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	<title>Transtorno&#187; Schopenhauer &raquo; Vertigem, Ruptura e Pensamentos Transgressivos</title>
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	<description>Vertigem, Ruptura e Pensamentos Transgressivos</description>
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		<title>Parte II: Qual o fundamento da moral em Schopenhauer e em que sua ética difere da de Kant?</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Oct 2003 01:46:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
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		<category><![CDATA[ética]]></category>
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<li><a href='http://www.transtorno.net/2008/11/a-possibilidade-da-metafisica-em-kant/' rel='bookmark' title='Permanent Link: A possibilidade da metafísica em Kant'>A possibilidade da metafísica em Kant</a></li>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Para <a href="http://www.transtorno.net/tag/schopenhauer/">Schopenhauer</a>, o mundo, enquanto manifestação da <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">Vontade</a>, não tem sentido, pois é puro querer viver, puro ímpeto, pura ação. Para lhe dar um sentido <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a> é necessário buscar um sentido onde ele não existe: na <a href="http://www.transtorno.net/tag/arte/">arte</a> e na compaixão, esta que, para o filósofo, &#8220;sozinha é a base de toda justiça livre e de toda caridade genuína&#8221; (<a href="http://www.transtorno.net/tag/schopenhauer/">SCHOPENHAUER</a>, 2, p. 136). Para ele, somente a compaixão é desinteressada, livre do <a href="http://www.transtorno.net/tag/egoismo/">egoísmo</a> da <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a>, do &#8220;ímpeto para a existência e o bem-estar&#8221; (id., ibid., p.120).</p>
<p>A <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a> dada a priori em <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a>, pelo imperativo categórico, ou seja, uma lei que seguimos e ao mesmo tempo somos autores, é baseada no dever, cuja efetivação relaciona-se à idéia do Soberano Bem. O problema, porém, é que uma <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a> baseada no dever não é desinteressada, pois há por trás dela uma promessa de punição ou recompensa, que a torna hipot<a href="http://www.transtorno.net/tag/etica/">ética</a> e, por isso, não poderia ser fundamentada dessa forma: se o imperativo categórico não funciona sempre, não pode ser absoluto e incondicional. A felicidade não é, para <a href="http://www.transtorno.net/tag/schopenhauer/">Schopenhauer</a>, conseqüência da virtude, e o filósofo afirma ainda que uma ética sem pressupostos metafísicos não pode estar fundamentada sobre o &#8220;tu deves&#8221;. <a href="http://www.transtorno.net/tag/schopenhauer/">Schopenhauer</a> critica <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a> por afirmar que &#8220;uma ação só tem valor <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a> genuíno quando acontece simplesmente por dever, sem qualquer tendência relacionada com ela&#8221; (id., ibid., p. 40). Podemos tirar daí, como faz <a href="http://www.transtorno.net/tag/schopenhauer/">Schopenhauer</a>, que a <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a> kantiana é fria, enfadonha, onde se ajuda o próximo por obrigação e nada mais, indiferente a seu sofrimento.</p>
<p>A afirmação de <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a>, citada por <a href="http://www.transtorno.net/tag/schopenhauer/">Schopenhauer</a>, de que &#8220;numa <a href="http://www.transtorno.net/tag/filosofia/"><a href="http://www.transtorno.net/filosofia/">filosofia</a></a> prática não se trata de dar fundamentos daquilo que acontece, mas leis daquilo que deve acontecer, mesmo que nunca aconteça&#8221; e de que &#8220;existem leis morais puras&#8221; (id., ibid., p. 23) tem origem na idéia de dever <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a> teológica. Para <a href="http://www.transtorno.net/tag/schopenhauer/">Schopenhauer</a>, as leis morais não podem ser admitidas sem prova: &#8220;para que se possa admitir numa ética científica leis para a <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a>, tem-se de exercer na ética a probidade e não somente em recomendá-la&#8221; (id., ibid., p. 24 e 25). Uma ética a priori, como quer <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a>, é formal e, portanto, só nisso consiste, não no conteúdo das ações. Não sendo, então, demonstrável empiricamente, toda estrutura construída sobre ela também não será. Com isso temos que em <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a> a <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a> é prescritiva, enquanto que em <a href="http://www.transtorno.net/tag/schopenhauer/">Schopenhauer</a> é descritiva, baseada em fatos, empírica.</p>
<p>Para <a href="http://www.transtorno.net/tag/schopenhauer/">Schopenhauer</a>, a <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a> deve ser baseada no &#8220;que é, no que acontece realmente&#8221; (id., ibid., p. 23) e não se dá, como em <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a>, a priori. Pelo contrário: só podemos conhecer nossas respostas perante os acontecimentos. A <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a> está na intenção, quer dizer, nos atos, que se toma sem interesse próprio, egoísta, ou seja, sem a preocupação com o resultado ou com o retorno que ele trará. A compaixão é resultado da experiência, do indivíduo que se reconhece nos outros, quebrando a ilusão do princípio de individuação, e, por isso, refere-se a algo que já se deu, não programado pela razão. Exceto pela compaixão, todas as ações humanas são baseadas no <a href="http://www.transtorno.net/tag/egoismo/">egoísmo</a>, próprio do querer viver, da <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a>. Não podemos saber como reagiremos a determinada situação antes que ela se apresente. A <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a>, baseada em fatos e não em especulação é simples e pode falar até mesmo para o homem mais rude.</p>
<p>Ao dar importância primária à <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a>, <a href="http://www.transtorno.net/tag/schopenhauer/">Schopenhauer</a> afirma que nela deve ser buscado o sentido <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a> do mundo, enquanto que na ética proposta por <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a> temos &#8220;sempre, por detrás, o pensamento de que o ser íntimo e eterno do homem consistiria na razão&#8221; (id., ibid., p.38). Se o homem tivesse essas leis à priori, como quer <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a>, deveríamos supor que ele terá de se conformar com elas e segui-las, pois, caso contrário nada valem. Para <a href="http://www.transtorno.net/tag/schopenhauer/">Schopenhauer</a>, a &#8220;motivação <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a> tem de ser simplesmente algo que se anuncie por si mesmo, por isso tem de ser positivamente agente e, portanto, real; e como para o homem só o empírico ou o que porventura é empiricamente existente tem realidade pressuposta, a motivação <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a> tem de ser, de fato, empírica&#8221; (id., ibid., p.51).</p>
<p>Em <a href="http://www.transtorno.net/tag/schopenhauer/">Schopenhauer</a> temos que o comportamento racional não trás, de forma alguma, retidão e caridade, mas, pelo contrário, podemos sim agir racionalmente de forma <a href="http://www.transtorno.net/tag/mal/">mal</a>évola e egoísta: &#8220;racional e vicioso podem unir-se bastante bem, e é só pela sua união que se tornam possíveis os crimes maiores e de ampla repercussão&#8221; (id., ibid., p. 61). Uma ética do dever pode me levar a fazer caridade, não pelo dever, mas para experimentar, enquanto o <a href="http://www.transtorno.net/tag/egoismo/">egoísmo</a>, por sua vez, se veste de cordialidade para usarmos pessoas como meios para nossos fins. Isso não quer dizer que somos éticos, mas o contrário. Não podemos esperar que o querer por dever do imperativo categórico se livre de interesse: &#8220;peço que se reflita sobre o que isso quer dizer: de fato, nada menos que uma <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a> sem motivo, portanto um efeito sem causa&#8221; (id., ibid., p.81).</p>
<p>Ao fazer uma análise do que seria a consciência, <a href="http://www.transtorno.net/tag/schopenhauer/">Schopenhauer</a> nos diz que o imperativo categórico kantiano é algo similar àquela, mas que este age antes, enquanto que aquela fala depois. O fato, porém, é que todos os homens têm, às vezes, <a href="http://www.transtorno.net/tag/pensamentos/"><a href="http://www.transtorno.net/pensamentos/">pensamentos</a></a> mesquinhos e maldosos sem que sejam responsáveis por eles, pois eles dizem respeito a atitudes que qualquer ser humano poderia tomar, não necessariamente aquele que os teve. Em muitos casos eles sequer podem se tornar realidade. Só nas ações o indivíduo aprende a se conhecer, pois essas são conhecidas e não pensadas. Nossa responsabilidade <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a> reside, segundo <a href="http://www.transtorno.net/tag/schopenhauer/">Schopenhauer</a>, no que fizermos e o que poderíamos ter feito de outra maneira: se podemos reconhecer nossas ações, reconhecermos nossas obras, somos responsáveis por elas, pois trazem nossa marca.</p>
<p>A questão, nesse ponto, é que a responsabilidade sobre nossos atos pressupõe possibilidade que, por sua vez, pressupõe <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a>. O indivíduo tem essência, seu caráter inteligível que é inacessível e só pode ser conhecido pela experiência, por seu caráter empírico. Este é, então, determinado e só realizará as ações que estiverem contidas em seu caráter inteligível. Dessa forma nossa <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> não está em nossas ações, mas em nossa essência, aquilo que nos determina, que é assim mas poderia ser outro: a responsabilidade está no que se é, não no que se faz: &#8220;a ética é, na verdade, a mais fácil de todas as ciências, já que não há nada mais a esperar a não ser que todos tenham a obrigação de se construir a si mesmos, derivando do princípio máximo que se enraíza no seu coração a regra para cada passo que surja, pois poucos têm o lazer e a paciência para aprender uma ética construída e já pronta&#8221; (id., ibid., p.164).</p>
<p><a href="http://www.transtorno.net/tag/schopenhauer/">Schopenhauer</a> chama nossa atenção para o fato de que, quando uma pessoa toma uma atitude desinteressada, compassiva, em relação a outrem, causa espanto e comoção, devido à raridade com que isso acontece, por não ser próprio do <a href="http://www.transtorno.net/tag/egoismo/">egoísmo</a> com que estamos acostumados. O espanto é causado pois nós, para nós mesmos, somos imediatos, enquanto que os outros se dão para nós apenas mediatamente. A questão que deve ser resolvida é se há ações de justiça espontânea e caridade desinteressada e tal questão, embora empírica, não deve ser resolvida somente na experiência, pois nela vemos a ação, não os impulsos: qualquer interesse tira a moralidade da ação. Para ele, a própria justiça, como virtude genuína, tem origem na compaixão e exemplifica ao afirmar que &#8220;quando alguém sente prazer em conservar uma coisa de valor que foi achada, nada o conduzirá (se excluirmos todos os motivos religiosos e de prudência) mais facilmente de volta ao caminho da justiça do que a representação, da aflição e dos lamentos daquele que perdeu&#8221; (id., ibid., p. 146).</p>
<p>A moralidade de uma ação está, para <a href="http://www.transtorno.net/tag/schopenhauer/">Schopenhauer</a>, em sua relação com os outros, podendo ser justa e caridosa ou mesmo o contrário. Ações morais caridosas são as que deixam o indivíduo com uma sensação de contentamento consigo mesmo, que visam apenas o bem estar de outra pessoa, enquanto que seu contrário é causado por uma alegria maligna, um prazer em causar danos ao outro. Se visamos o bem estar do outro, ele se torna o fim último de nossa <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a> e passamos a querer seu bem imediatamente, como se fossemos nós próprios, havendo então identificação através de sua representação em nossa cabeça, na medida em que nossa ação anuncia a diferença como suprimida: &#8220;esta participação direta e mesmo instintiva no sofrer alheio é a única fonte de tais ações (&#8230;), se forem puras de todos os motivos egoístas e, por isso mesmo, se despertarem em nós aquele contentamento íntimo que chamamos de consciência boa, pacificadora e aprovadora&#8221; (id., ibid., p. 160). Com isso temos, então, participação imediata no sofrimento do outro, vemos o não-eu tornar-se eu: &#8220;isso pressupõe, porém, que eu tenha me identificado com o outro numa certa medida e, conseqüentemente, que a barreira entre o eu e o não-eu tenha sido, por um momento, suprimida&#8221; (id., ibid., p. 163).</p>
<p>A <a href="http://www.transtorno.net/tag/dor/">dor</a> do outro provoca em nós esse sentimento, &#8220;a infelicidade é condição da compaixão&#8221; (id., ibid., p.173), enquanto que a felicidade nos deixa indiferentes, não despertando em nós esse sentimento de identificação. Em alguns casos pode mesmo ocorrer o contrário, <a href="http://www.transtorno.net/tag/despertar/">despertar</a> inveja. Até mesmo nosso sofrer estimula nossa atividade, ao passo que nosso contentamento nos deixa inativos. A compaixão, então, age positivamente, levando a uma ajuda ativa: &#8220;quem está cheio dela não causará, seguramente, dano a ninguém, não prejudicará ninguém, mas, antes, sendo indulgente com todos, a todos perdoará e a todos ajudará quando puder, e todas as duas ações terão a marca da justiça e da caridade&#8221; (id., ibid., p.171).</p>
<p>Com isso, <a href="http://www.transtorno.net/tag/schopenhauer/">Schopenhauer</a> pergunta &#8220;se a compaixão é a motivação fundamental de toda justiça e caridade genuínas, quer dizer, desinteressadas, por que uma pessoa e não outra é por ela movida?&#8221; (id., ibid., p.190). A resposta, encontrada pelo filósofo na <a href="http://www.transtorno.net/tag/filosofia/"><a href="http://www.transtorno.net/filosofia/">filosofia</a></a> kantiana, está na diferença de caráter, explicada pela diferença citada anteriormente entre caráter empírico e caráter inteligível: &#8220;os motivos caritativos (&#8230;) não podem nada em relação àquele que só é sensível aos motivos egoístas&#8221; (id., ibid., p.197). Para estes a saída seria apenas por uma &#8220;miragem&#8221;, desviando sua <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a>, mas não proporcionando alguma melhora. Para isso seria necessário trabalhar com a razão, tentando oferecer algum <a href="http://www.transtorno.net/tag/esclarecimento/">esclarecimento</a>, oferecendo &#8220;uma compensação mais correta daquilo que se apresenta objetivamente&#8221;. <a href="http://www.transtorno.net/tag/schopenhauer/">Schopenhauer</a> explica que nisto se baseia o sistema penitenciário americano, que não pretende corrigir a essência do indivíduo, mas sua razão, mostrando a ele alternativas: &#8220;por meio dos motivos pode-se forçar a legalidade, não a moralidade&#8221; (id., ibid., p.198). Já que não podem mudar a <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a> alheia, oferecem caminhos alternativos que possam ser seguidos até ela.</p>
<p>Para concluir, creio que uma última citação de <a href="http://www.transtorno.net/tag/schopenhauer/">Schopenhauer</a> dirá algo sobre a compaixão, identificável na prática mas aparentemente tão difícil de expor à razão: &#8220;toda boa ação totalmente pura, toda ajuda verdadeiramente desinteressada, que, como tal, tem por motivo a <a href="http://www.transtorno.net/tag/necessidade/">necessidade</a> de outrem, é, quando pesquisada até o último fundamento, uma ação misteriosa, uma mística prática, contanto que surja por fim do mesmo <a href="http://www.transtorno.net/tag/conhecimento/">conhecimento</a> que constitui a essência de toda mística propriamente dita e não possa ser explicável com verdade de nenhuma outra maneira&#8221; (id., ibid., p.221).</p>
<p><strong>Referências bibliográficas:</strong><br />
1. <a href="http://www.transtorno.net/tag/schopenhauer/">Schopenhauer</a>, A, <em>O mundo como <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a> e representação</em>, São Paulo, Contraponto, 2001<br />
2. ___________, <em>Sobre o fundamento da <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a></em>, São Paulo, Martins Fontes, 2001<br />
Brum, J.T., <em>O <a href="http://www.transtorno.net/tag/pessimismo/">pessimismo</a> e suas vontades</em>, Rio de Janeiro, Rocco, 1998<br />
Cacciola, M. L., <em><a href="http://www.transtorno.net/tag/schopenhauer/">Schopenhauer</a> e a questão do dogmatismo</em>, São Paulo, Edusp, 1994<br />
____________, <em>O conceito de interesse</em>, Cadernos de <a href="http://www.transtorno.net/tag/filosofia/"><a href="http://www.transtorno.net/filosofia/">Filosofia</a></a> Alemã, São Paulo, 1999</p>

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		<title>Parte I: Como pensar a relação entre ética e estética na filosofia de Schopenhauer?</title>
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		<pubDate>Wed, 29 Oct 2003 01:49:17 +0000</pubDate>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Antes de entrar na relação propriamente dita, sinto <a href="http://www.transtorno.net/tag/necessidade/">necessidade</a> de escrever alguns parágrafos introdutórios sobre como se dá nosso <a href="http://www.transtorno.net/tag/conhecimento/">conhecimento</a> para, enfim, chegar na questão proposta. A introdução tem por objetivo situar alguns pontos importantes da <a href="http://www.transtorno.net/tag/filosofia/"><a href="http://www.transtorno.net/filosofia/">filosofia</a></a> schopenhauriana e suas respectivas questões, que deverão aparecer ao logo da digressão e que, devido à sua importância, devem ser esclarecidos.</p>
<p><strong>Introdução</strong></p>
<p>Para <a href="http://www.transtorno.net/tag/schopenhauer/">Schopenhauer</a> as idéias não são produto da razão, como em <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a>, mas intuições já abstraídas por nossa razão, visto que somente esta nos dá juízos. O que normalmente conhecemos por meio de nosso intelecto e que é abstraído por nossa razão vem de nossa <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a>, que <a href="http://www.transtorno.net/tag/busca/">busca</a> a si mesma enquanto se manifesta em nosso corpo, tendo então o mundo como sua objetivação. A <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a> é corporal e devido a isso o intelecto é atividade orgânica a seu serviço, de forma que nossas representações e respectivas relações são interessadas, ou seja, agem a favor do querer-viver, de forma egoísta, &#8220;quer dizer, a <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a> conhece-se a si mesma no indivíduo que conhece (&#8230;), assim o <a href="http://www.transtorno.net/tag/conhecimento/">conhecimento</a> do mundo considerado como representação é profundamente interessado&#8221; (CACCIOLA, 1999, p.7).</p>
<p>A <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a> é ímpeto cego, não regido por um intelecto <a href="http://www.transtorno.net/tag/geral/">geral</a>, tal qual <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">deus</a>, só tendo sentido em nosso corpo, dotado de consciência individual. A <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a> se realiza independentemente do <a href="http://www.transtorno.net/tag/conhecimento/">conhecimento</a>, vindo a produzi-lo apenas na tentativa de conhecer a si mesma, já que, enquanto tal, não pode tornar-se representação, ou seja, <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a> não é objeto para o sujeito. Os atos do corpo são atos de <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a> e sem aqueles a consciência nada poderia conhecer: a consciência voltada para si, sem objeto, perder-se-ia, pois não temos <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a> a partir da representação. O encontro do corpo com a <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a> se dá na causalidade, espaço-tempo. O princípio de <a href="http://www.transtorno.net/tag/conhecimento/">conhecimento</a>, por sua vez, não obedece ao espaço-tempo, somente à lógica. Não há, no entanto, diferença entre querer e fazer, posto que pensar no futuro ou no passado é já abstração.</p>
<p>A <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a>, contudo, pode ser negada por manter relação com o mundo enquanto representação, não sendo, então, um absoluto em si. Negar a <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a> é reduzi-la ao mínimo, de forma relativa, levando-a a negar a si mesma. Nos fenômenos ela acontece sucessivamente, da maneira como se dá o <a href="http://www.transtorno.net/tag/conhecimento/">conhecimento</a>, ou seja, <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a>/caráter é a maneira como respondemos os motivos/desejos, variando de homem para homem. Assim nossos atos, inclusive os atos morais, são conhecidos somente no tempo/espaço/causalidade, que permite a nós a ilusão do princípio de individuação. Dessa forma, quanto mais distante da <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a> estiver a representação, mais livre ela é.</p>
<p><strong>Relação entre ética e est<a href="http://www.transtorno.net/tag/etica/">ética</a> na <a href="http://www.transtorno.net/tag/filosofia/"><a href="http://www.transtorno.net/filosofia/">filosofia</a></a> de <a href="http://www.transtorno.net/tag/schopenhauer/">Schopenhauer</a></strong></p>
<p>A est<a href="http://www.transtorno.net/tag/etica/">ética</a> não se submete ao princípio de razão suficiente e a <a href="http://www.transtorno.net/tag/arte/">arte</a> não pode pertencer ao âmbito ou ser objeto de juízo, mas apenas do intuitivo, de onde vem o sentimento do belo: &#8220;a representação est<a href="http://www.transtorno.net/tag/etica/">ética</a> não se refere mais ao corpo, ela se dá para o puro sujeito do <a href="http://www.transtorno.net/tag/conhecimento/">conhecimento</a>. Assim a percepção do belo é marcada pelo desinteresse e pela desindividuação, resultando em um <a href="http://www.transtorno.net/tag/conhecimento/">conhecimento</a> imediato do objeto, que se isola dos demais e não se submete mais a relações&#8221; (id., ibid., p. 8). A beleza não está nas coisas, a priori, mas deve ser buscada quando conheço a própria coisa como idéia, desvinculando-a, assim, do querer-viver. Temos, então, a representação não de um objeto individual, mas do próprio objeto, não de uma <a href="http://www.transtorno.net/tag/dor/">dor</a>, mas da própria <a href="http://www.transtorno.net/tag/dor/">dor</a>, como no caso da <a href="http://www.transtorno.net/tag/musica/"><a href="http://www.transtorno.net/musica/">música</a></a>. A relação do real com o ideal está na cabeça de cada um, no mundo que cada um projeta. &#8220;Assim o desinteresse, que acompanha a <a href="http://www.transtorno.net/tag/arte/">arte</a>, tendo sido traduzido como prazer negativo, levaria a interromper o ciclo das carências e satisfações que expressam o sofrimento do mundo&#8221; (id., ibid., p. 6).</p>
<p>Neste sentido podemos pensar a contemplação servindo como caminho para o gênio, homem de visão privilegiada, que se perde na intuição pura, &#8220;levado a um ascetismo momentâneo na sua atitude contemplativa diante do belo&#8221; (id., ibid., p. 6), deixando de lado, assim, seus interesses, chegando ao <a href="http://www.transtorno.net/tag/conhecimento/">conhecimento</a> objetivo, como uma representação particular, &#8220;uma liberação provisória da servidão do querer-viver&#8221; (BRUM, 1998, p. 85), que o afastaria do movimento de afirmação e negação, desse desejar que, assim que se satisfaz, encontra um novo objetivo ou alterna estes períodos com o tédio. Na <a href="http://www.transtorno.net/tag/obra/">obra</a> de <a href="http://www.transtorno.net/tag/arte/">arte</a> os conceitos empalidecem perante a representação: &#8220;se na vida absurda as funções da representação estão subordinadas à <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a>, na contemplação est<a href="http://www.transtorno.net/tag/etica/">ética</a> a relação se inverte: a <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a> fica a serviço da representação&#8221; (id., ibid., p. 86), quer dizer, o <a href="http://www.transtorno.net/tag/conhecimento/">conhecimento</a> perante o objetivo, fora do espaço/tempo/causalidade, de onde a <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a> se objetiva. Assim, o mundo é exposto pelo avesso, como algo representado sem o querer-viver, sem a <a href="http://www.transtorno.net/tag/necessidade/">necessidade</a> de domínio contida naquela idéia, sem a objetividade da perpetuação, restando, então, puro prazer.</p>
<p>Para <a href="http://www.transtorno.net/tag/schopenhauer/">Schopenhauer</a>, <a href="http://www.transtorno.net/tag/conhecimento/">conhecimento</a> estético e <a href="http://www.transtorno.net/tag/conhecimento/">conhecimento</a> metafísico são a mesma e única coisa. No momento da representação est<a href="http://www.transtorno.net/tag/etica/">ética</a> há fusão entre sujeito e objeto e o que conhece tem seus sentimentos anulados perante a própria representação, &#8220;não se trata mais de um saber relacional, que parte da relação dos objetos ao corpo já que a idéia não participa da multiplicidade fenomênica, caracterizando-se, pelo contrário, por sua imutabilidade e perenidade&#8221; (CACCIOLA, 1999, p. 10). O sujeito perde sua individualidade e mergulha no objeto, conhecendo-o em sua singularidade e universalidade, da mesma forma que ocorre durante o ato compassivo, sentindo em si a <a href="http://www.transtorno.net/tag/dor/">dor</a> do outro, rompendo a barreira que os separa. <a href="http://www.transtorno.net/tag/arte/">Arte</a> é, sim, representação, mas seu interesse é puramente objetivo, onde se permite conhecer a idéia como pura representação, sem a <a href="http://www.transtorno.net/tag/necessidade/">necessidade</a> de um singular que lhe sirva de modelo. A beleza, então, é imediata, intuitiva, não mediata, e libera o <a href="http://www.transtorno.net/tag/conhecimento/">conhecimento</a> de sua subordinação à vontade: o intelecto conhece sem o discurso, sendo este o <a href="http://www.transtorno.net/tag/conhecimento/">conhecimento</a> mais direto possível. A <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a> aparece para o artista na idéia e este a expõe na <a href="http://www.transtorno.net/tag/arte/">arte</a>, anulando assim o próprio corpo: o corpo do <a href="http://www.transtorno.net/tag/egoismo/">egoísmo</a> é vencido, ou seja, &#8220;o ato anti-<a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a> por excelência&#8221; (CACCIOLA, 1994, p. 158), assim como ocorre na compaixão.</p>
<p>As idéias, divididas pela ilusão da individuação, são, assim, conhecidas de maneira uma, de forma que a <a href="http://www.transtorno.net/tag/arte/">arte</a> não é cópia, mas expressão do real: &#8220;se o fenômeno é uma ilusão e o mundo fenomênico é ilusório, na <a href="http://www.transtorno.net/tag/arte/">arte</a> essa ilusão é desvelada como tal em seu âmago&#8221; (CACCIOLA, 1999, p. 7). Uma vez acima da <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a>, o homem é preenchido pelo sentimento do sublime, podendo contemplá-lo e escapando, assim, de sua pequenez, de sua prisão. Na negação os fenômenos deixam de agir para o querer-viver, a <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a> é dividida e sua tensão é a luta. A loucura é refúgio de uma <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a> sofredora e, por isso, é muito próxima do gênio, que não domina a seqüência dos acontecimentos da vida prática. A finitude humana, eterna luta do herói, é a origem da <a href="http://www.transtorno.net/tag/tragedia/">tragédia</a>, pois o homem não pode ser mais do que homem. A catástrofe trágica, quando a <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a> nega a si mesma, quando o espectador sente o nada, o afasta do querer-viver, porém, pode ainda lhe dar prazer no sublime: &#8220;o fenômeno em que a <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a> nega sua própria essência, que se revela na aparência, é o de passagem da virtude para ascese&#8221; (CACCIOLA, 1994, p. 159). O são querer se dá apenas na experiência, não podendo ser dito em palavras: o que fica, pois, da <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a>, é o nada, do qual nada pode ser dito, posto que a <a href="http://www.transtorno.net/tag/linguagem/">linguagem</a> é impotente perante ele.</p>
<p>Tanto na ética quanto na est<a href="http://www.transtorno.net/tag/etica/">ética</a>, <a href="http://www.transtorno.net/tag/schopenhauer/">Schopenhauer</a> vê a <a href="http://www.transtorno.net/tag/necessidade/">necessidade</a> do desinteresse, pois de outra forma é impossível afastar o <a href="http://www.transtorno.net/tag/egoismo/">egoísmo</a>, o querer-viver. Tanto na compaixão quanto na experiência est<a href="http://www.transtorno.net/tag/etica/">ética</a> a negação da <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a> acontece por pouco tempo: durante a contemplação na est<a href="http://www.transtorno.net/tag/etica/">ética</a> e durante a <a href="http://www.transtorno.net/tag/ruptura/">ruptura</a> eu-outro na compaixão, a ser detalhada na segunda parte deste trabalho. Devo, contudo, lembrar o que foi afirmado anteriormente, que é somente do ponto de vista da representação que temos a separação. Desta forma, a proximidade entre experiência est<a href="http://www.transtorno.net/tag/etica/">ética</a> e a atitude compassiva se faz notar e, talvez, a est<a href="http://www.transtorno.net/tag/etica/">ética</a> não seja, sozinha, o prenúncio da ética schopenhauriana, pois a compaixão é, também, o reconhecimento da unidade, a <a href="http://www.transtorno.net/tag/ruptura/">ruptura</a> entre eu e o outro e &#8220;são as ações morais que permitem a passagem da virtude para a negação do querer-viver, e elas constituem o ponto de ligação entre a <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a> e a resignação total&#8221; (id., ibid., p. 159). A proximidade entre ética e est<a href="http://www.transtorno.net/tag/etica/">ética</a> se dá novamente quando percebemos que ambas não se dão pela razão, mas pelos sentidos, por um sentimento: &#8220;é necessário notar ainda que mesmo na contemplação est<a href="http://www.transtorno.net/tag/etica/">ética</a> não há predominância de razão, mas dos sentidos e do entendimento&#8221; (id., ibid., p. 116) e também pelo fato de que &#8220;a compaixão já não é mais suficiente, mas surge uma aversão pela essência, pela própria <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a>-de-viver do qual o sujeito é fenômeno&#8221; (id., ibid., p. 159).</p>
<p>Podemos imaginar uma proximidade maior entre o gênio e a <a href="http://www.transtorno.net/tag/arte/">arte</a> e entre o homem comum e a compaixão, posto que esta pode ser compreendida mesmo pelo homem mais rude, como se verá posteriormente, enquanto que o gênio vai além, perdendo-se na intuição, já que esta tem maior ou menor grau de objetividade. &#8220;Embora aproxime ética e est<a href="http://www.transtorno.net/tag/etica/">ética</a>, na sua <a href="http://www.transtorno.net/tag/metafisica/">metafísica</a> do belo, o pensamento de <a href="http://www.transtorno.net/tag/schopenhauer/">Schopenhauer</a> guarda a especificidade dessa última, e seria bem difícil dizer se, nele, a ética que contamina a est<a href="http://www.transtorno.net/tag/etica/">ética</a>, ou, ao contrário, se não é justamente a est<a href="http://www.transtorno.net/tag/etica/">ética</a> que contagia a ética, já que esta se funda num <a href="http://www.transtorno.net/tag/conhecimento/">conhecimento</a> metafísico, a compaixão, que contraria os interesses egoístas&#8221; (CACCIOLA, 1999, p. 13). Me parece que esta especificidade vem do fato de que a est<a href="http://www.transtorno.net/tag/etica/">ética</a> permite uma maior aproximação com sua ética, pois é nela que a negação da <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a> se faz mais forte, podendo levar à sublimação, após o momento em que a <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a> nega a si mesma.</p>
<p>Com a afirmação de que &#8220;nossa teoria do sublime aplica-se igualmente ao domínio <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a>, em especial àquilo que se chama um caráter sublime. (&#8230;) Um homem com tal caráter considerará, portanto, os homens de uma maneira objetiva, sem ter em conta as relações que eles podem ter com a própria <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a>; ele notará, pó exemplo, os seus vícios, mesmo o ódio ou a injustiça em relação a si, sem ser por isso tentado a detestá-los por sua vez&#8221; (<a href="http://www.transtorno.net/tag/schopenhauer/">SCHOPENHAUER</a>, 1, p 217), <a href="http://www.transtorno.net/tag/schopenhauer/">Schopenhauer</a> mostra que além de podermos atribuir a outros corpos, por analogia, o que identificamos em nós, evitando assim o <a href="http://www.transtorno.net/tag/egoismo/">egoísmo</a> teórico, o gênio pode, ainda, vencer qualquer coisa que tenha por objetivo abalar sua <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a> e continua dizendo que &#8220;no curso de sua existência ele considerará menos a sua sorte individual do que a da <a href="http://www.transtorno.net/tag/humanidade/">humanidade</a> em <a href="http://www.transtorno.net/tag/geral/">geral</a>, será capaz de saber mais a respeito do sujeito que sofre&#8221; (id., ibid., p. 217). Imagino, então, que embora a proximidade entre est<a href="http://www.transtorno.net/tag/etica/">ética</a> e compaixão seja grande, a primeira é mais profunda nesse sentido, dado o maior grau de proximidade com o ascetismo que encontramos em sua ética.</p>
<p><strong>Referências bibliográficas:</strong><br />
1. <a href="http://www.transtorno.net/tag/schopenhauer/">Schopenhauer</a>, A, <em>O mundo como <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a> e representação</em>, São Paulo, Contraponto, 2001<br />
2. ___________, <em>Sobre o fundamento da <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a></em>, São Paulo, Martins Fontes, 2001<br />
Brum, J.T., <em>O <a href="http://www.transtorno.net/tag/pessimismo/">pessimismo</a> e suas vontades</em>, Rio de Janeiro, Rocco, 1998<br />
Cacciola, M. L., <em><a href="http://www.transtorno.net/tag/schopenhauer/">Schopenhauer</a> e a questão do dogmatismo</em>, São Paulo, Edusp, 1994<br />
____________, <em>O conceito de interesse</em>, Cadernos de <a href="http://www.transtorno.net/tag/filosofia/"><a href="http://www.transtorno.net/filosofia/">Filosofia</a></a> Alemã, São Paulo, 1999</p>

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		<title>E assim nos tornamos cínicos</title>
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		<pubDate>Fri, 16 May 2003 01:45:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Pensei em escrever algo a respeito do fragmento de <a href="http://www.transtorno.net/tag/schopenhauer/">Schopenhauer</a> que selecionei abaixo,  mas a situação foi colocada de uma forma tão clara que seria muita arrogância querer acrescentar  algo neste momento, principalmente por estar com o restante do capítulo ainda na memória. Tudo  o que eu tinha a dizer está dito no título que dei a esta página.</p>
<blockquote><p>&#8220;Na primeira mocidade, somos colocados em face do destino que vai abrir diante de nós, como as crianças em frente do pano de um <a href="http://www.transtorno.net/tag/teatro/"><a href="http://www.transtorno.net/teatro/">teatro</a></a>, na espectativa alegre e impaciente das coisas que vão passar-se em cena; é uma felicidade não podermos saber nada de antemão. Aos olhos daquele que sabe o que  realmente se vai passar, as crianças são inocentes culpados condenados não à morte mas à vida, e que todavida não conhecem ainda o conteúdo de sua sentença. &#8211; Nem por isso deixam de ter o <a href="http://www.transtorno.net/tag/desejo/">desejo</a> de chegar a uma idade avançada, esto é, a um estado que se poderia exprimir deste modo: &#8220;Hoje é mau, e cada dia o será mais &#8211; até que chegue o pior de todos&#8221;. </p></blockquote>
<blockquote><p>Alguém que tenha sobrevivido a duas ou três gerações encontra-se na mesma disposição de espírito que um espectador que, sentado numa barraca de saltimbancos na feira, vê as mesmas farsas repetidas duas ou três vezes sem interrupção: é que as coisas estavam calculadas para uma única representação e já não fazem nenhum efeito, uma vez dissipadas a ilusão e a novidade.&#8221;</p></blockquote>
<p>fragmento do capítulo I de &#8220;As dores do mundo&#8221;, de Arthur <a href="http://www.transtorno.net/tag/schopenhauer/">Schopenhauer</a></p>]]></content:encoded>
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