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	<title>Transtorno &#187; tragédia &raquo; Vertigem, Ruptura e Pensamentos Transgressivos</title>
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	<description>Vertigem, Ruptura e Pensamentos Transgressivos</description>
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		<title>Saltando contra muros</title>
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		<pubDate>Sun, 04 Sep 2011 20:32:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Confissões]]></category>
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		<description><![CDATA[Os últimos meses não estão sendo fáceis. Datas e símbolos tomam porporções que jamais imaginei que tomariam, lugares tornam-se templos, palavras tomam sentido diverso. O caos faz-se tão presente que qualquer coisa começa a tomar sentido diverso: o que um olho vê engana o outro. A sensação de ter falhado é absurda, enorme, desde as &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os últimos meses não estão sendo fáceis. Datas e símbolos tomam porporções que jamais imaginei que tomariam, lugares tornam-se templos, palavras tomam sentido diverso. O caos faz-se tão presente que qualquer coisa começa a tomar sentido diverso: o que um olho vê engana o outro.</p>
<p>A sensação de ter falhado é absurda, enorme, desde as coisas pequenas, como fumar quando não deveria, quanto as grandes, que não vou abrir aqui para não expor as pessoas ou a mim. A verdade é que algo comum, como falhar, parece transformar o rumo de nossas vidas, mas pergunto: já não falhamos antes?</p>
<p>Se uma falha faz com que a gente aprenda, é uma falha? E se repetirmos o erro, continuaremos falhando? Acredito que sim, não vou ser auto indulgente e é por isso que estou aqui escrevendo.</p>
<p>É muito fácil mascarar um erro com desculpas, sejam elas quais forem. O difícil é aceitar que esse erro existiu e falar &#8220;errei, fiz merda, não quero mais repetir&#8221;. Claro que não é fácil, mas é preciso, é o que quero tentar.</p>
<p>Passei o dia de ontem fora de casa, no aniversário de um amigo, pra não precisar pensar. Pensei demais nos últimos meses e não cheguei a conclusão alguma. Ontem eu precisava de alívio. Sai, bebi, conversei, mas eventualmente voltei pra casa, fiquei só e voltei a pensar. </p>
<p>Enquanto pensava, comecei a analisar o que é a maturidade pra mim. Aos 38 anos, poderia pensar que ter meu próprio apto, um bom emprego, um carro e condições de ter algo outro acima da média é maturidade, mas não é.</p>
<p>Fiquei pensando em decisões, aquelas que afetam toda uma vida, na forma como encaramos, e descobri que não sou maduro, não mesmo. Percebi que meus traumas e medos são maiores do que quero deixar transparecer, percebi que a capacidade de encarar meus desafios também se torna um problema.</p>
<p>Trocar de carro não afeta a vida, comprar alguns <a href="http://www.transtorno.net/tag/livros/">livros</a> também não. O carro será pago em alguns anos, os <a href="http://www.transtorno.net/tag/livros/">livros</a> imediatamente. Quais são as decisões que afetam uma vida? Muitas, geralmente as que envolvem as <a href="http://www.transtorno.net/tag/escolhas/">escolhas</a> que fazemos a partir de nossos sonhos. </p>
<p>Sonhar com &#8220;entrega&#8221; e não estar apto a se entregar leva a erro. Sonhar com &#8220;entrega&#8221; e não se envolver com quem se entrega é outro erro. Quando há entrega, entretanto, não há erro, mas todos esses casos mudam vidas. Estar ou não preparado, escolher de forma incorreta ou, quando tudo dá certo, formar um ideal: vidas são transformadas.</p>
<p>Como dizia, ontem pensei muito sobre maturidade e foi inevitável perceber que meus <a href="http://www.transtorno.net/tag/erros/">erros</a> são imaturos. A questão é: como percebo isso hoje e não percebi antes, quando errei? Imaturidade. Ganhei um aprendizado que não tinha antes. Hoje tenho, mas o estrago já está feito. </p>
<p>Durante a noite sonhei que estava acompanhado de alguém, em um lugar desconhecido, olhava para o lado e via meu gato vir correndo, subir em uma mesa e saltar contra uma parede, se arrebentando e caindo machucado. Pensei, ainda dentro do sonho, que ele errou por ver algo que estava ali, mas eu sabia não estar.</p>
<p>Pela minha ótica, ele via uma prateleira naquela parede, pelo engano causado por uma sombra. Eu, vendo de fora, sabia que ela não estava ali, mas ele não sabia e arriscou assim mesmo. Naquele sonho, tive maturidade para ver que era um erro saltar contra uma parede, ele não teve. Percebi que ter a técnica ou possibilidade de fazer algo não quer dizer que deva ser feito, que seja a melhor escolha. Foi muito significativo ter esse sonho exatamente nesse momento de minha vida.</p>
<p>Hoje passei horas escrevendo um projeto de mestrado que preciso apresentar. O tema do projeto é a <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> humana e <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> divina na <a href="http://www.transtorno.net/tag/filosofia/">filosofia</a> de <a href="http://www.transtorno.net/tag/leibniz/">Leibniz</a>. Resumindo: para <a href="http://www.transtorno.net/tag/leibniz/">Leibniz</a>, <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a> criou o melhor dos mundos pois é onisciente, viu todos os mundos possíveis e escolheu, dentre todos, o melhor, o que vivemos. Se <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a> viu todos os mundos, viu também todos os humanos e todas as suas decisões. A questão que vem à tona, portanto, é que se vivemos nesse mundo escolhido, somos livres para tomar decisões que já estão tomadas sem que saibamos? </p>
<p>Nossa <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> é nossa ignorância. Ignorância do minuto seguinte, do dia seguinte, das consequências.  Para <a href="http://www.transtorno.net/tag/leibniz/">Leibniz</a>, os homens tomam decisões buscando a perfeição e, se erram, erram buscando a perfeição, acreditando que sua escolha era certa naquele momento.</p>
<p>Isso funcionaria como a desculpa perfeita para meus <a href="http://www.transtorno.net/tag/erros/">erros</a>, mas não é. Olho o que vi há meses e penso: como não percebi isso antes, era tão óbvio? Olho para o que está acontecendo e tudo parece tão claro que é impossível deixar de me achar um completo imbecil, como me acho agora. A chave é a maturidade. Me atirei contra uma parede, como o gato se atirou no sonho. Me machuquei quando a atingi, me machuco agora quando me torturo por não ter percebido a escolha errada que fazia.</p>
<p>A ignorância do momento seguinte pode funcionar como desculpa para alguns, mas não para mim. A ignorância do momento seguinte só me traz mais <a href="http://www.transtorno.net/tag/dor/">dor</a> ao mostrar minha cegueira no momento de minhas <a href="http://www.transtorno.net/tag/escolhas/">escolhas</a> e ao mostrar que com tudo o que passei, com tudo que aprendi, continuo errando e um ano depois de escrever &#8220;Recordações&#8221;, meu maior pedido de desculpas, continuo errando cegamente, estupidamente, e me desculpando.</p>
<p>Continuo pulando contra muros e quando aprendo a passar por eles, eles se tornam mais altos, mais resistentes. Depois de citar <a href="http://www.transtorno.net/tag/leibniz/">Leibniz</a> e toda essa <a href="http://www.transtorno.net/tag/culpa/">culpa</a>, pode parecer bobo, mas nunca Pink Floyd coube tão bem na situação: continuo colocando mais tijolos no muro.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Perguntas simples</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Sep 2011 04:39:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Written]]></category>
		<category><![CDATA[efêmero]]></category>
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		<description><![CDATA[Acumulamos histórias e deitamos sós, prolongando as noites com o sabor das dúvidas. Quando sonhamos juntos, as horas passam e sequer as vemos, não temos tempo de perceber o relógio, não estamos interessados em mais nada. As horas ficam longas quando a única coisa que as preenche é o gosto amargo da saudade e mesmo &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acumulamos histórias e deitamos sós, prolongando as noites com o sabor das <a href="http://www.transtorno.net/tag/duvidas/">dúvidas</a>. Quando sonhamos juntos, as horas passam e sequer as vemos, não temos tempo de perceber o relógio, não estamos interessados em mais nada. As horas ficam longas quando a única coisa que as preenche é o gosto amargo da saudade e mesmo as boas memórias são amargas nas noites insones.</p>
<p>Acumulamos sonhos para dividir, mas tememos revivê-los. Acumulamos aventuras, <a href="http://www.transtorno.net/tag/contos/">contos</a>, experiências, sabores, visões, cheiros, texturas e acumulamos medo. Acumulamos histórias que pedem para serem recriadas e melhoradas, mas junto com elas trazemos finais sofridos que não queremos experimentar novamente.</p>
<p>Guardamos sempre o medo. Entrega? Sim, amo a entrega, o <a href="http://www.transtorno.net/tag/abismo/">abismo</a>, a <a href="http://www.transtorno.net/tag/vertigem/">vertigem</a> da queda. Me entreguei tanto e esperei o mesmo em troca. Quando tive, não pude me entregar, quando estava entregue, não sentia mãos se estendendo para junto das minhas. O &#8220;timing&#8221; desdenha dos sonhos humanos.</p>
<p>As coisas deveriam ser fáceis: <a href="http://www.transtorno.net/tag/acasos/">acasos</a> montam as situações, constroem sonhos, pintam quadros, traçam linhas, mas nós, humanos, é que contamos as histórias dessas obras, temendo o final, fugindo de dores e causando outras tantas. Ingenuidade acreditar que não sentiremos <a href="http://www.transtorno.net/tag/dor/">dor</a> pulando capítulos: é ai que ela reside. </p>
<p>Um site aberto por acidente, <a href="http://www.transtorno.net/tag/poesias/">poesias</a> perdidas na rua, um cão encontrado na vizinhança&#8230;  Posso escrever um livro de capítulos arrancados de <a href="http://www.transtorno.net/tag/livros/">livros</a> com inícios maravilhosos. Posso escrever outros tantos capítulos com bons <a href="http://www.transtorno.net/tag/momentos/">momentos</a> que hoje me trazem a <a href="http://www.transtorno.net/tag/dor/">dor</a> da <a href="http://www.transtorno.net/tag/nostalgia/">nostalgia</a>, com outros ruins que preferia ver apagados e com outros ainda, os monumentos de meus <a href="http://www.transtorno.net/tag/erros/">erros</a>, poderia escrever como não vi a paisagem que perdia enquanto passava e também como vi <a href="http://www.transtorno.net/tag/paisagens/">paisagens</a> maravilhosas e indescritíveis em estradas que não permitem volta. </p>
<p>Poderia contar em apenas algumas linhas as maiores dores que sinto, mas tudo se torna simples quando breve: &#8220;<a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a> existe?&#8221;, &#8220;há felicidade&#8221;, &#8220;o que a vida me guarda?&#8221;. Sem a profundidade do infinito e das incertezas, sem as distorções do olho que vê através do cristal, todas as perguntas são simples. As respostas são complexas quando não sabemos perguntar.</p>
<p>O problema é que geralmente não queremos respostas e fazemos as perguntas erradas. Queremos a experiência da vida, as descobertas, sorrisos, boas histórias, sonhos realizados, mas ignoramos que tudo o que aprendemos é valorizado pelo contraste e o contraste vem dos <a href="http://www.transtorno.net/tag/erros/">erros</a>, das dores, dos acidentes, das péssimas histórias. O contraste é um olho que procura vida através da distorção da água em uma sala de espelhos. </p>
<p>Quando perdemos algo, sempre aparece alguém para falar um simples &#8220;vai passar&#8221;, que parece ser a resposta certa para a pergunta que nunca é feita: o que vai passar? Se vai passar, qual foi o sentido? Sonhamos com &#8220;a&#8221; pessoa, &#8220;aquela&#8221; que viverá toda a intensidade do mundo conosco. Vivemos a intensidade, o relacionamento acaba, a <a href="http://www.transtorno.net/tag/dor/">dor</a> chega, mas &#8220;vai passar&#8221;. Repito: o que vai passar? O que é que vale a pena guardar, então? As histórias? A &#8220;sombra&#8221; para contrastar com a próxima experiência? Guardamos o que é bom e ainda assim deixamos passar?</p>
<p>Sonhar lindos sonhos fazendo planos enquanto a razão grita &#8220;parem com isso&#8221;, o inferno dos desencontros, da vida pregando peças e fazendo com que se perceba o quanto somos pequenos pra saber que mesmo o céu cobrindo igualmente a todos, não podemos abrir mão da proximidade de sorrisos, de <a href="http://www.transtorno.net/tag/segredos/">segredos</a> e confidências, de brincadeiras, de olhares e de gestos, todos únicos em seus significados. Não podemos abrir mão da realidade diária, que pode ou não permitir a verdade desses <a href="http://www.transtorno.net/tag/momentos/">momentos</a>. Não podemos ignorar a <a href="http://www.transtorno.net/tag/crueldade/">crueldade</a> da vida que caleja o coração, fazendo com que os medos se fortaleçam para quebrar essa casca.</p>
<p>Alteramos dia após dia a medida de nossos <a href="http://www.transtorno.net/tag/erros/">erros</a>, de nossa capacidade de lutar, de confrontar, de viver. Me pergunto: chegaremos, então, a uma experiência única e superior ou apenas perceberemos, um dia, que nossa capacidade de enfrentamento se cansou, desistiu e implora por algum tipo de alívio, seja ele uma viagem para um lugar desconhecido, um encontro com alguém cuja química renda alguns minutos de paixão, ou simplesmente alguma droga, legal ou ilegal, que faça a mente acalmar e desistir de tantos questionamentos?</p>
<p>Agora, nesse momento, eu dificilmente me reconheço. Penso no que fui e no que sou hoje e só me encontro na <a href="http://www.transtorno.net/tag/insonia/">insônia</a> da <a href="http://www.transtorno.net/tag/busca/">busca</a> de respostas que jamais virão. Penso no agora e temo que dentro de dez anos não irei me reconhecer senão por essa <a href="http://www.transtorno.net/tag/busca/">busca</a>, pela <a href="http://www.transtorno.net/tag/insonia/">insônia</a> e por meus <a href="http://www.transtorno.net/tag/erros/">erros</a>. Irei me reconhecer deitado sozinho, saindo da cama para escrever, como tantas outras vezes.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Liberdade, transgressão e moral</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Jan 2009 01:08:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[“A liberdade não é o poder que falta a Deus, ou que ele tem apenas verbalmente, já que não pode desobedecer a ordem que existe, de que ele é a garantia?” - Bataille in “A literatura e o Mal” Em um primeiro momento pensei “é isso” e entendi claramente o sentido de algumas coisas. Um &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>“A <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> não é o poder que falta a <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a>, ou que ele tem apenas verbalmente, já que não pode desobedecer a ordem que existe, de que ele é a garantia?”<br />
- <a href="http://www.transtorno.net/tag/bataille/">Bataille</a> in “A literatura e o <a href="http://www.transtorno.net/tag/mal/">Mal</a>”</p></blockquote>
<p>Em um primeiro momento pensei “é isso” e entendi claramente o sentido de algumas coisas. Um momento de epifania, por assim dizer. Acontece, no entanto, que as idéias continuaram transbordando desde então e novas teorias e questionamentos, opostos aos iniciais, continuaram surgindo, uma torrente de compreensão/entendimento. Me deparei e ainda me deparo com diversas questões que precisaria responder e com outras que surgiram já trazendo suas respostas.</p>
<p>As linhas que seguirão abaixo são apenas um rascunho de algo que precisará ser desenvolvido, esmiuçado e detalhado, pois tratam-se de uma breve nota sobre como me sinto agora, neste momento, enquanto questionador e questionado.</p>
<p>Sem querer entrar em uma discussão das diferenças de <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a> nas filosofias de <a href="http://www.transtorno.net/tag/leibniz/">Leibniz</a>, <a href="http://www.transtorno.net/tag/espinosa/">Espinosa</a>, Descartes ou qualquer outro filósofo, mas passando – seria impossível evitar –, ainda assim, por algumas generalidades de um e de outro, prossigo&#8230;</p>
<p><a href="http://www.transtorno.net/tag/leibniz/">Leibniz</a> afirma que a <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> divina é garantida pelos livres decretos e que, em um desses decretos, <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a> se determina a criar o melhor dos mundos. Outro diria, entretanto, que <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a> criou esse mundo por pura bondade. Outros dariam ainda diferentes motivos, não importa. O que importa para essa discussão é como o mundo se dá para nós. As ações divinas podem ser livres, como amar a si, é claro. O fato de ter escolhido este mundo e não outro demonstra escolha, mas se essa escolha é determinada pela <a href="http://www.transtorno.net/tag/necessidade/">necessidade</a> (ainda que autodeterminada) do melhor, ou pela bondade, ou por outro motivo, seria de fato livre?</p>
<p>O problema, entretanto, é que a escolha do melhor não exclui a possibilidade da escolha do pior, ou seja, decidiu-se por esse mundo, mas poderia ter sido outro. A possibilidade de um outro mundo torna evidente uma escolha livre. Colocando isso em termos humanos: o homem padrão, comum, que sai de casa todas as manhãs em <a href="http://www.transtorno.net/tag/busca/">busca</a> do sustento de sua prole tem também a possibilidade da escolha oposta, é claro. Poderia não ir. Poderia, mas ainda assim se determina e vai. <a href="http://www.transtorno.net/tag/amor/">Amor</a> à prole? <a href="http://www.transtorno.net/tag/culpa/">Culpa</a>? Medo de punição? Imperativo categórico? O que o move? Estamos claramente entrando nos domínios da <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a>. Voltamos a Deus: a <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> humana nos foi dada por decisão de sua bondade. Não é essa uma escolha <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a>?</p>
<p>Se <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">deus</a> criou o mundo dessa forma e não de outra, teve a possibilidade dos demais, mas sua autodeterminação o impediu. A <a href="http://www.transtorno.net/tag/contingencia/">contingência</a> existente foi excluída por uma <a href="http://www.transtorno.net/tag/necessidade/">necessidade</a> auto imposta. Voltamos, então, à frase de <a href="http://www.transtorno.net/tag/bataille/">Bataille</a> que abre esse texto: “A <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> não é o poder que falta a <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a>, ou que ele tem apenas verbalmente, já que não pode desobedecer a ordem que existe, de que ele é a garantia?”. <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a> “não pode desobedecer a ordem que existe”. É claro, desobedecê-la seria criar uma nova, implicando em sua imperfeição, em uma retificação da ordem anteriormente imposta, determinada como a melhor. Temos ai, além da discussão sobre a perfeição, também o bem comum, a <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a> tão evidente nos questionamentos humanos.</p>
<p>Em <a href="http://www.transtorno.net/tag/espinosa/">Espinosa</a> não me parece lógico discutir isso, pois trata-se mais de uma <a href="http://www.transtorno.net/tag/tragedia/">tragédia</a> e, portanto, uma <a href="http://www.transtorno.net/tag/contingencia/">contingência</a> levando a outra. Arrisco dizer que há uma maior evidência de <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> nesse caso. As <a href="http://www.transtorno.net/tag/escolhas/">escolhas</a> dão a <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a>, que se contamina quando a possibilidade do oposto não é data. A <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> é, portanto, diretamente ligada à <a href="http://www.transtorno.net/tag/contingencia/">contingência</a>.</p>
<p>A &#8220;<a href="http://www.transtorno.net/tag/necessidade/">necessidade</a>&#8221; de algo limita a ação da <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a>. O meio pode ou não fornecê-la, não cabe obviamente discutir <a href="http://www.transtorno.net/tag/sartre/">Sartre</a>, mas a <a href="http://www.transtorno.net/tag/necessidade/">necessidade</a> de algo, quando existe, a limita. A própria <a href="http://www.transtorno.net/tag/necessidade/">necessidade</a> de alimentar-se, por exemplo. Não é possível tomar a <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> de não se alimentar sem conseqüências. A punição implica em <a href="http://www.transtorno.net/tag/necessidade/">necessidade</a>, em bem maior, ainda que neste exemplo diga respeito apenas ao indivíduo em questão.</p>
<p>Bem maior, disse. Pois bem, diariamente pessoas acordam e, para manterem seu “melhor dos mundos”, sua alimentação, seu conforto, condições básicas ou mesmo prover para a família, limitam suas <a href="http://www.transtorno.net/tag/escolhas/">escolhas</a> de forma que essas deixam mesmo de existir, pois o próprio questionamento é aniquilado, cedendo ao comodismo e à aceitação cega de algo tão comum e tão pouco evidente.</p>
<p><a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">Liberdade</a> absoluta implica em <a href="http://www.transtorno.net/tag/tragedia/">tragédia</a> e talvez essa seja mesmo a razão da mítica dos grandes heróis: a <a href="http://www.transtorno.net/tag/transgressao/">transgressão</a> é o que serve de magnetismo, o que atrai e os diferencia dos demais. A <a href="http://www.transtorno.net/tag/transgressao/">transgressão</a> só existe quando abandonam o comum, a <a href="http://www.transtorno.net/tag/transgressao/">transgressão</a> existe quando abandonam o bem maior, quando seguem seu instinto, seu <a href="http://www.transtorno.net/tag/egoismo/">egoísmo</a> e seu destino. A <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a> é o freio da <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> absoluta, que se dá por completo no “<a href="http://www.transtorno.net/tag/mal/">Mal</a> desinteressado”, como diria novamente <a href="http://www.transtorno.net/tag/bataille/">Bataille</a>, mas não só ai. Cabe pensar em Saturno que castra Urano. Cabe pensar também a beleza de Vênus, filha desse ato, nascendo nas espumas do mar.</p>
<p>Seguir determinações morais e o bem necessário é tão limitante quando ter de acordar diariamente, trabalhar, se alimentar, procriar e repetir o ciclo. Nesse sentido, o homem comum é de fato a imagem e semelhança de <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a>.</p>
<p>Voltamos à questão do provedor que sai de casa para buscar o alimento de sua prole, cuja bondade é livremente determinada. Poderia não ser bondade, mas medo? Não sabemos de casos de pais presos por abandonar bebês? Seja por bondade, medo, ou qualquer outro motivo, o homem permite ser colocado sob freios. Não cabe, no entanto, perguntar se em algum momento uma explosão se dará, <a href="http://www.transtorno.net/tag/ruptura/">ruptura</a>, castração simbólica, ou se a aceitação da <a href="http://www.transtorno.net/tag/tragedia/">tragédia</a> estará apenas mais aprofundada a cada novo dia. Essa pergunta não faz sentido quando dirigida ao <a href="http://www.transtorno.net/tag/geral/">geral</a>, ao grupo. Cabe apenas a alguns humanos, mitos em potência.</p>
<p>A <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> humana, desvinculada da <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a>, no sentido em que não tem a preocupação de manter uma ordem universal estabelecida, nem o limitante da perfeição, baseada apenas na ignorância total ou parcial das conseqüências de seus atos, é maior que a divina. A ignorância e/ou o <a href="http://www.transtorno.net/tag/egoismo/">egoísmo</a> humano propicia a <a href="http://www.transtorno.net/tag/contingencia/">contingência</a>, enquanto que a bondade e a perfeição de <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a> criam a <a href="http://www.transtorno.net/tag/necessidade/">necessidade</a>. Que fique claro: não falo aqui de estado de natureza. Falo de outra coisa, sutilmente ainda que profundamente distinta, livre de <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a>, muito próxima da infância.</p>
<p>28/01/2009</p>]]></content:encoded>
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		<title>Infância</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Dec 2008 19:35:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Written]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[crueldade]]></category>
		<category><![CDATA[culpa]]></category>
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		<description><![CDATA[encontro os desenhos do devasso vergalho ainda cálidos sobre minha pele sulfurosa, cadentes células, traços vermelhos de contato, romper de lâminas, respostas contra meu querer sete caudas deslizam quando se enroscam, sua prole sangrando em minha pele icônica arrependido, com efeito, espero o porvir do galho, fustigando meu corpo como pássaro, couro rasgado, amarelo ouro, &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>encontro os desenhos do devasso vergalho<br />
ainda cálidos sobre minha pele sulfurosa,<br />
cadentes células, traços vermelhos de contato,<br />
romper de lâminas, respostas contra meu querer</p>
<p>sete caudas deslizam quando se enroscam,<br />
sua prole sangrando em minha pele icônica</p>
<p>arrependido, com efeito, espero o porvir do galho,<br />
fustigando meu corpo como pássaro, couro rasgado,<br />
amarelo ouro, corado pelo rubro de meu sangue oleoso,<br />
deveras louro, respingado pelo grânulo de ferro</p>
<p>ópio e demais sabores, demiurges atemporais e afetuosas<br />
queria dessas lambidas lascivas o fulgor de um lince</p>
<p>mas de relance um estampido sorrindo seco<br />
ao segurar meu braço quando defendo o peito<br />
oferecendo as costas ao rufar de trançado atento<br />
ora embebido em álcool, ora verde claro, leitoso, materno</p>
<p>amores vencidos de segunda classe<br />
fisgados pelo lampejo amorfo de minha vingança</p>
<p>exímio mártir na senda biológica de meu templo desfeito<br />
me traz em vôo seres fadados, tomados de pontas e agulhas,<br />
alimentando chamas com as memórias amputadas<br />
que minha infância belicosa me traz</p>
<p>17/11/2008</p>]]></content:encoded>
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		<title>Egoísmo e tragédia</title>
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		<pubDate>Mon, 17 Jan 2005 01:54:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Written]]></category>
		<category><![CDATA[culpa]]></category>
		<category><![CDATA[Egoísmo]]></category>
		<category><![CDATA[ética]]></category>
		<category><![CDATA[moral]]></category>
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		<description><![CDATA[Preciso escrever algo. Não sei o que, mas preciso. Estou sufocando literalmente. Sinto um nó atravessado em minha garganta e mal posso respirar. Gostaria de ter um cigarro agora, o acenderia com prazer, se é que se pode chamar assim. Parei de fumar novamente há alguns dias e então é melhor evitar ter por perto. &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Preciso escrever algo. Não sei o que, mas preciso. Estou sufocando literalmente. Sinto um nó atravessado em minha garganta e <a href="http://www.transtorno.net/tag/mal/">mal</a> posso respirar. Gostaria de ter um cigarro agora, o acenderia com prazer, se é que se pode chamar assim. Parei de fumar novamente há alguns dias e então é melhor evitar ter por perto.</p>
<p>Sabado, quase 2 da manhã. Em casa. Ótimo lugar. Se é que existe um ótimo lugar, claro. Sabe, tenho a sensação de que estou cometendo um grande erro ou de que já cometi, mas não sei exatamente qual é ou foi. Sempre há como arrumar. Mesmo? Não sei. Sei, sim, que os <a href="http://www.transtorno.net/tag/erros/">erros</a>/acertos mudam os caminhos que trilharemos. Só não sei exatamente se gostarei do que vou encontrar pela frente. Quero dizer, não sei que tipo de caminho resta depois de errar bastante.</p>
<p>Ser muito ético, moralista, etc, tem seus problemas. Vários problemas, aliás. Começa que faço as coisas pensando nos outros. Deveria começar uma escolha qualquer pensando no que EU quero, mas penso nos outros, se não vou magoar alguém, se não vou machucar. Resultado? Nó na garganta. Ninguém imagina como está doendo. E dai? <a href="http://www.transtorno.net/tag/culpa/">Culpa</a> minha. Se eu fosse mais egoista não estaria. Estaria na de alguém que não eu e eu não teria nada a ver com isso. Mesmo?</p>
<p>Meu silêncio fala por mim. Sabe como é estar em um lugar e não se achar por ali, mesmo sendo bem acostumado(a) a ele? É isso. No momento este é um ótimo lugar. Não vejo ninguém sorrindo perto de mim. Nem chorando. Mmmm&#8230; exceto eu. Chorando e rindo de minha idiotice. Perda de tempo&#8230; quem se importa?</p>
<p>Daqui a pouco amanhecerá novamente. Estou bem cansado das manhãs.</p>]]></content:encoded>
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