Este texto foi escrito há muitos anos para integrar um trabalho do Grupo Surrealista de São Paulo, que seria entregre ao grupo da Espanha. Na verdade não sei como isso ficou e nem se foi enviado, mas um dos meus trabalhos (eram vários) foi esse. Os demais (desenhos e colagens) não ficaram comigo e não tenho cópias, uma pena.
Segue:
Partem juntas e caminham juntas. Mesmos caminhos e situações se repetem, cabendo ao objetivo ver e re-criar as portas, transgredindo a cada vez. Premissas são o ser e seu duplo, sem que um saiba quem é o outro, sem que saiba quem é o ser, sendo um.
Não há paz duradoura. Não quero paz duradoura! O anel deve-se romper, criando outro e outro: uma espiral. Qual movimento é mais belo entre o abrir e o fechar de uma rosa? Na idéia de subversão da lógica, de inversão, está a violência e no fechar está a beleza. No todo está a ruptura. O despedaçar de uma faísca amendoada num reator termo-corporal é tão velo quanto o despedaçar do corpo por uma faísca amendoada.
Esta espiral pode ser esticada, traçando um caminho. Resta a cada ser localizar o ângulo de posicionamento da reta obtida: a mediocridade da horizontalização ou a verticalização (retorno progressivo). Novamente as pontas dessa reta tocar-se-ão, traçando um anel que, rompido, dará origem à nova espiral.
Premissas são o desejo, partida única.
10/1992
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Comentários rápidos, 16 anos depois:
- abusei!
- ainda vejo o mesmo simbolismo em muita coisa. Sei o que “faísca amendoada” significa, por exemplo;
- escrevia melhor antes;
- entendia mais de dialética lendo Hegel por brincadeira do que lendo a sério, pra faculdade;
- por fim, me orgulho de ter rabiscado isso aos 19 anos.