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	<title>Transtorno&#187; vertigem &raquo; Vertigem, Ruptura e Pensamentos Transgressivos</title>
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	<description>Vertigem, Ruptura e Pensamentos Transgressivos</description>
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		<title>A lagarta</title>
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		<pubDate>Sat, 29 Aug 2009 18:20:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
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		<category><![CDATA[labirinto]]></category>
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		<description><![CDATA[O verde se desfaz sob pés ingratos, desaparece o solo, vértebras cortadas por rios e milhares de afluentes. Saltam por sobre o musgo aveludado as veias firmes de tecido sólido, oblíquo em vastas proporções, aparado por dezenas de lâminas naturais, roucas em seu cortar celeste. Deveras seco seria se suas águas verdes não fossem também [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O verde se desfaz sob pés ingratos, desaparece o solo, vértebras cortadas por rios e milhares de afluentes. Saltam por sobre o musgo aveludado as veias firmes de tecido sólido, oblíquo em vastas proporções, aparado por dezenas de lâminas naturais, roucas em seu cortar celeste.</p>
<p>Deveras seco seria se suas águas verdes não fossem também seu sangue imerso, imenso, intenso, vivo e perfeito, de anomalias liberto, amoral e complexo.</p>
<p>Ah, como derrama! Fios sóbrios sobre aroma cultivado&#8230;</p>
<p>Milhares de universos dissimulam sob os diversos pés e seus corpos listrados, esgueirando-se furtivamente e consumindo as bases macias de fronteiras lubrificadas por óleo e água.  Furtivas são as tendências de seus vícios&#8230;</p>
<p>Se unem e se tocam, arredondados, cilíndricos, ora coberto de pêlos, ora expostos, pele multicor.</p>
<p>Nada vemos, dispersos que somos.</p>
<p>Não percebo a pequena boca que se abre devorando o corpo que se sustenta, saliva a cobrir o objeto em que se apóia ereta.</p>
<p>Boca pequena, ácida, em atrevida antena.</p>
<p>Pudera me dar ao prazer único, intenso e breve de esmagar a ambos. Faria disso uma explosão tão potente que desfaleceria seco, coberto por seu óbito, sorrindo quando se vê indefesa.</p>
<p>Ora, o toque!</p>
<p>Um tapa, uma foice, um pássaro. Pequenas ou grandes armas, simples ferramentas. O jorrar sadio do branco sal! Tudo isso te aniquila.</p>
<p>Amarela e negra, em ondas senóides, se move enquanto decido teu fim, corada e com a face em chamas por irreversível decisão. Ah, tenha certeza, faça disso tua memória: como você terei outras tantas e decidirei novamente, mas és única sob meu poder limitado, como também são todas as ações. Únicas no momento, diversas no eterno <a href="http://www.transtorno.net/tag/efemero/">efêmero</a>.</p>
<p>Crisálida não serás, toma o tormento de minha presença!</p>
<p>Transformação&#8230; Não, não! Jamais! A decisão é necessária, mas observo&#8230;</p>
<p>Vejo teu universo desaparecendo e sei logo que conquistarás outro, rastejando, pois nunca alçarás vôo. Penso em te impedir, certo de poder através de qualquer método e isso me sufoca: tenso que estou, cego por minha certeza, encontro tantas opções que me inflamo de êxito antecipado e jamais saberei qual a melhor forma para meu prazer.</p>
<p>Fugidio é o momento, minha decisão me toma de sobressalto sobre a areia roxa do solo infestado. Os múltiplos enobrecem tua cadela da misericórdia e me enfraquecem. Ah, fossemos apenas dois! Seria simples fazer desse segundo decisivo a nossa Sodoma, eternizada em fogo, desmembrada pelo intenso rio de lava que brota na morada de Heféstos. Milênios nos assistiriam e se perguntariam que prazer houve naquela face hedionda no momento da asfixia.</p>
<p>Tuas cores e movimentos, teus poucos cabelos, a relva que se faz escassa, os traços suaves, longos e perfeitos de tuas mordidas. Não vejo marcas de dentes, como pode? Tua boca não os tem, regada em um reino apostólico. Abraça mais uma vez o galho e caminha.</p>
<p>És horrível, demonstração de desprezo, como as outras milhões que representa. A natureza cruel se redime em seu respeito por ti. Se alimentas buscando a mutação, experiência transformadora &#8211; não é óbvio? -, sentença de tua sina, mas a beleza das asas será tirada pela mão decidida que toca o sino, destruindo a simetria do ambiente com ruídos metálicos.</p>
<p>Sino, movimento, sina.</p>
<p>Farfalhos, pequenos ruídos engolfados pela urgência das árvores irritantes, deflorada pela fatalidade gratuita dos ventos molhados. Sequer uma vez questionaram, não lhes foi dada escolha: movem-se pelo sopro. Não seremos nós apenas pequenas tempestades? Ou grãos de areia decolando com grandes tornados?</p>
<p>Ouço uma gargalhada&#8230;</p>
<p>Nada, apenas o rufar de galhos dançantes, arrojados, forjados em coleiras e cóleras, livrando o rio de tuas seivas de teu detestável paladar.</p>
<p>Indeciso.</p>
<p>O corpo do astro, perfeito e insólito, sob as pinhas infectas aguarda. Não percebemos seu tempo, suas pequenas sinapses. Vemos, no entanto, sua raiva incontida, nunca encapsulada, manifesta nos gritos da brisa cortante e perversa, cruel em tudo que toca.</p>
<p>Ouço asas.</p>
<p>O esgar é agudo, porém preciso, certeiro em sua visão decorosa. Se aproxima, bicos negros bem abertos, berrando em direção oposta às curvas da estrada cortante, um perímetro afunilando-se em ângulos descendentes, defesa rubra de sua vida determinada.</p>
<p>Em cordeiro te transforma, entregue às farpas longilíneas de penas cruéis.</p>
<p>Ah, minha indecisão!</p>
<p>Acreditei ser maior, terrível, ilimitado quando decidia teu destino. Sim, há poder na escolha, no amedrontar que o olhar diverso toma sobre as Moiras e suas linhas.</p>
<p>O prazer da escolha&#8230;</p>
<p>Há poder ainda na decisão. Ah, minha dúvida, <a href="http://www.transtorno.net/tag/mal/">mal</a> percebi que enquanto determinava o destino da pequena rastejante eras tu que rias de mim, que brincavas comigo. Ouvi no trepidar das folhas tua risada histérica.</p>
<p>O grande corvo negro, preciso e cirúrgico em seu vôo educado me tirou o brilhante gozo, gosto de esmagar-te, oh verme colorido. Teu sangue verde-escurecido que se mistura às folhas de pêssego alimentará a prole que cresce em alguma floresta católica.</p>
<p>Outros universos se encontram ao meu alcance e neles escolherei voluptuosas lagartas enfermas, envoltas em cordões de seda e tecidos elásticos, vestes nobres, que seja, esperando pela <a href="http://www.transtorno.net/tag/liberdade/">liberdade</a> dos ares enquanto simples e efetivamente rastejam ou adormecem envoltas em um sono que Morfeu ignora.</p>
<p>A lança noturna te afasta de mim, minhas mãos entristecem.</p>
<p>Guardo a violência de meu torque para outro momento, dos quais alguns serão desfeitos, outros levados e tantos ainda cheios de cores e reflexos ameaçadores.</p>
<p>Todos rastejam.</p>
<p>Quem és tu que emana o som infame do sarcasmo por sobre meus ouvidos rasgados?</p>
<p>Ora, dúvida, vejo-te a me abandonar, estou certo? Seria esse o momento tão esperado, o domínio da certeza? Não sei &#8211; a dúvida não me abandonou completamente, percebo -, mas sinto o tremer das mãos, o corpo secretando adrenalina, a visão focada, turva, os dentes rangendo e ruindo&#8230; Pois bem! Sinto que te encontrei!</p>
<p>Aquele pássaro, sombra escura que te arrastava, passou irônico, quase zombando, perto de meus olhos cegos pela ingratidão de perder-te. Ah, o deleite! Foi então que percebi que o prazer maior da espera não é tirado pela dúvida e pela razão, pelas <a href="http://www.transtorno.net/tag/escolhas/">escolhas</a> e aparências, pelas oportunidades e opções. Não, nunca! O momento é exato e pulsamos em ritmo único com o metabolismo do cosmo, engrenagens úteis, embora únicas. Pulsamos, somos sístole e diástole, <a href="http://www.transtorno.net/tag/contingencia/">contingência</a> e <a href="http://www.transtorno.net/tag/necessidade/">necessidade</a>, prece e maldição.</p>
<p>Estendi a mão tensa e afiada, pregos abertos, cravos empalando o ar em direção à sombra opaca que grita fielmente, informando a todos sua vitória. Abri caminho por sobre os ruídos secos e fiz com que a química da atmosfera se movesse tão rapidamente que um assobio foi ouvido, unificado aos gritos de <a href="http://www.transtorno.net/tag/dor/">dor</a>. Todo ruído se fez um naquele momento: o moribundo suspirando em um deserto asiático ou a zebra tombando na savana. Todo ruído foi tua morte, som, tudo foi <a href="http://www.transtorno.net/tag/musica/"><a href="http://www.transtorno.net/musica/">música</a></a> naquele instante, atravessado estava em minha lança, soluçando pelo fim abreviado.</p>
<p>O poder infalível da escolha me deu ainda uma opção secreta. Ante todas estava outra que jamais encontraria. Presenteado que fui, vi o verme tomado pelas asas que um dia desejara e as destruí, tomado pela fúria de terem te tirado de mim. Certeiro foi o ódio, a oportunidade que me trouxe o acaso de teu vôo&#8230;</p>
<p>E de simples coadjuvante passaste a Rei em meu tabuleiro: através de tua união, percebi que reduzir dois a apenas um me faz maior que a pureza das <a href="http://www.transtorno.net/tag/escolhas/">escolhas</a> matemáticas, ainda que infinitas. Observar uma vida tomar a outra e reduzir ambas a nada me exita ainda mais!</p>
<p>Passaste então ao foco: me fizeste <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a>, emanando luz sobre ti da escuridão em que me encontro!</p>
<p>25-26/08/2009</p>]]></content:encoded>
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		<title>Oferendas secretas do rito lunar</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Jan 2009 23:34:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Cachoeiras de rios dançantes inundam meus veios estáticos Escoando no horizonte céus de pânico no morrer do Sol Véus etéreos, vingativos, torrentes translúcidas de sabor disforme O ocre úmido dissolvido na atmosfera inunda minhas narinas Aromas e ventos de sobrevida pudica e insensata Serenas gotas cremosas e rebentos fomentam o ar Partículas atômicas refletem a [...]


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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Cachoeiras de rios dançantes inundam meus veios estáticos<br />
Escoando no horizonte céus de pânico no morrer do Sol<br />
Véus etéreos, vingativos, torrentes translúcidas de sabor disforme</p>
<p>O ocre úmido dissolvido na atmosfera inunda minhas narinas<br />
Aromas e ventos de sobrevida pudica e insensata</p>
<p>Serenas gotas cremosas e rebentos fomentam o ar<br />
Partículas atômicas refletem a luz incidente<br />
Agredidas por rochas antigas e salutares, suspensas,<br />
Esverdeadas pela imobilidade calma dos séculos,<br />
Tomadas por elementos terrosos e fundamentais</p>
<p>O gosto férreo do sangue me cai, dizendo baixo o querer<br />
Meus sensores vermelho-tingidos no imediato leito<br />
Dentes e língua enevoados<br />
Quente fluxo pela Lua marcado</p>
<p>- A pube clara é velada no culto ancestral proibido</p>
<p>Paisagem alterada, passado corrente se faz aqui<br />
Mil tonéis de vinhos únicos inspiram sua paixão<br />
Que a uva imersa aguarda entre o ventre escuro<br />
Protegida, transbordando novamente a ira evidente</p>
<p>Só, ofereço aos deuses famintos a nata suave</p>
<p>Arbustos ralos em meio a colinas maciças<br />
Respiram o lis ondulado<br />
Coberto por minha boca sedenta</p>
<p>Vocábulos caem com fragrância de amêndoas</p>
<p>16/12/2008</p>

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</ol></p>]]></content:encoded>
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		<title>Magnetismo Universal</title>
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		<pubDate>Sun, 14 Dec 2008 03:10:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Nesta enseada de vísceras dispersas, branco intenso de gotas transparentes, cidade que se esconde pálida em tua aparência de veludo, seda e carbono, que cega as milhares de perfeitas constelações gregas, erguidas há milênios como símbolos de inspiração abissal, olho para a bússola de meus horizontes cândidos onde me encontro arfante amarrado. Vem, abre o [...]


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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nesta enseada de vísceras dispersas, branco intenso de gotas transparentes, cidade que se esconde pálida em tua aparência de veludo, seda e carbono, que cega as milhares de perfeitas constelações gregas, erguidas há milênios como símbolos de <a href="http://www.transtorno.net/tag/inspiracao/">inspiração</a> abissal, olho para a bússola de meus horizontes cândidos onde me encontro arfante amarrado.</p>
<p>Vem, abre o manto d’água que respinga junto a mim, queimando em folhas minha pele e minhas escamas. Vem, abre o mar e me aguarda, indica a espuma de onde surgiste em cada onda, aponta os céus e respira, tirando vida do barro que me cobre. Vem, queima com a sutileza de tua voz as amarras que me cortam quando me apontas o mundo sorrindo e soletra perversa a luz que me afoga.</p>
<p>Cria vida nessa escuridão que alastra em mim, cria vida nesse alarde que faço no vazio que preenches com teu sermão vermelho. Faz de mim o arco que tensiona ao puxar minha alma alaranjada, refletindo palidamente tua cor de chamas, que chama meu falo erguido à divindade, cravo profundo nas aparas vivas, dívida para com a natureza.</p>
<p>Ergo me sempre para jamais questionar se as cores, cortes e cheiros que chegam junto a meus sentidos, buscando a essência da hipnose, são passageiras ou se são guias, se se deixam levar ou se levam como um oceano de sal que jorra de mim, varrendo a terra passiva, que se umedece e abre com o calor da afeição e dos ardis da semente.</p>
<p>Abro meus braços cicatrizados deixando que teu norte me guie, encontro destino em todos os cardeais, magnetismo absoluto que me desvirtua, corrompe e perde quando moves meu ponteiro, que te adentra como grão e prisma de cores estapafúrdias, selecionadas uma a uma, sem me incomodar se é o caminho da mão esquerda perante o qual meus joelhos dobram se busco minhas forças recompostas.</p>
<p>Faz das formas gigantes, absolutas e milimétricas, da pureza assassinada de todo ser, de minha cegueira, faz de tudo que se move e do porvir pura aniquilação!</p>
<p>Quando me perco, sem ver insetos e rastros ondulantes no céu almiscarado, me esqueço. Quando me perco, me encontro navegando questões filosóficas e existenciais: se o entardecer é mais cadenciado nas manhãs de inverno, se o sol aquece formigas solitárias no verão de outros continentes, se o frio dos pólos tornaria minha pele sólida, uma vez amaciada pelos beijos que arrancam minhas formas em camadas.</p>
<p>Exposto unicamente, perduro na essência única da união, extrema unção, do óleo que cobre tua testa, olhos e lábios rubros, dos impronunciáveis nomes, dos números infinitos e suas combinações, do <a href="http://www.transtorno.net/tag/ocultismo/">ocultismo</a> e seus <a href="http://www.transtorno.net/tag/segredos/">segredos</a>.</p>
<p>Duplamente, perduro onde termino e recomeço, onde o reino dos mortos passa por nós, rápido e afobado, sob o signo de escorpião, ao renascer na sentença de vida, na boca aberta de <a href="http://www.transtorno.net/tag/desejo/">desejo</a> que se fecha, reiniciando a unidade do culto dos astros.</p>

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</ol></p>]]></content:encoded>
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		<title>Amanhecer no Inferno</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Dec 2008 01:59:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Sem lágrimas, o senhor dos campos prepara seu desjejum entre dilúvios infindáveis. O dia surgia aguado, observando ainda sutil por entre os seios da terra, no momento em que os cristais d’água se transformavam. Ora, os discrepantes reinos, eletrificados no fastio dos pólos, reagente às mortais aberrações que gritam na natureza madre, não são também [...]


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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sem lágrimas, o senhor dos campos prepara seu desjejum entre dilúvios infindáveis. O dia surgia aguado, observando ainda sutil por entre os seios da terra, no momento em que os cristais d’água se transformavam. Ora, os discrepantes reinos, eletrificados no fastio dos pólos, reagente às mortais aberrações que gritam na natureza madre, não são também a casa que emana as sendas dos aprendizes alquímicos?</p>
<p>Mas nem perdão nem tragédias ofuscariam o retorno do alvorecer doentio, cabendo às tormentas, em todo seu esplendor, invadir mares e terras, ocidentais e orientais, lançando corpos pela estrada em que um vidente-viajante <a href="http://www.transtorno.net/tag/busca/">busca</a> a feição que mais lhe agrade, tendo à escolha todos os corpos perdidos entre pedras e lama.</p>
<p>Borboletas, temendo rotinas efervescentes, adornam a moldura do horizonte oblíquo, descontínuo, enquanto pendem às rotas ígneas os demônios pequenos, olhos faiscantes e emitindo ondas. Semelhante às dores de um parto, somadas às dores de estômago infernalmente pontiagudas e afiadas &#8211; para saná-las, os habitantes são banhados em vinagre e álcool -, o bater de asas move o globo em torno de seu eixo.</p>
<p>A força dos dedos anular e indicador, enterrados na carne de uma donzela, à altura do peito, em <a href="http://www.transtorno.net/tag/busca/">busca</a> do coração que servirá de alimento – apenas após temperado, que fique claro -, compara-se ao sopro de minha voz em uma manhã gloriosa, diferenciando-se também da qualidade dos orgasmos provocados quando se toca a baioneta afiada, provocante e diversa.</p>
<p>Em torno do anel-espiral que as lâminas abrem no ponto exato da carne levemente pálida, a boca aberta em espasmos contrai seus músculos do ventre à garganta, lançando jatos de sangue, vomitados através do ar com sua ajuda. Os olhos se contraem nas mais desesperadas linhas, obrigando a face a acompanhá-los em seus movimentos ondular-requebrantes, como que aliados ao sismógrafo, perdido quando a terra <a href="http://www.transtorno.net/tag/danca/">dança</a> sob meus pés.</p>
<p>O restante do corpo é preenchido com a seiva da eternidade, popularmente conhecida como formol, dando à luz um filho que levará o nome de Embalsamado. Nele frutificarão os germes da idolatria mítica, acolhidos com fervor pela massa desfigurada, amotinante, descomplexa, incubada e inoculada, grunhindo deboches estéreis que caem pelas ventas e ouvidos, podres como uma pasta malcheirosa.</p>
<p>Entre as milhares de sentenças que podem ser encontradas em <a href="http://www.transtorno.net/tag/livros/"><a href="http://www.transtorno.net/livros/">livros</a></a>, desde os de caligrafia até os filosóficos, ruínas emergentes se escondem: os mistérios da mente são maiores que os do corpo, já invadido por bisturis, sondas e radiografias, liderados por membros de sociedades obstinadas.</p>
<p>Meu paladar se delicia com os órgãos aflitos: imagino despojos femininos me afagando e lançando sua saliva contra meu rosto coberto de feridas, tomando meu brilho em seu olhar ao me perfurar com os talheres que outrora usei. Da lâmina à cama, mais uma vez a morte faz leito sobre corpos que repousam, abafados pelo calor da respiração ofegante e do coração sincopado.</p>
<p>Observo os lugares tomados em volta da gigantesca mesa, bordada e decorada com dentes serviçais, castiçais ergonômicos e fadigas uterinas. Meu olhar torna-se rubro como o vulcão que tudo à volta destrói, por certo criado em banhos de cera fervente, ao perceber que o deleite que me toma nada espanta aos convivas e habituais. A esfera epil<a href="http://www.transtorno.net/tag/etica/">ética</a> dos corpos unidos desmaia mesmo a apoplexia que sorri no gozo.</p>
<p>Celebramos, portanto, nessa manhã, a orgia infindável da Trindade da Carne. Desfeitos e complexos, infinitos, a luxúria do vinho e do sangue, do paladar da pele, o mergulho da entrega, o dar-se ao eterno.</p>
<p>Brindamos nessa manhã o ciclo que abraça, a <a href="http://www.transtorno.net/tag/vertigem/">vertigem</a> que aquece.</p>
<p>Saturno implora pela repetição refletida em seus anéis, dando ao mar o nascer da estrela da manhã: Vênus e Marte traçam linhas desde tempos ancestrais.</p>
<p>Somos Dois à mesa posta.</p>
<p>São os Três eternos a nos mimar.</p>
<p>A luz de Kether acima.</p>

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<li><a href='http://www.transtorno.net/2008/12/agape/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Ágape'>Ágape</a></li>
</ol></p>]]></content:encoded>
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		<title>Retorno e movimento</title>
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		<pubDate>Sat, 15 Nov 2008 23:44:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Rabiscos]]></category>
		<category><![CDATA[Bataille]]></category>
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		<description><![CDATA[Mais um dos textos que estavam esquecidos em algum lugar, nas gavetas de casa. Revirar as gavetas faz com que eu revire também as internas. Segue: O corpo único, vertiginoso em todo seu momento, incorpora duos. Perde-se em si próprio em um ciclo que, quando completo, se reinicia: espiral que aumenta a perda/ganho, mais-querer. É [...]


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			<content:encoded><![CDATA[<p>Mais um dos textos que estavam esquecidos em algum lugar, nas gavetas de casa. Revirar as gavetas faz com que eu revire também as internas.</p>
<p>Segue:</p>
<p>O corpo único, vertiginoso em todo seu momento, incorpora duos.</p>
<p>Perde-se em si próprio em um ciclo que, quando completo, se reinicia: espiral que aumenta a perda/ganho, mais-querer.</p>
<p>É necessário o reiníncio que unicamente pode substituir a frustração pelo êxtase, como diria <a href="http://www.transtorno.net/tag/bataille/">Bataille</a>, &#8220;ele mesmo é a mulher já esquecida da presença dele, mas excitada no aperto de seus braços&#8221; ou, em Nietzsche, &#8220;todo prazer requer eternidade&#8221;.</p>
<p>Sim, é este eco que se faz ouvir, no brado do sensível a <a href="http://www.transtorno.net/tag/busca/">busca</a> do gozo impossível, do extremo que ultrapassa o coito. Transgressão: <a href="http://www.transtorno.net/tag/busca/">busca</a> de retorno progressivo à situação natural, de onde surge o apelo de vida, o apelo de morte, o <a href="http://www.transtorno.net/tag/amor/">amor</a> que rege o homem-natural, solitário, única chama, acompanhado do impulso erótico que mantém acesa a <a href="http://www.transtorno.net/tag/busca/">busca</a> inatingível do Super-Homem.</p>
<p>&#8220;O movimento é figura do <a href="http://www.transtorno.net/tag/amor/">amor</a> (&#8230;) e o esquecimento que vai condicioná-lo&#8221;. Novamente recomeçará o movimento, assumirá seu ritmo, mantendo a dial<a href="http://www.transtorno.net/tag/etica/">ética</a> de vida e de morte se enlaçando.</p>
<p>Corpos em furto mútuo de complementação/continuação. Inacabável explosão que exige seu fim para renascer. Essa Fênix interna alimenta o consciente com <a href="http://www.transtorno.net/tag/sensacoes/">sensações</a> e tira sua lógica entregando-o ao outro, incorporando-o, completando o ciclo, expandindo-se em si próprio.</p>
<p>Espiral: do fim ao começo, do meio ao começo e ao fim a superação grita seu espaço, se expandindo/superando em torno do centro, o imaginário.</p>
<p>Este movimento se torna mortal em uma relação de dependência extrema, onde se recria ou se morre/ assassina.</p>
<p>A natureza exige ser recriada sobre a pena de recriar.</p>
<p>- Algum dia de 1991</p>

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