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	<title>Transtorno &#187; transgressão &raquo; Vertigem, Ruptura e Pensamentos Transgressivos</title>
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	<description>Vertigem, Ruptura e Pensamentos Transgressivos</description>
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		<title>&#8220;Só os neuróticos verão a Deus&#8221;</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Mar 2011 14:34:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[É notório que não atualizo mais esse espaço, que não sinto vontade, mas o texto abaixo, de Luiz Felipe Pondé, publicado na Folha de S. Paulo do dia 28/03/2011, me fez voltar aqui, mesmo que apenas para um copy&#038;paste. Isso me lembra que preciso ler o livro dele, mas preciso também ler tantos outros&#8230; Segue &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É notório que não atualizo mais esse espaço, que não sinto <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a>, mas o texto abaixo, de Luiz Felipe Pondé, publicado na Folha de S. Paulo do dia 28/03/2011, me fez voltar aqui, mesmo que apenas para um copy&#038;paste. Isso me lembra que preciso ler o livro dele, mas preciso também ler tantos outros&#8230;</p>
<p>Segue o texto:</p>
<p>Tenho pensando demais em dinheiro e sucesso. Não porque eu os tenha em excesso (haveria uma &#8220;quantidade justa&#8221; de dinheiro e sucesso?), mas porque, sem eles, somos afogados no sentimento da inexistência. Talvez por isso tanta conversa fiada sobre sermos honestos e desapegados quando, na realidade, em silêncio, babamos por dinheiro e sucesso.</p>
<p>Haverá <a href="http://www.transtorno.net/tag/amor/">amor</a> sem dinheiro e sucesso, ou terá razão o grandioso Nelson Rodrigues quando diz que dinheiro compra até <a href="http://www.transtorno.net/tag/amor/">amor</a> verdadeiro? Aqui, ele fala a anos-luz de distância da sensibilidade infantil da classe média e de seu marketing da ética que assola o mundo.</p>
<p>Quando me afundo na agonia, tenho dois profetas: Nelson Rodrigues e Fiodor Dostoiévski. Diante deles, sou um anão de Velásquez.</p>
<p>À noite, ouço a voz do demônio do <a href="http://www.transtorno.net/tag/ceticismo/">ceticismo</a> me chamando para o seu país da solidão e sua aridez de três desertos.</p>
<p>Um dos efeitos clínicos do <a href="http://www.transtorno.net/tag/ceticismo/">ceticismo</a> é a indiferença para com o que os outros pensam. Num mundo do marketing, que faz da vida um baile da monarquia francesa decadente do final do século 18, a indiferença para com o que os outros pensam é uma forma de ascese. Mas, como toda ascese, é uma danação.</p>
<p>Faz <a href="http://www.transtorno.net/tag/mal/">mal</a> pensar em dinheiro e sucesso. Meu <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a>, que escravidão! Onde me perdi?</p>
<p>Talvez na infância, quando percebi que o mundo não só é indiferente a nós, mas que nossa mãe é também uma pobre carente de <a href="http://www.transtorno.net/tag/amor/">amor</a> e que nosso pai (quando existe pai, porque pai é produto da indústria do luxo) é um coitado esmagado pela carência não só de <a href="http://www.transtorno.net/tag/amor/">amor</a>, mas também de dinheiro e de sucesso.</p>
<p>Tornei-me esse ser obscuro e muitas vezes cínico cedo demais. Digo sempre aos meus alunos que tomem cuidado com excessos de <a href="http://www.transtorno.net/tag/ceticismo/">ceticismo</a> na juventude, porque ele facilmente deforma a face, e quando se é jovem a face ainda é o espelho da alma.</p>
<p>Hoje estou em companhia de Nelson Rodrigues e sua sublime obsessão pela alma atormentada. Há dias o leio e releio, assim como quem toma um remédio acima da dose, tropeçando na água, por pura pressa de ver o mundo, de novo, por trás de sua membrana opaca. À diferença de <a href="http://www.transtorno.net/tag/kant/">Kant</a>, Nelson sim conhecia a &#8220;coisa em si&#8221;.</p>
<p>Sua peça &#8220;Bonitinha, Mas Ordinária&#8221; é essencialmente dominada pela angústia <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a> dostoievskiana. Nela, o herói, Edgar, é atormentado pela famosa frase, supostamente de Otto Lara Resende, &#8220;mineiro só é solidário no câncer&#8221;.</p>
<p>Segundo a fortuna crítica, esta sentença niilista seria, por sua vez, semelhante a uma de Ivan Karamazov: &#8220;Se <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a> não existe, tudo é permitido&#8221;; se não há <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a>, não há impedimento absoluto contra o que quisermos fazer.</p>
<p>Se o mineiro só é solidário no câncer, é porque sua solidariedade não passa de um gozo secreto pela miséria do &#8220;amigo&#8221; doente. Se a única solidariedade possível é essa, então não há solidariedade de fato, logo, não há <a href="http://www.transtorno.net/tag/esperanca/">esperança</a> para o mundo.</p>
<p>Ambas as frases decretariam o niilismo como condição amoral do mundo. E o niilismo não é uma brincadeira de adolescente que atropela gatos com sua bicicleta, é um fardo, um fado, um problema filosófico, para alguns, o maior dos séculos 19 e 20, que reuniu ao seu redor gente como Nietzsche, Freud, <a href="http://www.transtorno.net/tag/schopenhauer/">Schopenhauer</a>, Dostoiévski, Turguêniev, Cioran, Bernanos, Berdiaev e o próprio Nelson.</p>
<p>Não é o drama do &#8220;serial killer&#8221; de TV. É o drama do policial honesto diante da inexistência do bem como forma de ordenamento do mundo.</p>
<p>Não pressinto o niilismo quando escrevo por aí poemas ruins sobre a agonia dos pobres nas ruas, pressinto o niilismo quando sei que esses poemas são mentiras na forma de marketing da ética, uma especialização do recém-criado &#8220;personal marketing&#8221;. Ambos logo serão um MBA na área de recursos humanos.</p>
<p>Certa feita, falando sobre sua peça &#8220;Bonitinha, Mas Ordinária&#8221;, Nelson disse (respire fundo): &#8220;A nossa opção, repito, é entre a angústia e a gangrena. Ou o sujeito se angustia ou apodrece. E, se me perguntarem o que eu quero dizer com minha peça, eu responderia: que só os neuróticos verão a <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a>&#8221;.</p>
<p>Bem-aventurados os de sorriso raro e de beleza tímida. Bem-aventurados os que se desesperam, mas não desistem, porque deles é o reino dos céus.</p>]]></content:encoded>
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		<title>A catedral da desordem</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Nov 2010 17:54:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Relendo Roberto Piva, estou reencontrando coisas geniais, que devem ser compartilhadas, como esta, de &#8220;Os que viram a carcaça&#8221;: A nossa batalha foi iniciada por Nero e se inspira nas palavras moribundas: &#8220;Como são lindos os olhos deste idiota&#8221;. Só a desordem nos une. Ceticamente, Barbaramente, Sexualmente. A nossa Catedral está impregnada do grande espetáculo &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Relendo Roberto Piva, estou reencontrando coisas geniais, que devem ser compartilhadas, como esta, de &#8220;Os que viram a carcaça&#8221;:</p>
<p>A nossa batalha foi iniciada por Nero e se inspira nas palavras moribundas: &#8220;Como são lindos os olhos deste idiota&#8221;. Só a desordem nos une. Ceticamente, Barbaramente, Sexualmente. A nossa Catedral está impregnada do grande espetáculo do Desastre. Nós nos manifestamos contra a aurora pelo crepúsculo, contra a lambretta pela motocicleta, contra o licor pela maconha, contra o tênis pelo box, contra a rádio-patrulha pela Dama das Camélias, contra Valéry por D. H. Lawrence, contra as cegonhas pelos gambás, contra o futuro pelo presente, contra o poço pela fossa, contra Eliot pelo Marquês de <a href="http://www.transtorno.net/tag/sade/">Sade</a>, contra a bomba de gás dos funcionários públicos pelos chicletes do eunucos e suas concubinas, contra Hegel por Antonin <a href="http://www.transtorno.net/tag/artaud/">Artaud</a>, contra o violão pela bateria, contra as responsabilidades pelas <a href="http://www.transtorno.net/tag/sensacoes/">sensações</a>, contra as trajetórias nos negócios pelas faces pálidas e visões noturnas, contra Mondrian por Di Chirico, contra a mecânica pelo Sonho, contra as libélulas pelos caranguejos, contra os ovos cartesianos pelo óleo de Rícino, contra o filho natural pelo bastardo, contra o governo por uma convenção de cozinheiros, contra os arcanjos pelos querubins homossexuais, contra a invasão de borboletas pelas invasão de gafanhotos, contra a mente pelo corpo, contra o Jardim <a href="http://www.transtorno.net/tag/europa/">Europa</a> pela Praça da República, contra o céu pela terra, contra Virgílio por Catulo, contra a lógica pela <a href="http://www.transtorno.net/tag/magia/">magia</a>, contra as magnólias pelos girassóis, contra o cordeiro pelo lobo, contra o regulamento pela Compulsão, contra os postes pelos luminosos, contra Cristo por Barrabás, contra os professores pelos pajés, contra o meio dia pela meia-noite, contra a religião pelo sexo, contra Tchaikowsky por Carl Orff, contra tudo por Lautréamont.</p>
<p><em>Roberto Piva, in &#8220;Os que viram a carcaça&#8221;</em></p>]]></content:encoded>
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		<title>Liberdade, transgressão e moral</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Jan 2009 01:08:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Bataille]]></category>
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		<description><![CDATA[“A liberdade não é o poder que falta a Deus, ou que ele tem apenas verbalmente, já que não pode desobedecer a ordem que existe, de que ele é a garantia?” - Bataille in “A literatura e o Mal” Em um primeiro momento pensei “é isso” e entendi claramente o sentido de algumas coisas. Um &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>“A <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> não é o poder que falta a <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a>, ou que ele tem apenas verbalmente, já que não pode desobedecer a ordem que existe, de que ele é a garantia?”<br />
- <a href="http://www.transtorno.net/tag/bataille/">Bataille</a> in “A literatura e o <a href="http://www.transtorno.net/tag/mal/">Mal</a>”</p></blockquote>
<p>Em um primeiro momento pensei “é isso” e entendi claramente o sentido de algumas coisas. Um momento de epifania, por assim dizer. Acontece, no entanto, que as idéias continuaram transbordando desde então e novas teorias e questionamentos, opostos aos iniciais, continuaram surgindo, uma torrente de compreensão/entendimento. Me deparei e ainda me deparo com diversas questões que precisaria responder e com outras que surgiram já trazendo suas respostas.</p>
<p>As linhas que seguirão abaixo são apenas um rascunho de algo que precisará ser desenvolvido, esmiuçado e detalhado, pois tratam-se de uma breve nota sobre como me sinto agora, neste momento, enquanto questionador e questionado.</p>
<p>Sem querer entrar em uma discussão das diferenças de <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a> nas filosofias de <a href="http://www.transtorno.net/tag/leibniz/">Leibniz</a>, <a href="http://www.transtorno.net/tag/espinosa/">Espinosa</a>, Descartes ou qualquer outro filósofo, mas passando – seria impossível evitar –, ainda assim, por algumas generalidades de um e de outro, prossigo&#8230;</p>
<p><a href="http://www.transtorno.net/tag/leibniz/">Leibniz</a> afirma que a <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> divina é garantida pelos livres decretos e que, em um desses decretos, <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a> se determina a criar o melhor dos mundos. Outro diria, entretanto, que <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a> criou esse mundo por pura bondade. Outros dariam ainda diferentes motivos, não importa. O que importa para essa discussão é como o mundo se dá para nós. As ações divinas podem ser livres, como amar a si, é claro. O fato de ter escolhido este mundo e não outro demonstra escolha, mas se essa escolha é determinada pela <a href="http://www.transtorno.net/tag/necessidade/">necessidade</a> (ainda que autodeterminada) do melhor, ou pela bondade, ou por outro motivo, seria de fato livre?</p>
<p>O problema, entretanto, é que a escolha do melhor não exclui a possibilidade da escolha do pior, ou seja, decidiu-se por esse mundo, mas poderia ter sido outro. A possibilidade de um outro mundo torna evidente uma escolha livre. Colocando isso em termos humanos: o homem padrão, comum, que sai de casa todas as manhãs em <a href="http://www.transtorno.net/tag/busca/">busca</a> do sustento de sua prole tem também a possibilidade da escolha oposta, é claro. Poderia não ir. Poderia, mas ainda assim se determina e vai. <a href="http://www.transtorno.net/tag/amor/">Amor</a> à prole? <a href="http://www.transtorno.net/tag/culpa/">Culpa</a>? Medo de punição? Imperativo categórico? O que o move? Estamos claramente entrando nos domínios da <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a>. Voltamos a Deus: a <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> humana nos foi dada por decisão de sua bondade. Não é essa uma escolha <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a>?</p>
<p>Se <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">deus</a> criou o mundo dessa forma e não de outra, teve a possibilidade dos demais, mas sua autodeterminação o impediu. A <a href="http://www.transtorno.net/tag/contingencia/">contingência</a> existente foi excluída por uma <a href="http://www.transtorno.net/tag/necessidade/">necessidade</a> auto imposta. Voltamos, então, à frase de <a href="http://www.transtorno.net/tag/bataille/">Bataille</a> que abre esse texto: “A <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> não é o poder que falta a <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a>, ou que ele tem apenas verbalmente, já que não pode desobedecer a ordem que existe, de que ele é a garantia?”. <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a> “não pode desobedecer a ordem que existe”. É claro, desobedecê-la seria criar uma nova, implicando em sua imperfeição, em uma retificação da ordem anteriormente imposta, determinada como a melhor. Temos ai, além da discussão sobre a perfeição, também o bem comum, a <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a> tão evidente nos questionamentos humanos.</p>
<p>Em <a href="http://www.transtorno.net/tag/espinosa/">Espinosa</a> não me parece lógico discutir isso, pois trata-se mais de uma <a href="http://www.transtorno.net/tag/tragedia/">tragédia</a> e, portanto, uma <a href="http://www.transtorno.net/tag/contingencia/">contingência</a> levando a outra. Arrisco dizer que há uma maior evidência de <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> nesse caso. As <a href="http://www.transtorno.net/tag/escolhas/">escolhas</a> dão a <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a>, que se contamina quando a possibilidade do oposto não é data. A <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> é, portanto, diretamente ligada à <a href="http://www.transtorno.net/tag/contingencia/">contingência</a>.</p>
<p>A &#8220;<a href="http://www.transtorno.net/tag/necessidade/">necessidade</a>&#8221; de algo limita a ação da <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a>. O meio pode ou não fornecê-la, não cabe obviamente discutir <a href="http://www.transtorno.net/tag/sartre/">Sartre</a>, mas a <a href="http://www.transtorno.net/tag/necessidade/">necessidade</a> de algo, quando existe, a limita. A própria <a href="http://www.transtorno.net/tag/necessidade/">necessidade</a> de alimentar-se, por exemplo. Não é possível tomar a <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> de não se alimentar sem conseqüências. A punição implica em <a href="http://www.transtorno.net/tag/necessidade/">necessidade</a>, em bem maior, ainda que neste exemplo diga respeito apenas ao indivíduo em questão.</p>
<p>Bem maior, disse. Pois bem, diariamente pessoas acordam e, para manterem seu “melhor dos mundos”, sua alimentação, seu conforto, condições básicas ou mesmo prover para a família, limitam suas <a href="http://www.transtorno.net/tag/escolhas/">escolhas</a> de forma que essas deixam mesmo de existir, pois o próprio questionamento é aniquilado, cedendo ao comodismo e à aceitação cega de algo tão comum e tão pouco evidente.</p>
<p><a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">Liberdade</a> absoluta implica em <a href="http://www.transtorno.net/tag/tragedia/">tragédia</a> e talvez essa seja mesmo a razão da mítica dos grandes heróis: a <a href="http://www.transtorno.net/tag/transgressao/">transgressão</a> é o que serve de magnetismo, o que atrai e os diferencia dos demais. A <a href="http://www.transtorno.net/tag/transgressao/">transgressão</a> só existe quando abandonam o comum, a <a href="http://www.transtorno.net/tag/transgressao/">transgressão</a> existe quando abandonam o bem maior, quando seguem seu instinto, seu <a href="http://www.transtorno.net/tag/egoismo/">egoísmo</a> e seu destino. A <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a> é o freio da <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> absoluta, que se dá por completo no “<a href="http://www.transtorno.net/tag/mal/">Mal</a> desinteressado”, como diria novamente <a href="http://www.transtorno.net/tag/bataille/">Bataille</a>, mas não só ai. Cabe pensar em Saturno que castra Urano. Cabe pensar também a beleza de Vênus, filha desse ato, nascendo nas espumas do mar.</p>
<p>Seguir determinações morais e o bem necessário é tão limitante quando ter de acordar diariamente, trabalhar, se alimentar, procriar e repetir o ciclo. Nesse sentido, o homem comum é de fato a imagem e semelhança de <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a>.</p>
<p>Voltamos à questão do provedor que sai de casa para buscar o alimento de sua prole, cuja bondade é livremente determinada. Poderia não ser bondade, mas medo? Não sabemos de casos de pais presos por abandonar bebês? Seja por bondade, medo, ou qualquer outro motivo, o homem permite ser colocado sob freios. Não cabe, no entanto, perguntar se em algum momento uma explosão se dará, <a href="http://www.transtorno.net/tag/ruptura/">ruptura</a>, castração simbólica, ou se a aceitação da <a href="http://www.transtorno.net/tag/tragedia/">tragédia</a> estará apenas mais aprofundada a cada novo dia. Essa pergunta não faz sentido quando dirigida ao <a href="http://www.transtorno.net/tag/geral/">geral</a>, ao grupo. Cabe apenas a alguns humanos, mitos em potência.</p>
<p>A <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> humana, desvinculada da <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a>, no sentido em que não tem a preocupação de manter uma ordem universal estabelecida, nem o limitante da perfeição, baseada apenas na ignorância total ou parcial das conseqüências de seus atos, é maior que a divina. A ignorância e/ou o <a href="http://www.transtorno.net/tag/egoismo/">egoísmo</a> humano propicia a <a href="http://www.transtorno.net/tag/contingencia/">contingência</a>, enquanto que a bondade e a perfeição de <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a> criam a <a href="http://www.transtorno.net/tag/necessidade/">necessidade</a>. Que fique claro: não falo aqui de estado de natureza. Falo de outra coisa, sutilmente ainda que profundamente distinta, livre de <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a>, muito próxima da infância.</p>
<p>28/01/2009</p>]]></content:encoded>
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		<title>Única, divide e une</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Jan 2009 01:18:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Written]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[desejo]]></category>
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		<category><![CDATA[pintura]]></category>
		<category><![CDATA[sensações]]></category>
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		<description><![CDATA[ajoelha perante mim oferecendo tua palidez como agrado, padece em definitivos beijos de minhas mãos eufóricas recebe o desejo de ser minha, tecido que me envolve percebe a ânsia sádica de te aspirar qual cinzas brancas acolhe a alegre ira de minha força setentrional descobre e me devolve um sorriso opaco, ainda por se abrir &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>ajoelha perante mim oferecendo tua palidez como agrado,<br />
padece em definitivos beijos de minhas mãos eufóricas</p>
<p>recebe o <a href="http://www.transtorno.net/tag/desejo/">desejo</a> de ser minha, tecido que me envolve<br />
percebe a ânsia sádica de te aspirar qual cinzas brancas<br />
acolhe a alegre ira de minha força setentrional<br />
descobre e me devolve um sorriso opaco, ainda por se abrir</p>
<p>sorri queimando o sangue do sol que se põe ao entardecer<br />
quase escuro, o cinza expansivo abre a espera por mais</p>
<p>vive o querer de meus dedos animais em teus cabelos doloridos<br />
divide o latejar que me provocas com a <a href="http://www.transtorno.net/tag/dor/">dor</a> de te manter próxima<br />
experimenta o respirar de minhas mãos que te amam loucamente<br />
sente o sofrer amarelo de ser minha amante</p>
<p>meu perceber deveras novo cambaleia exausto em preciosidades<br />
quando te deito ao meu lado, quase roxa, desfalecendo delicada<br />
e te amo uma vez mais</p>
<p>finada é a noite torpe, consumida por feitios anteriores</p>
<p>09/12/2008</p>]]></content:encoded>
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		<title>Satanismo</title>
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		<pubDate>Tue, 23 Dec 2008 01:37:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O texto abaixo é de autoria de Hildebrando de Lima e foi resgatado de uma biblioteca por Sérgio Lima, de quem tirei a cópia que tenho em mãos, que o levou a uma reunião do Grupo Surrealista de São Paulo em 1992. Não tenho a fonte do texto, haja visto que por uma infelicidade não &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O texto abaixo é de autoria de Hildebrando de Lima e foi resgatado de uma biblioteca por Sérgio Lima, de quem tirei a cópia que tenho em mãos, que o levou a uma reunião do Grupo Surrealista de São Paulo em 1992. Não tenho a fonte do texto, haja visto que por uma infelicidade não tirei cópia desses dados, mas sei que é de 1928 e é com o português de então que você irá encontrá-lo.</p>
<p>Procurei por esse trabalho na net há algum tempo e não o encontrei, dai a <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a> de colocá-lo aqui. Algumas coisas não deveriam ser esquecidas e perdidas, simples assim.</p>
<p>Segue:</p>
<p>- Tu também, Luis, chamares-me de louco!</p>
<p>E um esgar abriu-lhe a bocca, num sorriso ironico, em que os dentes ponteagudos, como talhados a formão, enegrecidos pelo uso do &#8220;haschich&#8221; e da nicotina, punham uma nota selvagem, suja, sob o lábio delgado, espiritualisado&#8230;</p>
<p>- São raras as Lindamôres na terra em que eu nasci, que não os tenham assim, como lanças! Mas a Lindamôr de que falo eu&#8230; Louco!? Tens, porém, razão de sêres cego&#8230; Surdo&#8230; E mudo&#8230; O mundo exterior não existe para ti. Muito menos o interior. Olha, as <a href="http://www.transtorno.net/tag/sensacoes/">sensações</a> são grãos. As deformações que ellas trazem são grãos, padrões, medidas de aferição&#8230;</p>
<p>- Estygmas&#8230;</p>
<p>- Estou a ver, porém, que não me comprehendes. Não me compreenderás jamais&#8230; Lindamôr&#8230; Oh! a agudeza dos seus sentidos a apontar para o alto, como uma flecha lançada! Tu não sabes absolutament o que está do outro lado do prazer&#8230; que tu chamas dôr&#8230; com periphrases de ungentos e de emplastos&#8230; Tu procuras equilibrio para o teu espírito na insensibilidade, na indifferença, no comodismo, em todos os &#8220;ismos&#8221;, em todos os &#8220;ades&#8221; e &#8220;enças&#8221; dos antiloqueos burgueses, inexpressivos, idiotas&#8230; Louco, chamo-te eu, meu insensivel, meu indiferente, meu commodo Luis! Louco como o mais louco. O que ha de facto por ahi, e é o teu caso (casos de manicomio), são espiritos embotados, sensibilidades estreiras, inextensiveis. Esticadas, essas sensibilidades, por poquinho que seja, arrebentam. Uma cocegazinha, eil-os a rir. Uma alfinetada fal-os chorar. Principalmente se esperam a alfinetada (no que entram o sensorio e a intelligencia como partes). Lindamôr! Dava-se com seu genio a solidão. Era de vel-a, quase bella, com os seus dentinhos cortados em ponta, as suas sobrancelhas arqueadas, os seus vestidos de chitão vermelho e o beicinho tremulo, bru-u-u-u-u-u-u&#8230; com que correia as capoeiras vizinhas, o chiqueiro e o curral. Naquelle dia de nuvens escondidas no céo, ella mesmo fôra dar a ração aos bacorinhos que grunhiam gulosos no chiqueiro. De volta descansou a gamella num velho coxo de madeira e deixou-se cahir sobre o velho tronco de araticum, onde a fazer lenha, exercitava os musculos e estimulava e (oh! coisa paradoxal) afogava, neutralizava o meu prurido doentio de destruição. As suas mãos, uma deixada no regaço, outra arrastando no chão, sobre as aparas de madeira que meu machado cortava nervosamente, tiveram um ligeiro movimento convulsivo, quando della me aproximei de machado em punho&#8230; E só. E eu? Tremendo, tiritando de medo e de emoção&#8230; Levantei outra vez o machado sobre sua cabeça&#8230; Nunca me julguei tão fraco para o <a href="http://www.transtorno.net/tag/amor/">amor</a>. Deixei-o cahir para um lado e ajoelhei-me a seus pés. E com a cabeça no seu regaço tentei acalmar-me. Debalde, porém. Os teus nervos não permittem, nem por minucias, o relato desta história toda&#8230; Levantei-me de um salto, as suas mãos entre as minhas, e cobri-as furiosamente de beijos. Saquei do punhal&#8230; Que mascaras admiraveis se plasmaram no seu rosto de linhas vulgares! Principiei cortando-lhe os dedos da mão, phalange a phalange. E para reanimal-a, injectava-lhe ether de vez em quando&#8230; Ao desgarrar de um tendão, os seus empinaram-se-lhe, tão duros que enlouquecido de <a href="http://www.transtorno.net/tag/amor/">amor</a>, arranquei-lhe os bicos com os dentes&#8230; Duas lagrimas de sangue correram-lhe o torso abaixo. Dos meus labios humidos e rubros fluiam palavras angelicas, que se <a href="http://www.transtorno.net/tag/mal/">mal</a> ouviras, peior comprehenderas. Os seus olhos foram-se fechando devagarinho&#8230; Estava realizado enfim, o meu sonho de posse no absoluto, de gloria no <a href="http://www.transtorno.net/tag/amor/">amor</a>, de previdencia contra a saciedade, e sobretudo, de prevenção contra as mil infidelidades em que é fertil o engenho feminino&#8230; Estava realizado o meu sonho e de morte e de belleza, alliviada a oppressão da minha febre immortal. Foi minha, destrui-a. Não com palavras, ou com os sentimentos vermelhos que o commum dos homens trazem dentro do peito, e cóleras contidas, e hypocrisias, mas com actos, heroicamente&#8230; Na destruição o absoluto&#8230; São gestos eternos que não se renovam. Só o marmore os permite. Com o escopro&#8230; Golpe por golpe.</p>
<p>- Hildebrando de Lima, Satanismo, 1928</p>]]></content:encoded>
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		<title>Ocultismo</title>
		<link>http://www.transtorno.net/ocultismo/</link>
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		<pubDate>Wed, 17 Dec 2008 22:44:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Written]]></category>
		<category><![CDATA[abismo]]></category>
		<category><![CDATA[alquimia]]></category>
		<category><![CDATA[ocultismo]]></category>
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		<description><![CDATA[A Qabalah de meu nome significa Treze, ainda que Doze seja o que sou Sob as megeras cartas de meus arquétipos, pequenos reflexos de homéricas tendências, encontro A letra no quebrar de Ayin Aleph-Início e Aleph-Alpha em Set-Shaitan a conjuração nefasta Sete guia-me para o Dois, que se torna Três tal o Eros da Transmutação &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A <a href="http://www.transtorno.net/tag/qabalah/">Qabalah</a> de meu nome significa Treze,<br />
ainda que Doze seja o que sou</p>
<p>Sob as megeras cartas de meus arquétipos,<br />
pequenos reflexos de homéricas tendências,<br />
encontro A letra no quebrar de Ayin<br />
Aleph-Início e Aleph-Alpha<br />
em Set-Shaitan a conjuração nefasta</p>
<p>Sete guia-me para o Dois, que se torna Três<br />
tal o Eros da Transmutação</p>
<p>Sacerdotisa, feminina, poder combinado-absoluto<br />
aprofunda na carne de Zero o segredo de tuas unhas,<br />
o <a href="http://www.transtorno.net/tag/abismo/">Abismo</a> profundo vivente em Daleth</p>
<p>Em ambos os rituais não me iludo:<br />
o final de tudo reside no Seis<br />
as matemáticas relativas dos nomes<br />
dos Arcanos, transformados no Dezesseis!</p>
<p>18/11/2008</p>]]></content:encoded>
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		<title>Magnetismo Universal</title>
		<link>http://www.transtorno.net/magnetismo-universal/</link>
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		<pubDate>Sun, 14 Dec 2008 03:10:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Written]]></category>
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		<description><![CDATA[Nesta enseada de vísceras dispersas, branco intenso de gotas transparentes, cidade que se esconde pálida em tua aparência de veludo, seda e carbono, que cega as milhares de perfeitas constelações gregas, erguidas há milênios como símbolos de inspiração abissal, olho para a bússola de meus horizontes cândidos onde me encontro arfante amarrado. Vem, abre o &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nesta enseada de vísceras dispersas, branco intenso de gotas transparentes, cidade que se esconde pálida em tua aparência de veludo, seda e carbono, que cega as milhares de perfeitas constelações gregas, erguidas há milênios como símbolos de <a href="http://www.transtorno.net/tag/inspiracao/">inspiração</a> abissal, olho para a bússola de meus horizontes cândidos onde me encontro arfante amarrado.</p>
<p>Vem, abre o manto d’água que respinga junto a mim, queimando em folhas minha pele e minhas escamas. Vem, abre o mar e me aguarda, indica a espuma de onde surgiste em cada onda, aponta os céus e respira, tirando vida do barro que me cobre. Vem, queima com a sutileza de tua voz as amarras que me cortam quando me apontas o mundo sorrindo e soletra perversa a luz que me afoga.</p>
<p>Cria vida nessa escuridão que alastra em mim, cria vida nesse alarde que faço no vazio que preenches com teu sermão vermelho. Faz de mim o arco que tensiona ao puxar minha alma alaranjada, refletindo palidamente tua cor de chamas, que chama meu falo erguido à divindade, cravo profundo nas aparas vivas, dívida para com a natureza.</p>
<p>Ergo me sempre para jamais questionar se as cores, cortes e cheiros que chegam junto a meus sentidos, buscando a essência da hipnose, são passageiras ou se são guias, se se deixam levar ou se levam como um oceano de sal que jorra de mim, varrendo a terra passiva, que se umedece e abre com o calor da afeição e dos ardis da semente.</p>
<p>Abro meus braços cicatrizados deixando que teu norte me guie, encontro destino em todos os cardeais, magnetismo absoluto que me desvirtua, corrompe e perde quando moves meu ponteiro, que te adentra como grão e prisma de cores estapafúrdias, selecionadas uma a uma, sem me incomodar se é o caminho da mão esquerda perante o qual meus joelhos dobram se busco minhas forças recompostas.</p>
<p>Faz das formas gigantes, absolutas e milimétricas, da pureza assassinada de todo ser, de minha cegueira, faz de tudo que se move e do porvir pura aniquilação!</p>
<p>Quando me perco, sem ver insetos e rastros ondulantes no céu almiscarado, me esqueço. Quando me perco, me encontro navegando questões filosóficas e existenciais: se o entardecer é mais cadenciado nas manhãs de inverno, se o sol aquece formigas solitárias no verão de outros continentes, se o frio dos pólos tornaria minha pele sólida, uma vez amaciada pelos beijos que arrancam minhas formas em camadas.</p>
<p>Exposto unicamente, perduro na essência única da união, extrema unção, do óleo que cobre tua testa, olhos e lábios rubros, dos impronunciáveis nomes, dos números infinitos e suas combinações, do <a href="http://www.transtorno.net/tag/ocultismo/">ocultismo</a> e seus <a href="http://www.transtorno.net/tag/segredos/">segredos</a>.</p>
<p>Duplamente, perduro onde termino e recomeço, onde o reino dos mortos passa por nós, rápido e afobado, sob o signo de escorpião, ao renascer na sentença de vida, na boca aberta de <a href="http://www.transtorno.net/tag/desejo/">desejo</a> que se fecha, reiniciando a unidade do culto dos astros.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Amanhecer no Inferno</title>
		<link>http://www.transtorno.net/amanhecer-no-inferno/</link>
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		<pubDate>Thu, 11 Dec 2008 01:59:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Written]]></category>
		<category><![CDATA[abismo]]></category>
		<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[crueldade]]></category>
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		<category><![CDATA[surrealismo]]></category>
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		<description><![CDATA[Sem lágrimas, o senhor dos campos prepara seu desjejum entre dilúvios infindáveis. O dia surgia aguado, observando ainda sutil por entre os seios da terra, no momento em que os cristais d’água se transformavam. Ora, os discrepantes reinos, eletrificados no fastio dos pólos, reagente às mortais aberrações que gritam na natureza madre, não são também &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sem lágrimas, o senhor dos campos prepara seu desjejum entre dilúvios infindáveis. O dia surgia aguado, observando ainda sutil por entre os seios da terra, no momento em que os cristais d’água se transformavam. Ora, os discrepantes reinos, eletrificados no fastio dos pólos, reagente às mortais aberrações que gritam na natureza madre, não são também a casa que emana as sendas dos aprendizes alquímicos?</p>
<p>Mas nem perdão nem tragédias ofuscariam o retorno do alvorecer doentio, cabendo às tormentas, em todo seu esplendor, invadir mares e terras, ocidentais e orientais, lançando corpos pela estrada em que um vidente-viajante <a href="http://www.transtorno.net/tag/busca/">busca</a> a feição que mais lhe agrade, tendo à escolha todos os corpos perdidos entre pedras e lama.</p>
<p>Borboletas, temendo rotinas efervescentes, adornam a moldura do horizonte oblíquo, descontínuo, enquanto pendem às rotas ígneas os demônios pequenos, olhos faiscantes e emitindo ondas. Semelhante às dores de um parto, somadas às dores de estômago infernalmente pontiagudas e afiadas &#8211; para saná-las, os habitantes são banhados em vinagre e álcool -, o bater de asas move o globo em torno de seu eixo.</p>
<p>A força dos dedos anular e indicador, enterrados na carne de uma donzela, à altura do peito, em <a href="http://www.transtorno.net/tag/busca/">busca</a> do coração que servirá de alimento – apenas após temperado, que fique claro -, compara-se ao sopro de minha voz em uma manhã gloriosa, diferenciando-se também da qualidade dos orgasmos provocados quando se toca a baioneta afiada, provocante e diversa.</p>
<p>Em torno do anel-espiral que as lâminas abrem no ponto exato da carne levemente pálida, a boca aberta em espasmos contrai seus músculos do ventre à garganta, lançando jatos de sangue, vomitados através do ar com sua ajuda. Os olhos se contraem nas mais desesperadas linhas, obrigando a face a acompanhá-los em seus movimentos ondular-requebrantes, como que aliados ao sismógrafo, perdido quando a terra <a href="http://www.transtorno.net/tag/danca/">dança</a> sob meus pés.</p>
<p>O restante do corpo é preenchido com a seiva da eternidade, popularmente conhecida como formol, dando à luz um filho que levará o nome de Embalsamado. Nele frutificarão os germes da idolatria mítica, acolhidos com fervor pela massa desfigurada, amotinante, descomplexa, incubada e inoculada, grunhindo deboches estéreis que caem pelas ventas e ouvidos, podres como uma pasta malcheirosa.</p>
<p>Entre as milhares de sentenças que podem ser encontradas em <a href="http://www.transtorno.net/tag/livros/">livros</a>, desde os de caligrafia até os filosóficos, ruínas emergentes se escondem: os mistérios da mente são maiores que os do corpo, já invadido por bisturis, sondas e radiografias, liderados por membros de sociedades obstinadas.</p>
<p>Meu paladar se delicia com os órgãos aflitos: imagino despojos femininos me afagando e lançando sua saliva contra meu rosto coberto de feridas, tomando meu brilho em seu olhar ao me perfurar com os talheres que outrora usei. Da lâmina à cama, mais uma vez a morte faz leito sobre corpos que repousam, abafados pelo calor da respiração ofegante e do coração sincopado.</p>
<p>Observo os lugares tomados em volta da gigantesca mesa, bordada e decorada com dentes serviçais, castiçais ergonômicos e fadigas uterinas. Meu olhar torna-se rubro como o vulcão que tudo à volta destrói, por certo criado em banhos de cera fervente, ao perceber que o deleite que me toma nada espanta aos convivas e habituais. A esfera epil<a href="http://www.transtorno.net/tag/etica/">ética</a> dos corpos unidos desmaia mesmo a apoplexia que sorri no gozo.</p>
<p>Celebramos, portanto, nessa manhã, a orgia infindável da Trindade da Carne. Desfeitos e complexos, infinitos, a luxúria do vinho e do sangue, do paladar da pele, o mergulho da entrega, o dar-se ao eterno.</p>
<p>Brindamos nessa manhã o ciclo que abraça, a <a href="http://www.transtorno.net/tag/vertigem/">vertigem</a> que aquece.</p>
<p>Saturno implora pela repetição refletida em seus anéis, dando ao mar o nascer da estrela da manhã: Vênus e Marte traçam linhas desde tempos ancestrais.</p>
<p>Somos Dois à mesa posta.</p>
<p>São os Três eternos a nos mimar.</p>
<p>A luz de Kether acima.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Retorno e movimento</title>
		<link>http://www.transtorno.net/retorno-e-movimento/</link>
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		<pubDate>Sat, 15 Nov 2008 23:44:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Written]]></category>
		<category><![CDATA[Bataille]]></category>
		<category><![CDATA[dialética]]></category>
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		<category><![CDATA[surrealismo]]></category>
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		<description><![CDATA[Mais um dos textos que estavam esquecidos em algum lugar, nas gavetas de casa. Revirar as gavetas faz com que eu revire também as internas. Segue: O corpo único, vertiginoso em todo seu momento, incorpora duos. Perde-se em si próprio em um ciclo que, quando completo, se reinicia: espiral que aumenta a perda/ganho, mais-querer. É &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mais um dos textos que estavam esquecidos em algum lugar, nas gavetas de casa. Revirar as gavetas faz com que eu revire também as internas.</p>
<p>Segue:</p>
<p>O corpo único, vertiginoso em todo seu momento, incorpora duos.</p>
<p>Perde-se em si próprio em um ciclo que, quando completo, se reinicia: espiral que aumenta a perda/ganho, mais-querer.</p>
<p>É necessário o reiníncio que unicamente pode substituir a frustração pelo êxtase, como diria <a href="http://www.transtorno.net/tag/bataille/">Bataille</a>, &#8220;ele mesmo é a mulher já esquecida da presença dele, mas excitada no aperto de seus braços&#8221; ou, em Nietzsche, &#8220;todo prazer requer eternidade&#8221;.</p>
<p>Sim, é este eco que se faz ouvir, no brado do sensível a <a href="http://www.transtorno.net/tag/busca/">busca</a> do gozo impossível, do extremo que ultrapassa o coito. Transgressão: <a href="http://www.transtorno.net/tag/busca/">busca</a> de retorno progressivo à situação natural, de onde surge o apelo de vida, o apelo de morte, o <a href="http://www.transtorno.net/tag/amor/">amor</a> que rege o homem-natural, solitário, única chama, acompanhado do impulso erótico que mantém acesa a <a href="http://www.transtorno.net/tag/busca/">busca</a> inatingível do Super-Homem.</p>
<p>&#8220;O movimento é figura do <a href="http://www.transtorno.net/tag/amor/">amor</a> (&#8230;) e o esquecimento que vai condicioná-lo&#8221;. Novamente recomeçará o movimento, assumirá seu ritmo, mantendo a dial<a href="http://www.transtorno.net/tag/etica/">ética</a> de vida e de morte se enlaçando.</p>
<p>Corpos em furto mútuo de complementação/continuação. Inacabável explosão que exige seu fim para renascer. Essa Fênix interna alimenta o consciente com <a href="http://www.transtorno.net/tag/sensacoes/">sensações</a> e tira sua lógica entregando-o ao outro, incorporando-o, completando o ciclo, expandindo-se em si próprio.</p>
<p>Espiral: do fim ao começo, do meio ao começo e ao fim a superação grita seu espaço, se expandindo/superando em torno do centro, o imaginário.</p>
<p>Este movimento se torna mortal em uma relação de dependência extrema, onde se recria ou se morre/ assassina.</p>
<p>A natureza exige ser recriada sobre a pena de recriar.</p>
<p>- Algum dia de 1991</p>]]></content:encoded>
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		<title>Premissas</title>
		<link>http://www.transtorno.net/premissas/</link>
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		<pubDate>Fri, 14 Nov 2008 03:31:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Written]]></category>
		<category><![CDATA[desejo]]></category>
		<category><![CDATA[dialética]]></category>
		<category><![CDATA[premissas]]></category>
		<category><![CDATA[ruptura]]></category>
		<category><![CDATA[surrealismo]]></category>
		<category><![CDATA[transgressão]]></category>

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		<description><![CDATA[Este texto foi escrito há muitos anos para integrar um trabalho do Grupo Surrealista de São Paulo, que seria entregre ao grupo da Espanha. Na verdade não sei como isso ficou e nem se foi enviado, mas um dos meus trabalhos (eram vários) foi esse. Os demais (desenhos e colagens) não ficaram comigo e não &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Este texto foi escrito há muitos anos para integrar um trabalho do Grupo Surrealista de São Paulo, que seria entregre ao grupo da Espanha. Na verdade não sei como isso ficou e nem se foi enviado, mas um dos meus trabalhos (eram vários) foi esse. Os demais (desenhos e colagens) não ficaram comigo e não tenho cópias, uma pena.</p>
<p>Segue:</p>
<p>Partem juntas e caminham juntas. Mesmos caminhos e situações se repetem, cabendo ao objetivo ver e re-criar as portas, transgredindo a cada vez. <a href="http://www.transtorno.net/tag/premissas/">Premissas</a> são o ser e seu <a href="http://www.transtorno.net/tag/duplo/">duplo</a>, sem que um saiba quem é o outro, sem que saiba quem é o ser, sendo um.</p>
<p>Não há paz duradoura. Não quero paz duradoura! O anel deve-se romper, criando outro e outro: uma espiral. Qual movimento é mais belo entre o abrir e o fechar de uma rosa? Na idéia de subversão da lógica, de inversão, está a violência e no fechar está a beleza. No todo está a <a href="http://www.transtorno.net/tag/ruptura/">ruptura</a>. O despedaçar de uma faísca amendoada num reator termo-corporal é tão velo quanto o despedaçar do corpo por uma faísca amendoada.</p>
<p>Esta espiral pode ser esticada, traçando um caminho. Resta a cada ser localizar o ângulo de posicionamento da reta obtida: a mediocridade da horizontalização ou a verticalização (retorno progressivo). Novamente as pontas dessa reta tocar-se-ão, traçando um anel que, rompido, dará origem à nova espiral.</p>
<p><a href="http://www.transtorno.net/tag/premissas/">Premissas</a> são o <a href="http://www.transtorno.net/tag/desejo/">desejo</a>, partida única.</p>
<p>10/1992</p>
<p>&#8211;<br />
Comentários rápidos, 16 anos depois:<br />
- abusei!<br />
- ainda vejo o mesmo simbolismo em muita coisa. Sei o que &#8220;faísca amendoada&#8221; significa, por exemplo;<br />
- escrevia melhor antes;<br />
- entendia mais de dial<a href="http://www.transtorno.net/tag/etica/">ética</a> lendo Hegel por brincadeira do que lendo a sério, pra faculdade;<br />
- por fim, me orgulho de ter rabiscado isso aos 19 anos.</p>]]></content:encoded>
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