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	<title>Transtorno &#187; nostalgia &raquo; Vertigem, Ruptura e Pensamentos Transgressivos</title>
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	<description>Vertigem, Ruptura e Pensamentos Transgressivos</description>
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		<title>Recordações</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Sep 2011 05:28:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O texto abaixo foi escrito em 31/08/2010, por causa da morte do Porps. Um ano depois ainda desmonto, ainda peço desculpas e continuo perdendo momentos. Apenas um ano e tanto se foi&#8230; Segue: No final de 2000 um gato persa foi achado na rua, no bairro de Higienópolis. Era um gato enorme, branco, muito peludo, &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O texto abaixo foi escrito em 31/08/2010, por causa da morte do Porps. Um ano depois ainda desmonto, ainda peço desculpas e continuo perdendo <a href="http://www.transtorno.net/tag/momentos/">momentos</a>. Apenas um ano e tanto se foi&#8230; </p>
<p>Segue:</p>
<p>No final de 2000 um gato persa foi achado na rua, no bairro de Higienópolis. Era um gato enorme, branco, muito peludo, assustado e com medo de pessoas, que se escondia ao ver qualquer estranho. Ele tinha razão para isso: antes de ser recolhido, foi agredido por alguém, foi muito machucado e teve dentes quebrados.</p>
<p>O gato foi recolhido por uma senhora e entregue a um pet shop, para que cuidassem dele e encontrassem o dono. O dono não apareceu, como costuma acontecer, e fui convidado a conhecê-lo, para ver se queria ficar com ele. Entrei na casa do veterinário, dono do pet shop, e lá estava ele, enorme, com seus 10 quilos, já recuperado, deitado no sofá: não se escondeu quando me viu, para espanto do doador.</p>
<p>No mesmo dia esse moço passou a habitar outro endereço, o meu. Levou algumas horas para se adaptar ao ambiente, o que é normal para felinos. Se escondia e saia para reconhecer a área quando ninguém estava por perto, ao mesmo tempo que escolhia um nome para ele. Devido à sua gula e tamanho, acabou chamado de Porpetto, o que pareceu agradá-lo, pois em poucos dias já virava de barriga pra cima para ganhar carinhos e “amassava pãozinho” no ar.</p>
<p>Por muitos anos ele foi meu despertador pessoal, já que diariamente, às 6h00 da manhã, pontualmente, se sentava ao lado da minha cabeça e miava no meu ouvido, bem próximo, me chamando para alimentá-lo. Da mesma forma, diariamente, quando me deitava para ler os inúmeros <a href="http://www.transtorno.net/tag/livros/">livros</a> de <a href="http://www.transtorno.net/tag/filosofia/">filosofia</a> da faculdade, ficava ao meu lado ou aos meus pés. Quando apagava a luz, descia da cama e ia para o sofá, onde não seria importunado pelo humano desajeitado que se mexia dormindo. Esse ritual se manteve até algumas semanas atrás, exceto quando ele decidia passar a maior parte da noite na cama, roubando meu travesseiro, me deixando com a cabeça pendurada.</p>
<p>Por muitos anos, quase 11, ele esteve perto, me dando alegrias e também me deixando nervoso ao furar o sofá comprado naquele mesmo dia, arranhando o estojo da guitarra (da mais cara, claro) para afiar as unhas, fazendo xixi fora do lugar. Levou muitas broncas por isso, mas sempre me olhava com cara de “o que você está falando?”, sem levar para o lado pessoal as inúmeras repreendidas que levou. Pelo menos é assim que tenho tentado ver.</p>
<p>Alguns anos se passaram e outro amigo veio dividir o espaço com ele, o Billy Idol. O Billy passou uma semana escondido embaixo do sofá, sem exageros, até acostumar com o ambiente. Não saia nem para comer. No primeiro dia que saiu o Porpetto o pegou e deu vários cascudos, como quem diz “eu mando aqui, entendeu?”. No dia seguinte já eram amigos, dormiam abraçados, ficavam juntos o tempo todo. O porps, já mais velho, adotou o Billy como filho e assim foi até a semana passada.</p>
<p>Não posso e nem cabe contar 11 anos de histórias nesse espaço. Não me recordo de todas, mas de algumas que são chaves para a “conclusão” desse texto. Uso aspas em conclusão, pois nada de fato se conclui, são apenas questionamentos que se fazem necessários, são simbólicos.</p>
<p>Pois bem&#8230; na última semana o Porps, como era chamado carinhosamente, começou a se isolar. Não atendia mais quando chamado, dormia em lugares estranhos, distantes da cama e de mim, não tomava água do pote, apenas do box do banheiro, dormia no chão molhado. Eu já havia visto ele passar por coisa do tipo, já que era alérgico e os últimos dias estão sendo cruéis com a população de SP, inclusive dos que não podem reclamar, como ele. O que não imaginava é que, por trás dessa alergia e desse distanciamento, havia muito mais.</p>
<p>Não vou narrar os últimos dias, mas durante a consulta com o veterinário no último sábado, o Porps teve uma parada cardíaca e não voltou pra casa. Na verdade voltou, mas não era mais ele. Era, sim, um menino leve, longe daqueles 10 quilos, ainda peludo, mas mole em meus braços. Aquele menino que odiava ser carregado e se agitava para voltar ao chão, não reagia mais quando segurado. Só me recordo de pedir “não faz isso, filho”.</p>
<p>O menino, que dividiu o espaço comigo por 11 anos, estava longe de mim e minha tristeza estava tão próxima como raramente poderei descrever. Segurar o Porps daquele jeito disparou um gatilho: só conseguia pensar nas broncas que dei, nas vezes que não estive perto quando ele miava pedindo atenção. Só conseguia me sentir extremamente cruel comigo mesmo, pensando em como só via agora o que havia feito, depois de tantos anos.</p>
<p>Passei a me questionar se ele havia sido feliz aqui. Espero que sim, pois me lembro de muitos <a href="http://www.transtorno.net/tag/momentos/">momentos</a> em que ele se deitava próximo a mim e ronronava, forma felina de dizer “eu te amo”. Isso me deixava feliz, mas de todas as vezes que ele fez, quantas eu percebi? Não sei dizer. Sei dizer que inúmeras foram as broncas pelo xixi fora do lugar, coisa que ele nunca entendeu, pelo olhar que me devolvia.</p>
<p>Isso me remeteu a um outro evento, de janeiro de 1997. Passei uma noite na rua, bebendo, e cheguei em casa já com o dia amanhecendo. Ainda morava com meus pais, era o final dessa época. Dormi um tanto, acordei e fui para o computador. Meu irmão dormia ainda, pois também havia virado a noite. Em certo momento ele acordou, se vestiu e passou por trás de mim. Me lembro de ter virado para trás e visto ele passar. Não disse nada. Foi a última vez que vi meu irmão vivo. No dia seguinte, estava desesperado, indo em delegacias e hospitais, procurando por ele, quando finalmente o encontrei no IML, tratado como indigente.</p>
<p>Dadas as devidas proporções, o que percebi é que aquele não era meu irmão, assim como o gato que esteve em meus braços no sábado não era mais o Porps. Ambos eram símbolos. Símbolos de meus <a href="http://www.transtorno.net/tag/erros/">erros</a>, dos <a href="http://www.transtorno.net/tag/momentos/">momentos</a> que perdi. Senti todo o carinho do mundo quando segurei o Porps, senti todo o carinho do mundo quando velei meu irmão, mas senti também toda a <a href="http://www.transtorno.net/tag/culpa/">culpa</a> do mundo por não poder dizer e fazer por eles tudo o que tive chances de fazer.</p>
<p>Todos aqueles momento existiram e eu os perdi. Tive bons e maus <a href="http://www.transtorno.net/tag/momentos/">momentos</a> com ambos, mas e agora, o que me restou? Restou a <a href="http://www.transtorno.net/tag/culpa/">culpa</a> por saber que não fiz tudo o que era possível e que agora não terei mais chance alguma, que o tempo se foi. O ponto é exatamente esse: o tempo! Tomamos – eu tomo e tenho certeza de que vocês também – quase todo o nosso tempo achando que as coisas estão “garantidas”, mas elas não estão, pelo simples fato de que não são “coisas”. O porps não era “meu” gato. Era um gato, sim, mas não era “meu”. Ele morava comigo, eu o protegia, cuidava, mas não era meu. Ele não estaria ali até eu decidir que estaria, como acontece, por exemplo, com uma bicicleta, que posso falar “cansei, vou vender”. Não! Assim também era meu irmão. Ele não era meu, não estaria ali pra sempre. Aliás, ele é um símbolo enorme para quem conhece os efeitos que sua morte causou em minha família e, principalmente, para todos os que o conheceram. Ele tinha apenas 21 anos. Você ai, seguro de si, está certo de que vai voltar para casa? Tem certeza disso? Já pensou que pode não voltar? Ou que alguém próximo a você pode não voltar?</p>
<p>Não, não estou sendo agourento. Não mesmo. Só quero entender o motivo de percebermos essas coisas apenas quando não as temos. Quero entender esse comodismo humano que deixa tudo para depois, para poder gastar dinheiro em psicólogos, igrejas e outras coisas, tratando a <a href="http://www.transtorno.net/tag/culpa/">culpa</a>. Quero entender o motivo de eu não ter feito coisas que poderia e hoje ficar pensando “e se?”. Sei que “e se?” não vai resolver nada, mas preciso pensar, preciso tentar entender, para que da próxima vez eu não faça a mesma coisa.</p>
<p>Sim, da próxima vez, sim! Ou vocês pensam que acham que não vai acontecer de novo? Tenho o Billy, tenho meus pais, irmão, sobrinho, amigos! Não quero me culpar por ter dado mais tempo a banalidades do que a eles, a vocês. Não quero! E não posso esquecer também que posso ser aquele que não vai voltar para casa. Nesse caso não entraria a minha <a href="http://www.transtorno.net/tag/culpa/">culpa</a>, mas o quanto há para ser feito antes desse momento? Posso fazer minha parte para que um dia as pessoas próximas a mim não pensem “e se?”. Talvez, mas não sei como. Não ainda. Nesse momento, só sinto tristeza. E não é pouca.</p>
<p>Quando meu irmão morreu, meus pais se mudaram para o interior de SP e ele nunca conheceu a casa que ajudou a construir. Sempre evitei visitá-los, os mais próximos sabem: meus pais moram lá desde 1998 e eu posso contar as vezes que fui até lá. Motivo? Lembranças! Vejo fotos, objetos, me recordo de minha infância, de <a href="http://www.transtorno.net/tag/momentos/">momentos</a> ruins, bons&#8230; me recordo de coisas que gostaria de apagar, todas elas. Hoje olho à minha volta em meu apto e vejo os lugares onde o Porps dormia vazios, a comida no pote, a água&#8230; E não posso fugir de nada, não posso largar minha casa. Entendam: falo de símbolos.</p>
<p>Sabem o que é curioso? Só comecei a tomar gosto por ir ao interior visitar meus pais quando meu sobrinho nasceu. Meus pensamentos se desviam dessas coisas, pois estou focado nele, no meu irmão que está vivo, na forma boa e bonita como ele vive seu casamento, como se amam, nos meus pais&#8230; Penso que é a vida trazida de volta à família que tanto sofreu. Não quero que um dia meu sobrinho pense que não dei atenção a ele, não quero que se distancie.  Não quero que minhas inúmeras mágoas e minha história afetem a dele. Aliás, não quero que isso afete ninguém à minha volta. Por isso escrevo esse texto: é um pedido de desculpas. É minha forma de dizer que sei que erro, que sei que errei, que ainda vou errar, mas que quero que vocês saibam que estando próximo ou mesmo distante penso em vocês e não quero que brigas idiotas e <a href="http://www.transtorno.net/tag/momentos/">momentos</a> de ausência apaguem as histórias que valem ser lembradas e contadas aos meus filhos. Sim, filhos.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Perguntas simples</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Sep 2011 04:39:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Acumulamos histórias e deitamos sós, prolongando as noites com o sabor das dúvidas. Quando sonhamos juntos, as horas passam e sequer as vemos, não temos tempo de perceber o relógio, não estamos interessados em mais nada. As horas ficam longas quando a única coisa que as preenche é o gosto amargo da saudade e mesmo &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acumulamos histórias e deitamos sós, prolongando as noites com o sabor das <a href="http://www.transtorno.net/tag/duvidas/">dúvidas</a>. Quando sonhamos juntos, as horas passam e sequer as vemos, não temos tempo de perceber o relógio, não estamos interessados em mais nada. As horas ficam longas quando a única coisa que as preenche é o gosto amargo da saudade e mesmo as boas memórias são amargas nas noites insones.</p>
<p>Acumulamos sonhos para dividir, mas tememos revivê-los. Acumulamos aventuras, <a href="http://www.transtorno.net/tag/contos/">contos</a>, experiências, sabores, visões, cheiros, texturas e acumulamos medo. Acumulamos histórias que pedem para serem recriadas e melhoradas, mas junto com elas trazemos finais sofridos que não queremos experimentar novamente.</p>
<p>Guardamos sempre o medo. Entrega? Sim, amo a entrega, o <a href="http://www.transtorno.net/tag/abismo/">abismo</a>, a <a href="http://www.transtorno.net/tag/vertigem/">vertigem</a> da queda. Me entreguei tanto e esperei o mesmo em troca. Quando tive, não pude me entregar, quando estava entregue, não sentia mãos se estendendo para junto das minhas. O &#8220;timing&#8221; desdenha dos sonhos humanos.</p>
<p>As coisas deveriam ser fáceis: <a href="http://www.transtorno.net/tag/acasos/">acasos</a> montam as situações, constroem sonhos, pintam quadros, traçam linhas, mas nós, humanos, é que contamos as histórias dessas obras, temendo o final, fugindo de dores e causando outras tantas. Ingenuidade acreditar que não sentiremos <a href="http://www.transtorno.net/tag/dor/">dor</a> pulando capítulos: é ai que ela reside. </p>
<p>Um site aberto por acidente, <a href="http://www.transtorno.net/tag/poesias/">poesias</a> perdidas na rua, um cão encontrado na vizinhança&#8230;  Posso escrever um livro de capítulos arrancados de <a href="http://www.transtorno.net/tag/livros/">livros</a> com inícios maravilhosos. Posso escrever outros tantos capítulos com bons <a href="http://www.transtorno.net/tag/momentos/">momentos</a> que hoje me trazem a <a href="http://www.transtorno.net/tag/dor/">dor</a> da <a href="http://www.transtorno.net/tag/nostalgia/">nostalgia</a>, com outros ruins que preferia ver apagados e com outros ainda, os monumentos de meus <a href="http://www.transtorno.net/tag/erros/">erros</a>, poderia escrever como não vi a paisagem que perdia enquanto passava e também como vi <a href="http://www.transtorno.net/tag/paisagens/">paisagens</a> maravilhosas e indescritíveis em estradas que não permitem volta. </p>
<p>Poderia contar em apenas algumas linhas as maiores dores que sinto, mas tudo se torna simples quando breve: &#8220;<a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a> existe?&#8221;, &#8220;há felicidade&#8221;, &#8220;o que a vida me guarda?&#8221;. Sem a profundidade do infinito e das incertezas, sem as distorções do olho que vê através do cristal, todas as perguntas são simples. As respostas são complexas quando não sabemos perguntar.</p>
<p>O problema é que geralmente não queremos respostas e fazemos as perguntas erradas. Queremos a experiência da vida, as descobertas, sorrisos, boas histórias, sonhos realizados, mas ignoramos que tudo o que aprendemos é valorizado pelo contraste e o contraste vem dos <a href="http://www.transtorno.net/tag/erros/">erros</a>, das dores, dos acidentes, das péssimas histórias. O contraste é um olho que procura vida através da distorção da água em uma sala de espelhos. </p>
<p>Quando perdemos algo, sempre aparece alguém para falar um simples &#8220;vai passar&#8221;, que parece ser a resposta certa para a pergunta que nunca é feita: o que vai passar? Se vai passar, qual foi o sentido? Sonhamos com &#8220;a&#8221; pessoa, &#8220;aquela&#8221; que viverá toda a intensidade do mundo conosco. Vivemos a intensidade, o relacionamento acaba, a <a href="http://www.transtorno.net/tag/dor/">dor</a> chega, mas &#8220;vai passar&#8221;. Repito: o que vai passar? O que é que vale a pena guardar, então? As histórias? A &#8220;sombra&#8221; para contrastar com a próxima experiência? Guardamos o que é bom e ainda assim deixamos passar?</p>
<p>Sonhar lindos sonhos fazendo planos enquanto a razão grita &#8220;parem com isso&#8221;, o inferno dos desencontros, da vida pregando peças e fazendo com que se perceba o quanto somos pequenos pra saber que mesmo o céu cobrindo igualmente a todos, não podemos abrir mão da proximidade de sorrisos, de <a href="http://www.transtorno.net/tag/segredos/">segredos</a> e confidências, de brincadeiras, de olhares e de gestos, todos únicos em seus significados. Não podemos abrir mão da realidade diária, que pode ou não permitir a verdade desses <a href="http://www.transtorno.net/tag/momentos/">momentos</a>. Não podemos ignorar a <a href="http://www.transtorno.net/tag/crueldade/">crueldade</a> da vida que caleja o coração, fazendo com que os medos se fortaleçam para quebrar essa casca.</p>
<p>Alteramos dia após dia a medida de nossos <a href="http://www.transtorno.net/tag/erros/">erros</a>, de nossa capacidade de lutar, de confrontar, de viver. Me pergunto: chegaremos, então, a uma experiência única e superior ou apenas perceberemos, um dia, que nossa capacidade de enfrentamento se cansou, desistiu e implora por algum tipo de alívio, seja ele uma viagem para um lugar desconhecido, um encontro com alguém cuja química renda alguns minutos de paixão, ou simplesmente alguma droga, legal ou ilegal, que faça a mente acalmar e desistir de tantos questionamentos?</p>
<p>Agora, nesse momento, eu dificilmente me reconheço. Penso no que fui e no que sou hoje e só me encontro na <a href="http://www.transtorno.net/tag/insonia/">insônia</a> da <a href="http://www.transtorno.net/tag/busca/">busca</a> de respostas que jamais virão. Penso no agora e temo que dentro de dez anos não irei me reconhecer senão por essa <a href="http://www.transtorno.net/tag/busca/">busca</a>, pela <a href="http://www.transtorno.net/tag/insonia/">insônia</a> e por meus <a href="http://www.transtorno.net/tag/erros/">erros</a>. Irei me reconhecer deitado sozinho, saindo da cama para escrever, como tantas outras vezes.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Alguns elementos de fetiche</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Mar 2009 02:49:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
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		<category><![CDATA[arte]]></category>
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		<category><![CDATA[fetiche]]></category>
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		<description><![CDATA[O desdobramento dos signos tem essa consequência: o erotismo, que é fusão, que desloca o interesse no sentido de uma separação do ser pessoal e de todo limite, é no entanto expresso por um objeto. - Bataille, in O Erotismo Cresci vendo minha mãe costurar, fazendo roupas tanto para nós de casa quanto para suas &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>O desdobramento dos signos tem essa consequência: o erotismo, que é fusão, que desloca o interesse no sentido de uma separação do ser pessoal e de todo limite, é no entanto expresso por um objeto.<br />
<em>- <a href="http://www.transtorno.net/tag/bataille/">Bataille</a>, in O Erotismo</em></p></blockquote>
<p>Cresci vendo minha mãe costurar, fazendo roupas tanto para nós de casa quanto para suas clientes. Uma decorrência disso é que também cresci com revistas de moda por perto, muitas eram importadas, e, vale lembrar, eram os anos 70.</p>
<p>Essas revistas, quando velhas, depois de usadas para que as clientes escolhessem modelos ou para que minha mãe tivesse idéias, se transformavam em meus trabalhos de escola, as famosas colagens, além de serem uma forma de ver o mundo além dos portões e da rua onde morava. Era curioso, pois tinha mais contato com elas do que com <a href="http://www.transtorno.net/tag/quadrinhos/">quadrinhos</a>, por exemplo, imaginava conversas entre as pessoas e, como não sabia ler, imaginava o que os anúncios diziam. </p>
<p>Há alguns meses, andando pelo MoMA, encontrei uma sala com um painel enorme que disparou, imediatamente, um gatilho na minha memória e retomei muita coisa da infância. Tirei algumas fotos e depois fiquei pensando o motivo de ter sido atraído. A única explicação que consigo encontrar é que tenha sido <a href="http://www.transtorno.net/tag/fetiche/">fetiche</a>, esquema freudiano mesmo. As imagens nas paredes eram do mesmo tipo de revistas que eu via, exatamente os mesmos, mas algumas ganharam destaque por sobre a montagem das páginas, como se tivessem vida própria. Acredito, de fato, que tinham e ainda tenham. São fetiches, ou seja, gatilhos, que falam ao inconsciente, sem as barreiras da razão. Quase atavismos, talvez.</p>
<p>Ao lado do grande painel na parede havia uma caixa de vidro com alguns daqueles elementos em três dimensões, palpáveis, praticamente vivos. Sim, nunca gatilhos foram tão ativos. Reproduzo abaixo duas fotos que tirei, só para dar uma idéia do que fato. Os turistas ainda não tomaram o lugar dos viajantes.</p>
<p><center><img src="http://www.transtorno.net/images/moma-fetish-1.jpg" /></p>
<p><img src="http://www.transtorno.net/images/moma-fetish-2.jpg" /></center></p>
<p>O problema é que fui muito espertão e não fotografei a ficha da <a href="http://www.transtorno.net/tag/obra/">obra</a>. Pensei &#8220;pego depois, em detalhes, no site do museu&#8221;. Acontece que o site do museu é enorme, tem milhares de obras, algumas sem fotos, e até hoje não achei. Se alguém souber do que se trata e puder me dizer, agradeço imensamente.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Domingo</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Oct 2007 02:53:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
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		<category><![CDATA[diversão]]></category>
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		<description><![CDATA[Chegar em casa, abrir as portas, encontrar apenas caos, poeira e silêncio, sendo este rompido apenas pelo miado de quem espera por seu alimento. Fartos, resta o ruído das lambidas de quem se limpa após a refeição. Cena diária, rotineira, agradável, sim (em parte, afinal, abomina-se a poeira da reforma), mas tão diária e tão &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Chegar em casa, abrir as portas, encontrar apenas caos, poeira e silêncio, sendo este rompido apenas pelo miado de quem espera por seu alimento. Fartos, resta o ruído das lambidas de quem se limpa após a refeição.</p>
<p>Cena diária, rotineira, agradável, sim (em parte, afinal, abomina-se a poeira da reforma), mas tão diária e tão rotineira que passa a ser <a href="http://www.transtorno.net/tag/mal/">mal</a>éfica. Qualquer rotina extrema é <a href="http://www.transtorno.net/tag/mal/">mal</a>éfica. Disciplina extrema é <a href="http://www.transtorno.net/tag/mal/">mal</a>éfica. Inclusive a minha.</p>
<p>Respirar a fumaça de SP, falar algumas bobagens, perceber que independente da ocasião alguns assuntos são tão sérios que causam <a href="http://www.transtorno.net/tag/dor/">dor</a> no estômago, rir um pouco.</p>
<p>Ir a um lugar desconhecido à 01h00. Sair quando se estaria voltando. Nervoso, tímido e ansioso. Falar mais, rir outro tanto, apreciar a companhia. Voltar para casa sem reclamar uma vez sequer e esperar pela próxima.</p>
<p>Domingo à noite.<br />
Cheiro da chuva.<br />
Um bom final de semana.<br />
Obrigado!</p>]]></content:encoded>
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