Assisti Watchmen ontem e hoje foram inevitáveis algumas discussões sobre o assunto: se o filme fez justiça aos quadrinhos, se é bom, os efeitos especiais, os cortes, os extras do dvd. Essas discussões ocorreram tanto em conversas que tive quanto em blogs pela net, como pude ler algumas.
Bom, resolvi escrever também um post sobre o assunto, mas não vou discutir as qualidades do filme, nem se o Alan Moore está correto com seu “não vi e não gostei”, ou se os puristas tem razão em achar uma droga. O fato é que gostei do filme e, por hora, essa informação é suficiente.
Eu poderia ter falado sobre Watchmen há muito tempo, baseado apenas nos quadrinhos, tendo em vista que eu já havia lido. A diferença é que antes não faria sentido pra quase ninguém, hoje pode fazer. Muita gente verá o filme e o que direi fará sentido, pois é algo comum tanto à história de Moore e ao filme.
Li alguns posts e reviews falando sobre uma necessidade de mudar o mundo indicada na obra de Alan Moore. É disso que eu discordo completamente. O que há ali não é, de forma alguma, a indicação de que as pessoas devem mudar o mundo. Há, sim, uma indicação de mudança INDIVIDUAL, de formas de agir, de hábitos, de pensamentos. Repito: não é indicação de que é preciso mudar o mundo, é o contrário disso, e explico o motivo.
Rorschach, o mais radical dos heróis, é extremamente violento e segue um código bem particular. Seus métodos podem ser questionáveis, mas é com ele que as pessoas simpatizam. É um justiceiro, pode ser considerado cruel, mas também humano, como demonstra ao agradecer o Coruja por sua paciência. Voltarei a ele depois…
Ozymandias (estou contando os minutos pra que algum “gênio” diga que ele representa o capitalismo ou alguma asneira do tipo) é o homem mais inteligente do mundo. Pois bem, não é necessário que ele seja de fato, é necessário apenas que ele acredite nisso. Todos aqueles que se dão mais valor do que realmente tem acabam provocando desastres. Ozymandias é que representa a “necessidade” de mudança do mundo. Para ele é a mudança que conta, não os custos. Ozymandias é Hitler, é Stalin, é Castro, são os aiatolás. Ozymandias é a mudança pela imposição: mata milhões para salvar bilhões. É esse o preço da mudança do mundo.
A mudança importante – cuja necessidade é de fato apontada – se dá no indivíduo, naturalmente, não por obrigação. A mudança indicada não se dá como adorariam os imbecis marxistas, é outra coisa.
A mudança individual ocorreu em Jon, Dr. Manhattan, quando conversava com Spectral na superfície de Marte. Sua mente fria e científica consegue entender algo especial, raro: um milagre. A própria mudança individual e a possibilidade de que Jon perceba esse fenômeno, sutil e poético, é um milagre e, como tal, não se faz por decreto. Jon mudou, percebeu partes da humanidade que havia deixado de perceber após o acidente (não há nada que indique que antes ele percebia, mas enfim). A mudança, no entanto, é sutil, lenta, toma seu tempo. Ela aconteceu em Dr. Manhattan, mas não o suficiente para que ele tomasse o lado de Rorschach. Pode vir a ocorrer um dia, quem sabe. Como disse, é individual, lenta.
O violento Rorschach foi o único que entendeu que o que acontecia naquele momento, foi o único que não compactuou. Foi o único que não mudou e se manteve firme, defendendo seu modelo moral. Percebem o que quero dizer? Não é necessário que um indivíduo mude, ou que um grupo mude. De fato, talvez nenhuma mudança seja necessária. É preciso, sim, que as coisas sigam seu fluxo, naturalmente, não de forma imposta. É preciso também que haja uma base moral, ética, fundamentada. Essa foi a base de Rorschach.
Mudanças são lentas, são pequenos milagres. O mundo não os vê. Indivíduos vêem.
do Houaiss:
Acepções
- substantivo feminino
1 ato, processo ou efeito de reprocessar uma substância, quando sua transformação está incompleta ou quando é necessário aprimorar suas propriedades ou melhorar o rendimento da operação como um todo
2 Rubrica: ecologia, indústria.
recuperação da parte reutilizável dos dejetos do sistema de produção ou de consumo, para reintroduzi-los no ciclo de produção de que provêm
Ex.: r. do papel, do vidro, da água2.1 adaptação a uma nova utilização
Ex.: r. de garrafas plásticas3 Derivação: sentido figurado.
reutilização com nova roupagem
Ex.: reciclar velhas histórias, adaptando-as ao momento atual4 Derivação: sentido figurado.
revisão ou modificação de política, método de trabalho etc.
Ex.: r. do ensino5 Derivação: por extensão de sentido. Regionalismo: Brasil.
formação complementar dada a um profissional, para permitir-lhe adaptar-se aos progressos industriais, científicos, pedagógicos etc.
6 Rubrica: ecologia.
reutilização cíclica de um composto ou elemento químico pelos integrantes do ecossistema através da teia alimentar
7 Rubrica: eletricidade.
alteração de ciclagemEtimologia
reciclar + -agem; ver cicl(o)-
Como alguns podem ter percebido, a URL do site/blog mudou. Vou explicar, resumidamente, o motivo:
A-Set começou como necessidade de fazer algo criativo e foi orientado à música, claro, pois aquela sempre foi minha paixão, desde que lembro de minha infância.
O problema, porém, é que a coisa deixou de ser divertida quando comecei a me forçar a criar. Não dá pra forçar e manter a diversão. O hobbie virou uma chatice e deixei de lado. Ficava me forçando a compor, imaginando álbuns completos, conceitos, etc. É ok pensar nisso, mas não ser obrigado a isso, ainda mais por mim mesmo.
Enfim, a coisa tava sem graça, como disse, sem contar que o tempo tá curto. Queria que as coisas voltassem a ser uma brincadeira, como no começo. Acredito que sem a obrigação de fazer algo, auto-imposta, admito, poderei fazer mais coisas. Se não fizer, dane-se.
Agora, por exemplo, estou escrevendo quase que diariamente. O “blog” se tornou uma brincadeira e tem me divertido. Quando deixar de me divertir, se eu me obrigar a escrever, vou diminuir ou parar também. Por hora, tô aqui.
As músicas continuam, A-Set continua, meus rabiscos continuam. Enfim, o que mais eu quiser fazer…
A propósito, o novo endereço escolhido tem vários motivos, mas cada coisa a seu tempo, novidades estão a caminho. Vamos ver como sairão… Outro dos motivos é a facilidade de ditar. Era um inferno passar o endereço do a-set.com por causa do hífen. Esse novo endereço torna tudo mais fácil e repleto de significados.
Os dois endereços ficam válidos e vou mantê-los registrados, mas se quiserem atualizar os bookmarks, sintam-se à vontade.
Por enquanto é isso….
De minha parte, continuarei a habitar minha casa de vidro, de onde se pode ver a todo instante quem vem me visitar, onde tudo o que está pendurado no teto ou nas paredes se sustém como que por encanto, onde repouso à noite, sobre um leito de vidro com lençois de vidro, onde quem sou me aparecerá cedo ou tarde, gravado em diamante.
Sempre, desde que li “Os manifestos do surrealismo”, admirei Breton. Há coisas com as quais não concordo, como sua relação com a política, ou o que diz sobre Dostoievski, para citar alguns exemplos, mas é óbvio que não é necessário concordar com tudo que uma pessoa diz ou faz para admirar sua obra.
Nadja, por vários motivos, é um dos livros que mais gosto. Sempre que retomo esse livro é porque procuro por mudanças. É inconsciente, percebo apenas depois. Percebo agora, quando escrevo.
O fragmento acima é um dos mais belos exemplos de imagem de sua obra. Existem outros, centenas, muitos, mas esse é de Nadja e, por isso, o escolhido.
Se o que somos aparecer gravado em diamante implica dureza, transparência e brilho. Implica que há algo de raro. Implica também eternidade. A essência é eterna e embora única, tem nuances, diferentes faces, como um diamante.
Depois de alguns anos com o site no ar, resolvi mudar algumas coisas. A produção musical não está saindo como deveria/poderia, estou sub aproveitando os instrumentos, deixando de lado um monte de coisas e perdendo um tanto de criatividade. Perdendo, não, desperdiçando.
Além disso, o blog não rendia retorno algum, bem como os textos mais complexos que eu costumava postar, portanto resolvi fazer mudanças, já que eu mesmo estou sempre mudando, de certa forma. A essência, por sua vez, não muda nada: é o que nos faz únicos.
Erros em páginas não encontradas, textos desconexos, links perdidos e qualquer outra anomalia deve ser relevada nos próximos dias. Estou configurando o Wordpress e problemas irão surgir, com certeza.
Sejam pacientes!
O título desse post seria “Auto-explicativo”, mas estaria errado. O contrário, talvez. Sinto que o caminho cada vez mais se aproxima do que sou, mas o restante está parado. Não diria perdido, pois para se perder é preciso querer chegar a algum lugar. Muitas vezes as pessoas sequer querem, por isso não se perdem.
Ao escrever, penso, não estou perdido, não. As horas fogem e eu permaneço, sim, mas não perdido, não no mesmo lugar. As horas fogem e percebo as mudanças. Permaneço, então, buscando meu espaço.
Este post perdeu o sentido, o timing se foi. O mundo é a personagem de “Dispersão”. O mundo permanece, não eu.
Tomei várias decisões.
Quem não entendeu nada do que eu disse, ignore. Ou leia Mário de Sá Carneiro.
Assisti Scarface novamente esta tarde. Havia assistido apenas uma vez, há mais de 20 anos, com certeza. Era garoto e na época o filme era lançamento. As personagens mudam e a porcaria continua a mesma. Me recordo que a molecada da rua, eu inclusive, achava Tony Montana o máximo, um herói. Todos queriam ter dinheiro, poder e armas.
Os ídolos passam (na maioria dos casos) e dão lugar a pessoas que admiramos, algumas próximas, a quem admiramos pelo caráter que aprendemos a reconhecer e outras tantas que sequer iremos conhecer pessoalmente, mas que admiramos por motivos diversos, seja pela capacidade de fazer algo, de criar, de se expor, enfim.
Tenho diversos desses casos para citar, tanto no âmbito pessoal quanto no outro. Passados tantos anos, o que penso de Tony Montana (e de tantos outros como ele que vieram posteriormente) não é nada agradável.
O texto ficou confuso, porco mesmo, eu sei, mas é domingo à noite, estou indo dormir, pensando que amanhã vou acordar, trabalhar como milhões de outros, e corrigir ou torná-lo mais claro é a menor das minhas preocupações.