Confissões, pt. II

Continuando a série: odeio fazer qualquer coisa por obrigação. Qualquer coisa. E esse é o motivo de eu não saber se vou continuar escrevendo essas confissões. Depois que fiz a primeira, numerada, e disse que faria mais, fiquei pensando naqueles números: parte I, II, III, IV…. Poderiam até ser dias, um após o outro, horas, …

Amanhecer no Inferno

Sem lágrimas, o senhor dos campos prepara seu desjejum entre dilúvios infindáveis. O dia surgia aguado, observando ainda sutil por entre os seios da terra, no momento em que os cristais d’água se transformavam. Ora, os discrepantes reinos, eletrificados no fastio dos pólos, reagente às mortais aberrações que gritam na natureza madre, não são também …

Paisagem a quatro mãos

No poente dia tomo as rédeas das núvens que distraem um cálice de vinho barato, um turbilhão de sentimentos caros, olhos entreabertos querendo ver na escuridão cores amanhecidas sobre uma folha de papel… Pássaros deslizam em asas e rastejamos inebriados pelo âmbar. Natureza de cobras, desejava mais que isso, lamentando o perfume que sufocava sua …

Palavras, sentidos, momentos…

Palavras, quietas, misteriosas, explosivas, vazias de sentido se tomadas individualmente, solitárias. Lá estão todas, apenas palavras, carecendo sentido, lógica… carecem de corações que as organizem. Em silêncio pensamentos se cruzam, falam um ao outro de seus momentos, confissões talvez, dividem segundos, dividem letras, escrevem… Tenho cá comigo várias delas, vivas em minha memória, organizadas, cheias …