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	<title>Transtorno&#187; Voltaire &raquo; Vertigem, Ruptura e Pensamentos Transgressivos</title>
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	<description>Vertigem, Ruptura e Pensamentos Transgressivos</description>
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		<title>Progresso: tragédia ou esperança distante?</title>
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		<pubDate>Fri, 17 Jan 2003 01:41:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hilton S.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
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		<description><![CDATA[&#8220;As narrações feitas para a cena são mais ordenadas e elegantes e aprazem mais que as verdadeiras narrações tomadas da história&#8221; - Francis Bacon &#8211; Novum Organum (Livro I, LXII) O presente trabalho tem por objetivo examinar o Progresso a partir de Bacon, Voltaire e Rousseau. O documento enfoca a relação entre o progresso tecnológico [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>&#8220;As narrações feitas para a cena são mais ordenadas e elegantes e aprazem mais que as verdadeiras narrações tomadas da história&#8221;</p></blockquote>
<p>- Francis <a href="http://www.transtorno.net/tag/bacon/">Bacon</a> &#8211; Novum Organum (Livro I, LXII)</p>
<p>O presente trabalho tem por objetivo examinar o <a href="http://www.transtorno.net/tag/progresso/">Progresso</a> a partir de <a href="http://www.transtorno.net/tag/bacon/">Bacon</a>, <a href="http://www.transtorno.net/tag/voltaire/">Voltaire</a> e <a href="http://www.transtorno.net/tag/rousseau/">Rousseau</a>. O documento enfoca a relação entre o <a href="http://www.transtorno.net/tag/progresso/">progresso</a> tecnológico e o <a href="http://www.transtorno.net/tag/progresso/">progresso</a> <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a> da <a href="http://www.transtorno.net/tag/humanidade/">humanidade</a>, em resposta à proposta apresentada na frase de Campanella, &#8220;Há mais história em 100 anos do que teve o mundo em cinco milênios&#8221;.</p>
<p><a href="http://www.transtorno.net/tag/bacon/">Bacon</a> crê, conforme cita Paulo Rossi em &#8220;Naufrágios sem espectador&#8221; que &#8220;seria vergonhoso para os homens se, após ter revelado e ilustrado o aspecto do orbe material, isto é, das terras, dos mares, dos astros, os confins do orbe intelectual permanecessem dentro dos limites restritos das descobertas dos antigos&#8221; (ROSSI, 1996, p. 62). Parece-me, porém, que embora <a href="http://www.transtorno.net/tag/bacon/">Bacon</a> tenha percebido o problema em questão, não tenha, no entanto, deixado uma alternativa tão clara para solucioná-lo.</p>
<p>O fato, porém, é que se há mais <a href="http://www.transtorno.net/tag/progresso/">progresso</a> em 100 anos, ou mesmo nas quatro épocas de que fala <a href="http://www.transtorno.net/tag/voltaire/">Voltaire</a>, temos um novo problema: a relação entre as tecnologias e o espírito humano, pois percebemos que o tempo necessário para <a href="http://www.transtorno.net/tag/mudancas/">mudanças</a> no espírito e nas tecnologias não é o mesmo, exigindo, portanto, métodos de trabalho diferentes, embora não desarticulados. Temos que levar em conta também que aqueles cinco milênios podem ter sido, como disse J.G. Herder, em Também uma <a href="http://www.transtorno.net/tag/filosofia/"><a href="http://www.transtorno.net/filosofia/">filosofia</a></a> da história para a formação da <a href="http://www.transtorno.net/tag/humanidade/">humanidade</a>, &#8220;uma idade heróica de um tempo de patriarcas, para que nos remotos antepassados de toda a posteridade se tenham podido constituir e implantar para sempre as primeiras formas próprias do gênero humano&#8221; (HERDER, 1995, p. 8). Estes 100 anos não teriam existido sem uma estrutura anterior e podem, por sua vez, vir a enfraquecer o espírito, ameaçando assim a continuidade de si, do próprio <a href="http://www.transtorno.net/tag/desenvolvimento/">desenvolvimento</a>.</p>
<p>Ainda segundo Herder, &#8220;O egípcio não teria sido egípcio sem o ensino ministrado à criança no Oriente e o grego não teria chegado a ser grego sem a aplicação escolar dos egípcios. A repugnância dos que vêm depois só mostra que houve <a href="http://www.transtorno.net/tag/desenvolvimento/">desenvolvimento</a>, progressão, que se foram subindo os degraus da escada!&#8221; (id., ibid., p. 20) e continua depois, falando sobre os fenícios, &#8220;decerto que este estado que agora surgia quase não tinha pontos de contato com a vida pastoril do Oriente. Desapareceram o sentimento da família, a religião e o prazer calmo da vida do campo&#8221; (id., ibid., p. 24). Quando o espírito tem uma estrutura firme que lhe sirva de base, há uma relação viva entre ele e aquela, sua <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a>. Quando esta relação se enfraquece, distanciando-se da vida prática tanto do indivíduo quanto do grupo, ela é escrita para que dela se lembrem. As leis são escritas para que a influência de outras leis, outros costumes, não as apague, causando então um conflito entre os particulares e o universal. Há aqui uma concordância com <a href="http://www.transtorno.net/tag/bacon/">Bacon</a> na existência do <a href="http://www.transtorno.net/tag/progresso/">progresso</a> e na dívida para com os antigos, levando em consideração, porém, que nem todas as idéias precisam e devem ser substituídas, questionando a realidade-qualidade da ruptura: &#8220;será possível que debaixo da tenda do patriarca, onde reinavam exclusivamente o respeito, o exemplo, a autoridade, fosse o medo &#8211; na estreiteza do vocabulário da nossa <a href="http://www.transtorno.net/tag/politica/"><a href="http://www.transtorno.net/politica/">política</a></a> &#8211; a mola propulsora da governação?&#8221; (id., ibid., p. 12).</p>
<p><a href="http://www.transtorno.net/tag/bacon/">Bacon</a> nos diz no prefácio do Novus Organum que &#8220;resta, como única salvação, reempreender-se inteiramente a cura da mente&#8221; (id., ibid., p. 12) e continua no aforismo XXXI, Livro I, &#8220;vão seria esperar-se grande aumento nas ciências pela superposição ou pelo enxerto do novo sobre o velho. É preciso que se faça uma restauração da empresa a partir do âmago de suas fundações, se não se quiser girar perpetuamente em círculos, com magro e quase desprezível <a href="http://www.transtorno.net/tag/progresso/">progresso</a>&#8221; (id., ibid., p. 25). Deste modo é preciso ter o processo bem claro em mente, ou corre-se o risco de confundir tecnologia com a estrutura <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a> do espírito humano, substituindo esta a cada vez que a primeira é atualizada, adaptando a natureza humana ao <a href="http://www.transtorno.net/tag/desenvolvimento/">desenvolvimento</a> tecnológico, tornando-a escrava e colocando-a em movimento num ritmo que não é seu.</p>
<p>As tecnologias são atualizadas rapidamente, tornando necessária a correção de problemas antes inexistentes que darão lugar a outros, novos, que surgem em decorrência do ritmo frenético com que novas ferramentas são criadas. As tecnologias são substituídas por outras novas antes mesmo de terem sido assimiladas. O espírito humano não acompanha esse ritmo e se tentar acompanhá-lo perderá sua capacidade criativa, bem como sua estrutura <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a> que se enfraquecerá, esquecida. Tornar-se-á apenas uma máquina de assimilação, vindo a frustrar-se por sua incapacidade e, ou deixará de pensar no problema tornando-se mecânico ou perceberá a grandeza da miséria que dele se apossa, acordando então por sobre o <a href="http://www.transtorno.net/tag/abismo/">abismo</a> que surgiu entre seu espírito e o <a href="http://www.transtorno.net/tag/desenvolvimento/">desenvolvimento</a> tecnológico do mundo. Claro que poderão dizer que esse <a href="http://www.transtorno.net/tag/progresso/">progresso</a> irá puxar consigo o espírito humano, facilitando seu aprendizado enquanto o adapta para mais coisas. Mas que coisas seriam essas? Tecnologias? Adaptação para a adaptação a novas tecnologias?</p>
<p>Não podemos, contudo, culpar a tecnologia por isso, pois como escreve <a href="http://www.transtorno.net/tag/santo-agostinho/">Santo Agostinho</a> em A Cidade de <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a>, &#8220;as naturezas também desagradam aos homens, porque não as consideram em si, mas em sua utilidade&#8221; (AGOSTINHO, 1990, p. 65). No aforismo XLII do Livro I, <a href="http://www.transtorno.net/tag/bacon/">Bacon</a> parece prever, em parte, algumas idéias de <a href="http://www.transtorno.net/tag/rousseau/">Rousseau</a>, no que se refere à possibilidade dos homens serem corrompidos pela educação, leitura e contato com os demais: &#8220;Os ídolos da caverna são os homens enquanto indivíduos. Pois, cada um &#8211; além das aberrações próprias da natureza humana em <a href="http://www.transtorno.net/tag/geral/">geral</a> &#8211; tem uma caverna ou uma cova que intercepta e corrompe a luz da natureza: seja devido à natureza própria e singular de cada um; seja devido à educação ou conversação com os outros; seja pela leitura dos <a href="http://www.transtorno.net/tag/livros/"><a href="http://www.transtorno.net/livros/">livros</a></a> ou pela autoridade daqueles que se respeitam e admiram&#8221; (<a href="http://www.transtorno.net/tag/bacon/">BACON</a>, 1973, p. 27). Neste sentido, <a href="http://www.transtorno.net/tag/bacon/">Bacon</a> rompe também com a idéia agostiniana da &#8220;má <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a>&#8221; quando fala em &#8220;aberrações próprias da natureza humana&#8221;. É necessário identificar o ponto onde a luz está sendo corrompida e mesmo identificar se aquelas &#8220;aberrações&#8221; não são uma contradição à sua própria <a href="http://www.transtorno.net/tag/filosofia/"><a href="http://www.transtorno.net/filosofia/">filosofia</a></a>.</p>
<p>Chegamos, com isso, à questão da revolução: parece-me que o conceito de revolução, no sentido planetário, funcionaria aqui como um retorno, determinando um novo início, um marco para que o <a href="http://www.transtorno.net/tag/progresso/">progresso</a> do espírito possa acompanhar o <a href="http://www.transtorno.net/tag/progresso/">progresso</a> tecnológico e, a partir dai, outras revoluções não seriam possíveis para &#8220;não girar perpetuamente em círculos&#8221;. As <a href="http://www.transtorno.net/tag/mudancas/">mudanças</a> do espírito por princípio devem ter sido separadas da tecnologia, pois embora devam acompanhar o <a href="http://www.transtorno.net/tag/progresso/">progresso</a> tecnológico, nada indica que seja ao mesmo tempo, de forma que o <a href="http://www.transtorno.net/tag/progresso/">progresso</a> continuaria de forma cíclica ou linear, ou ambas, coexistindo. Cabe perguntar se seria possível que tivéssemos aqui incluída alguma <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a> atemporal: parece-me que sim, posto que o próprio <a href="http://www.transtorno.net/tag/progresso/">progresso</a>, uma vez instaurado, torna-se, enquanto movimento, atemporal. Resta então perguntar &#8211; e talvez esta pergunta tivesse de vir antes &#8211; qual a possibilidade real de uma revolução como esta e qual a sua relação com a utopia da Nova Atlântida.</p>
<p>No caso de uma revolução, como determinaríamos os valores/idéias que seguirão dai? Não me parece que esta revolução possa ser universal sem o entendimento claro do que é natural, pois como observa <a href="http://www.transtorno.net/tag/bacon/">Bacon</a> no aforismo XLI &#8220;é falsa a asserção de que os sentidos do homem são a medida das coisas&#8221; (<a href="http://www.transtorno.net/tag/bacon/">BACON</a>, 1973, pg. 27) e no aforismo XXII &#8220;tanto uma como a outra via partem dos sentidos e das coisas particulares e terminam nas formulações da mais elevada generalidade&#8221; (id., ibid., p. 23). Fica claro que a proposta de <a href="http://www.transtorno.net/tag/bacon/">Bacon</a> é, nesse sentido, a de uma revolução de caráter cristão, de conotação praticamente religiosa, e como tal, inquestionável para os que nele tem fé, pois só assim teria a universalidade necessária para se aproximar de sua utopia.</p>
<p><a href="http://www.transtorno.net/tag/adorno/">Adorno</a> nos diz que &#8220;somente são verdadeiras aquelas reflexões sobre o <a href="http://www.transtorno.net/tag/progresso/">progresso</a> que mergulham nele sem deixar de manter distância&#8221; (<a href="http://www.transtorno.net/tag/adorno/">ADORNO</a>, 1992, 27, p. 218) e, no mesmo artigo, mais à frente &#8220;tampouco cabe uma idéia de <a href="http://www.transtorno.net/tag/progresso/">progresso</a> sem a de <a href="http://www.transtorno.net/tag/humanidade/">humanidade</a>&#8221; (id., ibid., p. 219). Se pensarmos na relação da <a href="http://www.transtorno.net/tag/humanidade/">humanidade</a> com o <a href="http://www.transtorno.net/tag/progresso/">progresso</a> nos cem anos de história de que fala Campanella, dificilmente chegaríamos a um resultado positivo. Não falo apenas dos eventuais prejuízos causados à <a href="http://www.transtorno.net/tag/humanidade/">humanidade</a> daquele período, mas também de prejuízos que chegam aos dias de hoje. Os acidentes da tecnologia colaboram para o <a href="http://www.transtorno.net/tag/progresso/">progresso</a>, criando formas de evitar novos desastres. Os acidentes das idéias nos tornam ainda mais miseráveis.</p>
<p>Temos ainda de ver que a ação do grupo social catalisou a ação da miséria espiritual, independente da possibilidade da natureza humana ser boa ou má, pois o enfraquecimento da forte estruturação dos primeiros milênios alterou a forma como se deu o <a href="http://www.transtorno.net/tag/progresso/">progresso</a> e com isso aceitamos que no início a <a href="http://www.transtorno.net/tag/humanidade/">humanidade</a> teve <a href="http://www.transtorno.net/tag/progresso/">progresso</a>, lento e estruturado: sem aquele o <a href="http://www.transtorno.net/tag/progresso/">progresso</a> sequer teria existido. Tanto a teoria agostiniana da má <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a> quanto a má natureza do homem ou a ação negativa da sociedade teriam o mesmo efeito devastador ao longo dos tempos, pois o <a href="http://www.transtorno.net/tag/progresso/">progresso</a> agiria, em todos os casos, como catalisador. Contudo, em Agostinho, a <a href="http://www.transtorno.net/tag/humanidade/">humanidade</a> já está dividida pela providência e não seria necessário <a href="http://www.transtorno.net/tag/progresso/">progresso</a> para <a href="http://www.transtorno.net/tag/despertar/">despertar</a> sua má <a href="http://www.transtorno.net/tag/vontade/">vontade</a>, pois, não fosse este, outra coisa seria.</p>
<p>Quanto às artes me parece haver um problema maior e <a href="http://www.transtorno.net/tag/rousseau/">Rousseau</a> comenta, sabiamente citando Sócrates, em seu &#8220;Discurso sobre as ciências e as artes&#8221;: &#8220;não sabemos, nem os sofistas, nem os poetas, nem os oradores, nem os artistas, nem eu, o que é a verdade, o bom, o belo. Mas há entre nós uma diferença: é que conquanto essas pessoas nada saibam, todas elas acreditam saber algo. Ao passo que eu, se nada sei, não tenho dúvida disso&#8221; (<a href="http://www.transtorno.net/tag/rousseau/">ROUSSEAU</a>, 1999, p. 20). A ausência de estrutura de <a href="http://www.transtorno.net/tag/desenvolvimento/">desenvolvimento</a> causa esse tipo de problema: se na época de Sócrates os artistas nada sabiam, podemos nós imaginar quantos pensavam saber nos tempos de <a href="http://www.transtorno.net/tag/rousseau/">Rousseau</a>, quando haviam, em número, multiplicado. Imaginemos então hoje, quando qualquer um que se proclame artista o será. Aqui parece haver um <a href="http://www.transtorno.net/tag/progresso/">progresso</a> apenas numérico, oposto ao <a href="http://www.transtorno.net/tag/progresso/">progresso</a> <a href="http://www.transtorno.net/tag/moral/">moral</a>. Não há <a href="http://www.transtorno.net/tag/progresso/">progresso</a> artístico, mas apenas uma seqüência de sobreposições e continuam &#8220;os interesses e os desejos do homem a faltar antes mesmo que as artes tenham atingido a perfeição&#8221; (ROSSI, 1996, p. 111).</p>
<p>Na <a href="http://www.transtorno.net/tag/busca/">busca</a> de suprir a falta da idéia de <a href="http://www.transtorno.net/tag/humanidade/">humanidade</a> criam-se conceitos humanitários, limitados e questionáveis, tornando algumas idéias em mitos ao mesmo tempo em que banalizam outras. Citando <a href="http://www.transtorno.net/tag/bacon/">Bacon</a>, Paulo Rossi diz que &#8220;a razão de <a href="http://www.transtorno.net/tag/esperanca/">esperança</a> &#8216;que se extrai dos <a href="http://www.transtorno.net/tag/erros/">erros</a> do passado é a maior de todas&#8217;&#8221; (id., ibid., p. 59) e seque &#8220;quanto mais negro é o passado, mais luminosas são as esperanças para o futuro&#8221; (id., ibid., p. 60). Cabe saber então quão negro é nosso passado e mesmo se foi negro ou se essa escuridão é mais moderna do que imaginamos. Se concluirmos que a modernidade trouxe a escuridão, poderemos então ter certeza de que as esperanças devem recair sobre um futuro bastante distante.</p>
<p><strong>Referências bibliográficas</strong><br />
<a href="http://www.transtorno.net/tag/adorno/">Adorno</a>, T.W., &#8220;<a href="http://www.transtorno.net/tag/progresso/">Progresso</a>&#8221;, <em>Lua Nova</em>, 1992, 27<br />
Agostinho, S., <em>A Cidade de <a href="http://www.transtorno.net/tag/deus/">Deus</a></em>, Editora Vozes, 1990<br />
<a href="http://www.transtorno.net/tag/bacon/">Bacon</a>, F., <em>Pensadores</em>, São Paulo, Abril Cultural, 1973<br />
Herder, J.G., <em>Também uma <a href="http://www.transtorno.net/tag/filosofia/"><a href="http://www.transtorno.net/filosofia/">filosofia</a></a> da história para a formação da <a href="http://www.transtorno.net/tag/humanidade/">humanidade</a></em>, Lisboa, Antígona, 1995<br />
Nascimento. M.G.S. do, &#8220;Instauratio, Revolutio: docta spes&#8221;, <em>Discurso</em>, ____, 31<br />
<a href="http://www.transtorno.net/tag/rousseau/">Rousseau</a>, J.J., <em>Discurso sobre a <a href="http://www.transtorno.net/tag/ciencia/">ciência</a> e as artes</em>, São Paulo, Martins Fontes, 1999<br />
Rossi, P., <em>Naufrágios sem espectador</em>, São Paulo, Editora Unesp, 1996</p>]]></content:encoded>
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