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	<title>Transtorno &#187; pessimismo &raquo; Vertigem, Ruptura e Pensamentos Transgressivos</title>
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	<description>Vertigem, Ruptura e Pensamentos Transgressivos</description>
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		<title>Parte II: Qual o fundamento da moral em Schopenhauer e em que sua ética difere da de Kant?</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Oct 2003 01:46:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Written]]></category>
		<category><![CDATA[ética]]></category>
		<category><![CDATA[Kant]]></category>
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		<description><![CDATA[Para Schopenhauer, o mundo, enquanto manifestação da Vontade, não tem sentido, pois é puro querer viver, puro ímpeto, pura ação. Para lhe dar um sentido moral é necessário buscar um sentido onde ele não existe: na arte e na compaixão, esta que, para o filósofo, &#8220;sozinha é a base de toda justiça livre e de &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Para <a href="http://www.transtorno.net/tag/schopenhauer/">Schopenhauer</a>, o mundo, enquanto manifestação da <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">Vontade</a>, não tem sentido, pois é puro querer viver, puro ímpeto, pura ação. Para lhe dar um sentido <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a> é necessário buscar um sentido onde ele não existe: na <a href="http://www.transtorno.net/tag/arte/">arte</a> e na compaixão, esta que, para o filósofo, &#8220;sozinha é a base de toda justiça livre e de toda caridade genuína&#8221; (<a href="http://www.transtorno.net/tag/schopenhauer/">SCHOPENHAUER</a>, 2, p. 136). Para ele, somente a compaixão é desinteressada, livre do <a href="http://www.transtorno.net/tag/egoismo/">egoísmo</a> da <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a>, do &#8220;ímpeto para a existência e o bem-estar&#8221; (id., ibid., p.120).</p>
<p>A <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a> dada a priori em <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a>, pelo imperativo categórico, ou seja, uma lei que seguimos e ao mesmo tempo somos autores, é baseada no dever, cuja efetivação relaciona-se à idéia do Soberano Bem. O problema, porém, é que uma <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a> baseada no dever não é desinteressada, pois há por trás dela uma promessa de punição ou recompensa, que a torna hipot<a href="http://www.transtorno.net/tag/etica/">ética</a> e, por isso, não poderia ser fundamentada dessa forma: se o imperativo categórico não funciona sempre, não pode ser absoluto e incondicional. A felicidade não é, para <a href="http://www.transtorno.net/tag/schopenhauer/">Schopenhauer</a>, conseqüência da virtude, e o filósofo afirma ainda que uma ética sem pressupostos metafísicos não pode estar fundamentada sobre o &#8220;tu deves&#8221;. <a href="http://www.transtorno.net/tag/schopenhauer/">Schopenhauer</a> critica <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a> por afirmar que &#8220;uma ação só tem valor <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a> genuíno quando acontece simplesmente por dever, sem qualquer tendência relacionada com ela&#8221; (id., ibid., p. 40). Podemos tirar daí, como faz <a href="http://www.transtorno.net/tag/schopenhauer/">Schopenhauer</a>, que a <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a> kantiana é fria, enfadonha, onde se ajuda o próximo por obrigação e nada mais, indiferente a seu sofrimento.</p>
<p>A afirmação de <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a>, citada por <a href="http://www.transtorno.net/tag/schopenhauer/">Schopenhauer</a>, de que &#8220;numa <a href="http://www.transtorno.net/tag/filosofia/">filosofia</a> prática não se trata de dar fundamentos daquilo que acontece, mas leis daquilo que deve acontecer, mesmo que nunca aconteça&#8221; e de que &#8220;existem leis morais puras&#8221; (id., ibid., p. 23) tem origem na idéia de dever <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a> teológica. Para <a href="http://www.transtorno.net/tag/schopenhauer/">Schopenhauer</a>, as leis morais não podem ser admitidas sem prova: &#8220;para que se possa admitir numa ética científica leis para a <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a>, tem-se de exercer na ética a probidade e não somente em recomendá-la&#8221; (id., ibid., p. 24 e 25). Uma ética a priori, como quer <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a>, é formal e, portanto, só nisso consiste, não no conteúdo das ações. Não sendo, então, demonstrável empiricamente, toda estrutura construída sobre ela também não será. Com isso temos que em <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a> a <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a> é prescritiva, enquanto que em <a href="http://www.transtorno.net/tag/schopenhauer/">Schopenhauer</a> é descritiva, baseada em fatos, empírica.</p>
<p>Para <a href="http://www.transtorno.net/tag/schopenhauer/">Schopenhauer</a>, a <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a> deve ser baseada no &#8220;que é, no que acontece realmente&#8221; (id., ibid., p. 23) e não se dá, como em <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a>, a priori. Pelo contrário: só podemos conhecer nossas respostas perante os acontecimentos. A <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a> está na intenção, quer dizer, nos atos, que se toma sem interesse próprio, egoísta, ou seja, sem a preocupação com o resultado ou com o retorno que ele trará. A compaixão é resultado da experiência, do indivíduo que se reconhece nos outros, quebrando a ilusão do princípio de individuação, e, por isso, refere-se a algo que já se deu, não programado pela razão. Exceto pela compaixão, todas as ações humanas são baseadas no <a href="http://www.transtorno.net/tag/egoismo/">egoísmo</a>, próprio do querer viver, da <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a>. Não podemos saber como reagiremos a determinada situação antes que ela se apresente. A <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a>, baseada em fatos e não em especulação é simples e pode falar até mesmo para o homem mais rude.</p>
<p>Ao dar importância primária à <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a>, <a href="http://www.transtorno.net/tag/schopenhauer/">Schopenhauer</a> afirma que nela deve ser buscado o sentido <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a> do mundo, enquanto que na ética proposta por <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a> temos &#8220;sempre, por detrás, o pensamento de que o ser íntimo e eterno do homem consistiria na razão&#8221; (id., ibid., p.38). Se o homem tivesse essas leis à priori, como quer <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a>, deveríamos supor que ele terá de se conformar com elas e segui-las, pois, caso contrário nada valem. Para <a href="http://www.transtorno.net/tag/schopenhauer/">Schopenhauer</a>, a &#8220;motivação <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a> tem de ser simplesmente algo que se anuncie por si mesmo, por isso tem de ser positivamente agente e, portanto, real; e como para o homem só o empírico ou o que porventura é empiricamente existente tem realidade pressuposta, a motivação <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a> tem de ser, de fato, empírica&#8221; (id., ibid., p.51).</p>
<p>Em <a href="http://www.transtorno.net/tag/schopenhauer/">Schopenhauer</a> temos que o comportamento racional não trás, de forma alguma, retidão e caridade, mas, pelo contrário, podemos sim agir racionalmente de forma <a href="http://www.transtorno.net/tag/mal/">mal</a>évola e egoísta: &#8220;racional e vicioso podem unir-se bastante bem, e é só pela sua união que se tornam possíveis os crimes maiores e de ampla repercussão&#8221; (id., ibid., p. 61). Uma ética do dever pode me levar a fazer caridade, não pelo dever, mas para experimentar, enquanto o <a href="http://www.transtorno.net/tag/egoismo/">egoísmo</a>, por sua vez, se veste de cordialidade para usarmos pessoas como meios para nossos fins. Isso não quer dizer que somos éticos, mas o contrário. Não podemos esperar que o querer por dever do imperativo categórico se livre de interesse: &#8220;peço que se reflita sobre o que isso quer dizer: de fato, nada menos que uma <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a> sem motivo, portanto um efeito sem causa&#8221; (id., ibid., p.81).</p>
<p>Ao fazer uma análise do que seria a consciência, <a href="http://www.transtorno.net/tag/schopenhauer/">Schopenhauer</a> nos diz que o imperativo categórico kantiano é algo similar àquela, mas que este age antes, enquanto que aquela fala depois. O fato, porém, é que todos os homens têm, às vezes, pensamentos mesquinhos e maldosos sem que sejam responsáveis por eles, pois eles dizem respeito a atitudes que qualquer ser humano poderia tomar, não necessariamente aquele que os teve. Em muitos casos eles sequer podem se tornar realidade. Só nas ações o indivíduo aprende a se conhecer, pois essas são conhecidas e não pensadas. Nossa responsabilidade <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a> reside, segundo <a href="http://www.transtorno.net/tag/schopenhauer/">Schopenhauer</a>, no que fizermos e o que poderíamos ter feito de outra maneira: se podemos reconhecer nossas ações, reconhecermos nossas obras, somos responsáveis por elas, pois trazem nossa marca.</p>
<p>A questão, nesse ponto, é que a responsabilidade sobre nossos atos pressupõe possibilidade que, por sua vez, pressupõe <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a>. O indivíduo tem essência, seu caráter inteligível que é inacessível e só pode ser conhecido pela experiência, por seu caráter empírico. Este é, então, determinado e só realizará as ações que estiverem contidas em seu caráter inteligível. Dessa forma nossa <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> não está em nossas ações, mas em nossa essência, aquilo que nos determina, que é assim mas poderia ser outro: a responsabilidade está no que se é, não no que se faz: &#8220;a ética é, na verdade, a mais fácil de todas as ciências, já que não há nada mais a esperar a não ser que todos tenham a obrigação de se construir a si mesmos, derivando do princípio máximo que se enraíza no seu coração a regra para cada passo que surja, pois poucos têm o lazer e a paciência para aprender uma ética construída e já pronta&#8221; (id., ibid., p.164).</p>
<p><a href="http://www.transtorno.net/tag/schopenhauer/">Schopenhauer</a> chama nossa atenção para o fato de que, quando uma pessoa toma uma atitude desinteressada, compassiva, em relação a outrem, causa espanto e comoção, devido à raridade com que isso acontece, por não ser próprio do <a href="http://www.transtorno.net/tag/egoismo/">egoísmo</a> com que estamos acostumados. O espanto é causado pois nós, para nós mesmos, somos imediatos, enquanto que os outros se dão para nós apenas mediatamente. A questão que deve ser resolvida é se há ações de justiça espontânea e caridade desinteressada e tal questão, embora empírica, não deve ser resolvida somente na experiência, pois nela vemos a ação, não os impulsos: qualquer interesse tira a moralidade da ação. Para ele, a própria justiça, como virtude genuína, tem origem na compaixão e exemplifica ao afirmar que &#8220;quando alguém sente prazer em conservar uma coisa de valor que foi achada, nada o conduzirá (se excluirmos todos os motivos religiosos e de prudência) mais facilmente de volta ao caminho da justiça do que a representação, da aflição e dos lamentos daquele que perdeu&#8221; (id., ibid., p. 146).</p>
<p>A moralidade de uma ação está, para <a href="http://www.transtorno.net/tag/schopenhauer/">Schopenhauer</a>, em sua relação com os outros, podendo ser justa e caridosa ou mesmo o contrário. Ações morais caridosas são as que deixam o indivíduo com uma sensação de contentamento consigo mesmo, que visam apenas o bem estar de outra pessoa, enquanto que seu contrário é causado por uma alegria maligna, um prazer em causar danos ao outro. Se visamos o bem estar do outro, ele se torna o fim último de nossa <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a> e passamos a querer seu bem imediatamente, como se fossemos nós próprios, havendo então identificação através de sua representação em nossa cabeça, na medida em que nossa ação anuncia a diferença como suprimida: &#8220;esta participação direta e mesmo instintiva no sofrer alheio é a única fonte de tais ações (&#8230;), se forem puras de todos os motivos egoístas e, por isso mesmo, se despertarem em nós aquele contentamento íntimo que chamamos de consciência boa, pacificadora e aprovadora&#8221; (id., ibid., p. 160). Com isso temos, então, participação imediata no sofrimento do outro, vemos o não-eu tornar-se eu: &#8220;isso pressupõe, porém, que eu tenha me identificado com o outro numa certa medida e, conseqüentemente, que a barreira entre o eu e o não-eu tenha sido, por um momento, suprimida&#8221; (id., ibid., p. 163).</p>
<p>A <a href="http://www.transtorno.net/tag/dor/">dor</a> do outro provoca em nós esse sentimento, &#8220;a infelicidade é condição da compaixão&#8221; (id., ibid., p.173), enquanto que a felicidade nos deixa indiferentes, não despertando em nós esse sentimento de identificação. Em alguns casos pode mesmo ocorrer o contrário, <a href="http://www.transtorno.net/tag/despertar/">despertar</a> inveja. Até mesmo nosso sofrer estimula nossa atividade, ao passo que nosso contentamento nos deixa inativos. A compaixão, então, age positivamente, levando a uma ajuda ativa: &#8220;quem está cheio dela não causará, seguramente, dano a ninguém, não prejudicará ninguém, mas, antes, sendo indulgente com todos, a todos perdoará e a todos ajudará quando puder, e todas as duas ações terão a marca da justiça e da caridade&#8221; (id., ibid., p.171).</p>
<p>Com isso, <a href="http://www.transtorno.net/tag/schopenhauer/">Schopenhauer</a> pergunta &#8220;se a compaixão é a motivação fundamental de toda justiça e caridade genuínas, quer dizer, desinteressadas, por que uma pessoa e não outra é por ela movida?&#8221; (id., ibid., p.190). A resposta, encontrada pelo filósofo na <a href="http://www.transtorno.net/tag/filosofia/">filosofia</a> kantiana, está na diferença de caráter, explicada pela diferença citada anteriormente entre caráter empírico e caráter inteligível: &#8220;os motivos caritativos (&#8230;) não podem nada em relação àquele que só é sensível aos motivos egoístas&#8221; (id., ibid., p.197). Para estes a saída seria apenas por uma &#8220;miragem&#8221;, desviando sua <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a>, mas não proporcionando alguma melhora. Para isso seria necessário trabalhar com a razão, tentando oferecer algum <a href="http://www.transtorno.net/tag/esclarecimento/">esclarecimento</a>, oferecendo &#8220;uma compensação mais correta daquilo que se apresenta objetivamente&#8221;. <a href="http://www.transtorno.net/tag/schopenhauer/">Schopenhauer</a> explica que nisto se baseia o sistema penitenciário americano, que não pretende corrigir a essência do indivíduo, mas sua razão, mostrando a ele alternativas: &#8220;por meio dos motivos pode-se forçar a legalidade, não a moralidade&#8221; (id., ibid., p.198). Já que não podem mudar a <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a> alheia, oferecem caminhos alternativos que possam ser seguidos até ela.</p>
<p>Para concluir, creio que uma última citação de <a href="http://www.transtorno.net/tag/schopenhauer/">Schopenhauer</a> dirá algo sobre a compaixão, identificável na prática mas aparentemente tão difícil de expor à razão: &#8220;toda boa ação totalmente pura, toda ajuda verdadeiramente desinteressada, que, como tal, tem por motivo a <a href="http://www.transtorno.net/tag/necessidade/">necessidade</a> de outrem, é, quando pesquisada até o último fundamento, uma ação misteriosa, uma mística prática, contanto que surja por fim do mesmo <a href="http://www.transtorno.net/tag/conhecimento/">conhecimento</a> que constitui a essência de toda mística propriamente dita e não possa ser explicável com verdade de nenhuma outra maneira&#8221; (id., ibid., p.221).</p>
<p><strong>Referências bibliográficas:</strong><br />
1. <a href="http://www.transtorno.net/tag/schopenhauer/">Schopenhauer</a>, A, <em>O mundo como <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a> e representação</em>, São Paulo, Contraponto, 2001<br />
2. ___________, <em>Sobre o fundamento da <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a></em>, São Paulo, Martins Fontes, 2001<br />
Brum, J.T., <em>O <a href="http://www.transtorno.net/tag/pessimismo/">pessimismo</a> e suas vontades</em>, Rio de Janeiro, Rocco, 1998<br />
Cacciola, M. L., <em><a href="http://www.transtorno.net/tag/schopenhauer/">Schopenhauer</a> e a questão do dogmatismo</em>, São Paulo, Edusp, 1994<br />
____________, <em>O conceito de interesse</em>, Cadernos de <a href="http://www.transtorno.net/tag/filosofia/">Filosofia</a> Alemã, São Paulo, 1999</p>]]></content:encoded>
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