemente para montar tudo que tem sido. E no Reino dos Mortos vocês produziram dos Mortos o Iluminado. Vocês deram à luz e O alimentaram.</p>
<p>Vossa Terra de Leite deve também ter o mel, deixado cair como orvalho pelo Ginandro Divino. O prazer e deleite estão no Trabalho, o Todo excedendo as Partes juntas.</p>
<p>O Senhor das Partes é colocado em seu reino, como pela Besta e pelo Pássaro. A terra do Sol não é aberta às Crianças. Atenção à Criança Eterna &#8211; seu Caminho flui livre, adaptado à Natureza de sua existência.</p>
<p>Uma Voz Gritou no Eco de Cristal:</p>
<p>Que significa essa demonstração? É o Tempo em Si Mesmo esperado? O Falcão voou sessenta e dez em Seu trajeto acumulado!</p>
<p>Ela sorri, linda como a Noite:</p>
<p>Observe, Ele abre as pontas de Suas asas ainda em vôo, banhando e agitando a Luz Dourada sobre os corações dos homens. E em que Ele voa, e por que meios? A Pena e o Ar são Seus para cavalgar, para suportá-lo sempre em seu IN-do.</p>
<p>Os pilares das eras são imutáveis, firmes eles são Set. O Dia do Falcão está amanhecendo, e verá sua devida medida segundo as Leis de Tempo e Espaço.</p>
<p>A Voz então falou:</p>
<p>Então a Visão falhou? Eu Os observo deformados, pensando em Ti como Quem Tu Não és?</p>
<p>Ela dançou e girou, espalhando a luz das estrelas em sua risada silenciosa.</p>
<p>Eu Sou Quem Eu pareço ser, às vezes, e então novamente Eu visto um véu triplo. Não se confunda! Acima de tudo, prevalece a Verdade.</p>
<p>Eu sou a Ilimitada. Quem lá está para me dizer não, para dizer, &#8220;Você não deve passar&#8221;? Quem realmente pode dizer, &#8220;Seu tempo ainda está por vir,&#8221; quando o próprio Tempo é meu principal servo-criado, e Espaço o Major-domo de meu Templo?</p>
<p>De fato, Oh Voz do Akasha, Eu sou os meios pelos quais você fala. Pela mesma boca que respira o Ar, despeja palavras de dúvida. Então em silêncio, Me conheça. Pois Eu venho com propósito desta vez, para auxiliar os Amantes do Falcão a voar.</p>
<p>A Palavra de Vôo</p>
<p>Quem hesita no Vôo deve por isso cair: a grandeza dos Deuses está no IN-do.</p>
<p>Quando pela primeira vez vocês voaram, Amados de Heru, quebraram a concha que longamente os protegeu. Sobre as Asas da <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">Vontade</a> vocês se aventuraram, ganhando vigor e força vocês voaram. Vocês ganharam todo o <a href="http://www.transtorno.net/tag/conhecimento/">conhecimento</a> do Reino Emplumado, pelo que se tornaram perfeitos como o Sol. Todos os amigos e mestres se tornaram irmãos.</p>
<p>O Cisne real, a Garça e a Coruja &#8211; o Corvo e o Galo lhes ajudaram. A Beleza do próprio Falcão foi concedida, as virtudes do Pavão, o Colibri e Pombo. A Águia revelou sua natureza interior e seus mistérios &#8211; observem, vocês testemunharam como, com seu Leão, ela se tornou o Cisne. E o Íbis do <a href="http://www.transtorno.net/tag/abismo/">Abismo</a> mostrou o <a href="http://www.transtorno.net/tag/conhecimento/">Conhecimento</a>.</p>
<p>Vocês voaram, Oh Reis e Eremitas! E voaram mesmo agora, dentro do encanto curvado de NU. Mas há aqueles dentre vocês, e abaixo de vocês, que laçariam suas asas e os arrastariam do céu.</p>
<p>Olhem bem fundo! Julguem seu Coração corretamente! Se vocês são puros, ele não pesa mais que Eu. Isto não os trará para dentro do <a href="http://www.transtorno.net/tag/abismo/">Abismo</a>. Pois Ouro é Luz/Leve, mas Chumbo é fatal quando em vôo &#8211; observe suas próprias profundidades, em Verdade e em auto-<a href="http://www.transtorno.net/tag/conhecimento/">conhecimento</a>.</p>
<p>Se algo te impede, é teu feitio. Observe agora este ensinamento dentro do Templo.</p>
<p>Assim dizendo, Aquela-Que-Move assumiu a forma da grande Chama Negra, crescendo do tronco central e ondulando dentro do Vazio. As Crianças de Heru observaram em silêncio, e escutaram Suas palavras formarem-se em seus corações.</p>
<p>Observe! Esta lente de Estrelas se tornando Espaço frente a vocês &#8211; os homens a nomearam corretamente como Andrômeda. Através delas fluo para a Lua do Cão sagrado, e dali a Ra, e dali a vocês, Oh Sacerdotes.</p>
<p>Vocês não devem ficar satisfeitos enquanto no Reino, mas lutar e assim exceder o que é feito. Em <a href="http://www.transtorno.net/tag/amor/">Amor</a> da Dama do Norte, e em <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">Vontade</a> do Príncipe do Sul, fazei que cada coisa seja. Na força da Estrela de Sete-raios devem compreender a Besta. E desde HAD do Coração se deleitem na tua querida estrela-arcada.</p>
<p>Faça tudo isto, e então, vá além. Abandone qualquer coisa que possa te distinguir de outra coisa, sim, ou de não-coisa/na-da (no-thing, no original). Se caires em armadilha, deixe teu manto-de-penas a-balançar em sua mão e seja invisível e nua para além!</p>
<p>Mas agora! Como sacerdotes dentro do Templo vocês estão aqui, como Reis, e Guerreiros, todos Magos. O Caminho está na <a href="http://www.transtorno.net/tag/obra/">Obra</a>.</p>
<p>O Um Escondido do <a href="http://www.transtorno.net/tag/abismo/">Abismo</a> agora dá os dois onde é forjada a alta Alquimia: suportando a Terra está Chthonos &#8211; aprenda bem, e todos as amarras se soltarão para a <a href="http://www.transtorno.net/tag/obra/">Obra</a> da <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">Vontade</a>. Acima do Espirito, lá está Ychronos, cuja natureza é duração e a morte disto.</p>
<p>Os dois são um, e formam a essência do Reino. Quem os domina é Mestre do Mundo. Eles são as chaves completas da Transmutação, e chaves da força dos outros Elementos.</p>
<p>Os Guerreiros-Sacerdotes receberam as Chaves, e as colocaram dentro de seus robes, para mantê-las bem ocultas acima de seus corações. A Chama Negra dançou e decaiu, se tornando pequena, uma pena, emplumada e pontiaguda. Não tendo nada sobre o que escrever, um dentre os Sacerdotes veio à frente, e colocou a pele de seu corpo sobre o altar como um pergaminho vivo.</p>
<p>Aquela-Que-Move escreveu sobre ela uma Palavra, mas não colocou diante eles. Em paciência esperaram os Reis e Eremitas, assegurando a completa Compreensão final.</p>
<p>A Pena cresceu outra vez, arredondada em suas margens, tornando-se perante seus olhos o Yonilingam. Veio a imagem do Antigo Baphomet, O Chifrudo, que falou:</p>
<p>Há tempos vocês sabiam a Chave dos Dois-em-Um unidos. Vocês viveram e amaram completamente como NU e HAD, como PAN e BABALON. O Mistério de minha própria imagem vocês também conhecem, como era uma Verdade para as antigas Ordens do Leste e do Oeste.</p>
<p>Bipartida tem sido a Raça dos Homens em sua época. O Pai e a Mãe fizeram uma Criança. Eu sou a mais antiga das Crianças, verdade &#8211; mas agora o jovem ascendem para Seu Dia.</p>
<p>A natureza da verdadeira <a href="http://www.transtorno.net/tag/alquimia/">Alquimia</a> é que isto muda não só a substância da <a href="http://www.transtorno.net/tag/obra/">Obra</a>, mas muda então também o Alquimista. Vocês cuja <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">Vontade</a> é Trabalhar por esse meio, observem minha imagem inversa, e considerem bem seu significado para tua Tarefa.</p>
<p>A Demonstração da Imagem</p>
<p>De fora do Yonilingam soprou uma Nuvem, violeta e lampejante. No coração nublado um som surgiu, vibrando macio, preenchendo toda parte.</p>
<p>Adornada e reluzindo luzes-arco-íris das asas, pairou no meio uma humilde ABELHA. Listada de ouro e marrom, suavemente peluda e encurvada na forma, brilharam seus olhos sobre os Sacerdotes e Reis reunidos.</p>
<p>Falou então Aquela-Que-Move fora da névoa circundante:</p>
<p>Isto é o símbolo da <a href="http://www.transtorno.net/tag/obra/">Obra</a>-por-vir, o Grande Ginandro em sua forma Terrestre. O Mago deve <a href="http://www.transtorno.net/tag/crescer/">crescer</a> por sobre a ABELHA enquanto o Aeon se desdobra, um líder e um sinal sobre a Raça dos Homens.</p>
<p>Que então nos mostra a ABELHA de sua natureza?</p>
<p>Observe, isto não é masculino nem feminino no singular. Trabalha de dia em vôo constante, um fa-zedor sem ego, cuja <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a> e <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">Vontade</a> da Colméia são apenas uma.</p>
<p>Coleta o néctar da flor, voa para a Colméia e lá, em pura Com-Unhão, faz seu corpo Transmutar.</p>
<p>O néctar agora é mel. Abelha a abelha, é transferido, falando todos os Mistérios da Colméia de e para cada boca. Pela mesma boca que primeiro coletou, é o mel consumido, a <a href="http://www.transtorno.net/tag/alquimia/">Alquimia</a> secreta dentro dos Centros tornando Prata em Ouro.</p>
<p>A Colméia agora vive, imortal. Com rainha e trabalhadores, zangões e operárias, soldados e madrastas &#8211; todos são um. Em constante renovação da vida, a Colméia respira como Um Ser &#8211; pois realmente é isto. Na <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">Vontade</a> da Colméia está preenchida a <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">Vontade</a> da Abelha. Cada uma em seu lugar, as Abelhas trabalham sua <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">Vontade</a> em ordenada harmonia.</p>
<p>A imagem desaparece. Agora a equilibrada Pluma se move numa <a href="http://www.transtorno.net/tag/danca/">dança</a> elegante, abrindo as longas asas, tomando a forma do escuro Abutre.</p>
<p>Mas saibam, Oh Crianças do Falcão, um Homem não é uma Abelha. Ele pode se beneficiar desta imagem, para aprender da Sabedoria da <a href="http://www.transtorno.net/tag/obra/">Obra</a>. Observe em Mim outra imagem para instruir teu coração.</p>
<p>Ergueu-se ante seus olhos a Torre do Silêncio, em que os Amantes do Fogo depositam seus mortos.</p>
<p>A forma do Abutre desceu suavemente, e comeu a carne dos cadáveres, até o osso. O vento uivou, desolado, neste lugar medonho, agitando as mortalhas sobre os esqueletos de marfim.</p>
<p>Silenciosamente, O Alado olhou, o bico sujo de sangue. Dentro dos olhos de cada Sacerdote lá reunidos, seu olhar pernicioso procurou. Em paz perfeita eles observaram sua <a href="http://www.transtorno.net/tag/busca/">busca</a>, pois cada um, como Guerreiro, tinha feito da Morte um irmão. Então deliberadamente, ele abriu suas asas, pegou o vento, e decolou daquele lugar.</p>
<p>A Entrega da Palavra</p>
<p>Eternidade então reinou, Infinito o véu que penduraram sobre eles.</p>
<p>Em Algum Lugar, algum dia, o véu se abriu por um momento, e Aquela-Que-Move passou. Mais atrativa que qualquer mulher mortal havia sido, Ela irradiava um brilho de pérola e ametista. Bem dobrado linho era Seu vestido, cingido em ouro e prata, e em Sua cabeça, um nemyss de estrelado azul. Sua coroa era uma única pluma, ereta, e em suas mãos o Ankh e o Bastão da cura.</p>
<p>Sobre cada Guerreiro-Sacerdote ela se moveu, os abraçou e os beijou. Então, pousando no meio, Ela falou como um colega de mesmo nível.</p>
<p>&#8220;Todos vocês que praticam a Alta <a href="http://www.transtorno.net/tag/arte/">Arte</a>, escutem. Nada deve haver escondido de tua vista. Todas as formulas e Palavras vocês devem descobrir, sendo iniciados por aqueles que Trabalham para ajudar a Lei da <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">Vontade</a>.”</p>
<p>&#8220;Vocês trabalham bem em tudo que tem sido dado; sobre a Árvore da Vida são vocês encontrados. No Tetragrammaton vocês continuaram; tudo dado pela Besta vocês praticaram corretamente. Vocês tornaram-se Hadit, e NU, e também Ra-Hoor-Khuit. Como Heru-Pa-Kraath vocês continuam em silêncio. Vocês conhecem PAN como amante e como forma divina, e BABALON é noiva e Seu Ser.”</p>
<p>&#8220;Vocês engendraram as forças de Shaitan, extraindo o nexo do noventa e três para trabalhar sua <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">Vontade</a>. Separação para o prazer de União vocês conheceram, e <a href="http://www.transtorno.net/tag/alquimia/">Alquimia</a> é <a href="http://www.transtorno.net/tag/ciencia/">Ciência</a> de sua <a href="http://www.transtorno.net/tag/arte/">Arte</a>.”</p>
<p>&#8220;Para aqueles que sabem, e vão, e ousam, e se mantém em silêncio, isto agora irá além.”</p>
<p>&#8220;Na morte está a Vida &#8211; agora como sempre tem sido. A Morte Querida é eterna &#8211; guarde isto. O Ego, filho de Maya, deve ser assassinado no momento do nascimento. O Olho que não dorme deve manter vigília, Oh Guerreiros, pois a ilusão é auto-gerada.”</p>
<p>&#8220;Observação constante é o primeiro Ato &#8211; o <a href="http://www.transtorno.net/tag/abismo/">Abismo</a> é cruzado em minutos, todos os dias.”</p>
<p>&#8220;Se vocês podem dançar a Máscara, então mascarem a <a href="http://www.transtorno.net/tag/danca/">Dança</a>. Seleta deve ser a <a href="http://www.transtorno.net/tag/arte/">Arte</a> nesta instrução; e equilíbrio no Centro seja mantido, ou senão dareis inusitada Vida a tuas próprias criações. Trilhe cuidadosamente este caminho de Trabalho, Mago. Uma ferramenta, por <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">Vontade</a> criada, faz um mau mestre.”</p>
<p>&#8220;Agora na Missa, a Águia deve ser alimentada com o que ajudou fazer. Pela mesma boca que ruge sobre a montanha, é dada a palavra-ato de Nenhuma Diferença.”</p>
<p>&#8220;E quando a <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">Vontade</a> declara, deverá se agrupar à ABELHA para somar o ouro ao vermelho e ao branco. A essência de Shaitan é Néctar aqui, o Templo é a Colméia. O Leão é a Flor, agora é o momento, a Águia invoca a natureza da ABELHA.”</p>
<p>&#8220;Dentro da câmara-tripla do santuário é o primeiro néctar colhido. A convocação do bastão de PAN desperta a felicidade do portal se abrindo. E da terceira e mais íntima câmara, em prazer supremo, o presente de Sothis, hidromel quintessential, reunidos para unir lágrimas-de-Águia e sangue-de-Leão.”</p>
<p>&#8220;Solve et Coagula. Com-Unhão por esse meio, de que o próprio Cosmos dissolve, e re-forma por <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">Vontade</a>. E saiba, se de qualquer forma pode ser ordenado no Reino, que três ou mais é zero, assim como as antigas verdades.&#8221;</p>
<p>Então se agitaram os Guerreiro-Sacerdotes, e de seu número, um sem nome se adiantou.</p>
<p>&#8220;Nós a conhecemos, Senhora, embora Teu nome não tenha sido pronunciado. Mas diz agora &#8211; o que foi escrito na pele do homem? Qual é a palavra que Tu destes?&#8221;</p>
<p>Ela sorriu e tirou de seu manto um pergaminho ressecado, dobrado como uma Estrela. Desenrolando, Ela o virou, para que todos pudessem ver.</p>
<p>IPSOS</p>
<p>&#8220;Que é esta Palavra, Oh Senhora &#8211; como pode ser usada?&#8221;</p>
<p>&#8220;Em sabedoria silenciosa, Rei e Sacerdote-Guerreiro. Deixe a escritura brilhar e deixe a palavra ser oculta; a escritura é iluminação suficiente para velar a face.”</p>
<p>&#8220;Esta é a palavra do vigésimo-terceiro caminho, cujo número é cinqüenta e seis. Esta é a Permanência do não dito, em que a <a href="http://www.transtorno.net/tag/danca/">Dança</a> da Máscara é ensinada por Mim. Tahuti observa sem o Macaco; Eu sou o Abutre também.”</p>
<p>&#8220;Este é o Cálice do Ar e o Bastão da Água, a Espada da Terra e o Pantáculo de Fogo. Isto é a ampulheta e a serpente mordendo a cauda. Isto é o Ganges se tornando Oceano, o Caminho da Criança Eterna.”</p>
<p>&#8220;Isto nomeia a Fonte de Minha Própria Existência &#8211; e da sua. Isto é a origem desta transmissão, que canaliza através de Andrômeda e Set. Que raça de deuses fala aos homens, Oh Queridos/Cheios de <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">Vontade</a> (Willed, no original)? A palavra deles é ambos o Nome e o Fato.”</p>
<p>&#8220;Isto é para teu mantra e encantamento. Falar é efetuar certa mudança. Seja prudente em seu uso &#8211; pois se a verdade for conhecida no exterior, poderá talvez levar os escravos à loucura e desespero.”</p>
<p>&#8220;Apenas um verdadeiro Sacerdote-Rei pode conhecer completamente, e permanecer em equilíbrio em seu IN-do (GO-ing, no original) vôo. Isto é tudo que falo por hora. O Livro da Ante-Sombra da Pena está completo. Faze que tu queres é o todo da Lei. <a href="http://www.transtorno.net/tag/amor/">Amor</a> é a lei, <a href="http://www.transtorno.net/tag/amor/">amor</a> sob <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a>.&#8221;</p>
<p># Donat per Omne<br />
# Scriba &#8211; Nema<br />
# Sol in Capricornus<br />
# Anno Heru LXX<br />
# Cincinnati, Ohio</p>]]></content:encoded>
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		<title>A moral da homogeneidade</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Feb 2009 03:01:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
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		<category><![CDATA[moral]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<description><![CDATA[Há pouco mais de uma semana, postei algumas linhas de pensamentos que surgiram ao lembrar de um livro de Georges Duby, sobre as cavalarias medievais. Quando escrevi aquele post, me lembrei de um verso de Liber AL vel Legis e abri com aquela citação. Pois bem, estava lendo &#8220;The Law is for all&#8221;, de Aleister [...]


Links relacionados:<ol><li><a href='http://www.transtorno.net/2009/01/liberdade-trangressao-moral/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Liberdade, transgressão e moral'>Liberdade, transgressão e moral</a></li>
<li><a href='http://www.transtorno.net/2007/09/deads-among-the-living/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Deads among the &#8220;living&#8221;&#8230;'>Deads among the &#8220;living&#8221;&#8230;</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há pouco mais de uma semana, postei algumas linhas de <a href="http://www.transtorno.net/tag/pensamentos/"><a href="http://www.transtorno.net/pensamentos/">pensamentos</a></a> que surgiram ao lembrar de um livro de Georges Duby, sobre as cavalarias medievais. Quando escrevi aquele post, me lembrei de um verso de Liber AL vel Legis e abri com aquela citação. Pois bem, estava lendo &#8220;The Law is for all&#8221;, de Aleister <a href="http://www.transtorno.net/tag/crowley/">Crowley</a>, e quando cheguei ao comentário sobre aquele verso (AL, II, 58), percebi que caía quase que como uma luva. </p>
<p>Segue, em inglês:</p>
<blockquote><p>Men should not be taught to read and write unless they exhibit capacity or inclination. Compulsory education has aided nobody. It has imposed an unwarrantable constraint on the people it was intended to benefit; it has been asinine presumption on the part of the intellectuals to consider a smattering of mental acquirements of universal benefit. It is a form of sectarian bigotry. We should recognize the fact that the vast majority of human beings have no ambition in life beyond mere ease and animal happiness. We should allow these people to fulfil their destinies without interference. We should give every opportunity to the ambitious, and thereby establish a class of morally and intellectually superior men and women. We should have no compunction in utilizing the natural qualities of the bulk of mankind.</p>
<p>(&#8230;)</p>
<p>In this way we shall have a contented class of slaves who will accept the conditions of existence as they really are, and enjoy life with the quiet wisdom of cattle. It is our duty to see to it that this class of people lack for nothing.</p>
<p>(&#8230;)</p>
<p>Our troubles have been caused by the assumption that everybody wanted the same things, and thereby the supply of those things has become artificially limited; even those benefits of which there is an inexhaustible store have been cornered. For example, fresh air and beautiful scenery. In a world where everyone did his own will none would lack these things. In our present society, they have become the luxuries of wealth and leisure, yet they are still accessible to any one who possesses sufficient sense to emancipate himself from the alleged advantages of city life. We have deliberately trained people to wish for things that they do not really want.</p>
<p><i>- <a href="http://www.transtorno.net/tag/crowley/">Crowley</a>, The Law is for all, novo comentário a AL, II, 58</i></p></blockquote>
<p>Discordo de <a href="http://www.transtorno.net/tag/crowley/">Crowley</a>, no entanto, quando ele diz que &#8220;they lack nothing&#8221;. Eles não tem muita coisa, mas são rápidos em culpar os outros pelo que não possuem. Naquele post eu falava especificamente da falta de coragem, pois então vou usar isso como exemplo novamente: muitos não tem coragem sequer para defender sua existência, mas culparão os outros por não defendê-los.</p>
<p>Sobre os &#8220;escravos&#8221;, é interessante fazer uma leitura desse comentário tendo lido também a &#8220;<a href="http://www.transtorno.net/tag/politica/"><a href="http://www.transtorno.net/politica/">Política</a></a>&#8221;, de Aristóteles. Não vou entrar em detalhes e nem me aprofundar, mas ele fala da relação senhor x escravo e de como um precisa do outro. Não se trata, porém, da dial<a href="http://www.transtorno.net/tag/etica/">ética</a> do senhor e do escravo, de Hegel, é óbvio. Seria anacrônico, além de idiota, pensar uma bobagem dessas.</p>
<p><a href="http://www.transtorno.net/tag/crowley/">Crowley</a> completa o comentário citando Liber Aleph, do qual dou apenas um fragmento:</p>
<blockquote><p>All her Members let them differ in their Qualities, and let there be no Creature equal with another. Here also is the voice of true Science, crying aloud that Variation is the Key of Evolution. Thereunto Art cometh the third, perceiving Beauty in the Harmony of the Diverse. Know then, o my Son, that all Laws, all Systems, all Customs, all Ideals and Standards which tend to produce uniformity, are in direct opposition to Nature&#8217;s Will to change and to develop through Variety, and are accursed.</p>
<p><i>- <a href="http://www.transtorno.net/tag/crowley/">Crowley</a>, Liber Aleph, De Lege Motus</i></p></blockquote>
<p>Concordo com isso, sim. O problema é que hoje, sobre o pretexto da diversidade, a mesma é destruída. Poucos percebem que a luta pela diversidade causa nada além de homogeneidade. As diferenças são naturais e não precisam de defesa. Essa defesa que promove o pensamento homogêneo enfraquece o processo. </p>
<p>O &#8220;politicamente correto&#8221;, por exemplo, hoje impede através de leis, algumas existentes apenas nos olhares de censura, que coisas sejam ditas ou feitas abertamente, criando novas gerações de hipócritas, de falsos livres pensadores, de lugar-comum. </p>
<p>Quem discorda disso, pode ler novamente o texto de <a href="http://www.transtorno.net/tag/crowley/">Crowley</a>, a primeira parte em especial. Deve reler, aliás. E se esse fragmento não te fizer pensar, pois bem, já sei em que lugar você se encaixa.</p>
<p>Assunto para ser continuado&#8230;</p>

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<li><a href='http://www.transtorno.net/2007/09/deads-among-the-living/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Deads among the &#8220;living&#8221;&#8230;'>Deads among the &#8220;living&#8221;&#8230;</a></li>
</ol></p>]]></content:encoded>
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		<title>As vísceras da Vontade</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Feb 2009 14:16:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pensamentos]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[Crowley]]></category>
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		<category><![CDATA[ética]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[vontade]]></category>

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		<description><![CDATA[“Yea! deem not of change: ye shall be as ye are, &#038; not other. Therefore the kings of the earth shall be Kings for ever: the slaves shall serve. There is none that shall be cast down or lifted up: all is ever as it was. Yet there are masked ones my servants: it may [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>“Yea! deem not of change: ye shall be as ye are, &#038; not other. Therefore the kings of the earth shall be Kings for ever: the slaves shall serve. There is none that shall be cast down or lifted up: all is ever as it was. Yet there are masked ones my servants: it may be that yonder beggar is a King. A King may choose his garment as he will: there is no certain test: but a beggar cannot hide his poverty.”<br />
- Liber AL, II, 58</p></blockquote>
<p>Há alguns anos li um trabalho bem interessante do historiador Georges Duby, chamado “A sociedade Cavaleiresca” (Martins Fontes, 1989 &#8211; recomendo, mas duvido que alguém leia), que trata, é claro, da formação das cavalarias na Idade Média. Há algumas teorias e estudos baseados em documentos da época, mas basicamente e muito, muito resumidamente, parte do que ele diz é que por volta do ano 1000, com o enfraquecimento dos nobres e o fortalecimento da igreja, foram lançadas campanhas de paz, com a igreja trazendo pobres para perto de si, mantendo-os longe das armas. As armas eram, então, mantidas por alguns, dispostos a lutar e que recebiam por isso, vindo cada vez mais a fortalecer-se, como uma espécie de classe. </p>
<p>Os pobres não lutavam, outros eram covardes, outros padres, mas nada disso impedia &#8211; o contrário &#8211; que existissem outros, dispostos a combatê-los e tomar o que tinham, ou ainda pessoas dispostas a criar confusão, não preocupadas com o a campanha de “paz” proposta.</p>
<p>Daqui pra frente sou eu escrevendo, baseado em outras leituras e observações, algumas mais atuais do que vocês podem pensar, e não mais um resumo simplificado de Duby: esses cavaleiros eram pagos para protegê-los, mas é claro que as pessoas não gostavam de pagá-los. A covardia ou a religião que assumiram os impedia de lutar, mas ao mesmo tempo achavam injusto pagar outrem. Esperavam serem protegidas apenas por boa <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a>. Ora, a justiça! </p>
<p>Percebem alguma semelhança com hoje, 1000 anos após? Querem que morram por eles, literal e metaforicamente, mas não querem fazer sacrifícios. Ora, a covardia!</p>
<p>Não lutam em tempos de guerra, reclamam de sua duração, reclamam dos gastos, reduzem a coragem de quem os defende a mero produto à venda. Mercadoria cara, diriam eles. Em tempos de paz, preferem evitar os gastos, afinal, já não precisam mais daquele serviço. Seria, digamos, como queimar plantações logo após o almoço, pois não se sente mais fome.  Quando a fome voltar e não houver mais nada disponível, amaldiçoarão aquele que não oferece os prazeres esperados. Ou a proteção esperada, para continuar no assunto.</p>
<p>Aquele que não luta, não se defende, não tem disciplina e, principalmente, não entende um certo nível de ética, não aquela de cordeiros, mas a de soldados nascidos, de reis, merece de fato morrer como escravo e ter seu nome esquecido.</p>
<p>Acontece, porém, que mesmo dentre esses covardes existem aqueles que estão em um nível ainda mais baixo, aqueles que usam as palavras como arma para combater o que mais precisam. São aqueles escravos que usam da retórica ou da pequena influência que possuem, da ignorância das massas, dos fenômenos dos rebanhos, que percebem apenas a entonação das palavras, não seu sentido, assim como os cães. São nada mais que isso: cães. Domesticados, enfraquecidos, sem instintos, intelectuais! </p>
<p>Instintos não são apagados pelas palavras e pela razão. São jóias na coroa de reis, são parte da divindade. Quem não age com vísceras, nunca as teve. Aquele que fala da <a href="http://www.transtorno.net/tag/dor/">dor</a> sem nunca tê-la sentido, aquele que fala de guerra sem nunca ter lutado, que fala de derrotas sem nunca ter perdido, de vitórias sem nunca ter vencido, formado por páginas lidas e não por experiências.</p>
<p>É o enfrentamento que mostra as vísceras.</p>
<p>“Ye are against the people, o my chosen!” (Liber AL, II, 25).</p>]]></content:encoded>
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		<title>Nadja</title>
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		<pubDate>Fri, 07 Nov 2008 15:46:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Breton]]></category>
		<category><![CDATA[mudanças]]></category>
		<category><![CDATA[Nadja]]></category>
		<category><![CDATA[surrealismo]]></category>

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		<description><![CDATA[De minha parte, continuarei a habitar minha casa de vidro, de onde se pode ver a todo instante quem vem me visitar, onde tudo o que está pendurado no teto ou nas paredes se sustém como que por encanto, onde repouso à noite, sobre um leito de vidro com lençois de vidro, onde quem sou [...]


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			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>De minha parte, continuarei a habitar minha casa de vidro, de onde se pode ver a todo instante quem vem me visitar, onde tudo o que está pendurado no teto ou nas paredes se sustém como que por encanto, onde repouso à noite, sobre um leito de vidro com lençois de vidro, onde quem sou me aparecerá cedo ou tarde, gravado em diamante.</p></blockquote>
<p>- Andre <a href="http://www.transtorno.net/tag/breton/">Breton</a>, in <a href="http://www.transtorno.net/tag/nadja/">Nadja</a></p>
<p>Sempre, desde que li &#8220;Os manifestos do <a href="http://www.transtorno.net/tag/surrealismo/">surrealismo</a>&#8221;, admirei <a href="http://www.transtorno.net/tag/breton/">Breton</a>. Há coisas com as quais não concordo, como sua relação com a <a href="http://www.transtorno.net/tag/politica/"><a href="http://www.transtorno.net/politica/">política</a></a>, ou o que diz sobre Dostoievski, para citar alguns exemplos, mas é óbvio que não é necessário concordar com tudo que uma pessoa diz ou faz para admirar sua <a href="http://www.transtorno.net/tag/obra/">obra</a>.</p>
<p><a href="http://www.transtorno.net/tag/nadja/">Nadja</a>, por vários motivos, é um dos <a href="http://www.transtorno.net/tag/livros/"><a href="http://www.transtorno.net/livros/">livros</a></a> que mais gosto. Sempre que retomo esse livro é porque procuro por <a href="http://www.transtorno.net/tag/mudancas/">mudanças</a>. É inconsciente, percebo apenas depois. Percebo agora, quando escrevo.</p>
<p>O fragmento acima é um dos mais belos exemplos de imagem de sua <a href="http://www.transtorno.net/tag/obra/">obra</a>. Existem outros, centenas, muitos, mas esse é de <a href="http://www.transtorno.net/tag/nadja/">Nadja</a> e, por isso, o escolhido.</p>
<p>Se o que somos aparecer gravado em diamante implica dureza, transparência e brilho. Implica que há algo de raro. Implica também eternidade. A essência é eterna e embora única, tem nuances, diferentes faces, como um diamante.</p>

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