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	<title>Transtorno&#187; Nadja &raquo; Vertigem, Ruptura e Pensamentos Transgressivos</title>
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	<description>Vertigem, Ruptura e Pensamentos Transgressivos</description>
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		<title>Nadja, sempre Nadja</title>
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		<pubDate>Sat, 15 Aug 2009 04:31:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Pensamentos]]></category>
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		<description><![CDATA[Sexta-feira à noite, em casa. Pensamentos correndo, pessoas saindo para encontrar a noite, ansiedade, momentos curtos. Talvez&#8230; Sim, a magia do talvez. Vozes, movimento, barulho, fumaça, luzes. Nada disso aqui. Não agora! Me encontro só, com meus pensamentos, em companhia de minhas dúvidas, questionamentos e de meus gatos. Deprimente, não? Não, nem um pouco. Não [...]


Links relacionados:<ol><li><a href='http://www.transtorno.net/2008/11/nadja/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Nadja'>Nadja</a></li>
<li><a href='http://www.transtorno.net/2009/07/efemero-eterno-memorias/' rel='bookmark' title='Permanent Link: O efêmero, o eterno e as memórias'>O efêmero, o eterno e as memórias</a></li>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Sexta-feira à noite, em casa.</p>
<p><a href="http://www.transtorno.net/tag/pensamentos/"><a href="http://www.transtorno.net/pensamentos/">Pensamentos</a></a> correndo, pessoas saindo para encontrar a noite, ansiedade, <a href="http://www.transtorno.net/tag/momentos/">momentos</a> curtos. Talvez&#8230; Sim, a <a href="http://www.transtorno.net/tag/magia/">magia</a> do talvez. Vozes, movimento, barulho, fumaça, luzes. Nada disso aqui. Não agora! Me encontro só, com meus <a href="http://www.transtorno.net/tag/pensamentos/"><a href="http://www.transtorno.net/pensamentos/">pensamentos</a></a>, em companhia de minhas <a href="http://www.transtorno.net/tag/duvidas/">dúvidas</a>, questionamentos e de meus gatos. Deprimente, não? Não, nem um pouco. Não se pensarmos que muitos que saem às noites buscam apenas companhia, a que não conseguem encontrar em si mesmos.</p>
<p>Ligo a TV. Desligo. Ligo meu equipamento, e continuo a mexer nas músicas que estão a caminho de vir a público. Me canso, por enquanto. Volto, ligo a TV, procuro um filme, desligo. Volto às músicas. Apago partes que um dia me pareceram boas e hoje parecem apenas barulho. Outras voltam a tomar forma, formar ondas: saws, squares, pulses. Já próximo da meia-noite o barulho incomoda os vizinhos. Ligo o fone, mas os graves provocam dores de cabeça. Preciso de uma pausa, volto à sala, olho a estante e depois de anos pego um livro que me olha: &#8220;História do <a href="http://www.transtorno.net/tag/surrealismo/">Surrealismo</a>&#8221;, de Maurice Nadeau. Abro aleatoriamente, ao acaso, como tanto gostavam.</p>
<p><a href="http://www.transtorno.net/tag/nadja/">Nadja</a>.</p>
<p>O nome, a palavra, a imagem. A primeira coisa que vejo, ali, magn<a href="http://www.transtorno.net/tag/etica/">ética</a>. Sorrio sozinho, sento e começo a ler a página. Está ali, tanto e sempre. Questionamentos, <a href="http://www.transtorno.net/tag/duvidas/">dúvidas</a>, mas a certeza de algo: para mim <a href="http://www.transtorno.net/tag/nadja/">Nadja</a> será sempre um símbolo. A prova de que a <a href="http://www.transtorno.net/tag/magia/">magia</a> existe, prova de que posso me encontrar comigo, em paz ou em guerra, mas sempre haverá o espelho. Está ali.</p>
<p>Querem saber o que dizia? Vos digo. Acredito que não se importarão, que não fará sentido, talvez. Talvez. Certeza e dúvida é o que vejo ali, não direi quando e onde, mas há sentido, sempre.</p>
<blockquote><p>Com <a href="http://www.transtorno.net/tag/nadja/">Nadja</a>, eis a antítese do estilo polêmico de Aragon, a tal ponto que se tomou a <a href="http://www.transtorno.net/tag/obra/">obra</a> de <a href="http://www.transtorno.net/tag/breton/">Breton</a> por um romance, que se lhe atribuiu sucesso enquanto tal. Os fatos relatados parecem, de fato, tão inacreditáveis que se preferiu pensar que foram inventados. Ora, em <a href="http://www.transtorno.net/tag/nadja/">Nadja</a> nada há de imaginado, tudo é perfeita e rigorosamente verdadeiro. <a href="http://www.transtorno.net/tag/nadja/">Nadja</a> existiu, muitos a conheceram, seu destino brilhante e lamentável é exatamente como <a href="http://www.transtorno.net/tag/breton/">Breton</a> o retrata.</p>
<p>Uma mulher que <a href="http://www.transtorno.net/tag/breton/">Breton</a> encontra um dia, por acaso, na rua Lafayete, e que, como muitas mulheres por quem ele se apaixona, o atrai com um par de olhos &#8220;que ele jamais vira&#8221;. Ela se chama &#8220;<a href="http://www.transtorno.net/tag/nadja/">Nadja</a>, porque em russo é o princípio da palavra <a href="http://www.transtorno.net/tag/esperanca/">esperança</a>, e porque não passa do princípio&#8221;. &#8220;Quem é você?&#8221;, pergunta <a href="http://www.transtorno.net/tag/breton/">Breton</a>. &#8220;Eu sou a Alma errante.&#8221; Parece que ela se encontra sempre e naturalmente naquilo que os espíritas chamam de &#8220;estado de vidência&#8221;, numa disponibilidade perfeita e constante. Ela conta histórias e as vive: &#8220;é exatamente dessa maneira que eu vivo&#8221;. Depois dessa primeira entrevista, houve uma sequência, uma cascata de acasos: ela marca encontros, não aparece, mas eles se encontram sempre, <a href="http://www.transtorno.net/tag/breton/">Breton</a> e <a href="http://www.transtorno.net/tag/nadja/">Nadja</a>, em lugares desconhecidos, em horas inconvenientes. Parece que o destino os aproxima um do outro, apesar do que pensem. Suas conversas se desenvolvem numa atmosfera que já não é normal, onde <a href="http://www.transtorno.net/tag/breton/">Breton</a> muitas vezes perde pé. O que ela diz sempre parece provir de uma além onde ela vive naturalmente. Tem visões, alucinações que procura partilhar com seu companheiro; vive em outras épocas, em outros meios, com uma precisão supreendente; emprega expressões, irradia imagens que mantém estreita relação com <a href="http://www.transtorno.net/tag/breton/">Breton</a> (livro que ele acaba de ler, expressões que usou e ela não pode conhecer etc.). Ela parece exercer uma influência inexplicável sobre as pessoas que surpreende em seus gestos habituais. Desenha estranhas composições repletas de significados misteriosos, escrever frases incoerentes que &#8220;lhe causam espanto&#8221;: &#8220;A garra do leão aperta os seios da vinha&#8221;. Escreve Breton:</p>
<p>&#8220;Do primeiro ao último dia, tomei <a href="http://www.transtorno.net/tag/nadja/">Nadja</a> por um gênio livre, algo como um desses espíritos do ar que cetas práticas de <a href="http://www.transtorno.net/tag/magia/">magia</a> permitem momentaneamente que se os prenda, mas que não seria o caso de submerter-se-lhes&#8230;&#8221;</p>
<p>O poeta logo não pode mais segui-la: &#8220;eu talvez não estivesse à altura do que ela me propunha&#8230;&#8221; Ele se afasta pouco a pouco. <a href="http://www.transtorno.net/tag/nadja/">Nadja</a> fica louca. É presa.</p>
<p>É uma história pequena, cheia de um peso imenso. É a entrada na vida de seres que estão além da vida; é a irrupção dos fantasmas que com naturalidade vêm dar as mãos aos vivos. Loucura? É fácil dizer. E o que é a loucura? Em que a loucura muda alguma coisa nos fatos relatados? Em que explica os inúmeros <a href="http://www.transtorno.net/tag/acasos/">acasos</a> e a realização das predições por meio de acontecimentos que não dependem de nenhum dos parceiros? <a href="http://www.transtorno.net/tag/nadja/">Nadja</a> ficou louca a partir do momento em que foi presa? Ou o era antes? Foi <a href="http://www.transtorno.net/tag/breton/">Breton</a> que, como lho censuraram, agravou seu estado? Que importa! Para além das aparências, <a href="http://www.transtorno.net/tag/nadja/">Nadja</a> é um ser que vive doravante em nós, conosco.</p>
<p>- Maurice Nadeau, in História do <a href="http://www.transtorno.net/tag/surrealismo/">Surrealismo</a>
</p></blockquote>
<p>Pessoas saem em <a href="http://www.transtorno.net/tag/busca/">busca</a> de lugares desconhecidos e horas inconvenientes. <a href="http://www.transtorno.net/tag/busca/">Busca</a>, ora, a <a href="http://www.transtorno.net/tag/busca/">busca</a>. O movimento é, em si, parte da <a href="http://www.transtorno.net/tag/poesia/">poesia</a>.</p>

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<li><a href='http://www.transtorno.net/2009/07/efemero-eterno-memorias/' rel='bookmark' title='Permanent Link: O efêmero, o eterno e as memórias'>O efêmero, o eterno e as memórias</a></li>
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		<title>Nadja</title>
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		<pubDate>Fri, 07 Nov 2008 15:46:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>De minha parte, continuarei a habitar minha casa de vidro, de onde se pode ver a todo instante quem vem me visitar, onde tudo o que está pendurado no teto ou nas paredes se sustém como que por encanto, onde repouso à noite, sobre um leito de vidro com lençois de vidro, onde quem sou me aparecerá cedo ou tarde, gravado em diamante.</p></blockquote>
<p>- Andre <a href="http://www.transtorno.net/tag/breton/">Breton</a>, in <a href="http://www.transtorno.net/tag/nadja/">Nadja</a></p>
<p>Sempre, desde que li &#8220;Os manifestos do <a href="http://www.transtorno.net/tag/surrealismo/">surrealismo</a>&#8221;, admirei <a href="http://www.transtorno.net/tag/breton/">Breton</a>. Há coisas com as quais não concordo, como sua relação com a <a href="http://www.transtorno.net/tag/politica/"><a href="http://www.transtorno.net/politica/">política</a></a>, ou o que diz sobre Dostoievski, para citar alguns exemplos, mas é óbvio que não é necessário concordar com tudo que uma pessoa diz ou faz para admirar sua <a href="http://www.transtorno.net/tag/obra/">obra</a>.</p>
<p><a href="http://www.transtorno.net/tag/nadja/">Nadja</a>, por vários motivos, é um dos <a href="http://www.transtorno.net/tag/livros/"><a href="http://www.transtorno.net/livros/">livros</a></a> que mais gosto. Sempre que retomo esse livro é porque procuro por <a href="http://www.transtorno.net/tag/mudancas/">mudanças</a>. É inconsciente, percebo apenas depois. Percebo agora, quando escrevo.</p>
<p>O fragmento acima é um dos mais belos exemplos de imagem de sua <a href="http://www.transtorno.net/tag/obra/">obra</a>. Existem outros, centenas, muitos, mas esse é de <a href="http://www.transtorno.net/tag/nadja/">Nadja</a> e, por isso, o escolhido.</p>
<p>Se o que somos aparecer gravado em diamante implica dureza, transparência e brilho. Implica que há algo de raro. Implica também eternidade. A essência é eterna e embora única, tem nuances, diferentes faces, como um diamante.</p>

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